A Madrasta

26 Capitulo 26 FINAL


Notas iniciais
Infelizmente, a história chegou ao fim. Obrigada pelas recomendações, pelos comentários e favoritos. Confesso que os julgamentos de alguns leitores em relação a Regina me deixaram muito triste. Foram os mesmos julgamentos que as nossas mulheres recebem na vida real. Enquanto o verdadeiro caráter do personagem de Victor não veio à tona, ele era a pobre vítima traída e Regina a vilã que traía o marido. A traição de um homem é instinto, afinal, os homens são assim mesmo, né? Quem mandou a mulher não dar o que ele queria? Quem a mandou se desleixar e não dar atenção a ele? São essas e tantas outras desculpas que as pessoas usam para justificar a infidelidade de um homem. Mas quando a infidelidade parte de uma mulher, não existe justificativa e pouco importa os motivos que a levaram a ser infiel. Ela receberá todos os xingamentos possíveis e será lembrada pelo resto de sua vida como a vagabunda que traiu o coitado do marido. Infelizmente, já faz parte da cultura do nosso país. Uma pena. Enfim, minha intenção não foi e nem é incentivar nenhuma mulher a trair seus respectivos maridos, muito menos induzir os “enteados da vida” a nutrir sentimentos amorosos pelos seus padrastos ou madrastas. Apesar de tudo, isso aqui é uma ficção e espero que os leitores tenham entendido a mensagem que tentei passar, mas se não entenderam, paciência. Obrigada, desculpem qualquer coisa, boa leitura e até a próxima!

Cruzando os braços, Regina foi até a janela de sua sala na reitoria, perdida em pensamentos. Respirando fundo, observou sua filha atravessando o pátio da universidade com uma amiga. O tempo havia passado voando, pensou ela, e aos dezesseis anos, Lily já era quase uma mulher.

— Caramba, Lily! Você tem as mães mais bonitas do mundo. Na verdade, não sei qual das duas é a mais bonita — comentou Tinker, enquanto ajustava a mochila no ombro.

— É claro que a mais bonita é a minha madrasta…Emma — Lily falou, mordendo o lábio sem conter um sorrisinho. — Além disso, ela é bem mais jovem que a minha mãe — acrescentou, enquanto observava Emma se aproximar.

— Não sei qual é a diferença de idade delas, mas a reitora é muito atraente. Quando ela passa, não tem um só aluno que não pare para olhar pra ela.

Os olhos de Lily abandonaram a figura de Emma e se voltaram à amiga, mas antes que ela pudesse continuar a discutir sobre a beleza da mãe e da madrasta, Emma parou diante delas exibindo seu delicioso sorrisinho de covinhas.

— Olá, mocinhas! — disse ela, recebendo um beijo demorado de Lily em seu rosto. — Vamos? Estou faminta.

— Mamãe não vem? — indagou Lily, passando os braços ao redor da cintura dela.

— Infelizmente, não. Ela tem uma reunião daqui a pouco e não poderá vir conosco.

— Ótimo!

Emma deu um passo para trás, semicerrando os olhos verdes enquanto uma ruga surgia em sua testa.

— Porque você parece feliz com o fato de Regina não vir com a gente?

— Acontece que ela fica controlando o que eu como e eu detesto isso — justificou-se, notando a súbita mudança no tom de voz de Emma.

— De qualquer forma, isso não é motivo para você se alegrar com a ausência dela. Agora vamos porque eu tenho outros assuntos para resolver após o almoço — dito isso, Emma se desvencilhou do abraço dela e caminhou em direção onde estava estacionado seu carro.

— Pelo visto você a irritou — disse Tinker, lançando-lhe um sorriso insolente que a fez revirar os olhos.

Passando a mão pelos cabelos com alguma rispidez, Lily olhou para a amiga de cara feia, mas nada comentou.

[…]

— Ia te convidar para almoçarmos juntas, mas encontrei com Emma e ela acabou de me dizer que você tem uma reunião.

— Eu menti pra ela — sussurrou Regina, suspirando em seguida. — Podemos conversar um minuto na minha sala?

— Claro, amiga. O que foi que aconteceu?

Depois de fechar a porta da reitoria, Regina se acomodou em sua cadeira, apoiou os cotovelos na mesa e cobriu o rosto com as mãos. A expressão preocupada de Mary se abrandou quando Regina ergueu a vista e se pôs a falar.

— Acho que a minha filha está se apaixonando por Emma.

