A Magia Perdida
39 O segundo adeus
Notas iniciais
Natsu seguia os dois de longe, vigiando entre as sombras. Ele sentia como se fosse uma homem traído, e precisasse de provas para jogar na cara de Lucy, que ela estava sendo infiel enquanto ele ficava de longe protegendo-a que nem um bobo.
Porém para infelicidade do Dragon Slayer, ele os perdeu de vista, quando os dois entraram no prédio de Lucy, de certa forma aquilo o frustrou, até se dar conta de que tinha uma super audição e podia escutar tudo o que eles falavam lá dentro, só precisava se aproximar mais um pouco para ouvir com mais clareza.
–Meu apartamento não é tão grande,- Lucy falou, abrindo a porta- Mas é o suficiente para eu poder sobreviver!
Ela lançou um sorriso por cima do ombro para Sting, deixando a porta aberta para ele entrar.
Sting, olhou o local sem muito interesse, afinal não estava ali para avaliar o local que Lucy viva, apenas para acompanha-la.
–Espere só um instante, acho que deixei minha bolsa na escrivaninha!- Lucy falou, caminhando até lá.
Sting sorriu de leve direcionando o olhar para ela, mas ao desviar, notou uma foto em cima da cômoda que lhe chamou atenção. Uma menina loira, que provavelmente seria Lucy, um homem, seu pai, e uma mulher, e era essa mulher que chamou atenção dele.
–Pronto, achei, já podemos ir!- Lucy falou, se virando para ele.
–Você é a cara da sua mãe!- Sting falou, encarando a foto.
–É o que todos dizem. — Lucy sorriu.
–Todos, estão certos! Sabe, se Layla estivesse viva, ela com certeza seria do conselho mágico!
–Não sei, o pouco que convivi com minha mãe me leva a crer que ela provavelmente ficaria cuidando de meu pai... e de mim!
–Não duvido, apenas digo que com a experiência dela, seria convidada para ser uma maga santa, ou algo do tipo!
–Não gosto muito de falar nela- Lucy confessou- Me traz lembranças...
–Então vamos beber!- Sting falou, fazendo Lucy rir.
Natsu revirou os olhos com o comentário do loiro, e instantes depois, escutou a porta bater, indicando que eles já iriam sair. Era meio psicótico da parte dele continuar com aquela ideia de perseguir os dois, mas ele com certeza não conseguiria ficar quieto em casa, sabendo que Lucy estava com ele, assim que viu os dois saindo de dentro do prédio, Natsu se preparou para segui-los.
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O bar não era muito grande, e era bem movimentado, o que fazia com que qualquer espaço livre fosse uma rara oportunidade. Mas por sorte, os magos encontraram uma mesa escondida em um canto que dava para ocupar os cinco.
–O ambiente aqui é ótimo — Lucy falou, quando todos já haviam sentado- Exceto por algumas brigas que acontecem entre bêbados!
–Isso é normal em um bar!- Rufus comentou, analisando um copo de vidro.
–Você precisa ver o Rogue bêbado!- Sting falou, olhando zombeiro para o mago. — Fica tão faladeiro que não parece ele mesmo.
Rogue revirou os olhos, voltando o olhar para qualquer direção que não fosse Sting.
–Provavelmente, você irá achar essa noite entediante!- Yukino falou, enquanto brincava com a lamparina no meio da mesa.
–Por que acha isso?!- Lucy perguntou, olhado para a mesma.
–Rufus vai ficar o tempo todo olhando as pessoas ao seu redor, Rogue vai beber mais do que devia, Sting vai arrumar briga com alguém por causa de Rogue, e fulano vai ficar tão bêbado que iremos precisas carrega-lo até o hotel!
–Nossa, você parece que vive isso todo dia!
–Faço parte desse time, eu vivo isso pelo menos duas vezes em um dia!
–Hoje pode ser diferente!
–Não será! A menos que você fosse o mestre da guilda, ou alguém do conselho mágico... Mas mesmo assim eles fariam alguma coisa fora do comum!
–Parece um pouco com meu time da Fairy Tail!- Lucy falou.
–Parece?!
–Sim! Erza quando bebe, fica mandona, o Gray não tira as roupas, mas fica estranho, menos comunicativo. Wendy fica um tanto lesa...
–A Wendy?!- Yukino se exaltou.
–Foi só uma vez!- Lucy falou rapidamente.
–Como deixaram uma criança beber?!
–Estávamos comemorando uma vitória... era importante para nosso time!
–Tão importante a ponto de deixarem uma criança beber?!
–Foi apenas um descuido!- Lucy respondeu encolhendo os ombros.
Um garçom chegou na mesa para servir a primeira rodada de cerveja que já havia sido pedida pelos rapazes.
–Vamos nos divertir!- Sting falou, antes de brindarem e começarem a beber.
Lucy não conseguia se imaginar naquela situação, nem em sonhos. Sentada, ali, no meio de magos que não eram da sua guilda, se dando bem com eles, conversando normalmente, como se fossem conhecidos de longa duração, e um daqueles magos era uma maga celestial, em outros tempos, a loira não conseguiria nem se imaginar conhecendo outros magos.
Mas agora estava ali!
E não era ruim! Pelo contrário, aquele momento longe das pessoas costumeiras de certa forma era agradável e relaxante, como se um ambiente antigo mas com pessoas novas, fossem uma combinação perfeita para diversão!
