A Maldição de Hans
19 Lágrimas de Fênix
Notas iniciais
– Nunca mais fuja de mim! – Peter sibilou diante de mim. Me levantei e o deixei ir na frente enquanto Keith vinha atrás de mim como que para evitar que eu viesse a fugir novamente. Ao entrar no quarto, me virei para os dois como se soubesse que eles iriam me perguntar algo, mas não o fizeram. — Saia Keith. – Ordenou Pan. – Se você estiver escutando minha conversa, sabe muito bem o que vai acontecer. – Meu pai se retirou e então ficamos apenas meu avô e eu.
– Por que você me salvou? – Perguntei segundos depois de ficarmos sozinhos.
– Isso é um assunto que só diz respeito á mim. Eu não tenho que dar satisfações para uma garota. – Nesse momento fiz algo que poderia ter sido a minha pior ação: Eu o peguei pelo braço.
– Por favor, Peter. – Nossos olhares se cruzaram e quando vi certo brilho em seus olhos pude ter minha resposta. – Você não quer que eu vá embora. – Concluí após saber o que ele sentia por mim.
– Você tem sorte de ser minha neta, caso contrário eu a faria se arrepender de ter nascido. NINGUÉM encosta-se a mim. – A última frase soou muito com um berro.
– Eu sei que não quer admitir por que prefere este lugar, mas eu posso tentar ajudá-lo com uma coisa que você nunca viu na vida.
– E o que seria? — Pan perguntou ainda meio sério.
– Lágrimas de fênix. – Pela expressão no rosto dele pude notar o quanto ficou surpreso.
– Como se você tivesse isso. – Retrucou sorrindo maroto.
– Nem Keith sabe disso, mas eu sou uma Fênix Humana.
– E no que isso me ajudaria?
– Tenho uma teoria de que lágrimas de fênix podem impedir o envelhecimento se ingerido.
– Quem diria que você é mesmo esperta como seu pai me contara.
– É de família não é? Herdei minha inteligência de você.
– Sei que isso é bajulação, mas obrigado.
– Não gosta de ouvir a verdade? – Ele riu.
– É bom ouvi-la somente das meninas. – Peter foi até um armário á algum metro de mim e de lá tirou uma espécie de xícara com um líquido que só percebi ser uma espécie de chá de erva doce quando senti o cheiro. – Beba. Acho que seria bom se você tomasse algo quente para se prevenir do frio. – O obedeci e bebi o chá que foi descendo pela minha garganta até que eu não pude mais sentir o gosto.
– Você quer minhas lágrimas. – Concluí após perceber por que ele estava sendo tão gentil e prestativo mesmo quando não fazia nem meia hora atrás que eu o irritara. Comecei a me sentir tonta e desabei na cama ao mesmo tempo em que meus olhos se fechavam como se eu não dormisse havia dias.
Ao acordar, eu estava amarrada numa árvore e todos os meninos perdidos – incluindo Keith – e Peter estavam lá.
– Sabe de uma coisa Annabeth? – Pan perguntou, começando a me rodear. – Para que eu não tenha que fazer você sofrer tanto como deveria, acho que um matrimônio entre você e eu seria bom considerando que se não o fizer posso acabar com aquilo que você ama. – Quando olhei para baixo pude ver que Pan estava com sua adaga apontando para minha barriga.
– Não! – Supliquei e as primeiras lágrimas começaram a rolar. Alguns meninos vieram com jarros nas mãos cada um em um lado da bochecha.
– Isso mesmo Annabeth. Seja uma boa menina e faça o que eu quero. – Havia um sorriso malicioso se formando em sua boca. — Se nós dois ficarmos juntos, eu poderei ficar jovem quando quiser.
– E quando eu morrer? Você não teria mais sua fonte da juventude.
– Eu farei você engolir suas próprias lágrimas para que assim não nos separemos – O sorriso de Pan se intensificou.
Um de seus recrutas se aproximou junto com um chicote negro e grosso, envolveu uma parte do chicote na mão e olhou de soslaio para Pan:
– Aonde quer que eu acerte?
– No ombro. – O som do chicote estalando no chão não sairia da minha memória tão cedo quanto parecia. Em seguida, fechei os olhos e logo após senti uma dor excruciante na área de meu ombro que fora atingida.
– Como vai saber que vai ficar jovem sendo que você nem ao menos sabe minhas lágrimas retardam o envelhecimento?
– É muito simples. Felix, traga Baelfire.
– Com prazer.
– Vão com ele, meninos. Annabeth e eu temos muitos assuntos particulares para tratarmos. – Todos os Meninos Perdidos se retiraram e Peter se aproximou de mim e acariciou meu rosto com a mão. – Perdoe-me minha preciosa Annabeth.
– O que você vai fazer comigo? – Perguntei de forma que pareceu mais com um sussurro.
– Se você me der suas lágrimas, eu posso te soltar.
– Está mesmo pensando em me deixar ir embora agora que sabe meu segredo?
– Se eu não pensasse nisso, você estaria numa situação pior. E eu posso ter um matrimônio com você ou então os três corações dentro de você pararão de bater para sempre.
– Elas não têm nada a ver com isso Peter.
– Elas têm sim Annabeth. Elas serão minhas enteadas e sobreviverão caso você me obedeça.
– E você não acha muito estranho que um avô se case com sua única neta mulher?
– Não. E pelo o que eu mesma saiba, não é de se estranhar se uma coisa dessas acontecer, pois soube que é muito comum coisas desse tipo ocorrerem lá no seu mundo. — De repente, um homem adulto surgiu das árvores correndo de algo. Ele portava uma espécie de espada. Pan o encarou por alguns segundos, sorrindo maliciosamente. – Olha só, quando tempo Baelfire.
– Acha mesmo que vai me manter preso aqui por mais tempo? – Então ele aparentemente olhou para mim. – Quem é a garota?
– Vocês não se conhecem? – Peter parecia surpreso. – Esta é Annabeth, minha única neta menina.
– Neta? Como assim? Pensei que só tivesse a mim como seu neto.
– Não sabia que Keith tinha filhos?
– Keith, o menino perdido?
– Exatamente.
– Espera aí, ele é meu tio?
– Nossa Baelfire, como você é lento no processo de informações. Agora chega de conversa. – Peter pegou na adaga e apontou para mim. – Larga essa espada ou ela morre.
– Não acho que seria capaz de machucar sua neta.
– Ou eu acerto ela ou as crianças que ela carrega. – Baelfire largou a espada e pôs as mãos para cima.
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