Notas iniciais
Oie gente, tudo bem? Não percebi que não havia atualizado essa fic há um tempão rrsrssrs Ela já está concluída no Spirit e só falta concluir aqui. Logo mais posto o restante dos capítulos.

Anne precisou dormir separado de Henry aquela noite. Não seria de bom tom fazer isso sobre o teto do cunhado, não enquanto não fossem casados. Ela só ficava mortificada em deixar Erik aos cuidados de Nancy e acabou tomando para si a tarefa. E menino parecia somente ouvir a ela e mais ninguém.

— Erik, precisa conversar com seus primos – insistiu Anne.

— Não quero – ele disse, irritado – Eles...não...são...me..us...pri...mos!

— Erik, por favor. Faça isso por mim – ela pediu.

Ele a fitou com irritação e partiu para o jardim. Estavam Jonathan e Louis do lado de fora. Jonathan mancava com uma bengala, pois havia caído do cavalo há dois anos. Ele tinha uma aparência frágil e doce, com cabelos loiros e olhos verdes como os da mãe. Louis já era um rapaz alto, por volta de dez anos e com cabelos escuros e olhos azuis. Ele seria um rapaz bonito quando crescesse e iria partir muitos corações, Anne pensou. Ela fitou Erik interagir com as crianças e ele falava pausadamente. Louis fez piada, ao contrário de Jonathan, que era simpático e plácido.

Ela queria intervir e deu um passo à frente, mas alguém a segurou pelo ombro.

— Se não o deixar lutar suas próprias batalhas, ele não terá respeito nunca – disse Bedford, ao lado dela.

— Milorde – ela disse, fazendo uma reverência.

— Nada de milorde. Só Jasper – ele insistiu, com um sorriso irresistível – Diga-me, Anne, gostou da minha mansão mal-assombrada?

Anne riu.

— Gostei muito. Janet foi muito atenciosa ontem ao me mostrar – ela disse – E de noite, achei ter escutado o som de correntes no piso. Tinha prisioneiros aqui?

Bedford gargalhou.

— Não que eu saiba, Anne. Tem uma imaginação fértil – ele zombou, com um sorriso nos lábios – Eu diria que há alguns fantasmas, mas são parentes que morreram envenenados.

— É como as tramas de Shakespeare? – ela disse, com um tom brincalhão. Ele assentiu – Gosta de teatro, senhor?

— Eu gosto. Foi assim que conheci minha bela esposa – ele respondeu, com um olhar apaixonado – Eu diria que o teatro e a ópera têm sua culpa. Mas, Janet fez o maior trabalho de roubar meu coração quando vi seus olhos. E seu gênio. Ela colocaria qualquer homem para correr. Mas, eu estava disposto a ganhá-la e fazê-la minha esposa.

— É muito bonito seu amor por ela – Anne elogiou.

— Ela é tudo que tenho, Anne. É meu mundo.

Eles ficaram olhando os meninos brincarem e se afastarem para perto de uma arvore. Erik subiu, acompanhado de Louis. No início, os dois se estranharam e trocaram insultos, que Anne tentou corrigir. Jasper apenas ficou de lado e corrigindo seu filho quando necessário. Depois disso, as crianças pareciam bem. E Erik parecia querer proteger Jonathan. O que era comovente.

— Você, senhorita, parece uma mamãe galinha, cuidando do seu filhotinho – Jasper zombou.

Anne gargalhou.

— Eu sei. Mas, é que Erik...

— Eu sei de tudo isso. Um menino selvagem, que nada tem de selvagem. É só um garoto órfão que precisava ser resgatado. E você e Henry fizeram isso. É admirável.

Anne engoliu seco. Ela amava Erik. Era seu filho que não teve.

— Ele é tudo para mim, senhor. É importante.

— Eu sei. Eu me sinto assim em relação aos meus filhos, a Janet. São minha família, queremos protegê-los com unhas e dentes.

— Exato.

— Só precisa deixá-los voar, Anne, quando for a hora. Se não, nunca serão autossuficientes. Ensine isso e tudo ficara bem.

Anne assentiu, sentindo que gostava muito de Jasper. Um barulho os interrompeu. Era Henry.

— O que estão cochichando aqui fora, nesse frio? – ele perguntou. Beijou a testa de Anne e colocou o braço no ombro do irmão – Ah, agora vejo. Eles estão indo bem?

— Muito melhor do que eu esperava. Acho que estava esperando uma luta sangrenta, com chutos e socos – Jasper zombou, fazendo Henry gargalhar – Mas, Erik é muito civilizado e meus filhos ainda mais. Uma lastima – ele estalou a língua.

— Você senhor, é terrível – Anne disse.

— Eu sei – ele piscou.