Com os olhos arregalados e a boca coberta por uma das mãos, Mary não tinha a menor ideia do que dizer. Arqueando as sobrancelhas, ela soltou a respiração enquanto tentava assimilar o que Regina dissera.

— Regina, isso não pode ser. Lily é praticamente filha de Emma também. Mas porque você está pensando isso?

— Já tem alguns meses que eu notei uma mudança de comportamento dela — Regina explicou, mordendo o lábio ao mesmo tempo em que franzia o rosto. — Ela está sempre me criticando e elogiando Emma. Várias vezes a flagrei em nosso quarto enquanto Emma dormia. E sem querer, li uma conversa dela no telefone com uma amiga, dizendo coisas que eu prefiro não mencionar.

Mais uma vez, quase sem ar, Mary engoliu em seco e se recostou na cadeira.

— Amiga…talvez seja só impressão sua. Ou talvez você esteja com ciúmes porque sua filha está dando mais atenção a Emma do que a você.

— A princípio eu pensei que se tratasse disso — disse ela, deixando escapar um suspiro profundo, levando a mão à nuca. — Mas então eu percebi aquele olhar…

— Que olhar?

— Aquele que Emma dirigiu a mim há tantos anos quando nos vimos pela primeira vez. O mesmo olhar inquisitivo, luxurioso e desafiador. O mesmo olhar provocativo, carregado de desejo. Aquele olhar que me desnudava sem o menor esforço ou pudor.

Uma dor visceral lhe revirava o estômago ao mesmo tempo em que o peito se apertava diante daquela ideia.

— Meu Deus, Regina…Lily só tem dezesseis anos.

— Eu sei, Mary. Mas eu estou com medo. Estou com muito medo que a história se repita.

— Impossível, amiga — Mary falou, pousando sua mão sobre a dela delicadamente. — Suponhamos que você esteja certa e que ela tenha sentimentos por Emma, certo? — acrescentou, e o ver Regina assentir, ela retomou sua fala. — Emma te ama, Lily é uma criança e talvez só esteja impressionada ou confusa. É normal na adolescência. Porque você não fala disso com Emma e juntas conversam com ela?

— Você tem razão, Mary. A melhor saída para acabar com essa dúvida é conversar com elas.

Sentindo-se um pouco aliviada depois da conversa com a amiga, Regina deixou a reitoria e conduziu direto para casa. Enquanto a mente tentava afastar aquelas ideias, ela abriu a porta do apartamento, jogou a bolsa no sofá enquanto percorria o cômodo com os olhos. Ao que parecia, Emma e Lily ainda não tinham chegado. Depois de passar pela cozinha e tomar um pouco de água, Regina se dirigiu ao quarto e a tranquilidade que vinha sentindo de repente se transformou num misto de choque e desilusão quando a porta foi aberta. Suas suspeitas. Lá estavam elas, esfregadas bem na sua cara.

O estômago de Regina se revirou de dor quando viu as mãos de Lily deslizando pelos ombros de Emma, empurrando-a para mais baixo enquanto a língua ávida dela desenhava círculos pelo seu ventre. O coração quase parou em seu peito quando os olhos da sua filha, cheios de malícia se reviraram enquanto Emma continuava sua exploração.

Com muita vontade de saber que não estava anestesiada, Regina tentou sair correndo dali, mas seus pés pareciam grudados no chão e não obedeceram aos seus comandos. As lágrimas escorriam sem parar enquanto ela tentava encontrar algum sentido para o que estava acontecendo. Lutando para organizar os sentidos e engolir a dor, ela quase desmaiou quando Emma se virou, e encarando-a, chamou o seu nome.

— Regina…

Regina se sobressaltou da cama sentindo o corpo suar frio enquanto os olhos vasculhavam o quarto. Com o coração disparado, sentou-se na beirada do leito enquanto Emma se aproximava com a pequena Lily em seus braços.

— Meu amor, você está bem? — indagou Emma, sentando-se ao lado dela. O rosto tomado pela preocupação. — Estava indo para o quarto com Lily quando te ouvi gritar.

Suspirando de alívio, Regina enxugou o suor que se acumulava em sua nuca.

— Eu tive um pesadelo — disse ela, ofegante. — Mas parecia tão real…

— Você estava gritando que a história não podia se repetir. Com que história você estava sonhando?

— Nada, meu amor. Vamos esquecer isso…foi apenas um pesadelo.

— Tem certeza que está bem? Quer um pouco de água? Um chá?

