A Líder
1 Capítulo 1 - Complexo da Amizade
Notas iniciais
Espero que gostem.
Beijos e uma escolha pode te transformar.
Hoje é o grande dia.
Geralmente, todos os jovens da minha idade ficam ansiosos, sabe-se lá o motivo, com o resultado. Eu estou apavorada; deve ter mais alguém na cidade tão apavorada quanto eu. Mas, como uma garota egocêntrica, estou apavorada. Todos já tentaram me acalmar, porém eles apenas conseguem, no mínimo, que eu fique pior do que antes.
Meus pais querem que eu me torne sua sucessora na liderança do complexo da Amizade, a minha casa, me case com Mike e tenha um casal de gêmeos, Melanie e Andrew, mas isso eles dizem "pode ser duas meninas ou dois meninos, mas tem de ser dois netos". Famílias ricas fazem isso com seus filhos, é normal.
Sento-me e apoio minhas costas na parede e encaro a placa de madeira com o símbolo da facção, uma arvore dentro de um círculo e penso na minha família, em como seria não vê-los mais, se isso fosse a acontecer. Desvio o olhar para a janela e percebo que as folhas do outono que caem é da mesma cor que as nossas roupas: amarelo e vermelho. Todos os meus pensamentos se voltam à Amizade.Por que só penso nisso? pensei, tudo eu relaciono à outras facções ou à minha vida aqui. Por que?
O pesadelo dessa noite pode-se dizer que foi o pior de todos. Eu tenho acordado suando frio nas manhãs das últimas semanas, mas dessa vez foi diferente. Como se alguém tivesse enfiado a mão no peito e tirado o meu coração. Sinto o meu cabelo grudado no meu pescoço por conta do suor e percebo que é uma boa hora de tomar banho.
Consultei Sr. Wu, o melhor espiritualista da cidade, para saber o motivo dos meus pesadelos e disse em resposta que "algo em seu passado te persegue, talvez algum trauma". Mas essa é a questão: eu não tenho traumas ou algo no meu passado que poderia me perseguir. Não estou mais afim de ter hipóteses concretas de tal razão.
Penso em um porque continuar na cama: nada.
Dou um pulo para fora da cama e caminho até o único banheiro da casa; nós somos muito ecológicos e não faz sentido ter mais de um. Ligo o chuveiro e tomo o meu banho o mais rápido que eu posso, já que pode apenas usar o chuveiro por cinco minutos.
Com o cabelo deixando um rastro de água pela a casa até o meu quarto, fecho a porta atrás de mim e pego uma calça vermelha e uma camiseta amarela.
...
Logo depois, sento-me na minha cama desfeita e olho por baixo dela e pego o meu par de tênis vinho gastos e sujos de terra.
Atravesso os corredores e desço as escadas saltitando como uma boa menina da Amizade deve fazer. Minha mãe está sentada em umas da cadeira da mesa de jantar e olhando um livro, com lágrimas que aluem sobre seu rosto pálido e molham a madeira da mesa.
-O que é isso, mãe? -pergunto. Ela olha para cima e encontra seus olhos nos meus e logo fecha o livro e se levanta.
-Nada, querida. Apenas um livro triste. -disse ela colocando em cima da estante de livros e álbuns familiares.
-Dormiu bem? -pergunto pegando uma fatia de pão e dando uma mordida. "Pão da calma"pensei. Era um pão que tinha alguma substância que nos deixava mais calmo, sempre como, porque não sou do tipo que é calma. Deixo sobre o balcão e amarro o meu cabelo moreno e molhado em um rabo de cavalo.
-Eu que te pergunto -ela disse rindo -.Você gritou quase a noite inteira, de novo. É o teste?
-Não. Estou bem -disse dando mais uma mordida no pão. -Onde está Jordan?
-Está dormindo, mas disse para que Mike pegasse as chaves do carro dele e te desejou boa sorte. -disse ela -.Está trabalhando muito, andando por todas as facções… -ela colocou uma das mãos em seu queixo.
Minha mãe está sempre com uma saia longa e uma blusa de manga comprida, também largo. Sempre de cabelo solto e maquiagem. Ela parecia ser a minha irmã, tirando as rugas de preocupação de sua testa.
-E sobre Andrew e Suzanne? -perguntei pegando a minha bolsa.
-Casados -disse ela como se eu não soubesse. -.Parecem que foi ontem que eu os vi nascerem…
Até onde eu saiba, Andrew era um transferido e meu irmão, Jordan, foi seu treinador.
-Mas…
-Enfim, você não está atrasada? -perguntou ela.
-Estou esperando Mike -digo. Eu enrolei, mas agora preciso dizer um pouco mais sobre ele.
Mike Hawgrow: dezesseis anos e nos conhecemos desde pequenos, seus pais são os melhores amigos dos meus pais. Eles quiseram que ficássemos juntos e foi o que aconteceu. Foi meio…meio…que automático; quer dizer, tínhamos catorze anos e estávamos com os hômornios à flor da pele e ele era bonitinho. Estamos juntos até hoje.
Na verdade, ele é o meu pretendente. Já está definido: vou me casar com ele. Quando a iniciação acabar, vamos morar na casa dos meus pais (é uma casa bem grande).
