A Maldição Ouija
13 Treze
Notas iniciais
– O quê? – Wallace ficou pasmo. – Como pode dizer isso? O Rian é tão vítima nisso quanto nós...
– Fale baixo, ele vai tentar nos matar também.
– Espere... A Helen está lá fora.
O ruivo foi na direção da porta, mas foi barrado por Randall.
– Eu preciso ir buscar minha namorada.
– Não pode, ele vai matar você se sair do quarto.
– Eu preciso ir lá, saia da minha frente.
– A Helen já foi morta numa hora dessas. Você não pode fazer mais nada por ela, então fique aqui e tente sobreviver a esse pesadelo.
– Eu avisei...
Wallace deu um murro no rosto de Randall, jogando-o contra a parede. Abriu a porta do quarto rapidamente e olhou para a direção do corredor onde viu a namorada pela última vez, mas ela não estava mais ali.
– Helen! – Gritou preocupado.
– O que você fez... – Randall se recuperava do murro, escorando-se na porta. – Vai matar todos nós por isso!
Antes de qualquer reação por parte do ruivo, a ponta da pedra de porcelana entrou em sua testa e ficou acoplada ali. Muito sangue começou a escorrer, o seu corpo caiu para trás sem qualquer expressão ou movimento.
– Que droga. – Disse Randall.
O rapaz tentou sair para o corredor, mas o corpo de Wallace estava em seu caminho. Pegou o pé de cabra e ficou preparado com ele nas mãos, mas algo muito forte o puxou de si no meio da escuridão. Ele voltou para trás, caindo dentro do quarto, e fechou a porta assim que pôde.
– Eu sei que é você, Rian. – Gritou, se encostando na porta para segurá-la e impedi-la de se abrir. – Já chamei a polícia, não sei o que você quer ainda, mas não vai conseguir.
– Será que não?
Junto com o murmuro de alguém, a ponta do pé-de-cabra atravessou a porta, atingindo Randall no ombro direito e furando-o. O rapaz caiu no chão, rolando de dor, enquanto o líquido rubro escorria do seu machucado.
Aos sussurros, a porta foi se abrindo lentamente. Enquanto sentia seu ferimento arder, Randall também observava os traços daquele corpo como um vulto, que entrava pela porta com as esferas dos olhos brilhando e com um pé-de-cabra nas mãos.
– Por... Quê? Por que está... Matando os seus próprios amigos?
– Pelo simples motivo deles terem famílias amaldiçoadas. Por causa de parentes de cada um, o meu pai perdeu o emprego e resolveu se suicidar na frente de mim e da minha mãe. Ela ficou traumatizada e perdeu o movimento de um braço, e parte do seu cérebro foi danificado. Agora ela precisa viajar todas as semanas para tratamento. – Explicou Rian, se tornando visível. – Ainda quer que eu explique mais? Foi fácil enganar esses trouxas e me tornar amigo deles. Foi fácil planejar algumas mortes, e mais fácil ainda movimentar a peça da tábua algumas vezes... Mas, o que está me deixando curioso é: Como você descobriu?
– Você deve me achar burro, né... Mas eu vi, da porta dessa casa, quando alguém, parecendo você, saiu do carro capotado e bateu várias vezes a cabeça da moça na janela. – Deu uma pequena pausa para cuspir sangue. – Pra tirar a dúvida se você estava ou não possuído, eu fiz o ritual... Nenhum espírito estava em nosso meio, liberto. Apenas um deles apareceu para selar o que já estava acabado, não eram os espíritos, era você. Logo após o incidente no ritual, me escondi para ver se você realmente iria matar seus amigos, mas vi quando você acordou e começou a me procurar... Não importa o que faça comigo, mas a polícia vai te achar, e vai te prender... Você é um assassino, matou seis pessoas.
– haha... – Ele riu de ironia, cessando-se para falar algo: — Você se enganou. Eu também não sei o que houve, mas não fui eu quem matou a Daniela... E nem o Gibson...
– Mentira... – A voz frágil gritou de fora do quarto.
Os dois olharam para lá e viram Wallace, que enquanto se retorcia, segurava os pés de Rian.
– Desgraçado. – O ruivo falou com sangue escorrendo pelos lábios.
– Você é um sapato no meu caminho, né... – Rian abandonou as armas em sua mão e se voltou a ele. – Já está na hora de você ir se juntar a panaca da sua namorada e seus amigos irritantes...
Rian pegou Wallace pelos ombros e o levantou, sujando suas mãos de sangue graças aos ferimentos na testa do outro. Jogou seu corpo contra a parede próxima, onde ele bateu a cabeça fortemente.
– Agora me escuta: Faz um favor e morre logo!
– Faz um favor e morre você!
