. ... a saudade de você meu filho é muito grande, seu pai sempre está se perguntando como você está, e se bem está se adaptando a Inglaterra. Mas considerando tanta demora para nos escrever, creio então que não é recíproco, como é interessante que damos a nossos filhos todo a amor à bondade, e em troca eles se esquecem de nós.

De qualquer forma você escreveu, para o alívio de seu pai, embora eu já pudesse imaginar esse tipo de coisa, havíamos ouvido, e também imaginava que a princesa seria realmente uma...

De qualquer forma vamos estar esperando a chegada de vocês, não em Haia, mas em Het Loo, não vamos voltar a Haia de forma alguma.

Desejo também lhe avisar que seu primo Willem e Anne estão muito ansiosos por sua chegada, principalmente a princesa que deseja saber tudo de casa e do seu pai. Então é bom não demorar, e quando voltar já trazer um neto, você sabem bem que...

Ainda no assunto de neto, sua irmã Amalia teve mais uma criança, uma menina, semana passada, creio que o nome será Anne, não em homenagem a sua esposa, mas a do seu primo, e Albertine se descobriu grávida, graças a Deus, já havia pensado que ela nunca teria filhos, quanto a filha mais velha de Henriette logo irá se casar, com o Margrave Friedrich Karl de Brandenburg-Ansbach, que abençoada sou eu, casei meu único filho homem com a herdeira de um ramo dos Habsburg, depois casei minha neta mais velha com o sobrinho da falecida rainha Caroline, e primo da princesa consorte, mesmo minhas filhas...

De qualquer forma, venha logo, não demore.

De sua mãe amorosa.

Frederik não sabia o que pensar, nem mesmo o que dizer, ele deveria ficar alegre, celebrar e irradiar alegria, e ele faria isso. Mas no momento, havia muitas outras coisas na sua mente para isso.

– Você disse o que?- Era sempre bom ter certeza, poderia ser outra coisa.

– O que você bem ouviu, seremos pais, e mamãe e papai avós.‐ Frederik pode ouvir a marquesa dizer mein Gott em espanto. Mas estava certo então, eles seriam pais. Santo Cristo.

– Nunca imaginei que isso aconteceria tão cedo. Pensei que isso acontecia apenas quando não deveria.‐ Mais especificamente quando um homem tirava a honra de uma garota, e depois ela ficava grávida, geralmente isso não acontecia na primeira vez com casados.

Novamente, Frederik não poderia organizar seus sentimentos no momento, todos iam de alegria a medo. Mas havia um que Frederik tinha certeza que estava sentindo, Frederik estava assustado.

– Anne você tem certeza?- No silêncio de Frederik e da marquesa, o marquês foi quem fez essa tão importante pergunta.

– Sim papai eu tenho. Ontem eu perguntei a Lady Clasterberg, e ela me confirmou hoje. Vocês bem sabem que ela é experiente, e ela também tem seus métodos.‐ Frederik imaginava quantos filhos então Lady Clasterberg tinha, ele sabia que ela tinha um, que era o visconde Austin.

– Frederik eu aconselho não voltar para a Holanda, não é aconselhável viajar com mulheres... nesse estado.- A marquesa também saiu de seu espanto. Embora ela ainda não parecia ter digerido essa notícia.– Mas é sua decisão Frederik, não podemos lhe obrigar a nada.

Eles não poderiam, mas Anne sim. Ela parecia pronta e disposta para fazer de tudo para que permanecessem na Inglaterra. Mas Frederik teria que concordar que eles não deveriam viajar, poderia ser perigoso, já era perigoso, então seria o melhor.

– Frederik eu lhe suplico que pense em mim, pense em nós.‐ Era muito interessante que Anne nunca pedia, mas sempre suplicava. Isso poderia ser acompanhado de lágrimas ou de um discurso.

– Mamãe e papai podem esperar, e a prima Anne também.‐ Frederik pode perceber que Anne ficou muito aliviada, mesmo que qualquer tensão que ela tivesse não pudessem ser muito visíveis. Mas era melhor assim, Frederik apenas esperava que entendessem, e que seu primo Willem pudesse controlar sua esposa.

– Fico feliz que você assim decidiu Frederik, seus pais irão entender.- Frederik agradecia muito pela marquesa ser muito gentil.– Irei para meus aposentos descansar e pensar no que aconteceu. E Anne, desejo que você esteja lá também, vamos conversar.

– Frederik fique aqui e não saia. Eu quero depois lhe falar algo.- Não era comum o marquês fazer isso. Frederik não iria ficar surpreso se fosse uma ameaça.
O marquês e a marquesa saíram da sala, deixando Frederik e Anne a sós. Mas Frederik no momento queria ficar realmente sozinho.

– Frederik eu...

