A Magia Una
27 Culpa
Notas iniciais

Natsu: Lisanna... Me ajude... — Aqueles mesmos olhos que minutos antes transmitiam alegria, agora encarava a albina expressando dor, sofrimento, confusão e até medo. Lisanna se assusta ao presenciar medo nos olhos de Natsu. Foi o último pedido, antes da sua visão se apagar completamente e Natsu cair de buço no chão. Ao ver o homem que amava naquele estado. Lisanna entra em desespero e grita por ele aos prantos.
Lisanna: NATSU! — Rapidamente todos os membros da guilda presente olham em direção a pequena confusão. Gray é o primeiro a ver o rosado no chão, corre o mais rápido que pode para verificar o que estava acontecendo. — Meus Deus! Me ajudem! O Natsu morreu! — Lisanna grita em pânico.
Gray: O que aconteceu com ele? — Gray já se encontravam virando o corpo do rosado e o deixando de frente. Logo estranha a temperatura de Natsu. — O quê? Está frio? — O moreno arregala os olhos. Não. Ele não podia estar morto. Não em seus braços. — Natsu! Acorda! — Desesperadamente Gray começa a sacudir o Dragon Slayer.
Erza: Wendy!! — Erza ordena. A garota logo se aproxima de Natsu, estende suas mãos sobre o corpo inerte do rosado e um brilho da cor verde azulado surge em suas mãos. A sessão de cura da menina termina nos segundos posteriores, mas Natsu não apresenta melhoria.
Wendy: Não está dando certo... — Wendy treme, temendo pelo pior. — Se a pessoa não reage assim, significa que ele pode estar...
Gray: NÃO! Ele não está morto! Natsu é muito mais forte que isso! — Os membros da Fairy Tail não sabiam o que fazer. Apenas observava Natsu no chão com a cabeça apoiada no colo de Gray e o moreno gritando desesperado. — O que você fez com ele, Lisanna? — Gray transmite um olhar furioso para albina que se assusta com a acusação. Mas ele não sabia de nada, ou será que sabia?
Lisanna: E-Eu não fiz nada... Estávamos conversando quando ele passou mal e desmaiou... — Se defende nervosa e com a voz trêmula.
Erza: Estranho... Natsu sempre foi tão saudável, não pode ser problema de saúde... — Erza tentava se manter calma para não deixar os outros membros ainda mais desesperados. Mas a mesma também tremia de medo de algo acontecer com seu companheiro.
Gray: Claro que não é, Erza! Assim como a Lucy não deve ter caído sozinha daquela escada! — Dando uma indireta, ainda encarando Lisanna. Gray estava deixando claro suas suspeitas contra a albina.
Mirajane: Fazendo falsas acusações não vai adiantar nada! — Mira defende a irmã. — Precisamos achar uma explicação para o que aconteceu com o Natsu.
Wendy: Me desculpem pessoal! — Wendy para depois de uma nova tentativa de cura sem resultados. — Eu sinto muito... — A azulada já chorava pela falta que o rosado iria fazer.
Gray: Natsu! Volta! Por favor, não faz isso! Você tem que viver com a Lucy! — Agora Gray não continha as lágrimas. Todos presentes sabia a consideração que ele tinha pelo rosado, mesmo tendo rivalidade. Com exceção de Erza e Cana, a ruiva sabia que aquele desespero todo é por causa do amor que Gray sentia por ele. Lisanna saiu de perto da multidão de membros que se formou. Indo até o balcão para beber água e sendo seguida por sua irmã mais velha. Juvia vai até Gray e o abraça pelas costas, dando todo o apoio que o moreno precisasse. A azulada não sabia, mas desconfiava que Gray sentisse algo mais forte por Natsu.
Erza: Ainda não acabou! Wendy, vai chamar a Porlyusica! — Sem pensar duas vezes, a azulada menor se levanta e limpa suas lágrimas.
Wendy: Vamos Charle! — A Exceed logo abre suas asas e carrega a menina, saindo voando pela porta da guilda na mesma hora que outro Exceed entrava, andando tristemente, mas ao ver Wendy e Charle sobrevoando por ele, começa gritar pelas garotas.