— Obrigada, meu amor. Mas eu estou bem, não se preocupe — as palavras jorraram dos lábios sorridentes.

Emma a segurou pela nuca, e levou a boca na direção dela. Após um beijo doce e tranquilizador, Regina se levantou da cama.

— Bom, Lily e eu já estamos prontas, não é amiguinha? — olhando para ela, Lily levou o bloquinho de borracha à boca e depois o atirou na cabeça de Emma.

Regina balançou a cabeça enquanto a filha de apenas um ano dava risadas com as caretas que Emma fazia. Estavam às vésperas do natal e só faltavam os presentes para deixarem a cidade e comemorar a data na casa que elas tanto amavam em meio às montanhas.

O sol já começava a se pôr e tudo cintilava com as vibrantes luzinhas de natal pelas ruas e nas portas das casas. Assim que chegaram e abriram a porta, elas foram recebidas pelas músicas natalinas e golpeadas pelo cheiro da apetitosa comida caseira.

— O que teremos de sobremesa, querida sogra? — indagou Emma, abraçando-a por trás enquanto ela mexia alguma coisa dentro de uma panela.

— Você tem algum fetiche por sobremesas, mocinha? — indagou Cora, balançando a cabeça enquanto sorria. — Onde está a princesinha da vovó? — acrescentou, tomando a neta em seus braços.

Enquanto Cora paparicava a neta, Regina foi até a árvore-de-natal próxima à lareira. Os olhos pousaram sobre os diversos enfeites que ela e Emma ao lado da filha fizeram: renas de purpurina prata, sininhos dourados e anjos de papel com os nomes delas escritos nas asas. Com a felicidade invadindo o seu peito, ela fechou os olhos quando sentiu os braços de Emma envolvendo-a por trás.

Em meio ao silêncio, apenas se ouvia o som dos corações batendo.

— Feliz natal, meu amor — disse Emma, afastando-se enquanto Regina girava lentamente e olhava para ela.

— Feliz natal, minha vida — sussurrou Regina, pressionando seus lábios contra os dela.

Depois que Mary chegou, o momento romântico delas cedeu lugar aos risos que Cora provocava mencionando detalhes de sua vida no exterior. Embora também se divertisse, Regina parecia chocada diante das confissões que sua mãe compartilhava na mesa. Quando o jantar acabou e a troca de presentes foi encerrada, elas se recolheram abraçadas para o quarto.

Tão logo se deitaram na cama, Regina a beijou, não querendo nada além de pôr cada partícula do seu amor naquele beijo.

Algumas semanas depois…

O ano novo chegara trazendo com ele uma montanha de emoções para Emma e Regina. Elas ainda não acreditavam que tinham conseguido chegar até ali, afinal, tudo começara de uma forma tão confusa e tortuosamente errada.

— Feliz aniversário, espertinha — disse Regina, assim que o relógio marcou meia noite, e com um sorriso lânguido, a beijou, mergulhando na sensação dos lábios que amaria para sempre.

— Obrigada, Regina Má — Emma respondeu, beijando-a com mais intensidade, e então se pôs a desabotoar a blusa dela.

— Emma! — exclamou Regina, afastando as mãos dela com um tapa. — Quero que você abra o seu presente.

— Mas era exatamente o que eu estava fazendo — um sorriso espertinho se espalhou pelo rosto dela enquanto Regina revirava os olhos.

Ela fez menção de se afastar, no entanto, Emma a puxou para mais perto e não deixou que ela dissesse mais nada. Explorou a sua boca com a língua buscando a doçura da qual nunca se cansava.

E de súbito os olhos de Regina se fecharam lentamente, enquanto Emma arrastava os lábios até o queixo e o pescoço, parando na curva dos seios.

— Faça amor comigo — disse ela, se concentrando nos botões da camisa que Regina vestia.

Inclinando a cabeça de maneira a deixar que Emma devorasse seu pescoço, Regina soltou um gemido, se levantou do sofá e a puxou em direção ao quarto. Sem se importar com a TV e com as luzes que deixaram acesas, elas desabaram na cama. Ao olhar nos olhos de Emma, Regina sentiu arrepios se espalharem pelo corpo e o sangue disparar violentamente pelas veias quando ela lhe tocou os seios.

— Eu te amo, Emma — ela sussurrou, a mente repassando cada segundo, minuto e hora que haviam passado juntas. — Espero que esse seja o primeiro de muitos aniversários que passaremos juntas. Você é minha, Emma. E eu sou sua.

