A Lágrima da Escuridão
4 Capítulo 3
A noite ainda predominava no céu quando Dominic chegou ao topo de um prédio e ficou sentado na borda, observando o movimento da avenida quase a cinquenta metros abaixo de si. Ele precisou sair para esfriar a cabeça e colocar os pensamentos em ordem, mesmo que aquilo provavelmente significasse uma caça.
— Não se preocupe Dominic você sabe que o garoto vai estar em boas mãos. — O Mestre falou aparecendo subitamente sentado ao seu lado.
— Tenho minhas duvidas quanto a isso. — Dom respondeu ainda fitando a avenida.
— Você disse que convertê-lo em um Filho da Sombra provavelmente teria o mesmo efeito que mata-lo.
— Sim.
— E você também mencionou que precisa matar pessoas todos os dias, obviamente que são assassinos e outros desequilibrados. Já que temos essa facilidade em fazer esse tipo de coisa, porque não matou o garoto quando teve a chance?
— Como é? Você pirou?
— Não. Estou apenas perguntando, você mataria aquele garoto para que ele não se transformasse em um Filho?
— Jamais. Eu não tenho coragem de matar alguém inocente.
— Tem razão, eu também acho que não faria isso. Mas isso nos mostrou uma coisa muito interessante.
— O que?
— Você tem esperanças que aquele garoto seja como nós, pessoas com a Sombra instável permitindo que ele possa ter sentimentos e até mesmo viver uma vida normal.
— Se ele ao menos pudesse ser assim, eu já ficaria extremamente aliviado.
— Infelizmente sabemos que isso tem uma chance praticamente nula de ocorrer. — Mestre então levantou um dedo. — Entretanto, você como um bom pessimista, sempre potencializa o seu lado negativo do pensamento e obviamente o deixa nesse estado.
Dominic revirou os olhos.
— Você pode pular direto para o assunto, ao invés de ficar jogando na minha cara os meus defeitos que já estou careca de saber?
—Sim, se você prefere assim. Mas antes devo salientar que se você continuar pensando desse jeito vai acabar afundando na sua própria ignorância.
— Continue.
— Você sabe que a Sombra pode adquirir várias formas de manifestação após a conversão. Normalmente o Filho da Sombra tem suas habilidades físicas extremamente aumentadas em troca da capacidade de ter sentimentos, mas existem alguns casos bem especiais. Os membros do Domínio da Última Lágrima são exemplos claros disso, Siouxie converte sua Sombra em Iratus, o que a deixa com um temperamento complicado, mas ainda assim ela é capaz de sentir. Samantha e Draen possuem um nível manifestação baixos, o que os deixa em um nível de manifestação C talvez, isso também os influencia no emocional de cada um. Vesta é um caso que eu nem preciso comentar, mas que vale a menção, já que ele é um mero humano, quando está com óculos é claro.
— Sim, eu inclusive fiz uma anotação disso no seu diário. As manifestações podem variar muito dependendo da pessoa.
— Agora me responda o que todos esses membros têm em comum?
— Como eu vou saber? — Dominic rebateu impaciente. — Por eles serem Filhos da Sombra, já é um motivo para terem quinhentos fatos em comum.
— Pense um pouco. — O Mestre insistiu agora olhando Dominic. — O que os torna tão únicos? Qual é o ponto de liga entre todos?
Dominic pensou um pouco. No começo para ele não havia nada em especial que os fizesse diferentes, mas a resposta veio após um instante.
— Leton. — Dom respondeu surpreso ao ligar os fatos. — Leton foi quem fez a conversão deles todos!
— Chegamos ao ponto em que eu gostaria. Leton não é chamado de O Primogênito a toa.
Dom entendeu o que sua consciência queria dizer. Leton era o primeiro Filho da Sombra, o mais poderoso de todos, portador de habilidades que iam além de todos os limites de qualquer outro, capaz de transformar qualquer pensamento em algo material e concreto, munido de uma sabedoria tamanha que se comparava ao próprio Mestre. Dominic sempre soube que a Sombra de Leton era diferente, havia manifestações que fugiam totalmente do padrão dos outros Filhos, mas ele nunca soube ao certo se o que Leton tinha dentro de si era realmente uma mera Sombra ou algo maior. Além disso, Leton tinha pleno controle de seus poderes, ele sabia como manter sua Sombra em perfeito estado de equilíbrio. Mas a verdadeira diferença de Leton com os outros era que ele nunca agia por si mesmo, e sim por todos os Filhos da Sombra.
