A Luz dos Teus Olhos

9 Capítulo 9 - Lima...


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn terminou de arrumar as suas coisas na mala e na bolsa de viagem e pegou o celular para responder a recente mensagem de Rachel. Ela estava mais agitada desde que começaram a se falar pela manhã. O sol já estava se pondo, mas ela continuava extremamente animada. Quinn entendia, especialmente por estar contente em viajar ao lado dela.

Ela desceu a escada com os pertences e encontrou Brittany e Santana sentadas no sofá.

— Pegou tudo? — Brittany perguntou.

— Eu acho que sim.

Brittany segurou a bolsa de viagem, e Quinn continuou arrastando a mala até o estacionamento do prédio. Depois de colocarem tudo no porta-malas, Santana dirigiu até o Aeroporto Teterboro, ao norte de SoHo.

Quinn digitava freneticamente no celular. Rachel estava contando como foi a visita aos pais de Connor, o que a fez sorrir. Adam estava cada vez mais feliz com o namoro. Ele tinha se despedido antes de ir para a casa dos sogros. Estava radiante, e Quinn estava radiante por vê-lo radiante.

Ela guardou o celular quando o carro parou no acostamento do aeroporto, próximo à Ellie. Quinn a tinha conhecido há alguns dias e gostado de conversar com ela. Parecia sempre atenta aos movimentos do mundo externo. Às vezes, ajudava Rachel com algo que ela nem sabia que precisava.

Quinn saiu do carro, a cumprimentou e a apresentou para as amigas. Elas não passaram muito tempo conversando. Brittany e Santana trocaram um abraço de despedida com Quinn.

— Dê um beijo na tia Judy e no tio Russ por nós, tudo bem?

— Pode deixar. — Quinn sorriu.

— Nos ligue se precisar de qualquer coisa. — Santana falou.

Quinn assentiu e seguiu Ellie até o hangar executivo. Com exceção delas, não havia ninguém na sala exclusiva. O sofá e as poltronas estavam perfeitamente arrumados, e o bar estava vazio.

— Por que estamos sozinhas aqui?

— Rachel pediu que a sala fosse reservada para garantir mais privacidade.

Quinn pegou o celular, mas olhou para as portas duplas do saguão quando viu Rachel passar por elas ao lado de Finn, se sentindo frustrada por cogitar que ele poderia acompanhá-las na viagem, mesmo que não fizesse sentido se sentir daquela maneira.

Ela correspondeu ao abraço que recebeu

— Desculpe o atraso. O trânsito de Nova Jersey estava insuportável.

— Não se preocupe. Eu acabei de chegar.

Finn saudou Quinn com beijos no rosto.

— Como vai, Quinn?

— Eu vou bem, Sr. Hudson. — Quinn abriu um meio-sorriso. — E o senhor?

— Eu já disse para me chamar de Finn. Eu estou bem. Só um pouco desapontado porque não vou ver a minha esposa durante alguns dias.

Quinn quase suspirou em alívio por ele não ir para Lima também, embora se sentisse culpada. Finn não era uma pessoa ruim, e ela não entendia o motivo de querer afastá-lo.

— São poucos dias, e você está sempre ocupado com o futebol de qualquer forma. — Rachel puxou as duas malas. — Acho que nós precisamos ir agora. Não podemos nos atrasar.

— Tudo bem. Eu amo você. Espero que se divirta e mande lembranças aos seus pais por mim. — Finn a beijou suavemente.

Quinn desviou os olhos, checando as horas no celular para não ver a cena que se desenrolava na sua frente e tentando impedir o desconforto que sentia aumentar.

— Eu mandarei. E bons jogos. Nos vemos daqui a alguns dias. — Rachel se aproximou de Quinn, segurando o braço dela delicadamente. — Vamos?

Quinn balançou a cabeça, acenando para Finn e caminhando atrás de Ellie até o carro que as esperava do lado de fora do hangar. Ele as levou para o avião particular. O piloto estava conversando com o copiloto, mas sorriu quando as avistou, se apresentando para Quinn formalmente.

No meio-tempo em que as malas eram guardadas, Rachel trocou algumas palavras com Ellie e se despediu. Quinn esperou que ela começasse a subir a escada para alcançá-la. O interior do avião particular era maior do que achava ser quando viu fotos na internet e gritava o valor que deveria custar em cada objeto. Ela já tinha entrado em um quando Russel foi convidado para um final de semana na casa do seu chefe. Era uma mordomia um tanto quanto exibicionista, pensou na época. Mas, tinha de admitir, era muito prático.

