Notas iniciais
Genteeee, perdoem nossa demora é que vamos entrar em época de prova e nós estávamos estudando, mas aqui está o TERCEIRO CAPITULO oooooooo/ tuts tuts Esperamos que gostem muito. Carol&Beca xoxo

Não sei se agradeço ou se dispenso a sua ‘’gentileza’’. Como não consigo fazer uma coisa nem outra, fico apenas em silêncio o observando enquanto tira a pele do lobo. Pergunto a ele se precisa de alguma ajuda, ele balança negativamente a cabeça. Sendo assim, me desencosto da bancada e pego uma toalha branca e um vestido verde musgo de malha no armário.

O sol está se pondo quando saio da cabana, fecho os olhos sentindo a brisa do verão. Respiro tão fundo que sinto como se tivesse sugado todo o ar daquela velha floresta. Quando abro os olhos, me viro para olhar para a minha cabana, meu lar. Pelo menos o único que tenho absoluta certeza que me pertence. Tão velha para mim que às vezes me pergunto se ela já não foi feita junto com o mundo.

Meus olhos ficam marejados quando percebo que estou sozinha. E que sempre estive. Pisco rápido para dissipar as lágrimas pelo olho, e vou rodeando as fileiras de madeira clara, sob um teto torto de uma mais escura coberta por raízes, até chegar atrás da casa, onde se encontra um chuveiro colocado no alto da última parede da cabana.

Dispo-me de minhas roupas e ligo o chuveiro, deixando a água correr pelo meu corpo. Passo as mãos nos meus cabelos encaracolados, umedecendo-os. Meus pensamentos se voltam para Joe e como ele veio parar na porta da minha casa daquele jeito, ninguém nunca tinha encontrado aquele lugar, como ele havia chegado até lá? Quem o cortou? Será que havia pessoas atrás de Joe? E será que estavam procurando-o? Joe só me traria problemas, mas o que eu tenho a perder?

Ouço passos atrás de mim e me viro, vejo que é Joe e imediatamente pego minha toalha.

– Eu estava pensando... – Diz ele em um tom tranquilo.

– Poderia pensar em outro lugar – Interrompo-o com uma expressão de raiva.

– Sim, sim, poderia. Mas como ia dizendo, ainda não lhe agradeci pelo que você fez por mim... – Ele falava gesticulando com as mãos – Então, obrigado.

Fico assustada, primeiro ele foi incrivelmente idiota e depois idiotamente educado. Acordo do meu devaneio e assinto com a cabeça sem ter o que falar.

– Pois bem, você poderia me deixar ficar aqui por alguns dias? Creio que eu não vou conseguir andar até a minha cidade com essa perna. – Diz ele apontando para o ferimento fazendo uma careta. – Posso ajudar na casa.

Analiso-o dos pés a cabeça, penso na lista de pros e contras em ter outra pessoa morando comigo. Mas como é só por alguns dias, até a perna dele melhorar, acho que não teria nada a perder.

– Tudo bem – Eu digo em um tom de superioridade. – Desde que não invada o meu espaço pessoal, como esse momento.

Ele me olha de cima a baixo, o que me faz encolher, depois da um sorriso de canto, se vira e vai embora, me deixando constrangida com a toalha enrolada no meu corpo magro.

Acabo de tomar banho, ainda envergonhada pelo o que aconteceu, e tento demorar o máximo de tempo que consigo me arrumando, para não ter que ver o Joe com aquela expressão de convencido.

Pego minhas coisas e começo a andar lentamente até a cabana. Apreciando a lua no céu e ouvindo os sons estranhos de animais. Me aproximando da frente da cabana vejo um vislumbre de fumaça, ando mais rápido para ver o que esta acontecendo, e quando chego lá, encontro Joe assando o que parece ser um pedaço de carne.

– Oi menina – Diz ele – Já que ainda não me disse o seu nome, vou simplesmente chamar você de menina. – Ele sorri com o que diz.

Dou um leve sorriso, e percebo como ele está assando a carne. Ele está sentado em um tronco grande velho, com uma das pernas esticadas. Ele juntou alguns galhos velhos e os queimou em volta de um circulo de pedras, depois pegou um graveto longo e molhado com um pedaço de carne nele.

– Eu tenho um fogão, você sabia? – Digo franzindo o cenho.

– “Obrigada por preparar o jantar”- Diz ele imitando a voz de uma menina, ele sorri – No fogão iria demorar demais.

Ele tira o enorme pedaço de carne e o divide em dois, colocando um em cada prato. Sento do seu lado e ele me entrega o prato, comemos em silêncio e quando acabamos, digo a ele:

– Valentina.

– O que? – Pergunta ele.

– Meu nome, é Valentina.

– Ah, muito prazer, Valentina. – Fala ele estendendo uma mão e sorrindo.

Eu a seguro. Na fração de segundos em que a minha mão toca a dele, sinto um choque em meus dedos e imediatamente os puxo da mão dele. Ele olha para a mão dele como se tivesse sentido a mesma coisa. Encaro-o, ofegante.

– Vo-você sent... – não preciso terminar de falar, ele assente imediatamente com a cabeça – acho que é melhor eu descansar.

– Também acho. – diz ele ainda assustado olhando para a mão.

Pego os pratos sujos e entro na cabana, deixando-os em cima da pia para lavar no dia seguinte. Dirijo-me para o armário e tiro de lá um espelho pequeno, que dá para ver só o meu rosto e também pego uma escova de madeira dentro de uma das gavetas. Sento-me na cama e apoio o espelho nos joelhos e começo a pentear meus longos cabelos castanho-claros. Puxo-os para cima e faço um coque alto. Encaro aquele espelho como se não conseguisse me enxergar. Lágrimas brotam instantaneamente dos meus olhos, sinto vontade de gritar. De sair correndo e desaparecer de uma vez por todas. Minha vida é tão falsa quanto os meus jovens olhos castanho-claros. Percebo agora que talvez tenha causado dor em Joe com o meu toque. Não entendo. Isso nunca aconteceu antes. Sinto-me pior ainda, pois junto com o meu vazio, vem a culpa.

Percebo que a porta está se abrindo e rapidamente seco meus olhos e ponho a escova e o espelho no chão. Crendo que não pareço que estava chorando, olho para Joe quando ele adentra a cabana e sorrio demonstrando que estou melhor. Ele anda rapidamente em direção à cama e eu digo:

– Tem lençóis grossos no alto do armário para ficar um pouco mais macio o chão, se é que possível – digo, rindo de leve.

Ele me encara semicerrando os olhos e diz:

– Por que você está chorando?

– Ah, não estou, não. – digo, sorrindo.

– Sim, você está! Seu rosto está molhado, você está chorando. Por quê? – ele insiste.

– Eu não estou chorando, já disse! – digo gritando.

Ele fecha a cara e se desloca para o armário para pegar os lençóis. Observo-o arrumando-os no chão e se deitando, silenciosamente.

Queria pedir desculpas e falar que fui obrigada a fazer aquilo por motivos meus. Mas não consegui. A única coisa que saiu da minha boca foi ‘’Boa noite, Joe’’ e me deitei para dormir.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado. Até sábado que vem!! Reviews e recomendações seriam bem-vindas. Obrigada por lerem ^^ Carol&Beca Xoxo