Dom arriscava dizer que Leton era a única pessoa que era inteiramente pura de alma. Sua bondade nunca deu lugar a ganância dos seus outros irmãos, sua calma era praticamente absoluta e seu senso de fazer a coisa certa jamais falhou.
Após esta conjectura, Dominic ainda não sabia ao certo o que causava aquele tipo de conversão, mas ele tinha certeza de que todos os Filhos da Sombra convertidos por Leton herdavam um pouco da sua humanidade, bondade e força de vontade infinita, e que aquele garoto poderia sim ser um Filho da Sombra como os seus companheiros. Mais vivos e mais humanos.
— Acho que finalmente entendeu. — O Mestre concluiu. — Você deveria pensar um pouco mais nisso.
— Talvez eu... — Algo lhe interrompeu.
Por baixo da sua camiseta, o seu pingente começou a brilhar intensamente emanando uma luz branca, imediatamente ele olhou para baixo onde a avenida ainda estava movimentada. Seu olhar de Guardião Sombrio identificou uma presa.
— Por um rápido instante achei que não teríamos ninguém. — O Mestre falou com um tom triste e desanimado na voz.
— Sempre haverá. — Dominic respondeu com os olhos ainda fixo em alguém e colocando o capuz da blusa sobre a cabeça.
A Sombra de Dom tomou conta de quase toda sua Siela, seu olhar perdeu qualquer transmissão de sentimentos, seu corpo deixou de sentir a brisa gelada que causava arrepio em sua pele, a mente estava totalmente limpa de todos os pensamentos e lembranças daquele dia, o coração que antes batia forte pelas emoções de preocupação adquiriu um ritmo só. O Guardião Sombrio reapareceu.
Quem Dominic fitava era apenas um adolescente de dezesseis anos, um órfão que já fora duas vezes para o reformatório. Traficava e era usuário de drogas, bebia, fumava, furtava para alimentar o vicio. Mas o seu maior erro foi matar um senhor de idade, dono de uma floricultura que possuía há mais de quatro décadas, era casado, com três filhos e seis netos. Aquilo era para ser um assalto comum, mas durante o ato, o velho homem não conseguiu digitar direito a senha para liberar o caixa automático, o que deixou o jovem marginal sem paciência e descarregou sua pistola no senhor que caiu sem vida no chão logo após conseguir liberar o dinheiro.
As consequências daquela vida tirada fora de hora foram outras dez que indiretamente estavam relacionados ao floricultor. Dentre eles estavam um entregador de pizza, um morador de rua, uma de suas netas e um companheiro do próprio assaltante.
Naquela noite provavelmente o adolescente iria planejar outro assalto, ele andava com o um gorro na cabeça, mãos no bolso e atento a qualquer movimentação das autoridades locais. As vitimas desta vez era um casal de jovens que passavam sempre pelo mesmo beco vazio para pegar um atalho até em casa, seria rápido, fácil e daria bons fundos para sobreviver mais um dia naquela rotina. O que ele não reparou era que alguém vinha lhe perseguindo.
Quando o jovem virou no beco esperando pelo casal, ele só teve tempo de olhar para trás quando Dominic com um movimento rápido cravou a Lâmina da Morte do braço direito por dentre sua espinha dorsal.
A dor foi lhe consumiu até o espirito.
— O que foi? — Perguntou Dom enquanto girava a lâmina e estraçalhava os ossos da vitima. — Não vai sacar sua arma? — A lâmina foi subindo. — Faça isso! Assim como fez com o floricultor e todas as nove pessoas que morreram por causa dele. Por culpa sua!
Dominic puxou a lâmina para o lado abrindo um rasgo lateral no corpo do jovem que foi tombando para o lado. Rapidamente Dom o segurou pelo braço e os dois subitamente desapareceram com uma cortina de sombra que os envolveram. Ambos reapareceram no topo do mesmo prédio onde Dom estava há poucos minutos.