Happy: Ah! Aí estão elas! Wendy, Charle! Vocês me deram bolo! — Choramingando. Mas foi ignorado pelas meninas, pois Wendy e Charle nem se quer olharam para trás e continuaram seu caminho. — Elas não queriam mesmo pescar comigo... — Entristecendo. Logo o Exceed percebe uma roda de membros da Fairy Tail em um canto da guilda. — O que está acontecendo aqui? — Abre suas asas e voa até o local, tendo uma visão de cima da cena em que Gray chorava sobre o corpo de Natsu e sendo confortado por Juvia. O exceed arregala os olhos e voa rapidamente em direção da confusão. Pousando bem do lado do corpo de Natsu. — O QUE ACONTECEU COM ELE? — Happy já chega desesperado, afinal, para Gray estar derramando lágrimas, só podia ser algo muito sério.
Nab: Parece que o Natsu passou mal e morreu... — Fala na lata. Erza não hesita e desfere um soco no rosto do mago, fazendo o mesmo voar para longe e cair sobre mesas e cadeiras vazias.
Erza: Ele não está morto! — Grita brava.
Gray: M-Mas Erza, ele não tem reação e está frio... — Erza se aproxima de Natsu e faz um pequeno reequipamento, tirando apenas sua proteção de metal para antebraço e sua luva. A Titânia coloca o dedo indicador embaixo do nariz de Natsu e consegue constatar que o mago ainda respirava.
Erza: Ele ainda respira, então ainda está vivo... Só está frio... — Deixando os magos presentes aliviado. — Parece estar com febre...
Juvia: Febre?! — Juvia se pronuncia confusa. Como poderia ser uma febre fria?
Erza: Sim, o normal do corpo do Natsu é estar quente, então não me surpreenderia se ele estivesse com febre agora...
Happy: Você vai sair dessa amigão! — Happy também já chorava muito. — Eu vou fazer o possível para te salvar, assim como você já nos salvou tantas vezes...
Levy: Vamos tirar ele do chão, vamos colocar em alguma cama da enfermaria... — Ambos concordam e Gray é o responsável por carregar Natsu, colocando o rosado nas costas. De longe, as duas albinas observavam tudo. Mirajane com olhar preocupado e Lisanna com olhar medroso e culpado. Ambas não havia escutado o que Erza disse sobre o Dragon Slayer ainda estar vivo devido a distância. Mirajane percebe que Lisanna estava estranha em não ter ido se oferecer para ajudar Natsu nesse momento. Talvez estivesse magoada com o que Gray acabara de dizer para ela.
Mirajane: Não ligue para o que Gray disse... Ele só está preocupado com o Natsu... — Tenta confortar a albina que estava sentada em uma cadeira e batia o pé no chão constantemente, demonstrando seu nervosismo. — Eu sei que você não tem culpa de nada... — Mira aguarda uma resposta da irmã que não veio. Lisanna permanece calada, afinal, quem cala consente. — Não é, Lisanna? — Pergunta. Na esperança da irmã mais nova afirmar. Mas tudo o que conseguiu foi ver Lisanna virando o rosto para o lado, sem nem ao menos encarar Mirajane. Foi aí que Mira passou a desconfiar que Lisanna pudesse realmente ter algum porcento de culpa nisso tudo. Após segundos de silêncio, finalmente a mais nova fala algo.
Lisanna: E-Eu dei... Essa poção para ele... — Estendendo uma garrafa com tampa parecida com a cabeça de uma cobra naja. Mira fita aquilo curiosa — Eu matei o Natsu! — Deixando as lágrimas grossas caírem cada vez mais pelo seu rosto. Mira pega o objeto e analisa com atenção. Logo depois voltando a encarar Lisanna com olhar furioso.
Mirajane: Não acredito que você fez isso! — Disse, demonstrado toda sua raiva e decepção com a irmã. Lisanna chora cada vez mais. — Eu te defendi... — Se auto recriminando por confiar tanto na irmã mais nova. Lisanna estava se sentindo pressionada cada vez mais e já começava a pensar que se contar-se tudo, iria voltar a ter a confiança da irmã de volta. Mirajane sempre esteve ao seu lado, sempre a defendeu, mesmo sem saber que sua irmã era a verdadeira culpada de tudo isso.
Lisanna: Me desculpe... Eu só... — Não conseguia completar a frase, seu choro não permitira. Após o derramar de muitas lágrimas, Lisanna respira fundo para terminar sua fala — Eu só queria ser amada por ele... — Lisanna não encarava Mira, mas olhou rapidamente para a irmã mais velha pelo canto do olho, talvez não devesse fazer isso, pois o que conseguiu foi presenciar o olhar mais decepcionado que Mira conseguiu transmitir naquele momento. Mirajane deixa claro sua decepção com Lisanna, fazendo com que a mais nova não consiga mais fitá-la e desvie o olhar.
