Notas iniciais
Bem, pode ser meio confuso, mas esse começo pode explicar muito da história Espero muito que gostem. Ahhh não faço a mínima ideia de quantos capítulos vai ter.

Chovia muito naquele dia e Nyx cobria a noite com seu manto negro. Não havia estrelas. Não havia lua. Apenas as luzes fracas dos postes que tentavam iluminar as ruas em meio a escuridão.

Naquela casa, habitada por uma pequena família de classe média, algo estranho, terrivelmente estranho, ocorrera. O corpo de um homem jazia no chão frio e úmido da cozinha. Não havia marcas de sangue. Não havia ferimento. Não havia arma alguma que pudesse ter sido usada para cometer tal crime. Somente o corpo já frio e sem vida.

Sabia-se que aquele homem, já nos seus 40 anos, jamais tivera qualquer problema grave de saúde. Órgãos em perfeito estado e funcionamento, pressão sanguínea regular e hábitos bastante saudáveis. Mas qual a causa daquilo? Como ele morrera?

Apenas dois pares de olhos aterrorizados estavam presentes. Um garoto, aproximadamente 15 anos, de cabelos curtos e negros, assim como seus olhos, também escuros, como a noite que se passava. E uma mulher, cabelos longos e castanhos, possivelmente mãe do menino. O terror era tanto nos olhos dos dois que podia-se dizer que aquilo os traumatizara pelo resto das vidas. Foi então que a mãe voltou-se para o filho. Lágrimas caiam de seus olhos.

-- MONSTRO! DEMÔNIO! Você o matou! Porque você fez isso? Porquê? – a fúria que enchia a mulher era tanta que ela agarrou o garoto pelos braços e o ergueu do chão alguns centímetros, soltando-o em seguida – Claro que não duraria pra sempre! Claro que NUNCA viveríamos normalmente! Uma hora algo do tipo iria acontecer! ABERRAÇÃO!

O garoto, inerte ao que estava ocorrendo, não teve nenhuma reação contra a fúria da mãe. Ele apenas tornou a olhar para o cadáver, que já começava a exalar o cheiro da morte, enquanto a mulher continuava a praguejar ajoelhada próxima ao corpo. Então algo trouxe o garoto de volta a realidade e ele disse:

-- Paul está morto? A culpa é minha? Mas o que eu....

-- Cale-se! – ordenou a mãe, interrompendo – Não diga nada! Não quero ouvir sua voz nunca mais! Nunca! Saia de perto de mim, aberração! – Afastou o garoto, jogando-o contra a parede

-- Mãe, eu não sei o que aconteceu! Me perdoe! Eu estava com raiva por ele... – Lágrimas caiam de seus olhos. Via-se o desespero brotando dentro do garoto – Mãe! Me escute! Olhe pra mim!

-- Não! Não posso! Não quero! Eu estou cansada de tentar construir uma vida normal! Você só me trouxe problemas, garoto! Desde que você nasceu e seu maldito pai me abandonou, minha vida se tornou um inferno! Eu não quero mais isso! – Agora, ela estava com a cabeça entre os joelhos, de costas para o garoto, em prantos.

O menino, que via aquilo e ficava mais desesperado a cada minuto, foi ao encontro da mãe e a abraçou. A mulher, ainda em prantos, virou-se e retribuiu o abraço do filho. Ao seu ouvido disse:

-- Escute Kenny. Perdoe-me pelo que eu disse. Eu não quero te perder, porém, não aguento mais viver isso! Coisas monstruosas tentando nos atacar a cada semana. Não aguento mais! Eu tentei de todas a formas não ter que fazer isso, mas eu não consigo mais viver assim. EU NÃO CONSIGO!

-- Que coisas mãe? Quem está nos perseguindo? – Kenny parecia ficar mais confuso a cada palavra da mãe.

-- Você irá entender algum dia. Mas agora, eu realmente tenho que fazer isso. Não dá mais. – Tirou do bolso um papel enrolado e estendeu a mão – Tome.

-- O que é isso mãe? – Ele desenrolou o papel e viu que era um pequeno mapa. Em meio a tantos lugares conhecidos, havia um lugar estranho. Era para lá que o mapa levava. Acampamento Meio-Sangue – O que é esse lugar? A senhora quer que eu vá para esse lugar?

-- Sim, Kenny. Lá você entenderá tudo. Porém, eu preciso que você vá rápido. Lá eles cuidarão de você e do seu dom, se é que isso pode se chamar de dom. – disse isso com desprezo à palavra “dom” – Agora vá! Não posso mais cuidar de você! Sinto muito meu filho!

-- Mas, mãe, ainda é noite, não há como eu chegar a esse lugar. Mãe, o que está acontecendo? Por que eu tenho que ir para esse tal acampamento? – O desespero dava lugar ao medo agora – Eu não quero deixa-la. Não!

-- Vá, Kenny. Faça isso por mim! Imploro que faça isso! – O choro agora era mais forte. Ela levantou-se e foi a porta da casa. Abriu. – Vá, Kenny! Ande logo, garoto! Saia!

Kenny não disse mais nada, apenas cruzou a porta carregando o papel nas mãos. A porta fechou-se atrás dele. Podia-se ouvir o choro da mãe por trás da madeira. A chuva havia cessado. Kenny agora estava confuso, com medo, com frio e acima de tudo, estava sozinho.

Notas finais
Por favor deem sua opinião!