A Maldição Do Titã - Brittana
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Puxei Santana de volta para o meu lado quando vi o Dr. Streppe. Busquei o rosto de Quinn e a vi engolindo em seco e procurando a sua lança.
- M-m-mantícora! – Blaine gaguejou.
Eu procurei contracorrente no meu bolso e fiquei a posto. Eu precisava de tempo para salvar Bessie, e Santana pareceu perceber isso no momento que desviou os olhos para o meu rosto.
- Nós já vencemos você antes! – Ela disse, com um leve tremor na voz.
- Vocês? – A mantícora rosnou – Você mal saiu viva, filha de Atena. Sua “namorada” teve que arrancar o espinho de você, caso contrário não conseguiria mal falar! Fraca!
- Não é verdade! – Falei interrompendo o monstro – Santana é mais forte do que você pensa.
- Forte? – A mantícora riu – Com o auxílio de uma deusa, vocês mesmo assim quase foram mortos! Menina estúpida!
Eu precisava de mais tempo. A mantícora era o monstro mais egocêntrico que eu já havia encontrado, então não seria tão difícil assim. Lancei um olhar para Harmony, que pareceu me entender e sorrateiramente puxou uma flecha.
- Vocês são indefesos! Eu posso muito bem tomar conta de vocês sozinho! – a mantícora gritou.
De repente, uma saraivada de flechas irrompeu no ar, indo na direção do monstro. Peguei Santana pela mão e a puxei o mais rápido que pude para fora do píer, sendo seguida pelo resto do grupo.
- Para onde vamos levar o Ofiotauro? – Rachel perguntou hesitante.
- Para o jardim das minhas irmãs – Harmony respondeu – Devo voltar para casa.
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- Nunca vamos chegar lá a tempo. – Harmony disse, algumas horas depois. – Precisamos de um carro.
- M-m-mas e o Ofiotauro? – perguntei – Ele não pode ir sozinho.
- Eu vou com ele. – Blaine disse.
- O quê? – Exclamei – Não sei se é seguro. Quer dizer, eu deveria ir.
- Não! Eu vou, Britt. – ele disse – Faça uma prece ou algo do tipo para o seu pai. Elas precisam de você. Além do mais, eu consigo conversar com o Ofiotauro melhor do que você.
Argumentar com ele seria inútil. Aproximei-me do mar e fiz uma prece silenciosa. Pai, deixe que Bes... Digo, o Ofiotauro e Blaine façam uma travessia segura até Long Island.
- Um pedido assim requer um sacrifício. – Harmony murmurou.
Assenti e tirei o meu casaco. Santana apertou meu ombro.
- Tem certeza, B? Hércules usou esse casaco, e foi bem útil para você.
De repente, me dei conta de quem era o herói de Harmony. Hércules, o herói que a tanto tempo admirei.
- Eu não sou Hércules. – Respondi – Vou sobreviver sem a capa de leão.
Joguei o casaco na baía. Voltou a ser uma pele de leão dourada, brilhando na luz. Então, assim que ela começou a afundar entre as ondas, pareceu se dissolver em luz solar na água.
A brisa do mar levou.
- Boa sorte. – murmurei para Blaine.
- Não faça nenhuma besteira – Rachel aconselhou o irmão – Se cuide, Blaine.
- Eu vou – O garoto respondeu, desaparecendo no mar alguns segundos depois.
Quinn passou o braço ao redor do ombro de Rachel, como se quisesse reconforta-la. Santana abriu um meio sorriso, assim como eu.
- E onde vamos arrumar um carro? – Harmony disse, quebrando o silêncio.
Quinn olhou para Santana, relutante. Não entendi o que ela quis dizer com aquele olhar, então Santana suspirou e tomou a palavra.
- Você não é a única que vai voltar para casa, Harmony.
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Pelo o que eu ouvira do pai de Santana, estava esperando um homem com chifres na cabeça e um tridente na mão, pulando ao redor de um caldeirão com água fervendo e dizendo coisas sem nexo. Ok, não era exatamente isso o que eu esperava, mas também não imaginava encontrar um homem aparentemente normal e feliz.
Santana estava ficando visivelmente nervosa quando nos aproximávamos mais da casa. Ela havia passado alguns dias com o pai no verão passado, depois de terminarmos. Ela não falava muito sobre isso, nem comigo nem com Quinn. E eu preferia não tocar no assunto, temia deixa-la desconfortável.