Com a mão na testa do cadáver, O Guardião Sombrio recitou:
— “Aqui termina sua estrada, que sua alma encontre o perdão daqueles que na qual morreram por seus erros e finalmente encontre o descanso eterno”.
Uma marca em forma de runa apareceu onde Dominic estava com as mãos, e aos poucos o corpo daquele desequilibrado foi se desmanchando até virar pó e ser levado pelo vento que soprou.
A Sombra de Dominic diminuiu e ele respirou. Sentiu novamente o calafrio do vento em sua pele, o coração palpitar mais depressa, o equilíbrio dos pés ficar mais instável e a ansiedade voltar. Ele então se direcionou para o mesmo lugar onde conversava com o Mestre e ficou ali olhando para baixo, esperando a próxima presa.
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Ao amanhecer, Dominic escalava o edifício abandonado, chegou ao corredor principal, pegou a escadaria e continuou até o topo que eram três andares acima. Ele estava se dirigindo para o salão que ocupava o ultimo andar, era um lugar amplo e totalmente vedado de qualquer janela ou frestas, a única entrada era a saída.
Aquele cômodo era conhecido como o Santuário da Conversão, a princípio qualquer um que entrasse lá acharia que era um local de rituais macabros e invocações demoníacas, tudo isso devido ao fato das paredes negras estarem rodeadas de escrituras e símbolos estranhos aos humanos, além de um altar de pedra que ficava exatamente no centro da sala. Mas na verdade tudo aquilo servia de proteção para que se algo saísse errado durante a conversão o estrago não se espalhasse para o mundo afora.
Mesmo sabendo de sua utilidade, Dominic odiava aquele salão que só era iluminado por lamparinas nas laterais, sem qualquer entrada de ar e abafado como um forno. Aquilo lhe trazia uma sensação de aprisionamento, medo, pavor e desespero. Era por isso que ele não passava da porta quando precisava ir até lá, e preferia falar com qualquer um que estivesse lá dentro de onde estava mesmo.
Foi o que ele fez observando os cinco Filhos da Sombra em volta do altar, encostando-se ao vão da porta.
— Acabou já?
— Sim. — Respondeu Draen. — Ele está desacordado no momento, mas vamos leva-lo para um quarto.
Leton pegou o garoto no colo e o levou para fora da sala sendo seguido pelos outros.
O quarto escolhido foi o de Siouxie, que era o mais espaçoso e não surpreenderia o menino caso ele acordasse com todos grudados a sua volta. Entretanto Dominic ainda permanecia nos limites da porta, observando de longe o despertar do novo Filho da Sombra.
— Ele está acordando. — Leton avisou sentado ao lado da cama. — Evitem assustá-lo.
O garoto abriu lentamente os olhos azuis e percebeu que não estava mais sozinho.
— Onde estou? — Perguntou ele ainda zonzo. — Aqueles homens ainda estão atrás de mim?
— Não se preocupe. — Leton respondeu com um tom absolutamente sereno. — Você está a salvo agora.
Ao realmente perceber onde estava o garoto se assustou e repentinamente sentou-se na cama.
— Quem são vocês? — Ele perguntou enquanto encolhia as pernas em volta das mãos.
— Está tudo bem. — Leton falou com um sorriso no rosto. — Não vamos te machucar criança. Aqueles que lhe queriam fazer mal já sumiram e não estão mais a sua procura.
— Por que eles estavam atrás de mim? O que eu fiz para eles?
— Não tente trilhar o caminho difícil pela metade sem antes começa-lo pelo inicio. Diga-me o seu nome?
— Me chamo Alec.
— Muito prazer Alec. — Leton pegou na mão tremula do garoto e apertou de leve. — Me chamo Leton, sou o líder desta família. Estes são Samantha, Draen, Siouxie e Vesta. — Leton se esqueceu de Dom, por ele estar praticamente escondido atrás da porta.
— Você é o pai deles? — Alec perguntou ainda confuso, mas agora mais calmo.
— De certa forma sim — Leton respondeu com uma risada. — Sou na verdade eu sou um irmão mais velho, mas ainda tenho a responsabilidade de um pai, se assim preferir.
— E vocês são o que? Não são humanos, certo?
