A Máfia
17 Capitulo 17 - Silêncios Que Doem Mais
Notas iniciais
Jacob estava parado em frente ao hospital, na entrada do saguão, com as mãos nos bolsos e o olhar perdido. Pensava em tudo ao mesmo tempo — sobretudo em como contaria a Renesmee sobre um bebê que ela nem sequer sabia que existia. Se a notícia já o havia abalado profundamente, imaginava o impacto que teria nela.
Ele odiava vê-la triste. Passou as mãos pelo rosto, impaciente. Tristeza seria pouco. Aquilo a destruiria.
Levantou o olhar ao ver Claire se aproximar a passos rápidos.
— Ei, Jake — ela cumprimentou.
— Claire — Jacob assentiu.
— A Nessie acabou de acordar — disse ela, com uma expressão cansada.
— Eu vou lá — respondeu ele, observando-a com atenção. — Por que você não vai para casa descansar? Parece exausta.
— E estou mesmo — ela forçou um sorriso. — Posso te perguntar uma coisa?
— Eu sei o que você vai dizer — Jacob a interrompeu, tocando-lhe o ombro. — Não se preocupa com isso, maninha.
— Você a matou? — Claire arqueou a sobrancelha.
— Vai pra casa — Jacob beijou-lhe a testa e seguiu pelo corredor.
— Jake… — ela tentou chamá-lo, em vão.
Claire suspirou fundo. Se ele não queria falar, era porque tinha feito algo terrível.
Renesmee sentia o corpo inteiro doer. Seus olhos estavam pesados, como se implorassem por mais sono, embora ela tivesse a sensação de já ter dormido demais. Estava exausta, sem forças para falar, se mover ou sequer fechar os olhos novamente.
Sabia que estava em um hospital. Tudo ao seu redor gritava isso: o quarto branco, os aparelhos, os sons constantes. Objetos que, ironicamente, poderiam matar alguém — mas que, naquele caso, haviam salvado sua vida.
De tempos em tempos, um médico baixo, de meia-idade, entrava no quarto para aplicar injeções ou administrar medicamentos por um tubo grosso e desconfortável em sua garganta. Ele sempre sorria e dizia coisas que ela nem sempre compreendia, mas sabia que eram gentis.
Tentava lembrar por que estava ali.
Algumas memórias vinham em flashes. Uma delas a fazia sorrir: lembrava-se de estar com Jacob, envolvida por ele… então uma dor intensa no baixo-ventre.
Depois, tudo ficava confuso.
Lembrava-se vagamente do estacionamento do hospital. Estava esperando Jacob. Então ouviu o barulho de um carro em alta velocidade. Uma luz forte a cegou. Não houve tempo para reagir.
Dor.
Depois, escuridão.
Renesmee respirou fundo, observando o quarto branco que a incomodava tanto. Claire estivera ali mais cedo e dissera que Jacob estava a caminho. Mas, para Renesmee, ele estava demorando demais.
O som da porta se abrindo a fez prender a respiração.
Jacob colocou a mão na maçaneta, preparando-se para o que encontraria. O médico avisara que ela estava machucada e não conseguiria falar. Nada disso importava. Seu amor por ela não diminuiria por nada.
Respirou fundo e entrou.
Seus olhos pousaram imediatamente em Renesmee. Deitada na cama, os olhos azuis o fitavam de forma calma e serena. Havia alguns machucados em seu rosto, e os cabelos loiros caíam pelos ombros, emoldurando a pele pálida.
Ela continuava linda.
Um sorriso de alívio surgiu nos lábios dela.
— Jake… — tentou chamá-lo, mas nenhum som saiu.
Jacob sorriu suavemente, aproximou-se e sentou-se ao lado da cama. Pegou a mão dela entre as suas e beijou-a com delicadeza.
— Oi, Ness — sussurrou, beijando-lhe a testa. — Não tenta falar. Não se cansa.
Ela assentiu.
— Eu fiquei tão preocupado com você… — a voz dele falhou, os olhos marejados.
Renesmee tocou-lhe o rosto com carinho. Jacob fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Precisava ser forte por ela.
— Eu… — Renesmee tentou falar outra vez, a voz fraca.
— Não — ele pediu com cuidado. — Agora, eu preciso que você só me escute.
Segurou as mãos dela novamente.
— Eu tenho algo pra te contar.
Ela assentiu, preparada para qualquer coisa.
— Na verdade, são duas coisas. Quando chegamos ao hospital, eu fui estacionar o carro e você ficou me esperando… — ela confirmou com um leve movimento de cabeça. — E então… você foi atropelada. — Jacob fez uma pausa. — A Bela tentou te matar.
Uma onda de raiva percorreu Renesmee. Como alguém podia ser tão baixa? Seus punhos se fecharam, e o monitor ao lado da cama acelerou.
— Calma… — Jacob pediu com cuidado. — Eu já cuidei disso. Você está bem agora.
Ela assentiu.
— Posso continuar?
Mais um aceno afirmativo.
Jacob hesitou. Aquilo era a parte mais difícil.
— A segunda coisa é que… — engoliu em seco. — Ness… me perdoa. Eu falhei com vocês.
As lágrimas finalmente escorreram. Ele apoiou a testa sobre o abdômen dela.
Renesmee passou os dedos pelos cabelos dele, tentando acalmá-lo. Não entendia o “vocês”.
— Jake… — chamou, fraca. — Fala.
Ele ergueu o rosto.
— Amor… você estava grávida… e perdeu o bebê.
O mundo de Renesmee desabou naquele instante.
Grávida?
Um vazio imenso tomou conta de seu peito. Se soubesse… talvez pudesse ter feito algo. Talvez pudesse ter salvado seu bebê.
As lágrimas escorreram livres, acompanhadas de um soluço dolorido.
— Me abraça… — pediu.
Jacob a puxou com cuidado, envolvendo-a em seus braços. Renesmee se aninhou em seu peito e chorou como nunca. Ali, sentia-se segura.
Ele a segurou com todo o amor que tinha. Mafioso, poderoso… mas completamente impotente diante daquela dor.
Os dois desejaram, em silêncio, que aquilo fosse apenas um pesadelo.
Dois meses se passaram, e Renesmee finalmente deixou o hospital. No dia seguinte, Carlisle voltaria, e Jacob sabia que teria problemas por não tê-lo avisado antes.
Para marcar a volta de Renesmee — e também a chegada de aliados importantes —, Jacob decidiu dar um grande baile de máscaras em sua mansão.
Na sacada do quarto, Renesmee sentia o vento tocar-lhe o rosto, lembrando-a de que estava viva. A paz daquele momento era reconfortante.
Sentiu braços a envolverem por trás e sorriu ao reconhecer o perfume de Jacob.
— Oi — ela disse, risonha.
— Oi — ele respondeu, antes de beijá-la.
— Estou animada com o baile de amanhã — comentou, rodopiando pelo quarto.
— Vai ser ótimo.
— Eu te amo — ela disse, abraçando-o.
— Eu sei.
— Ah, para de ser convencido e diz também — fez biquinho.
Jacob sorriu, puxando-a pela cintura.
— Eu te amo, Ness — sussurrou.
Ela riu… e lhe deu um tapa leve.
— Você só faz isso porque sabe que não posso fazer sexo.
Bateu a porta do banheiro, enquanto Jacob gargalhava.
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