– Anne por favor me deixe sozinho. Eu quero pensar e absorver isso.- Anne assentiu e começou a sair. Mas não sem antes falar algo antes:

– Frederik eu espero que você não fique com raiva por impedir nossa ida a Holanda.- Essa era a última preocupação de Frederik no momento.– Mas se você ficar com raiva, não fique dele, espero que você o veja como algo bom, um presente.

Como Anne ousava pensar assim dele? Pensar que ele era um desnaturado que iria culpar uma criança que ainda nem havia nascido, que nem estava nem formada. Era seu bebê também. Mas Frederik não pode mais se aprofundar em seus pensamentos com a volta do marquês a sala. Como isso era ótimo.

– Você ainda está aí como mandei. Impressionante!- Frederik nunca pensou em fazer algo contra o marquês. Mas nesse momento ele desejou muito socar o marquês até que ele se mostrasse mais cortês.– Você parece com raiva. Qual o motivo? Quando eu soube que Catherine estava...

– Sua bela filha e herdeira, a príncesa Frederik me insultou, me chamou de desnaturado, de insensível.- Não foram exatamente essas as palavras, mas foi esse o sentido. Mas o marquês continuava muito calmo.– Você não vai falar nada!? Não a vai defender, nem justificar seus atos!?

– Anne não desejou falar isso. Ela está apenas com medo, está insegura.- O marquês falava muito calmamente, nem parecia que Frederik acabou de falar melhor de sua filha.– Você parece mais mal-humorado que ela.

– E por que ela estaria com medo? Ela estar com medo é um insulto, e é esse exatamente o ponto.

– Você não estaria com medo se estivesse no lugar dela? Acho que você Frederik viveu muito tempo no exército, viveu muito tempo longe da sociedade.- Frederik ainda se lembrava muito bem de como o mundo funcionava.– No mundo em que vivemos uma mulher pode facilmente ser esquecida pelo seu marido, ser deixada ou rejeitada, principalmente quando elas estão "atrapalhando".

– Eu nunca faria isso! Você fala a mesma coisa que ela.

– Não faria? Você não pensaria? Você Frederik está pensando como você, não como ela, ela é quem vai sofrer mais, quem vai ter mais trabalho, mais pressões. Como você acha que ela se sentiu quando você não mostrou tanta alegria?

Mas ele estava surpreso, e com medo também. Mas olhando melhor, Anne também estava com medo, Frederik realmente não mostrou alegria ou apoio. Por mais que fosse doloroso, Anne não estava errada e ele também não.

– E o que eu devo fazer?- Era a única coisa que Frederik no momento poderia perguntar.

– Você que decide. Você pode continuar como está, ou pode mostrar a Anne todo o seu carinho e amor, pelos dois.- Frederik sabia exatamente o que fazer, mais havia algo.

– Ela vai me perdoar?

– Não há nada a perdoar.‐ Agora Frederik estava confuso.– Você não cometeu um erro, apenas não fez o que deveria. Anne gosta muito de você Frederik, ela não vai ficar ressentida.

Frederik estava disposto a acreditar. O marquês conhecia Anne muito melhor.

– Vou falar com ela.- Rapidamente Frederik saiu da sala e foi para o lugar que ele sabia que Anne estaria: seus aposentos.

*****

Anne sabia muito bem como as pessoas a chamavam, diziam que ela era muito igual a seu pai: fria, distante, orgulhosa e sem sentimentos. Mas isso era o que as pessoas diziam, seu pai não era assim, e Anne também não era, pelo menos não distante e sem sentimentos.

Sendo assim Anne se sentiu muito ferida e triste quando Frederik não a abraçou, a beijou e fez juras de lealdade, e sim se sentou no lugar mais próximo como se tivesse recebido uma notícia muito ruim.

Anne ouviu que quando seu pai soube que sua mãe estava grávida pela primeira vez, ele a abraçou, a beijou, a deu vários presentes, e tiveram uma linda noite cheia de amor. Anne não era esperançosa o suficiente para imaginar que seu casamento seria igual o de seus pais. Mas pelo menos ela esperava que Frederik tivesse reagido melhor, muito melhor. Anne estava grávida, um filho de Frederik, um possível herdeiro.

Anne entendia que Frederik poderia estar surpreso e até assustado. Mas os sentimentos ruins vieram do mesmo modo, ninguém gostava de se sentir indesejável, nenhuma mãe queria que seu filho fosse indesejável.

Mas Anne não iria chorar, não iria se lamentar, ela era uma Tudor-Habsburg, uma Orange-Nassau por casamento, uma príncesa, uma herdeira, e isso significava não sentir e não mostrar nada de ruim ou triste.

– Minha príncesa, a senhora deseja usar pérolas ou rubis?- E o melhor modo de não mostrar tristeza, na opinião de Anne, era fazendo coisas que se gostava. E Anne gostava de joias.

– As pérolas são mais valiosas, então eu as desejo Lady Calyroy.- Mary Kent, esposa de Edward Kent, 4° visconde Calyroy, fez assim como Anne mandou e começou a colocar as pérolas.