Dominic se surpreendeu com a pergunta, mesmo que já esperasse algo daquilo. Quando uma pessoa se torna um Filho da Sombra muito cedo, como no caso de Alec, a sua noção de perceber as coisas evolui muito mais rápido do que alguém da sua idade, ou até mesmo a de um adulto normal. Dom ainda estudava aquele fato, mas ele teorizava que esse evento dava-se ao fato da Sombra cobrir parte da inocência humana, deixando o seu senso lógico mais ativo prematuramente. Aquilo também ajudava no fato de aceitação da morte dos seus familiares, se conformando com aquilo muito mais rápido.
— Não. — Respondeu Leton com sinceridade. — Assim como você, nós somos deixamos de sermos pessoas comuns, para um proposito maior.
— E qual é?
— Bom, atualmente o nosso maior proposito e reunificar todos os nossos irmãos que hoje brigam entre si.
Aquela foi a melhor resposta que Leton podia dar a Alec no momento. Mesmo que ele pudesse aceitar os fatos mais rápido do que o normal, ainda seria muito complexo tentar explicar a verdadeira função dos Filhos da Sombra.
— E aqueles que estavam atrás de mim?
— Infelizmente aqueles que tentaram lhe capturar também eram nossos irmãos. — Leton continuou. —Como você pode ver, eles são totalmente diferentes de nós. Isso se deve a uma briga antiga que nos separou.
— Vocês não os matam?
— Eu estaria mentindo para você se eu lhe dissesse isso Alec. Às vezes precisamos tomar atitudes drásticas para evitar que o pior aconteça com esta pequena família. Como fizemos para lhe proteger. — Leton então levantou o dedo e o encarou com seriedade. — Mas se lembre de uma coisa importante Alec. Nós jamais faremos o mal a ninguém por diversão e porque podemos. Jamais interferimos na vida humana por sermos superiores a eles, e não vamos brincar de deuses, porque não somos. Não podemos cair no mesmo erro que nossos irmãos, somos diferentes e precisamos usar isso a nosso favor.
— Tudo bem. — Alec agora estava relaxado e piscava lentamente. — Eu não sou malvado, como aqueles homens que tentaram me matar.
— Eu sei Alec. — Leton sorriu e colocou sua mão no seu ombro. — Você é especial, assim como todos nós aqui somos.
Alec pela primeira vez deu um sorriso e se sentiu mais seguro. Foi então que ele se lembrou de algo.
— Mas espere. — Ele contou as pessoas na sala. — Onde está aquele que disse que estávamos em uma corrida?
Todos que estavam no caminho da porta deram um passo para o lado. Os olhares de Alec e Dominic se encontraram pela segunda vez.
— E aí. — Dominic acenou com a mão.
— Nós ganhamos a corrida? — Alec perguntou rindo.
— Sim. A mal humorada ali que garantiu. — Dom apontou para Siouxie que revirou os olhos e bufou.
Alec se levantou da cama e foi andando até Dominic, o menino então o abraçou com força pela cintura enquanto encostava sua cabeça no abdômen de Dom.
— Obrigado por ter me salvado de lá.
Dom ficou travou. Havia anos que ninguém lhe abraçava daquele jeito, e ficou daquele jeito durante quase um minuto. Sua Sombra que estava extremamente ativa por causa das caçadas da noite anterior minguou.
— Não me agradeça. — Ele por fim respondeu com um riso sem graça batendo de leve na cabeça de Alec. — Todos fariam a mesma coisa aqui por você.
Depois daquele gesto, Dominic percebeu que o seu pensamento estava correto. Qualquer um que Leton convertesse em um Filho da Sombra não perderia tanto a humanidade a ponto de se tornar um ser cinzento e sem sentimentos. Ele momentaneamente ficou aliviado e uma ponta de felicidade brotou no seu peito, fazendo sua Sombra encolher mais ainda. Ainda assim, aquilo tinha que ter um motivo e Dom precisava descobrir.
— Fico feliz que tenha se identificado conosco Alec. — Leton sorriu. — Mas temos pouco tempo para comemorar.
— Trazer Alec para cá com certeza vai gerar desconfiança por parte dos outros Domínios. — Siouxie falou pela primeira vez.
— Ela tem razão. — Apoiou Samantha. — Provavelmente os Domínios vão se acusar antes de repararem que nós estamos com Alec.