Antes de qualquer movimento de Rian, Randall bateu o pé-de-cabra tão fortemente em sua cabeça, que a arma atravessou sua maça craniana e partiu sua testa ao meio. Respingos de sangue voaram em Wallace, que caiu no chão sentindo uma grande dor de cabeça, e em Randall, que largou o pé-de-cabra quando viu o corpo de Rian cair no chão também.
– Ai... – Wallace se contorcia de dor. – Eu... Vou morrer...
– Não, não vai. – Randall se aproximou do ruivo. – Calma ai, eu já chamei a polícia... Vai ficar tudo bem.
– Não, não... A Helen, ela morreu. Perdi todos os meus amigos, acho que não vou mais esquecer isso pelo resto da minha vida.
– Isso é seu preço a pagar pelos seus pecados. – Randall advertiu. – Também paguei pelos meus, e jamais quero jogar Ouija de novo. Mesmo que nada tenha acontecido pela sessão...
Rian estava morto. Seu corpo permanecia esticado no chão, porém de leve, sua mão esquerda deu uma pequena mexida, mas nada que o trouxesse de volta dos mortos.
O barulho de sirene policial foi ouvido pelos rapazes. Nas janelas e paredes, luzes azuis e vermelhas refletiram. As ambulâncias e polícias tinham chegado, enfim. Randall ajudou Wallace a se levantar do chão.
– Firme-se em meu ombro. Vamos sair daqui.
***
Na frente da casa de Daniela, Randall e Wallace estavam juntos a policiais, peritos e repórteres. Próximos de uma ambulância, o moreno observava, sentado em uma maca, o ruivo receber seus socorros.
Mesmo com os tantos curativos acima do corte em seu ombro, Randall não deixava de sentir em nem um momento um frio que percorria sua espinha e uma dor que estralava o seu corpo. O pesadelo havia acabado, mas porque ele ainda estava assim?
– Não sei como eu vou viver de agora em diante. – Wallace quebrou o silêncio, chegando com curativos na testa perto do outro. – Perdi a Helen, o Gibson, todos os outros... Sempre convivi com eles, mas de agora pra frente terei que dar o meu jeito...
– Não vai ser problema para alguém que sobreviveu a um massacre. – Randall foi irônico, mas deu um leve sorriso e Wallace entendeu. – Mas... Ah, deixa pra lá. Acho que vou embora, eu preciso dormir. Já são 05 horas da manhã, o dia já está amanhecendo e eu não vi a cama direito.
– Daqui a pouco também vou. – Wallace assentiu. – Só quero ver a... Helen pela última vez.
Os dois se despediram e o moreno foi embora. Algum tempo se passou, o ruivo acompanhou a retirada de cada corpo da casa, todos estavam ali, inclusive o de Rian. Ele nem deu muita bola, mas acompanhou com os olhos quando o corpo de sua namorada saiu... Estava descoberto, Helen estava com uma feição de pânico... Revistou-a de cima em baixo, viu com grande dor a cicatriz na testa da moça e não conseguiu evitar algumas lágrimas... Porém, não notou nenhuma queimadura em sua pele. Logo, uma dúvida apitou em sua cabeça e interrompeu seus sentimentos: “Por que a Helen não foi queimada?”.
Instantaneamente, um flashback repentino veio em sua memória. Wallace se lembrou do jogo de boliche, onde o Gibson morreu no banheiro. Também de quando ele e Helen estavam na rua conversando com Rian, pouco antes da morte de Daniela. Em seguida, recordou-se de uma das últimas frases de Rian: “...Eu também não sei o que houve, mas não fui eu quem matou a Daniela... E nem o Gibson...”.
– Espere um pouco... O Rian disse que não matou a Daniela... ele estava com a gente, não pode ter sido ele mesmo. E também não foi ele quem matou o Gibson, pois nem na bolichearia ele estava quando houve o assassinato... – Esbugalhando os olhos, o ruivo olhou em volta, paralisado, e completou: -... Se não era ele, quem será que os matou?
***
Randall havia acabado de chegar a sua casa. Passava pelo gramado com as mãos no bolso e tentando não pensar em tudo o que houve naquela noite, aquela briga não era sua, mas estava feliz por conseguir salvar alguém.
De repente, os postes começaram a piscar. Um vento arrebatador balançava as fiações elétricas, as árvores e tudo mais. Os veículos e as pessoas pareciam ter sumido da rua. O rapaz nem ligou muito, apenas destrancou a porta de casa e a abriu. De testa, encontrou-se com dois olhos vermelhos que iluminavam a escuridão.
– Ouija? – Foi seu grito final antes de ser pego e arrastado para a escuridão da casa. – AHHH!
A porta se fechou. Os gritos foram se dissipando até que o silêncio predominou. A partir daí, a fic acabou.
Fim.
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