A Luz e a Escuridão
7 O achado
Notas iniciais
Cidade da Luz.
Enquanto isso, em outro canto da Cidade da Luz, Rick está trancado em seu quarto escrevendo mais um poema romântico. Senta-se sobre as pernas, em cima da cama. Seus profundos olhos negros mantêm-se focados em cada palavra. O quarto do rapaz é pintado de um tom amarelado e na parede se encontram diversos papeis pendurados com alguns de seus poemas.
De repente, ele escuta o bater descontrolado na porta de madeira. Ele se levanta de sua cama deixando seu caderninho sobre ela.
Abre a porta. É Victor. Ele gira os olhos
–Novamente um poema para Mary?
–May.- Rick o corrige.
–Que seja.- Victor gira os olhos novamente.- Vamos a floresta?
–Fazer o que?- Podia-se notar que Rick não está nem um pouco animado para ir a floresta.
–Tem uma coisa que você tem que ver.- Victor começa a puxá-lo pelo braço.
–Ta bom, mas espero não me arrepender.
E lá vão eles a caminho da floresta. Rick vai logo atrás, pois anda devagar e não consegue acompanhar os passos rápidos de Victor. "Me espera!" Ele grita vez ou outra.
Está tudo em silêncio, exceto pelos barulhos vindos da floresta.
–Você é um completo idiota sabia?- Diz Victor.- Fica o dia todo trancado no quarto escrevendo poemas!
–Quando você se apaixonar será idiota como eu.- Rick da-lhe uns tapinhas no ombro.
–O que?- Victor ri da estupidez de seu amigo.- Mas eu não vou ser assim nunca! E nunca irei me apaixonar.
–Se você está dizendo...- Rick dá de ombros.
–Agora diga-me uma coisa: como conheceu essa May?- Pergunta Victor curioso.
Os dois param de andar.
–Numa farmácia na Cidade de Liryn. Ela trabalha lá.- Os olhos de Rick brilharam. May é seu assunto favorito.- Eu tinha ido comprar remédios para o meu pai que estava doente. Ela atendia aos seus clientes com delicadeza. Sua voz é tão doce... E quando ela me atendeu, olhou fundo nos meus olhos e lançou-me um sorriso suave. Desde então a gente começou a ter contato. E eu vou ver ela em Liryn sempre que posso.
Rick sorri. Victor o olha com as sobrancelhas erguidas.
–Nossa. Você parece uma princesinha.
Rick gira os olhos.
–O que viemos fazer aqui mesmo?- Pergunta ignorando a piadinha de seu amigo.
–Ah é.- Victor retoma a caminhada, mas dessa vez bem mais rápido, deixando Rick para trás.- Quase esqueci.
–Victor!- Reclama Rick, correndo para alcançá-lo.- Me espera!
–Anda! Vem ver o que eu achei! Sei que vai gostar.
E eles chegam ao destino. Rick respira pesadamente. Está ofegante. Victor sorri satisfeito. Rick olha surpreso para o achado.
–Isso é...?
–Uma casa velha, não está vendo?- Victor diz entusiasmado.
–Uau...- Rick se aproxima, boquiaberto.
–Nós podíamos arrumá-la, não acha?- Victor para ao lado dele.
–Pra que? Eu não vou morar aqui no meio da floresta.- Pondera Rick.
–Não seja tolo.- Victor revira os olhos.- Não é para morar. Só achei que seria um bom lugar para visitarmos de vez enquanto. Você pode vir escrever seus poeminhas e eu posso montar uma sala de jogos para mim.
–Boa ideia.- Rick sorri. Continuava a contemplar a velha e poeirenta casa.
–Ah, e você pode se encontrar com a May aqui. Ninguém vai vê-la e Carl não vai saber que um cidadão da Cidade da Escuridão atravessou a fronteira. Ela pode entrar pela floresta.
–Até que não é uma má ideia...- Rick olha para o amigo, pensativo- Você é um gênio!
–Melhor irmos embora.- Diz Victor- Está escurecendo.
–Então amanhã nós temos um longo trabalho a fazer, certo?- Rick da um sorriso de canto.
–Certo.
E lá se vão os dois. Realmente teriam um longo trabalho pela frente, pois organizar aquela casa velha, cheia de teias de aranha, mofada e empoeirada, não seria nem de longe fácil.
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