— É por isso que precisamos ir atrás de antigas alianças. — Leton começou a revirar um bolso do seu casaco até pegar algo do tamanho de uma moeda e trazer para a visão de todos. — E preciso dizer isso a vocês. Somos convidados do Domínio da Joia Despedaçada.
O objeto que Leton tinha nas mãos era um raríssimo diamante rubro perfeitamente lapidado e que tinha um leve trincado no meio.
— Maximilian? — Siouxie perguntou transmitindo uma expressão de surpresa pela primeira vez.
— Um dos seus servos mais fiéis me entregou esta joia, nos convidando para passarmos uma noite em sua pequena cidade, nas montanhas. — Leton explicou. — Vai ser bom tirarmos Alec daqui por uns tempos até as coisas se acalmarem e finalmente poderei conversar com Maximilian pessoalmente após todos esses anos.
— Isso é ótimo. — Vibrou Samantha. — Com certeza ele ficará do nosso lado.
— Partiremos amanhã durante a madrugada. — Leton olhou para Vesta. — Vesta compre ou alugue uma van para nós, não posso usar meus poderes para leva-los até lá, vai chamar muito atenção.
— Estarei trabalhando em cima disso imediatamente. — Vesta respondeu prontamente, e rindo. — Onde fica esta cidade?
— Provavelmente será uma viagem longa. — Draen respondeu. — Se não estou errado, a estrada para lá é um pouco oculta para os viajantes de primeira viagem.
— Nada escapa dos meus olhos, caro Draen. — Vesta disse com convicção.
— Eu sei, e é por querer que você continue afiado no olhar que eu estou te alertando isso. — Draen respondeu com um sorriso no rosto.
Leton se levantou.
— Não se esqueçam de uma coisa. — Ele ressaltou. — A vila de Maximilian é habitada por poucos humanos, mas eles sabem sobra a nossa identidade.
— Eu sempre quis conhecer uma vila dessas. — Dom respondeu demonstrando ironia. — Eu sempre imagino um bando de fanáticos venerando os Filhos da Sombra como deuses.
— Sua impressão está errada. — Siouxie rebateu. — Aqueles humanos levam vidas normais. A diferença é que eles têm um juramento de sangue sobre o nosso segredo.
— Se alguém contar sobre vocês, ela morre? — Perguntou Dominic um pouco surpreso.
— Sim. — Leton concluiu. — Porem existe algo que precisamos nos preocupar. Aqueles humanos sabem dos Filhos da Sombra e consequentemente sabem sobre o Guardião Sombrio. — Leton olhou para Dominic. — Eles não vão gostar nem um pouco em saber que existe alguém que pode invadir as memórias deles e saber o que estão sentindo.
— Se elas não fizeram algo que afete o Equilíbrio. Eu sou tão inofensivo quanto qualquer outra pessoa. — Dominic se defendeu.
— Mesmo assim, você pode é sensível a emoções humanas Dom, sabe quando alguém está mentindo, furioso, com ciúmes, confuso, alegre ou triste. As pessoas vão se sentir violadas com você lá.
— Então eu fico?
— Não. Você vai se passar como um humano, irei dizer que é adotado e é um servo nosso.
— Nem brincando. — Dominic se irritou. — Prefiro ficar aqui a me rebaixar a um servo.
— Não podemos deixa-lo sozinho Dominic. — Leton foi direto. — Você vai precisar fazer esse sacrifício por nós. Eu sei você não aceita o fato de existirem humanos servindo os Filhos da Sombra como se fossem meros lacaios, eu também abomino esse tipo de coisa. Mas, por favor, entenda que Maximilian é uma das nossas únicas esperanças de reverter a situação critica que o mundo se encontra hoje. Se ele perceber que os habitantes da sua cidade estiverem desaprovando sua presença ali, com certeza ele vai se negar a nos ajudar.
— Vai ser a última vez. — Dominic deixou claro. — Da próxima vez, as pessoas vão ter que me aceitar mesmo sabendo quem eu sou. E se elas por um acaso estiverem deturbando o Equilíbrio, eu só vou poder lamentar.
Dominic deixou o quarto furioso e batendo com força a porta.
— Maximilian vai saber que Dominic não é um humano. — Siouxie falou.
Leton continuou pensativo e não respondeu.
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