— Para sempre — Emma murmurou enquanto um prazer escaldante a rasgava por dentro.

As bocas se grudaram, os lábios igualmente esculpidos, macios e cálidos trocaram sabores. O calor que emanava de ambas as peles era tão incendiário que chegava a ser torturante. O beijo entre elas se intensificou e Regina entrelaçou os dedos nos cabelos dela. Seus lábios molhados se entreabriram com um arquejo ao sentir os dedos de Emma penetrá-la bem devagar.

O corpo de Regina estremecia a cada toque, assim como o coração. Eletrizada com os sons dos gemidos de Regina atiçando os seus sentidos, Emma deslizou pelo corpo dela e pousou a boca sobre sua florescência inchada. Ela a saboreava com volúpia, como se temesse nunca mais ter aquela experiência. Sentindo que ela estava prestes a chegar ao seu limite, Emma escorregou novamente sobre o corpo dela e então a beijou. Perdendo-se nas sensações e nos sons dos dois corpos se fundindo, Regina capturou nos olhos de Emma uma intensidade jamais vista, exibindo um outro nível de amor, um grau maior de paixão. Encantada com o brilho dos seus olhos, Regina capturou a boca dela com a sua, e se deixou invadir pelas sensações que seus corpos sabiam o que significavam uma para a outra.

[…]

— Ah não, Regina! Eu quero todo mundo cantando os parabéns e eu vou sim soprar as velinhas! — Emma exclamou, extasiada com o caminho percorrido ao lado de Regina no último ano.

— Você tem certeza que está completando vinte e cinco anos? Porque parece que você está completando doze — murmurou Regina, tentando acender as vinte e cinco velas cravadas no bolo.

— Não te vejo duvidando da minha idade quando estamos na cama — erguendo uma das sobrancelhas, ela esboçou um sorriso cretino.

Com os olhos arregalados, Regina bufou e caminhou em direção à porta, mas antes de ultrapassá-la, se girou e lhe mostrou o dedo do meio.

Emma deixou escapar uma risada sonora e fez menção de se aproximar, mas recuou quando Ruby ao lado de Mary invadiram a cozinha cantando os parabéns. Nos braços de Cora, Lily se agitava e batia as mãozinhas uma contra a outra, arrancando risadas que por tantas vezes foram ameaçadas de serem roubadas. E em meio aos flashes que Regina disparava capturando cada mínimo detalhe, Emma finalmente soprou as velinhas.

— Onde está Lily? — indagou Emma, assim que saiu do banho.

— Mamãe a levou para passear porque eu quero aproveitar mais um pouquinho do seu aniversário com você — explicou Regina, enlaçando o pescoço dela.

— Hum, gostei dessa ideia…

— É claro que você gostou — disse ela, entre beijos, e em seguida se afastou. — Isso aqui é pra você.

— Mais um presente? Nunca imaginei que receberia tantos presentes em um só aniversário.

Ao abrir a caixinha de veludo, Emma quase perdeu o fôlego quando os olhos pousaram num medalhão oval de platina. Ao abrir a joia, deparou-se com uma foto delas no dia em que se casaram, e ela não pôde deixar de pensar que havia sido o dia mais feliz de sua vida.

— Obrigada, meu amor. É lindo — disse ela, emocionada, enquanto Regina afastava seus cabelos do ombro, e prendia a peça em seu pescoço.

— Obrigada você por ter entrado em minha vida, por insistir, por me fazer enxergar que era você o meu final feliz.

— Eu te amo, Regina. Nunca foi um jogo doentio, nem uma paixonite como essas que as colegiais tem. Eu abriria e abro mão de qualquer coisa por você. Atravessaria o mundo a qualquer instante se você me pedisse. Não há limite ao qual eu não chegaria ou fronteira que não ultrapassaria para te fazer feliz.

Naquele momento cegante e belo, onde uma pertencia a outra, Emma deu continuidade às palavras doces, acariciando-lhe a alma como nunca antes.

Agora, não haveria nada que elas não fizessem para se certificar de que os seus caminhos nunca mais voltassem a se separar.

FIM

Notas finais
AVISO: A história O PREÇO DO AMOR foi excluída por mim. Embora se trate da história que mais recebeu comentários, recomendações e favoritos, percebi que algumas coisas deveriam ser modificadas. Não pretendo mudar a história, irei apenas ajustá-la, transformar dois capítulos em apenas um, melhorar a narravita e etc. Após os ajustes, irei postar novamente. Obrigada e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!