Mirajane: Estou muito decepcionada com você... — Foi tudo o que conseguiu dizer. Mira sai dali, deixando Lisanna sozinha. Dessa vez, a albina estava se sentindo mais sozinha do que nunca, pois agora não teria o apoio de Natsu, Bickslow e muito menos Mirajane.
...
Ao leste de Magnolia, ainda dentro da floresta. Uma carruagem é vista andando rapidamente. Era uma carroça que estava sendo guiada por dois homens na parte da frente e sendo levado por um animal que lembrava um lagarto gigante. Esses homens vestiam armaduras feudais de coloração rosada, assim como a cor da carruagem. Nos assentos de trás, haviam mais dois guardas com as mesmas vestimentas e uma mulher morena. Era Samantha, com um sorriso cínico nos lábios e os cabelos longos e ondulados ao vento. A carroça levava algo misteriosa na parte de trás, era uma jaula que estava coberta por um pano preto. Quem visse de longe, iria pensar que era uma carroça de transporte com animais sendo levados a algum zoológico ou qualquer coisa do gênero.
Samantha: Arthur-sama ficará muito feliz quando souber que o plano deu certo... — Comentou com um dos guardas, mas esses não dirigiram a palavra para moça. Por formalidades, os Cronos, como eram chamados, são proibidos em dirigir à palavra para alguém de cargo superior, com exceção se essa autoridade permitir que eles falem. — Está confortável aí dentro querida? — Perguntou em tom irônico, olhando para a jaula atrás de ambos. Dentro da jaula se encontrava a Heartfilia. Amordaçada e com as mãos presas nas costas. Lucy já havia desistido de se debater, sabia que eles não iriam soltá-la. Suas chaves já não estava mais com ela, agora estavam no colo de Samantha.
Lucy: "Não vou conseguir fugir, mas tenho quase certeza que eles me querem viva..." — Lucy pensava em uma forma de dar sinal a alguém do lugar onde ela estava. — "Já sei... Com certeza o Natsu dará falta de mim e virá me procurar. Vou fazer um rastro para que ele sinta o meu cheiro..." — Primeiro Lucy consegue tirar as botas marrom que usava, fazendo esforço para não chamar tanta atenção das pessoas que estavam com ela na carroça. As botas estavam um pouco folgada nela e isso facilitou para que ela tirasse cada uma usando o próprio pé. Sem demora, Lucy jogou uma das botas para fora da carroça, fazendo com que ela passasse por entre as grades. Esperando a carruagem se distanciar mais e jogou a outra, com os pés como da primeira vez. — "Espero que o Natsu chegue até aqui..." — Rezava internamente. Mas Lucy não tinha mais nada que pudesse jogar e fazer um rastro. Teria suas roupas, mas não iria ficar pelada e mesmo assim, com seus braços presos para trás, não iria conseguir tirar nada. — "Merda... " — Pensava rapidamente em outra coisa que pudesse acusar facilmente que era dela se alguém tivesse um ótimo olfato. A carroça já estava se distanciando demais do último pé de sapato jogado e se isso poderia comprometer o plano da Heartfilia. A jaula era um pouco apertada e Lucy sentia algo atrás de si a incomodando nas costas. Com algumas manobras apenas com os pés e se apoiando na bunda, a loira conseguiu virar e viu uma ponta de prego fora do lugar. — "Não tenho outra escolha, pelo menos assim vai ficar mais claro que é um rastro meu..." — Voltando a ficar de costas para a ponta de prego, Lucy inicia pequenos pulos, sempre sendo apoiada pela própria bunda, como se estivesse cavalgando, afinal, ficou experiente nisso depois de várias noites de amor com seu namorado. Com um pulo certeiro, a Heartfilia consegue ferir sua mão e causar um arranhão fundo, do qual começou a cair sangue. — Hmm... — A mesma geme pelo ardor causado, mas não tinha escolha. Novamente se movimenta e agora Lucy coloca as duas mãos para fora da cela, fazendo com que o sangue caia no chão e formando um rastro de pequenas gotas de sangue por onde a carroça passava. — "Vem logo Natsu..." — O que ela não sabia, era que Natsu estava em uma situação muito pior que a dela.
...
Guilda Fairy Tail
Na guilda, os membros havia colocado Natsu em uma das camas da enfermaria da guilda. No quarto agora só estavam Porlyusica, que não hesitou em dar ajuda para Wendy, a própria Dragon Slayer dos Céus, sua companheira Charle, Happy, Gray, Juvia e Erza. Todos muito preocupados com o estado do rosado. A velha analisava os olhos, boca e ouvido do garoto e Wendy apenas observava. A situação estava ficando pior, pois Natsu começava suar frio.