-Ah Mike Hawgrow, é um bom garoto -disse o meu pai saindo do corredor e me dando um beijo na testa -.Escolheu bem o seu marido. O que foi filha? -ele fechou a cara.
-O que, pai? -perguntei com ar de preocupação.
-Você…não está sorrindo… -ele disse. -.Isso é preocupante…
-Não, é normal -digo -.É impossível sorrir vinte e quatro horas por dia. -dei uma pausa -.Você não está sorrindo.
-Porque estou preocupado. A questão não é apenas sorrir, e sim estar alegre e representando a nossa facção. Como será uma boa líder se não se mostrar alegre o tempo todo?
-Eu nunca sorrio -digo -…vocês sabem disso.
Meus pais se trocaram olhares, mas logo acaba quando Mike entra na sala.
-Bom dia, senhor e senhora Cty -ele diz abraçando ambos, o nosso comprimento e me dando um beijo que logo desfaço.
-Bom dia, Mike. -disse a minha mãe -. Jordan deixou que vocês usassem o carro dele -ela entrega as chaves ao Mike que fica tremulo. Meu irmão e Mike não tem a melhor relação que poderiam ter.
-Tudo bem -ele disse puxando o meu braço -Até mais tarde senhor e senhora Cty.
-Tchau -digo fechando a porta atrás de mim.
...
Ver o portão da Amizade se fechando atrás de mim sempre me representou uma sensação de separação. Mike segura a minha mão e a recuso, não gosto de contato físico desnecessário.
-Margaret… -ele chama a minha atenção -.Do que você acha do nome Melanie se fosse menina? -perguntou ele. Mike adorava discutir os nomes dos nossos "filhos" que nem sabia se iriam existir de fato.
-Mike -olho para ele -.Temos dezesseis anos, não precisamos saber de tudo que vai acontecer nas nossas vidas. Nem sei se quero ter filhos…
-Mas temos que decidir isso um dia, amor. -ele retruca.
-Mas não agora, não precisamos saber de tudo -disse elevando o tom da minha voz.
Logo os intervalos dos prédios diminuem e o barulho da cidade aumentam. Passamos por um trilho, o que balança um pouco o carro. Nunca andei de trem, apesar de ter por toda parte a toda hora. Mas só os membros da Audácia podem usá-los. Assim como apenas os membros da Abnegação e Franqueza podem andar de ônibus e nós de van.
O edifício que costumava se chamar Sea Towers, e hoje a chamamos de Eixo, aparece entre as nuvens como um pilar escuridão no meio do céu. O centro da cidade é agitada e barulhenta.
-Estamos atrasados -Mike diz, por fim -Vá na frente e te encontro no almoço, o.k? -ele me beija e então saio do carro e entro na escola.
O Eixo abriga o edifício de Níveis Superiores, que abrigas as mais antigas três escolas: Níveis Inferiores, Níveis Medianos e Níveis Superiores. É feita de vidro e aço, como qualquer outra construção ao seu redor.
Encontro Samantha, minha melhor amiga, e ela me abraça.
-Como você está? -pergunta ela.
-Estou bem -repondo-a. Joshua e Jennifer já seguiram o seu rumo para a aula de Biologia, e nós, para a aula de Matemática avançada.
Os corredores são estreitos, mas as grandes janelas dão a ilusão de aumentar o espaço, são um dos poucos lugares onde jovens de todas as facções se misturam. Hoje, os estudantes apresentam uma sensação de fome que deixa no ar, como se tivesse de aproveitar o máximo possível desse dia. Uma sensação de último dia.
Um garoto da Audácia passa por nós e então derruba os meus livros e esbarra em Samantha com força e ela cai; então finge que não aconteceu nada.
-Ei! -grito, tentando chamar a sua atenção. Ele se vira e me encara com os seus olhos escuros, por trás de seu cabelo escuro como a noite. -Pegue os meus livros e peça desculpas.
-Como? -ele perguntou, estufando o peito e se aproximando de mim.
-Você derrubou os meus livros. Quero que você os pegue e peça desculpas a mim e a minha amiga -digo ajudando Samantha a se levantar.
-E seu disser não? -pergunta ele.
Me aproximo ao ponto dele ver o fundo dos meus olhos e chuto suas partes intimas e o garoto acaba caindo no chão.
-Isso -disse com o tom mais frio que consigo soar -.Agora faça o que eu pedi -fiz questão de enfatizar essa parte.
O garoto se levanta e diz.
-Está com medo? -perguntei -.Porque você não está olhando nos meus olhos e isso é sinal de covardia, até onde sei. -disse. -Agora faça.
A esse ponto os outros que passavam por nós já estava me encarando, mas eu não ligo.
-Margaret, não precisa… -disse Samantha pega no meu braço, mas logo me largo e volto a olhar para ele.
-Eu faço questão.
Seus olhos estão arregalados. Se agacha e pega os meus livros e coloca na minha mão e então, por fim diz -. Desculpa por ter esbarrado em vocês, não acontecerá novamente. -ele disse.
-Muito bem -digo. -O que você está olhando? Pode ir.
-Você…não…é…Marica… -disse ele por fim e se afastou. Eu podia sentir algo de diferente em seu tom de voz; não era medo, apenas preocupação.
Então o sinal toca e nós entramos na sala de aula de Matemática avançada.
Notas finais
5 comentrios e eu continuo, o.k.?
Fale com o autor