A Maldição da Wicca

26 Joys and Desires - Part 1


HERMIONE

Quando entrei no Salão de Festas, descendo as escadarias com Rony e os demais campeões, me senti estranhamente orgulhosa.

Não que eu me achasse superior nem nada disso... mas o fato de ver todas aquelas pessoas reunidas ali me olhando com um misto de fascinação e choque me deixava um pouco convencida. Minha cabeça, irônica, pisava mentalmente em todos os garotos que me encaravam embasbacados.

“Olhem mesmo... por que é tudo que conseguirão fazer comigo”, minha consciência, maldosa, dava acenos para os rapazes. “Já tenho dono, seus assanhados”.

Apertei o braço de Rony, sorrindo. Ele se virou para mim, com um sorriso arrasador no rosto em resposta, que fez minha barriga se arrepiar de carinho.

Ah, ele parecia tão feliz... aquilo mexia comigo de modos que eu nunca esperava sentir. Sua expressão satisfeita e contente provocava sensações estranhas e maravilhosas em meu corpo, entre arrepios e calores de felicidade.

Rony vinha me surpreendendo cada vez mais... com toda a loucura que me rondava agora, ele poderia facilmente ter se afastado. Devia ter se afastado.

Mas ele ficou. Ainda estava ao meu lado, inabalável e absurdamente preocupado.

E eu nunca conseguiria agradecer o suficiente por isso...

Fomos até o centro da pista de dança, sob os olhares de todos os alunos e professores. De longe, vi McGonagall acenar, sorrindo, para nós.

Vi Madelaine puxar Simas para a esquerda, tentando se preparar para a dança. Andrey deslizou para a direita, guiando o buldogue sem rabo que era Mila. Eu e Rony ficamos no centro da pista prateada.

Rony segurou minha cintura com uma mão e segurou a minha mão com a outra. Envergonhada, coloquei minha outra mão em seu ombro. Por que cargas d’água eu estava tão tímida? Era meu namorado que estava ali!

Mas eu sabia por quê.

Aquela seria mais uma nova experiência junto com ele... era emocionante. Tanto quanto nossa viagem á Austrália.

O som delicado de música encheu o ambiente, nos fazendo começar a valsa. Percebi, ao nosso redor, os demais convidados indo para a pista de dança.

Rony tentou me guiar em passos lentos e circulares. Para minha surpresa, ele parecia saber dançar muito bem... bom, pelo menos, meus pés ainda não haviam sido pisados.

– Ora, ora – murmurei, rindo – quem diria que Ronald Weasley sabe dançar...

– Assim você me insulta – ele rebateu, com um sorriso que desmanchou sua expressão de mágoa fingida.

Darel e Nyree apareceram perto de nós, rodando desajeitadamente. Estava claro que valsa não era uma dança popular na tribo Tokonga – ainda mais com um par que tinha trinta e cinco centímetros de barriga na frente. Nyree ria como uma menininha, mais se divertindo do que dançando de verdade.

– Você está tão linda...

Arrepiei-me com o sussurro de Rony. Era baixo, carinhoso, doce. Derreteu-me tanto que pensei já estar em forma de uma poça com vestido no chão.

Senti minhas bochechas incendiarem.

– Ahn... obrigada.

Aquilo parecia um sonho se realizando... era o conto de fadas com que qualquer garota sonha quando criança... bailar com seu príncipe encantado.

Não que Rony fosse um príncipe encantado – até parece. Nada disso... mas a sensação que eu tinha ali com certeza seria a mesma de qualquer princesa apaixonada...

Droga... como eu amava aquele moleque...

Valsamos por mais alguns minutos, olhando distraidamente para nossos amigos e colegas – eu já vira Neville pisar duas vezes nos pés da coitada da Luna, que fizera a delicadeza de disfarçar suas caretas de dor, e Gina e Harry estavam tão agarradinhos que fiquei preocupada que Rony desse um chilique.

Mas, para minha vergonha e satisfação, ele só parecia ter olhos para mim.

– Você está usando o colar – Rony sorriu.

– É... – toquei o lindo pingente do infinito – eu achei... que seria uma ocasião apropriada. Tenho medo de estragar, então evito usar todo dia – dei de ombros.

Rony acariciou uma mecha de meus cabelos, colocando-a atrás de minha orelha. Aproximei o rosto de sua palma, sentindo o calor de sua mão. Ele fungou, divertido.

