A Maldição Dos Deuses
17 Capítulo 17 - A igreja
Notas iniciais
O lugar parecia uma igreja. Mas, como Lucy dizia, as aparências enganam. Reconheci a cidade. Era lá que a mãe de Lucy morava, assim como a mãe de meu pai. Porém, a igreja ficava em uma parte da cidade que eu não conhecia, no fim de uma rua com casinhas estranhas, todas abandonadas. Ao pisar fora do carro já aceitava a minha eminente chance de morte por ser lenta de mais para correr -se fosse necessário – ou meu problema de visão e concentração para atirar ou lutar contra um monstro grande. Todos os monstros com os quais eu havia lutado eram razoáveis, em torno de dois ou três metros de altura. Alguma coisa me dizia que haveria um monstro muito, muito grande por ali.
A nave da igreja era comum. Banners nas paredes laterais, um telão em que passavam as letras de músicas, um púlpito e bancos de madeira. Mamãe nos guiou até a lateral, aonde havia uma pequena porta. Trancada.
– Como iremos abrir a porta? – perguntei
– Pegue sua varinha e grite “alohomora”! – brincou Samuel
– Shh. Este lugar é santo – Minha mãe repreendeu Samuel
– Mas, senhora... quero dizer, minha senhora, com todo o respeito, mas se os deuses existem, como isso é um lugar santo se é uma igreja cristã?
– As pessoas acreditam no que querem. Se você acredita, é uma verdade; se é uma verdade, é real. — Minha mãe com certeza é a pessoa mais inteligente que conheci. Mas claro, sendo a deusa da sabedoria, por que seria burra?
Atena fechou os olhos e percebi que logo seus lábios estavam se movimentando. Quando ela abriu os olhos, colocou sua mão suavemente sobre a superfície da porta, que se abriu no mesmo instante. Havia um corredor escuro lá, e no final havia uma escadaria que descia. Minha mãe virou-se para nós e falou:
– Tenham cuidado, crianças. Usem suas armas e suas melhores estratégias.
– Pera aí – Vanessa interferiu – você não vai?
Ótimo, pensei. Além de ter um amigo idiota, tenho uma amiga mal-educada.
– Não posso entrar – Atena respondeu sem nenhum tom de raiva – a maldição impede que qualquer deus entre... ou mortal... por longos anos, ninguém conseguia entrar aí. Nem mesmo semideuses. Mas eu acreditei que você conseguiria. – Ela olhou para mim
Então, mamãe colocou sua mão sobre minha cabeça e me abençoou. Lucy costumava fazer isso quando eu era pequena, mas o jeito que minha mãe fez foi diferente. Era como se ela estivesse me dando todas as suas energias para a luta. Eu não sabia o que estava me esperando, mas me senti destemida o suficiente para ser a primeira a passar pelo corredor. A escadaria que descia profundamente era feita de madeira velha, e parecia a ponto de cair a qualquer momento. Quando eu ia pisar no primeiro degrau, senti alguém tocar em meu ombro.
– Eu vou primeiro – Samuel falou – quando eu avisar, vocês vão.
E então, sem esperar aprovação, ele se foi.
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