Erza: O pior de tudo é que Lucy decide sumir numa hora dessas... — Reclama cruzando os braços. Porlyusica logo houve e passa uma informação que até o momento só ela tinha.
Porlyusica: Se é a loira peituda que está se referindo, ela foi hoje bem cedo lá em casa... — Todos ficam atentos com a informação, pois era a primeira noticia sobre a loira naquele dia.
Gray: O que ela foi fazer em sua casa? — Gray pergunta de forma rude como sempre. Fazendo Porlyusica olhá-lo com desdém, mas logo voltar a analisar Natsu e responder a pergunta do moreno.
Porlyusica: Ela alegou que estava passando mal... Terminou descobrindo que estava grávida de novo. — Todos arregalaram os olhos, mas dessa vez surpresos com a notícia boa que acabaram de receber, ao menos uma notícia boa...
Juvia: Lucy-san está grávida de novo? — Abrindo um sorriso. Assim como os outros membros também sorriram.
Porlyusica: Sim, ela saiu de lá feliz. Achei que vocês já estavam sabendo... — Se irritando por ter dado uma notícias dessas no lugar da loira.
Happy: Tá vendo Natsu? Acorde logo para ver a Lucy grávida... — Para Happy era difícil ver seu amigo naquele estado. Estava acostumando em vê-lo brigando, sorrindo e fazendo palhaçadas. Charle estava com pena de vê-lo triste e decide ser solidária, indo até o Exceed e pega em sua mão, passando seu apoio para Happy. Nem mesmo ter as mãos tocadas pela Exceed que era apaixonado alegrava o azulado. Finalmente Porlyusica para de checar quase todos os buracos do corpo de Natsu.
Erza: E então? O que ele tem? — Erza é a primeira a se antecipar.
Porlyusica: Ele foi envenenado!
Wendy: C-Como assim? — Todos ficaram incrédulos. Quem poderia ter dado veneno para Natsu. Por outro lado, Gray já desconfiava de Lisanna, afinal, ela foi a pessoa que estava perto do rosado quando ele começou a se sentir mal.
Porlyusica: Tentaram matar ele envenenado, simples... — Disse como se fosse óbvio.
Gray: Mas tem como curá-lo?
Porlyusica: Se eu tivesse o tipo de veneno, sim, caso contrário, qualquer remédio que eu possa dar a ele pode piorar...
Erza: Quanto tempo ele tem? — Pergunta entristecendo.
Porlyusica: Até o anoitecer... — Todos voltam com suas expressões de pânico. Não podia acreditar que só teriam Natsu até o anoitecer. Interrompendo o clima tenso no local, Mirajane entra no quarto.
Mirajane: Porlyusica-san, pode vir comigo, por favor? — Essa por sua vez a olha com desdém, mas segue a albina. Deixando todos no quarto em um clima de desespero e lágrimas não eram contidas, principalmente por parte de Happy, Wendy e Gray, esse último era confortado por Juvia e chorava silenciosamente, recordando tudo o que passou ao lado do seu amigo. Fora do quarto, Mirajane entrega a garrafa que pegou da mão de Lisanna para Porlyusica. — Parece que o veneno que ele ingeriu foi esse, tem como tirar uma cura disso? — Porlyusica pega a garrafa e abre, cheirando o que tinha dentro, logo depois fita o vidro e percebe apenas uma gotinha no fundo da garrafa, aquelas gotas que sempre sobram e nunca conseguimos beber tudo.
Porlyusica: É um veneno forte... — Disse olhando fixamente para o vidro. — Já sei que veneno é esse... Sem cheiro e com uma coloração rosa... Só pode ser o “Venenatis Dui” — Perdida nos próprios pensamentos. Mira não interrompe os pensamentos de Porlyusica e apenas espera a idosa dá alguma solução para o problema — Ainda dá tempo de salvá-lo, mas preciso pegar uma planta em minha casa para fazer um chá... — Porlyusica logo desconfia de algo e não hesita em perguntar para Mirajane. — Como você conseguiu esse frasco? — Antes que Mira pudesse dá a explicação, ambas são interrompidas por Lisanna.
Lisanna: Mira-nee... Eu preciso contar tudo o que sei... — A culpa que sentiu por ter feito o homem que amava quase morrer, fez com que Lisanna decidisse falar tudo o que sabia. O problema era saber qual seria a reação da sua irmã mais velha que tanto lhe apoiou.
CONTINUA...
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