– Tem ideia do quanto estou com raiva desses idiotas que estão te olhando agora? – ele me encarou, ficando sério de repente – pensou nisso antes de se vestir... assim?

Ergui a sobrancelha, surpresa. Como assim?

– Você acabou de dizer que estava bonito... – balbuciei, confusa.

– Este é o problema – ele riu, desmanchando sua expressão brava – que diabo, Hermione. Você é bonita demais.

Ri de sua lógica, revirando os olhos.

– Assim você me deixa envergonhada...

A valsa terminou de repente, encerrando nossas danças. Todos aplaudiram.

Antes que deixássemos a pista, porém, outra música começou. Esta, porém, tinha uma batida forte, contagiante, que fez todos gritarem e recomeçarem á dançar, só que sem toda a formalidade da última dança.

– Ah, não acredito! – arfei, puxando Rony de volta para a pista.

– Nem eu! – riu Dino atrás de nós – eles nunca colocaram músicas trouxas para tocar!

– Mas Michael Jackson não é um bruxo que finge ser trouxa? – Rony indagou, também rindo.

– É verdade... – pisquei, sorrindo — você acha que ele mudou de aparência como? Acredita mesmo naquela ladainha de cirurgia? Metaformomago... alô! – brinquei.

Balancei o corpo, entrando no ritmo de Thriller. Rony fez uma imitação de zumbi na minha frente que quase me arrancou lágrimas dos olhos de tanto rir. Nyree também gargalhou, segurando a barriga saliente e balançando a cabeça.

Rony fez mais algumas palhaçadas antes da música acabar, até que outra começou. Aquela simplesmente levou o povo – quer dizer, as meninas – á loucura.

– Hex Girls? – Rony perguntou, dando risada quando me afastei um pouco, fazendo minha mão de microfone e fingindo cantar a música, com a outra mão apontando para ele. Gina fez coral comigo no refrão, fazendo Harry rolar de tanto rir.

I'm gonna cast a spell on you

(Vou lançar um feitiço em você)

You're gonna do what I want you to

(Você vai fazer o que eu quiser)

Mix it up here in my little bowl

(Faço uma mistura na minha tigelinha)

Say a few words and you lose control

(Direi algumas palavras e você perderá o controle)

I'm a Hex Girl

(Sou uma feiticeira)

And I'm gonna put a spell on you

(E eu vou lançar um feitiço em você)

I'm a Hex Girl

(Sou uma feiticeira)

And I'm gonna put a spell on you

(E eu vou lançar um feitiço em você)

You'll feel the fog as I cloud your mind

(Você vai sentir a neblina anuviar sua mente)

You get dizzy when I make the sign

(Você ficar tonto quando eu fizer o sinal)

You'll wake up in the dead of night

(Você vai acordar no meio da noite)

Missing me when I'm out of sight

(Sentir minha falta quando estiver longe de vista)

With this little cobweb potion

(Com esta pequena poção de teia de aranha)

You'll fall into dark devotion

(você cairá em minha devoção negra)

If you ever lose affection

(Se você nunca perder o afeto)

I can change your whole direction

(Eu posso mudar todo o seu destino)

Quando a música acabou, tivemos direito até à aplausos dos mais próximos com nosso playback.

– Nossa, que medo – ele fingiu estremecer, rindo, quando Gina se retirou das atenções, mostrando a língua para Harry.

– Deve ter mesmo – empertiguei-me, enrolando propositalmente meus cabelos nos dedos – não quer que eles fiquem pretos outra vez, quer?

Rony arregalou os olhos, rindo ainda mais.

– Calma, estou brincando... amiga...

Enquanto os acordes de outra música de Michael tocavam, fomos comer algo no bufê do Baile. A mesa estava entupida de coisas deliciosas, entre torres de tortinhas de carne, crânios de chocolate, balas de gelatina, suco de cereja, tortas de chocolate, empadões de frango, pudim – essa não, a Luna estava por aí? – entre outras delícias.

Rony, para meu choque, só comeu uma coxinha – previsivelmente –, três tortinhas de creme e umas duas balas.

– Não está com fome? – indaguei, curiosa.

– Estou – Rony se ergueu, virando-se para mim e sorrindo quando me viu minha boca despencar ao dizer – mas não de comida.

Hein? Pisquei, abobada.

Fingi que não era comigo e continuei pescando outra tortinha de creme.

