A Maldição Dos Deuses
8 Capítulo 8 - Vanessa
O nosso time ganhou o jogo. Vanessa pediu para que eu fosse com ela para o seu chalé, e eu fui, pois não queria ficar sozinha ou na cola de Annie. O chalé de Íris era bonito; não era o meu estilo mas parecia cheio de vida. Tudo era muito colorido; algumas cores chegavam a incomodar os olhos, como as almofadas rosa neon. Algumas garotas conversavam, dois garotos liam gibis, eu acho. Vanessa se sentou na cama dela e começou a chorar.
- Obrigada por me ajudar no jogo. Eu sou péssima em tudo: estou aqui há dois anos e nunca consegui lutar direito. Nunca matei sequer um monstro na minha vida.
- Tudo bem, – eu falei – talvez tudo o que você precisa é um pouco de confiança. Ou mais treinamento.
- Eu odeio esse lugar. Só estou aqui porque meu pai morreu... no ataque das torres gêmeas. Ele era um grande empresário, e eu estava na creche quando receberam as notícias. Como eu ainda tinha um ano de idade, me mandaram para um orfanato.
Eu não sabia o que dizer; todo esse tempo eu pensava que minha vida era um lixo, e que nunca iria ser melhor. Mas o sofrimento dela não se comparava com o meu.
- Por ser hiperativa e disléxica, as meninas do orfanato me humilhavam. Elas me chamavam de burra e puxavam meu cabelo. Todos os dias. Quando fiz dez anos, fugi de lá. Me escondia em lugares em que nunca iriam me achar. Até que um dia, um garoto me achou, ele era engraçado. Somente depois de uma semana descobri que ele era um sátiro. Ele me trouxe para cá – ela tossiu um pouco – e como aqui quase todos me tratam bem, eu continuo aqui.
Eu ainda não tinha palavras para falar. Pedir desculpas não ia ajudar em nada; e fingir que estava tudo bem também não. Finalmente, pensei em alguma coisa para dizer.
- Quero beber alguma coisa. Aonde posso beber água?
Ela fez exatamente o que eu queria que ela fizesse: se levantou da cama, enxugando as lágrimas e me empurrou para fora do chalé.
Alguns campistas estavam cantando em volta da fogueira; reconheci a música, era "93 Million Miles". Comecei a cantar enquanto caminhávamos para o refeitório. Todos começaram a me olhar enquanto eu cantava. Fiquei envergonhada, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas, e parei de cantar. Todos me aplaudiram, e eu dei um sorriso envergonhado para disfarçar, mas acho que não funcionou. Voltei a andar, e senti Vanessa segurar meu ombro.
-Ei — ela falou, me alcançando — você canta bem.
— Sério? — perguntei, ainda envergonhada
— Sim. Acho que você tem uma benção de Apolo.
— Obrigada, eu acho.
Tentei pensar em alguma coisa que não me incluiria dentro do assunto.
— Hm, Vanessa — falei, olhando para os lados — você viu a Isabella e o Monroe depois do jogo?
— Não — ela respondeu, rindo — Acho que foram para o chalé 69, você sabe...
— Sei — respondi, já me arrependendo de ter mudado de assunto — então... ouvi dizer que o Senhor D não aprova namoros no acampamento... Isso não é verdade, é?
Ela olhou para mim com um sorriso de provocação
— Claro que não! Por que?
— Ele falou alguma coisa sobre Annabeth estar estressada ultimamente... Por causa de algum garoto, eu acho.
Ela desviou o olhar, o refeitório estava a apenas alguns metros de distância.
— Bem, eu o conheci. Ele é muito bonito, e forte. Parece um ator de cinema. Tudo bem, que ele é uns quatro anos mais velho do que eu.
Chegamos no refeitório, aonde somente quatro crianças enchiam copos com bebidas
— O nome dele é Percy, ou, pelo menos é assim que o chamam. Ele participou de várias missões importantes. Sumiu há quase dois meses. Annabeth acha que ele está em um outro acampamento.
Peguei um copo e pensei: "água gelada". Automaticamente, o copo começou a se encher
-Mas, existem outros acampamentos como esse? — perguntei, bebendo um gole d'água.
— Pelo que sabemos existe outro, na costa Oeste. Na época que Percy sumiu, um outro garoto e seus amigos chegaram aqui. O garoto tinha sido manipulado pela névoa, mas em pouco tempo conseguia se lembrar do lugar de onde ele veio.
Continuei olhando para ela, que parecia estar com sede
-Ele é romano. Filho de Júpiter. Zeus, para nós. Amanhã eu te apresento para ele. É um cara bacana, mas tem namorada!
Eu realmente não me importava com essas histórias de namoro. Mas fingi que estava, só para não ficar sem assunto.
— Sabe a Piper? — ela perguntou, engolindo um pouco de algum líquido que me lembrava Tang de morango
— Sei — respondi, embora só havia ouvido o nome dela
-Então. É ela! Coitada, pensou que Jason realmente gostava dela, quando tudo era uma farsa.
Dei um passo à frente e observei a vista. À direita, haviam os campos de morangos. O cheiro era doce e suave, muito diferente do cheiro da cidade em que cresci, na Flórida, aonde o ar cheirava a... Bem, nada.
Percebi que Vanessa estava me encarando.
— Então, quer ou não quer?
— O que? — perguntei
— Passear na praia. Aproveite, só temos quarenta minutos até a hora de dormir.
— Ah, claro.
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