A Mais Bela Jane
1 Sem Orgulho Nem Preconceito
Notas iniciais
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Francis não imaginava que sua vida iria mudar totalmente quando entrou naquela loteria. Ah, sim, todos querem ganhar na mega sena. Todos naquela enorme fila que andava rápido como uma lesma. Que arrependimento, ter deixado para jogar bem no dia em que todos recebem os pagamentos.
E foi quando ouviu o barulho de algo caindo em seus pés. Olhou para baixo e viu um livro. Rapidamente o pegou, sem saber de onde aquilo veio. Mas logo encontrou sua dona. Uma garota de olhos azuis intensos, arquinho prendendo o cabelo negro como o de Francis e o vestido soltinho e rodado.Ele não conseguiu desviar os olhos, aquele mar azul o atraiu como um imã. Ele provavelmente não sabia que estava encarando-a como um otário.— Hm... — ela estende o braço devagar, pegando o livro com uma careta de como se questionasse se ele realmente estava bem. — Obrigada.— O que está lendo? — ele perguntou, balançando a cabeça para acordar.— Jane Austen.— Orgulho e preconceito? Caramba, é meu livro preferido. Já li tipo, doze vezes. — Francis disse, animado, e ela abriu um sorriso gentil.— Já li treze vezes. — Ele sorriu também, cada vez mais encantado.— Okay, talvez essa queda tenha amassado um pouco a capa... — Francis disse, desejando que aquela fila nunca andasse.— Elizabeth diria que se as palavras não forem comprometidas, não importa.— Acho que sim. — Concordou, sem tirar os olhos dela. Queria que aquele momento durasse para sempre, mas o assunto aos poucos acabava. Mas faltava algo. — Eu sou o Francis. — E eu já te disse meu nome. — Ela sorriu, e Francis ergue uma sobrancelha, confuso, mas nem tem tempo de responder, a mulher do caixa grita "próximo", e a garota anda até lá, e fica por alguns minutos, deixando Francis extremamente ansioso e curioso.Os passos dela são firmes e rápidos, indo para fora da loteria. Antes de sair, ela acenou. — Tchau, Jane Austen. — e um enorme sorriso se abriu no rosto de Francis.(...)Dias se passaram e Francis não tirava da cabeça aqueles olhos azuis como o céu, vibrantes como o orvalho da manhã, e misterioso como o humor de Elizabeth, a principal do livro.Ela era dona de todos os pensamentos de Francis, dos mais santos até os mais pervertidos. O histórico do Facebook se encheu de Janes Austens, mas nenhuma era tão bonita como ela. Ele fez uma anotação mental sobre pergunta-la o que ela acha que se passou na cabeça do Mr. Darcy quando ele engoliu seu orgulho colossal para se declarar para Elizabeth e foi rejeitado. Por algum motivo, a opinião dela importava.E, naquele momento, sentado no café de frente para a lotérica, ele esperava por horas. Dias. Toda santa manhã ele se sentou naquela cadeira e esperou. A manhã toda, por duas semanas. Quando terminava o almoço, ele ia embora com o coração na mão. Ele nunca a encontraria?E foi quando esse pensamento escorreu e desapareceu por sua mente. Ela estava lá. Entrando na loteria. Seu coração parou. Mal sentiu os dedos tirarem uma nota de 20 do bolso e jogar sobre a mesa, já correndo entre os carros atravessando a enorme avenida em disparada, quase sendo atropelado no processo.Chegando lá, era óbvio que a enorme loteria estava milhões de vezes mais lotada. Suas mãos empurraram as pessoas desesperadamente, tentando achar seus cabelos brilhantes no meio daquela confusão. Seria impossível. E quando começou a gritar.— "São muitos os meus defeitos, mas nenhum de compreensão, espero. Quanto ao meu temperamento, não respondo por ele. É, segundo creio, um pouco ríspido demais... — A medida que ele gritava, as pessoas se calavam, e cada vez mais olhos estavam nele. — para a convivência das pessoas. Não esqueço com facilidade tanto os disparates e vícios dos outros como as ofensas praticadas contra mim. — E chegou o momento quando a única voz era a de Francis. Todos olhavam-no. E uma doce voz respondeu a sua.— Meus sentimentos não se manifestam por qualquer coisa. Meu temperamento pode ser classificado de vingativo. — A cada palavra proferida pela garota, seu coração martelava mais forte. — Minha opinião, uma vez perdida, fica perdida para sempre."E ela apareceu, afastando as últimas pessoas para passar. Os mesmos olhos azuis vibrantes como estrelas no meio de sua cabeleira negra. A pele perfeita como marfim, a boca vermelha e importada do paraíso. O vestido rosa claro, os sapatos pretos antiquados e o mesmo arquinho preto. Ela estava ali. Definitivamente ali. Encarando-o, curiosa e com um sorrisinho divertido nos lábios.— Achei que falou do livro só para me impressionar. — ela comentou, cruzando os braços sobre o peito.— O que acha que o Mr. Darcy pensou quando foi rejeitado após esquecer seu orgulho e se declarou para Elizabeth? — Francis perguntou, ficando a um passo de distância dela. Ele estava exorbitantemente feliz.— Ele deve ter pensado que ela é uma filha da puta. — Francis gargalhou e ela sorriu, dando de ombros.Devagar, ele segurou suas mãos delicadas.— "Tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos, e preciso dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente."
— "Para mim, nada disso me encanta." — Ela abriu um sorriso. — "Prefiro infinitamente um bom livro."Francis sorriu também, e ela começou a andar para fora, mas, dessa vez, puxou ele. E ficaram os dois encantados de encarando.— Eu tenho milhões de perguntas. — ele disse, e ela sorriu, tirando um cartão da bolsa onde lia-se "Biblioteca Jane Austen" com letras bonitas, com um número de fixo e um endereço em baixo.— Não tenho celular.— Vou aparecer lá. — Francis sorriu, verdadeiramente feliz e ela retribuiu, com os olhos azuis brilhando.— Tchau, Mr. Francis. — Ela fala, já se virando para atravessar a rua.— Tchau, Jane Austen. — e observou-a atravessar a faixa solitária, com os poucos carros parados para vê-la passar.Ah, ela valia mais que qualquer dinheiro da mega sena. E foi nesse mesmo momento que um caminhão desgovernado atropelou-a, lançando seu corpo esbelto a dezenas de metros a frente num barulho extremamente alto.Seus cabelos caíram harmoniosamente espalhados, o arquinho saiu de sua cabeça. Os olhos azuis arregalados e assustados, a pele de marfim se quebrou, revelando sangue do mais puro vermelho vivo.E no meio da avenida, um exemplar dr Jane Austen morreu ao lado da própria.
Notas finais
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