Gina estava boquiaberta, e se aproximou de mim assim que Rony virou a mesa para cochichar:

– Esse garoto quer você, Hermione. Todinha... cada centímetro. Dá pra sentir a testosterona dele escorrendo pela lapela...

Revirei os olhos, rindo, enquanto balançava a cabeça no ritmo das batidas de Stay The Night. Nossa... até a letra da música estava tirando uma comigo...

Dei a volta no bufê, puxando Rony de volta para a pista, enquanto ele ria, surpreso, segurando minhas mãos.

Como dois doidos, começamos a girar de mãos dadas, atraindo de novo a atenção das pessoas ao redor. De relance, vi Madelaine abrir uma expressão meio assustada de apreciação e Andrey franzir a testa, também surpreso. Não havia sinal da cachorra da Pansy, então Andrey já tinha passado o rodo na menina. Mas Simas estava grudado até demais em Madelaine para estar infeliz com seu par.

– Ai, pára! – arfei, finalmente ficando tonta e caindo de bunda no chão – anda, me ajuda, seu tapado! – ergui os braços para Rony, como uma menininha, enquanto ele gargalhava.

– Calma, milady – ele segurou meus braços, ajudando-me á me levantar.

Harry e Gina, aquela altura, já haviam sumido em meio aos dançarinos. Nyree e Darel estavam agarradinhos ali perto, dançando lentamente My Heart Will Go On, o tema do filme que estava passando nos cinemas trouxas naquela época, com aquele ator famoso que eu nunca lembrava o nome. Já Luna e Neville deviam estar coabitando em algum canto de Beauxbatons por ali.

Eu tinha que dar os parabéns ao cara que escolhera as músicas do Baile mais tarde. Aquele ali sabia o que era ser eclético e abrangente.

Quando Do the Hippogriff começou á tocar, porém, Rony piscou para mim, como quem dizia “chega de bagunça, vamos dar uma volta”.

Sentindo-me leve e contente, nem questionei. Agarrei seu braço, rindo de um jeito bobo, acompanhando-o para fora do Salão de Festas.

Fomos até o jardim, andando entre os arbustos de rosas e cravos perto das estufas de Beauxbatons. Era um lugar muito bonito e sossegado de noite, ainda mais com aquele luar tão lindo que banhava as moitas.

Ouvi um barulhinho estranho de sucção em uma moita próxima, seguido de tremulações nas folhas do arbusto.

Assisti, surpresa, Madelaine sair de dentro do arbusto com Simas, que estava vermelho e ofegante, correndo atrás de seu par.

Rony me olhou de relance, achando graça.

– Parece que Simas está curtindo bastante a festa.

– Pois é – murmurei, ficando chocada ao perceber uma invejinha leve nascer em meu estômago. Já fazia uns três dias que Rony não dava uma de “Jack Russel” pra cima de mim. Eu estava tão acostumada com sua cada vez mais crescente ousadia e carinho que sentia falta quando ele não fazia nada.

Balancei a cabeça. Eu estava ficando tão dependente daquilo quanto uma fumante precisava de um cigarro. O que estava acontecendo comigo?

– Vamos? – Rony indagou.

– Para onde? – perguntei em resposta.

– Ah... não sei – Rony murmurou, baixando o olhar – já está cansada? Melhor irmos embora...

Não... eu não estava cansada.

Mas aquilo tinha me dado uma ideia.

– Está bem... vamos voltar para a Torre – flexionei os braços = estou morta...

Rony riu, abraçando minha cintura e guiando-me na direção dos portões de entrada.

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Entramos na Torre de Noble, que estava deserta, já que todos os alunos ainda estavam no Baile.

– Então... gostou do Baile? – Rony me olhou, sorrindo.

Apertei seu pulso com carinho, sentindo minhas bochechas avermelharem.

– Muito... obrigada, Rony... – ergui os olhos para ele, afagando sua mão – foi perfeito...

Ele ergueu a mão, acariciando meu rosto com uma timidez que eu não esperava. Estava com uma expressão muito estranha no rosto.

Parecia... arrependido. Mas arrependido pelo quê?

Aproximei meu corpo de seus braços, me aninhando ali. Ele afagou o tecido sedoso de meu vestido em minhas costas.

– Ainda estou com raiva – ele murmurou – daqueles nojentos que ficaram te olhando.

