A porta estava trancada. Todas as portas do estabelecimento estavam trancadas. Por que fizeram isso com ele? Nem o levaram para o hospital, apenas o trancaram dentro do seu próprio posto de trabalho! Isso era inaceitável. Jon então escutou uma porta se abrindo: alguém estava entrando no estabelecimento. Se escondeu, para que assim que o maldito entrasse pela porta da sala em que se encontrasse, ele iria abatê-lo e fazer perguntas sobre o que havia acontecido. O indivíduo abriu a porta, mas antes que Jon pudesse o atacar, percebeu, surpreso, que era ele quem havia aberto a porta. O outro Jon foi direto ter com a máquina, nem olhou para trás, onde o primeiro Jon estava. Então este aproveitou a chance e saiu pela porta que permanecia aberta.

Quando conseguiu sair do lugar, encontrou seu carro no estacionamento. Como suas chaves estavam em seu bolso, entrou no carro e começou a dirigir até sua casa. Em dado momento, percebeu que no banco ao seu lado estava o jornal do dia anterior. Ele tinha certeza que havia jogado tal jornal no lixo no fim do dia, pois ele sempre fazia isso. Foi então que Jon entendeu o que havia acontecido: não era exatamente um buraco negro, era um buraco de minhoca. Jon havia voltado 24 horas no passado. Não podia voltar para casa se realmente fosse isso, na verdade, não podia se deixar se visto por ninguém.

Mesmo pensando isso, sem perceber, acabou voltando para casa. As roupas já estavam no varal, e ele iria precisar delas para passar a noite aquecido. Ia descer do carro para pegá-las, se um cara desconhecido não tivesse acabado de entrar em sua casa carregando algo em baixo de um pano. Se fosse um assaltante, Sophie estaria em perigo. Desceu do carro correndo, e foi em direção a sua casa salvar Sophie. Ao chegar a porta, a mão quase na maçaneta, ouviu um gemido, que não era de dor, vindo de Sophie. Ela esta o traindo com outro. Pegou as roupas do varal, voltou para o carro e dirigiu até seu trabalho de volta, deixando-o no mesmo lugar que estava para que seu eu um dia atrás não percebesse. Adentrou em uma moita, e lá esperou até que o dia virasse noite, e que a noite virasse dia. Esperou Travis e ele mesmo chegarem, e contou 5 minutos. Entrou dentro do estabelecimento e então escutou os gritos de Travis.

― Jon??!! Jon??? Ai meu deus, ai meu deus, o que foi que eu fiz???

― Creio que o experimento foi um sucesso Travis. — disse Jon ao entrar na sala.

― Oh meu deus Jon, você ainda está vivo! O que aconteceu?

― Buraco de minhoca. Voltei um dia no passado. — Jon pode ver a cara de espanto de Travis.

― Se você não se incomodar... eu vou tirar o resto do dia de folga. Minhas ultimas 24 horas não foram exatamente agradáveis.

Travis não contestou, e deixou que seu parceiro fosse embora. Jon ficou com medo de voltar para casa, e encontrar sua esposa com seu amante lá, mas não era hora de ter medo. Foi para casa, e entrou em casa com uma cara séria e ameaçadora, quando encontrou a mulher e o mesmo estranho juntos na cozinha. Sophie o olhou surpresa.

― Jon? Por que está aqui? E o trabalho?

― Quem é esse? — Perguntou Jon.

― Esse é... Ah Jon, não é o que você está pensando! — Ele se restringiu a apenas olhá-la com um olhar severo — Este é Paulo, o melhor amigo do meu irmão... ele tem vindo aqui em casa desde a semana passada tentando me ensinando a fazer um bolo que... era o favorito do meu irmão, sabe?

Jon então se lembrou do embrulho que o estranho carregava... realmente tinha o formato de um bolo, e o gemido de Sophie tinha dado era por ter experimentado o delicioso bolo. Cumprimentou Paulo e o agradeceu por ceder parte do tempo dele para ajudar sua esposa, e então foi dormir, estava muito exausto.

Ao acordar, se questionou do motivo pelo qual sua esposa não o contou a verdade sobre Paulo. Ao perguntá-la, ela simplesmente respondeu "Não queria que você pensasse que outro homem estava vindo aqui para me ensinar a fazer um bolo... principalmente um que eu sou alérgica.".

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