O bar já estava quase vazio quando eles se levantaram para ir embora, para felicidade de Lucy e Yukino, os magos haviam maneirado na bebida e nenhum deles estavam bêbados ou cambaleantes.
–Hoje até que foi uma noite agradável!- Lucy comentou, enquanto todos caminhavam na margem do rio que passava ali.
–Nunca imaginei que um dia iriamos sair com uma fada!- Rufus comentou, como sempre analisando para a paisagem.
–Para mim pareceu normal!- Orga respondeu.
–Para você quase tudo é normal!- Rogue falou, indiferente.
–De qualquer forma, eu gostei!- Lucy falou, se virando para eles.- Posso ir para casa daqui, não precisam me acompanhar!
–Não é perigoso você andar por aí sozinha?!- Yukino perguntou.
Lucy deu duas batidas leves no se estojo de chaves, para mostrar que estaria segura com seus espíritos.
–Eu sei me cuidar!- Ela deu uma piscada para eles.
–Tudo bem, então!- Rufus falou, já dando meia volta.
–Por que você é tão indiferente?!- Sting falou, seguindo o mago.
Rogue deu um leve aceno de cabeça para Lucy, e Orga retribuiu a piscada, os dois seguindo seu caminho.
–Você ficara mesmo bem?!- Yukino perguntou, já ficando de lado para seguir os magos.
–Meu apartamento não é tão longe, e também, todos me conhecem!- Lucy falou, dando de ombros.
–Tudo bem! Até amanhã, então!- Yukino falou, acenando para a loira.
Lucy acenou de volta antes de virar seguindo seu caminho. Gostava de andar sozinho ou na presença de Nicholas. Era como se aquele fosse um tempo somente dela, além do banho, e das horas em que escrevia suas histórias.
O caminho foi tranquilo até seu apartamento, mas assim que avistou o prédio ela viu um vulto encostado na parede da entrada, olhando para o chão pensativo. Se ela não conhecesse aquele vulto tão bem, estaria sacando uma das suas chaves por precaução, mas ao invés disso seu coração acelerou.
–Natsu!- Ela chamou sorridente.
Quando porém, o rapaz direcionou o olhar na sua direção, Lucy viu que havia algo errado.
–Natsu, tudo bem?!- Ela perguntou, parando na frente dele.
Ele respirou fundo, soltando o ar bem devagar.
–Onde você estava até agora?!- Ele perguntou, com a voz grave.
Lucy sentiu certo receio naquela pergunta, mas não queria ficar para trás.
–Eu sai com o pessoal da Sabertooth!- Ela respondeu com o tom de voz diferente.
–E como explica o cheiro do Sting no seu apartamento?!- Ele se desencostou da parede.
–Ele entrou no meu apartamento por alguns segundos, foi rápido...
–Lucy por favor, se você não quer nada comigo...
–Eu alguma vez falei que não queria algo?!
–Mas você nunca demonstrou que queria!
–Natsu, para, não acredito que está brigando comigo por besteira!- Lucy falou, passando por ele, cobrindo os ouvidos.
Com um puxão no braço de Lucy, Natsu fez loira ficar frente a frente com ele.
–Me diz quantas vezes você disse que me amava?!- Ele perguntou, sério.
Lucy franziu o cenho.
–Que tipo de pergunta é essa?!- Ela falou.
–Eu quero que você responda!- O semblante dele estava diferente. — Lucy, desde que começamos esse... relacionamento... eu não sinto um sentimento de reciprocidade!
–Como assim sentimento de reciprocidade?! Desde quando você sabe o significado dessa palavra?!- Lucy falou puxando seu braço do aperto dele.
–Viu como você me trata?!- Natsu falou indignado, soltando a loira.
–Você está tendo um ataque de ciúmes é isso?!- Lucy se afastou dois passos.
–Não, Lucy, é indignação! Por um instante eu achei que você preferia a presença deles do que a minha!- Natsu falou. — Sério você nunca disse que me amava!
–Natsu é mais complicado para a mulher, nos envolvemos mais fácil, sofremos mais...
–Mas eu não quero te fazer sofrer!- Ele disse sacudindo-a pelos ombros. — Eu te amo você não entende?! Eu quero te fazer feliz... eu e amo, Lucy!
Lucy não tinha resposta. Ela gostava de Natsu, o amava, mas não sentia que devia falar aquilo naquele momento, seria um tanto forçado. Os olhos de Natsu estavam tão vidrados nos seus que por um instante ela sentiu como se eles dois fossem um só.
–Por que você não me responde?!- Ele perguntou, parecendo decepcionado.
Ela continuou quieta, até o momento que ele soltou seus ombros franzindo o cenho e se afastando.
–E mais uma vez você me decepcionou!- Ele falou.
–Como assim?!- Ela perguntou. — Natsu espera, vamos conversar melhor...
–Dessa vez, você vai ficar sozinha!- Ele falou, antes de correr.
–Natsu, não, espera!- Lucy ainda tentou alcançar o mago, porém ele já ia longe, por ser mais rápido.
E mais uma vez, ele a deixava sozinha com aquele sentimento de perda, e seu coração esmagado... mas dessa vez a culpa realmente era dela!
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