Passei o braço ao redor de sua cintura e beijei o topo de sua cabeça. Ela me lançou um sorriso fraco e apertou a minha mão.
- Se quiser, pode ficar aqui fora com Brittany. Nós cuidamos disso. – Quinn ofereceu.
- Não, eu também sou parte da missão. – Santana respondeu – Vamos fazer isso juntas.
Quinn assentiu e tocou a campainha. Um homem alto, com cabelos escuros e olhos iguais aos de Santana atendeu a porta. Ele era particularmente bonito para um homem mais velho, eu acho. Tinha uma aparência cansada, a barba por fazer e os cabelos lisos desgrenhados.
- Olá – Ele disse abrindo um sorriso – No que posso ajuda-los?
Percebi que ele não tinha visto Santana, pois ela estava abraçada a minha cintura atrás de mim. Ela deu um passo à frente, fazendo com que o homem desfizesse o sorriso largo dos lábios, mas mantivesse a expressão calma. Sua testa franziu-se, criando uma ruga de preocupação.
- Santana? – ele chamou – Aconteceu alguma coisa?
- Eu preciso de ajuda. – ela disse em um tom de voz baixo – Nós precisamos.
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A casa era exatamente o contrário do que eu esperava. Dois meninos morenos estavam deitados no sofá, assistindo televisão. Alguns brinquedos estavam espalhados pelo chão da sala. Uma típica família feliz.
Percebi que um dos meninos dormia profundamente abraçado em um bichinho de pelúcia, enquanto o outro levantava os olhos, curioso.
- Pai? O que... Oi, Tana! – Ele cumprimentou alegremente, atirando-se nos braços da morena.
- Oi David – Ela cumprimentou, pegando o menino no colo e sorrindo.
Uma mulher com cabelos louros entrou na sala, com uma forma de biscoitos na mão.
- Querido, quem era? – Ela perguntou, desviando os olhos para a latina – Santana? Querida, está tudo bem? Quem são seus amigos?
Santana colocou o irmão no chão e caminhou até o meu lado.
- Está tudo bem, Megan. – ela respondeu procurando minha mão – Estas são Quinn Fabray, Harmony Pearce, Rachel Berry e esta é Brittany Pierce. São amigas do acampamento.
- Querida, vamos subir para conversar melhor. Traga algo para as crianças comerem. – ele disse calmamente.
Santana suspirou aliviada e abraçou-se a minha cintura. Passei o braço ao redor de seus ombros e subi as escadas atrás de seu pai. Belo jeito de conhecer o meu sogro, no meio de uma missão.
Entramos no escritório e o Sr. Lopez indicou para que nos sentássemos.
- Bem, contem-me logo o que aconteceu. – O homem pediu.
Apressamo-nos em contar toda a história. Santana ficou a maior parte do tempo em silêncio, volta e meia procurando conforto em mim. Sentei-me mais próxima a ela e passei o braço ao redor de sua cintura. Ela não pareceu se importar quando seu pai arqueou uma sobrancelha em minha direção, então também resolvi ignorar, sem afrouxar o abraço. A madrasta de Santana trouxe alguns sanduíches para nós, abrindo um sorriso pequeno para mim. Ok, agora estava ficando constrangedor com tantos olhares sobre nós.
- Sr. Lopez, meu ponto é que precisamos de um carro. – Harmony resumiu. – E precisamos para agora.
- Ah! Certo, certo. Minhas chaves... – ele disse, tateando os bolsos.
- Antônio, você só não perde a cabeça porque está bem presa no seu pescoço. – A Sra. Lopez disse. – As chaves estão em cima do balcão.
- Ah, certo, querida! Vamos crianças, vocês precisam partir logo.
Tirei o braço do corpo de Santana e estava prestes a sair, quando a Sra. Lopez segurou meu braço.
- Brittany, ela gosta mesmo de você. – ela disse – E ela irá sempre te ouvir. Então só... Só deixe que ela saiba que ela sempre terá um lar aqui.
- Sim, senhora Lopez. – respondi saindo do quarto.
Corremos para fora, entrando no Volkswagen conversível estacionado na entrada da garagem. O sol estava se pondo. Percebi que tínhamos menos de uma hora para salvar Finn.
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