Para Anne esses momentos eram muito calmantes, primeiro pelo motivo de que Anne amava joias, eram um grande amor, um sentimento que era compartilhado entre todas as mulheres da família, sua mãe, irmãs, avó, bisavó.

E segundo porquê sua mente poderia vagar, e seus pensamentos se tornavam muitos. A tristeza e os motivos dela logo eram esquecidos. Mas o ruim era que os pensamentos de que Anne fugia, sempre voltavam para ela. Se não os pensamentos, os causadores deles. No caso, Frederik entrou com um estrondo em seus aposentos, assustando todas as suas damas de companhia: a viscondessa Calyroy e Blanche.

– Meu príncipe o que é isso? Não se deve assustar as pessoas assim, podemos morrer pelo susto.

– Saim agora! Quero ficar sozinho com a príncesa, não nos incomode.- Ele nem mesmo respondeu Blanche, mas as damas de Anne prontamente obedeceram e sairiam rapidamente, todos sabiam que quando alguém na casa dos Bristol dizia para sair, era a melhor escolha obedecer prontamente. Mas sozinha com Frederik, Anne sentia uma discussão se aproximando. Talvez fosse por isso que ela sentia algo quente em seu interior.

Mas ela não perderia, Anne não era das que perdiam ou desistiam de uma discussão.

– Você não pode mandar minhas damas... O que você pensa que está fazendo?- Anne não pode terminar sua repreensão. Frederik que já estava sem o casaco, começou a se despir na frente de Anne, e quando ele acabou só sobrou a calça, isso era um pequeno alívio.

– Vou conseguir o seu perdão.- Desse modo? Anne teria gritado com Frederik, mas quando ela foi fazer isso, Frederik a agarrou, a levantou e levou para a cama, então seus gritos foram outros.

– Como ousa fazer isso!? Tudo isso! Seu bruto, insensível, acha realmente que uma mulher gosta que façam isso com ela, o exército não fez muito bem a você...- Frederik calou Anne então com um beijo forte.

– Certamente o exército não fez completamente bem. Mas ainda sei como agradar uma mulher, e sei que uma mulher se não deseja, faz muito mais do que gritar.- Anne estava furiosa, ela apenas não sabia se era por Frederik a ter agarrado, ou ele a ter lido melhor que ela mesma.– Não me olhe assim, você deseja muito, diga que sim e tudo acaba. Teremos feito as pazes.

Anne estava sim muito tentada a consentir, ter Frederik em cima dela, quase nú a fazia ter muitos pensamentos, mas não era assim que o perdão funcionava, não era com prazer e desejo carnal.

– Frederik você me feriu, me desanimou, mostrou que nosso pequeno é indesejado. Eu não farei nada com você.- Anne conseguiu então tirar Frederik de cima dela, e sair da cama. Mas agora era ele agora, estava com uma cara horrível, isso era ótimo.

– Anne eu sei que eu fiz algo ruim. Sei que lhe feri, mas eu também estou com medo é assustado, embora isso não importe.- Anne apenas se levantou, era uma conversa muito estressante, Anne iria chorar se não parasse.– Por favor Anne, me escute.

Frederik segurou então a mão de Anne, e fez algo que um homem nunca faria de bom grado a uma mulher: se ajoelhou.

– Frederik o que você está fazendo?‐ Isso era vergonhoso, um Frederik quase sem roupa estava ajoelhado na frente de uma Anne desarrumada.– Se levante. Não seja ridículo.

– Anne eu lhe feri, eu não queria fazer isso. Pode não parecer algo importante, mas eu preciso do seu perdão.

– Não você não precisa ! Você não fez algo que exija meu perdão! Você apenas... apenas entristeceu meu coração.- Anne não estava aguentando mais.– Se levante Frederik. Já disse que não precisa.

– É necessário sim um pedido de perdão! Eu preciso de um! Preciso do perdão de quem me é importante!‐ Então Anne era importante para Frederik?– Por favor Anne, me deixe ganhar o seu perdão! Eu não posso estar em paz sem ele.

Anne poderia dizer apenas que isso era emocionante, algo sem precedentes na sua vida. Anne sim queria dar a Frederik seu perdão, era sua vontade, seu desejo. E para mostrar isso, Anne se abaixou até Frederik, e fez algo que ela nunca pensou em fazer: o beijou. Era sempre Frederik que beijava Anne, não o contrário. Mas Frederik correspondeu, abraçou Anne, a levantou e juntos foram para a cama.

Anne pode então esquecer tudo e todos os seus problemas, ela tinha Frederik, seu Frederik. Era assim então que era um casamento. Haviam brigas, discussões, mas deveria sempre ter reconciliações. Mas Anne mesmo assim ainda pode ouvir Frederik dizer: "eu vou te proteger, vou proteger vocês dois".