A Máfia
1 Capítulo 1 - Entre o Desejo e a Culpa
Notas iniciais
Um homem caminhava obstinado pelo longo corredor da mansão. Seus olhos negros e intensos permaneciam focados à frente, enquanto um sorriso travesso pairava de canto em seus lábios grossos. O corpo forte, contornado por músculos bem definidos, denunciava a tensão que o consumia; os ombros largos estavam rígidos pela ansiedade misturada à excitação que se espalhava por todo o seu sistema nervoso.
Sim, ele estava nervoso. Pela primeira vez sentia algo assim. Nunca fora alguém acostumado a lidar com sentimentos — muito menos com aquele.
Respirou fundo ao parar diante da porta de um dos muitos quartos da enorme mansão. Deu três batidas suaves e decidiu que esperaria cinco segundos. Se a porta não se abrisse, iria embora dali correndo.
Era quase ridículo: um homem do seu tamanho, parecendo um garoto prestes a perder a virgindade.
Não chegaram a passar dois segundos quando a porta se abriu.
Diante dele estava uma garota baixa e magra. Os cabelos loiros, longos e lisos tinham mechas pretas nas pontas. Os grandes olhos azuis brilharam intensamente ao encontrarem os dele — mais do que nunca. Jacob sentiu o peito apertar; estava com saudades daquele olhar. O mais bonito que já havia visto.
Um sorriso delicado surgiu nos lábios rosados da loirinha, enquanto os dele se abriram em um sorriso largo. Jacob nunca deixara de ser galanteador.
Ele se encostou no batente da porta.
— Pensei que não viria me ver — disse ela, com a voz manhosa e levemente chorosa, fazendo um bico adorável.
Jacob suspirou, deixando um sorriso de canto surgir.
— Não me avisaram quando você chegaria — defendeu-se.
— Cheguei ontem à noite, com a Claire — respondeu ela, dando-lhe passagem para entrar.
Ele hesitou por um instante. Sabia que, se entrasse, poderia fazer algo do qual uma pessoa muito importante não se orgulharia. Seu grande amigo, Carlisle Cullen. Jacob havia prometido que não tocaria em sua filha… e não tinha certeza se conseguiria se controlar. Aquela garota adorava provocá-lo.
— Você demorou desta vez — comentou ela, sentando-se na cama.
Jacob ia responder, mas perdeu completamente as palavras quando a loirinha sentou-se em seu colo, de frente para ele, uma perna de cada lado.
— Sentiu minha falta, Jake? — sussurrou, depositando beijos molhados em seu pescoço.
As mãos dele foram parar automaticamente na cintura fina da garota, enquanto pequenos grunhidos escapavam de seus lábios sem permissão. Cada toque, cada beijo, fazia seu corpo reagir como se estivesse em chamas.
— Senti… muita — respondeu Jacob, sem pensar.
Na verdade, ele mal conseguia raciocinar. Os lábios dela subiam lentamente por seu pescoço, até chegarem ao queixo, onde o mordeu de leve. Seus olhos se encontraram, e Jacob sentiu uma avalanche de sentimentos crescer em seu peito. Desejo, carinho, amor… e algo mais profundo: paz. Com ela, sentia-se completo.
As mãos pequenas e pálidas de Renesmee seguraram seu rosto, e ela o beijou em um selinho suave.
— Dá pra ver — provocou ela, movendo-se sobre ele.
Jacob gemeu baixo, apertando-a com mais força e aprofundando o beijo. Os lábios se encaixavam perfeitamente, em uma sincronia perigosa. Em um movimento rápido, ele a deitou na cama, ficando por cima. O beijo tornou-se urgente, faminto, até que o ar lhes faltou.
Jacob desceu os lábios pelo pescoço e colo dela, arrancando suspiros, enquanto Renesmee desabotoava sua camisa. Mas, de repente, um fio de sanidade atravessou sua mente.
Ele se afastou bruscamente, levantando-se e abotoando a camisa com pressa.
— O que foi? — perguntou ela, frustrada, sentando-se na cama e prendendo o cabelo em um coque frouxo.
Jacob passou as mãos pelo rosto, desesperado.
— Eu… eu literalmente não posso — confessou.
Renesmee se levantou, ficando à sua frente.
— Jacob, o que te impede? — perguntou. Sua expressão séria logo deu lugar à tristeza. O brilho dos olhos desapareceu.
Jacob franziu o cenho. Não podia expor Carlisle. Não podia causar uma briga entre pai e filha.
— Estamos nisso há quase um ano — disse ela, cansada. — Você me beija, me deseja, depois me afasta… e nunca me diz o motivo. Eu cansei.
As lágrimas escorriam por seu rosto, e aquilo fez Jacob se sentir o pior dos homens. Ele sabia que Renesmee nutria sentimentos profundos por ele — mas não entendia os próprios.
— O que você quer dizer com isso? — questionou, cruzando os braços.
Os olhos marejados dela o encararam.
— Que eu cansei de ser sua em segredo. Cansei de me entregar inteira e você me negar depois. Eu cansei de tudo.
O silêncio entre eles parecia interminável. Jacob sentiu o peito doer, mas forçou-se a ignorar o sentimento.
— Você que sabe — respondeu, indiferente.
Os olhos de Renesmee se arregalaram, incrédulos. Ele nunca fora tão frio. Sem dizer mais nada, Jacob virou-se e saiu, batendo a porta com força. Encostou-se nela do lado de fora, fechando os olhos. Sentia raiva de si mesmo. Talvez fosse melhor assim… precisava entender o que sentia.
Dentro do quarto, Renesmee chorava em silêncio, abraçando o próprio corpo. Tudo havia ficado claro: ela era apenas mais uma para ele. Sentia-se usada. Tudo parecia tão verdadeiro… mas era só ilusão.
— Nessie, seu pai tá… — Claire entrou no quarto e parou ao vê-la encolhida na cama. — O que aconteceu?
— Acabou, Claire… acabou tudo — respondeu, com a voz embargada.
— Acabou o quê?
— O que havia entre mim e o Jacob. Eu odeio o seu irmão.
Ela correu para o banheiro e se trancou. Claire suspirou, já imaginando onde encontraria Jacob.
No porão da mansão, uma música alta ecoava. Jacob, sem camisa e usando luvas de boxe, socava o saco com força. A raiva o dominava. Um último soco o fez cair, espalhando areia pelo chão.
— Tá querendo ficar surdo? — perguntou Claire.
— Quero ficar sozinho — resmungou.
— Quero saber o que houve — insistiu ela.
— Eu fiz merda — confessou, passando as mãos pelo cabelo.
— Você a ama? — perguntou, direta.
Jacob abaixou a cabeça.
— Não sei.
— Então descubra logo — disse ela, séria. — Porque uma garota como a Renesmee não vai sofrer por você para sempre.
Claire saiu, deixando Jacob sozinho com seus pensamentos.
Imaginar Renesmee com outro… não.
Isso ele não podia suportar.
O que faria agora?
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