— Posso roubar minha noiva, um instante, Jasper? – pediu Henry.

— É claro. Mas, sabe, o decoro...etecetera – o irmão disse, com um olhar maroto – Se divirtam.

Henry puxou Anne pela mão e os dois começaram a caminhar pelo campo.

— Para onde estamos indo — ela perguntou, quando viu a mansão se distanciar.

— Para o lago, Anne – ele disse, com um olhar intenso – Quero ter um tempo com você. Quero-a por alguns instantes. Eu sei que agora vão tentar nos separar, quando o casamento for anunciado. E ficarei louco por esperar tanto. Eu deveria me casar com você no verão, como você merece. Mas, aguenta esperar seis meses para isso?

Anne riu.

— Não precisamos, Henry – ela disse, com um sorriso – Podemos nos casar quando pudermos. Precisa correr o proclamas, não é mesmo?

— Sim, um mês para isso. Eu a levaria agora para Gretna, mas fui ameaçado por Janet. Aquela mulher cruel. Levou meu irmão com ela e eu tenho que me resignar a fazer tudo corretamente.

Anne riu com ele. Os dois caminharam mais um pouco. O frio era intenso agora, cortante suas faces. Mas, Anne estava feliz. Nunca teve tanto amor e carinho na vida. Sua família era distante. Sua mãe era amorosa, mas nem sempre estava presente, perto dela. Seu pai era rígido demais e suas irmãs estavam mais preocupadas consigo mesmas. E Anne se sentia tão só. Era bom ter a companhia de Henry. Ele era caloroso, amoroso e gentil.

Os dois chegaram ao lago e se sentaram na grama. Ele a abraçou pela cintura, beijando seus cabelos. E parecia que ia deitá-la na grama, mas ela o parou.

— Henry – ela disse.

— Sim? – ele a fitava com desejo.

— Precisamos conversar sobre mim. Antes de você me enlouquecer – ela brincou.

— Precisa ser agora? Deixe-me beijá-la, um pouco que seja – ele pediu, suplicante.

Anne hesitou. Queria contar, mas estava com medo. Talvez, se pudessem esquecer, seria melhor. Klyne não iria atormentá-la. Nunca mais se falaram.

— Muito bem, então, beije-me – ela permitiu.

E ele a beijou. Anne se esqueceu por um momento dos seus problemas, envolvida nos braços dele e sentiu a segurança que precisava. Ele era gentil e amoroso. Amou-a ali, com toda sua alma, externalizando seu desejo. E parecia avido em engravidá-la, pois não tinha o menor cuidado.

Quando estavam exaustos, já corretamente vestidos, se deitaram de costas, olhando para o céu.

— Está tentando fazer com que fique gravida mais rápido, Henry? – ela perguntou.

— Talvez – ele disse, em um tom brincalhão.

— Por que quer isso agora?

Ele se virou para ela, apoiando o cotovelo na grama, para apoiar a cabeça e vê-la melhor.

— Porque eu a amo. Quero uma família com você, Anne. E tenho medo de que escape de mim – ele confessou, olhando de lado para ela. Seu olhar era terno e ao mesmo tempo cheio de paixão – Não é honrado o que estou fazendo. Sou egoísta demais para vê-la partir.

— Você sabe que um filho não iria me prender a você, não sabe?

Ele mordeu os lábios, ficando vermelho.

— Eu sei que não. Mas, isso a faria reconsiderar. Faria pensar em nós dois. E eu teria mais um motivo para ficar bem perto de você.

Ela beijou seus lábios.

— Henry, seu homem tolo. Eu não vou embora. Por que está com tanto medo? – ela perguntou.

— Porque no começo você queria ir. Não queria me aceitar e eu rezei para que um filho fizesse você ficar.

— Henry, eu deveria ir mesmo. Eu disse a você que só trarei vergonha sua família.

— Não trará. Eu não me importo com a opinião dos outros. E eu nem sou o herdeiro. Então, pode dizer que não vai fugir? Que vai ficar comigo?

Ela assentiu. Iria ficar com ele, só temia que ele não a quisesse mais. Mas, pensaria nisso depois que estivessem casados.

— Sim, eu vou ficar, meu amor – ela respondeu.

— Isso é bom – ele sorriu, a deitando na grama de novo, ficando por cima dela, beijando seu pescoço – Eu achei que teria que seduzi-la.

— Não parece ruim – ela provocou.

— Então, eu vou me esforçar para fazê-la ficar em êxtase – ele sorriu amplamente.

Ela deixou que ele a tivesse consigo. Deixou-se levar pela sua paixão que queimava. Só esperava que isso nunca acabasse. Mas, como tudo que era bom em sua vida, teria um fim prematuro.