– A culpa não foi minha, Rony? – afastei o rosto para encará-lo, divertida.

Ele levantou o olhar.

E, para meu pânico, ele estava com aquele olhar.

– Sim – ele falou, baixa e lentamente – a culpa foi sua.

Meu estômago se contraiu. Ele estava sério. Daquele jeito.

– Está com raiva de mim? – ciciei, tímida.

Rony estreitou os olhos, mas suspirou.

– Não... só estou dizendo que a culpa é sua...

Engoli em seco, mas tentei aliviar a tensão .

– De repente eu merecia ficar de castigo – brinquei.

Ele permaneceu quieto e sério, me deixando preocupada. Ai, caramba. Acho que ele realmente estava com raiva por causa daqueles moleques.

– Posso te levar á um lugar? – ele me olhou, de um jeito estranhamente calculista.

Assenti, confusa. Como assim? O que estava acontecendo?

– Feche os olhos.

Obedeci, ainda tentando desvendar o que Rony estava tramando.

Ele me abraçou, sem dizer nada, e, antes que eu percebesse, senti uma fisgada me puxar para cima. Arfei com o gelo em minha barriga, abrindo os olhos de susto.

Olhei ao redor, atônita, mas as paredes cor de creme da Torre de Noble haviam desaparecido. Em vez disso, me vi num corredor acinzentado que me era aterrorizantemente familiar.

– Rony...? O quê...?

– Shh... não podemos ser vistos – ele disse baixinho, me puxando pela mão até nos depararmos com uma enorme porta ornada, também completamente familiar.

Céus... estávamos em Hogwarts.

O que Rony queria ali?

Foi quando eu olhei outra vez para a porta que meu estômago deu um nó.

Rony me guiou sem cerimônias para dentro das portas, me empurrando e fechando-as atrás de si.

Virei-me para frente, abraçando meu corpo.

Tentei não estremecer quando a luz da Sala Precisa inundou o ambiente, revelando uma cama de dossel circular que fez minha mente – e minhas pernas – amolecer.

O refúgio de vampirizados.

Mas não havia nenhum bisturi á vista.

Tudo o que havia ao lado da cama era – para meu choque – uma tigela de cerejas e outra de chantilly.

– Rony...? – minha voz sumiu aos poucos, enquanto eu arregalava os olhos para ele.

Pela primeira vez desde que havíamos saído do baile, Rony sorriu. Um sorriso que pretendia ser tranquilizador, mas que estava distorcido pela ousadia e expectativa.

– Você disse que eu podia bota-la de castigo – ele riu, uma risada arrepiante de um garotinho prestes á aprontar sua maior travessura – e o seu desejo sempre será uma ordem.

Notas finais
“UATAFOQUE, Bia? É isso mesmo que a gente leu? Como você acaba o capítulo assim??” Sim, pessoas. Culpa daquela porcaria de Cinquenta Tons de Cinza que eu li ontem. Quem já leu vai notar um toquezinho de (ui) ousadia christiniana no Rony no próximo capítulo. Sim, Ruiva, desculpa... eu ia fazer seu tipo de capítulo favorito hoje, mas não deu. Fica pro próximo (amanhã, se Deus quiser). E NÃO, Ruiva do Cabelo Preto, NÃO VAI ROLAR BSDM NEM AÇOITE, NEM O DIABO DE QUATRO NEM A PARAFERNÁLIA TODA DO 50TDC. Tira essa sua potranca assanhada da chuva, que Romione também não é assim... huashuas. Desculpa, Oliviene, mas eu tinha que puxar a orelha dessa coisa... rs. E amo vocês, suas doidas. S2 Bom, deixando vocês roendo as unhas até o próximo, me despeço com a playlist dos sonhos deste Baile de Inverno de Beauxbatons (incluindo as músicas já citadas): - Michael Jackson – Thriller - Hex Girls – Hex Girl (Trilha Sonora de Scooby Doo – é, eu sei, boiei) - Zedd feat. Hayley Williams – Stay The Night - Celine Dion - My Heart Will Go On - The Weird Sisters / As Esquisitonas - Do the Hippogriff - Paramore - Brick By Boring Brick - Dame Shirley Bassey - Get The Party Started As duas últimas vocês podem encaixar onde quiserem na fic... ou na imaginação de vocês.... kkk Até o próximo, people, e espero muitos comentários com opiniões aí embaixo! Fui!