Ambas se sentaram e afivelaram os cintos de segurança.

— Você não almoçou hoje. Está com fome?

— Não muito, mas posso esperar mais um pouco.

— Nada disso. Quando decolarmos, vou pedir o jantar. São quase sete horas.

— Tudo bem.

Quinn olhou para a janela. Demorou mais alguns minutos até o avião acelerar. A pressão era menor do que em um voo comercial, isso era incontestável. Ela viu o aeroporto ficar cada vez mais distante e fitou Rachel.

— Então você gostou de conhecer os pais do Connor?

— Eles são maravilhosos. — Rachel soltou o cinto de segurança. — Falamos durante horas, e Adam estava nervoso.

Quinn soltou uma risada.

— Ele está adorando isso, mas estava com medo de vocês não se darem bem. Eu os conheci há algumas semanas. A Sra. Hayes faz o melhor trifle que eu já comi. Acho que não parei de elogiá-lo.

Rachel sorriu.

— Ela mencionou que você adorou. Quando for na mansão outra vez, vou pedir para Edith preparar.

— Você não precisa se incomodar com isso.

— Como se isso fosse algum incômodo.

Quinn pensou em contestar, mas a comissária de bordo abriu a porta da cabine. Rachel aproveitou para pedir o jantar. Enquanto esperavam as saladas caprese — uma delas com queijo vegano —, elas conversaram mais um pouco sobre o final do semestre em Columbia.

— Eu sabia que você ia se sair bem no seminário. Deveria confiar mais em mim.

— Nesse caso, quero que me diga isso antes de todas as provas, trabalhos e seminários no semestre que vem.

— Você acha mesmo que eu não vou dizer? Mesmo que eu tenha certeza do seu desempenho, eu não perderia a oportunidade de acompanhar as suas conquistas.

Quinn sorriu. Ela nunca conseguia agradecer a Rachel da forma como gostaria, então tentava mostrar através de gestos, como segurar e afagar a mão dela. Era algo que tinham adquirido há algum tempo. Era o que acabou de fazer. Desde o dia em que nadaram juntas na mansão, ambas tinham se encontrado mais algumas vezes durante a semana. E quanto mais tempo ficavam sozinhas, mais trocavam afetos. Talvez até mais do que algumas pessoas achariam normal. Não conviviam há muito tempo, mas era como se convivessem. Rachel ainda se assustava com o quanto Quinn a tranquilizava. Já era natural abraçá-la e tocá-la mais vezes do que conseguia memorizar.

Rachel moveu a cabeça para descansá-la no ombro de Quinn. Seus dedos brincavam com os dela, correndo na palma da mão, se infiltrando dentro da manga do suéter e depois voltando até o pulso. Elas não disseram mais nada. Não até a comida chegar.

Quinn só percebeu que estava faminta quando pôs a primeira porção de comida na boca. Ela alternou entre a salada e o vinho branco, mas dispensou a sobremesa. Já estava satisfeita. Rachel bebeu mais um pouco antes de chamá-la para se deitar na cama na lateral do avião.

— Você prometeu que veríamos um filme. Está na hora de cumprir.

Quinn sorriu.

— O que quer ver?

— Que tal uma comédia romântica?

— Eu sabia que você ia dizer isso.

— Isso é porque você adora qualquer filme independente de baixo orçamento.

— Eles são ótimos.

— Não mais do que comédias românticas.

Quinn deixou que Rachel colocasse o filme na TV da parede em frente à cama. Ele não era ruim, mas não conseguiu se concentrar tendo ela deitada sobre o seu peito em uma posição extremamente pessoal.

Nos quarenta minutos seguintes, ela decorou todas as expressões de Rachel, que parecia saber todas as falas do filme, e afagava os cabelos escuros suavemente. Estava despreocupada. Não desejava estar em nenhum outro lugar do mundo naquele momento.

Rachel parou de assistir um pouco para encará-la de volta. Quinn sentiu o calor do rosto dela perto do seu.

— O que está pensando?

— Você adora saber o que eu estou pensando.

— E você adora que eu pergunte.

Quinn teve de concordar.

— Eu estou pensando em como a minha vida mudou nessas últimas semanas. Agora estou indo para Lima com você. Nem mesmo Frannie conseguia me convencer a parar um pouco de estudar para viajar. Santana sempre diz que eu vivo com a cabeça nos livros.

— Você precisa estudar, mas também precisa ter um tempo para se divertir. Isso é importante para a sua saúde mental, Quinn.

— Eu estou tendo esse tempo agora.

— Isso é porque eu a convidei.

— Não é isso, é só que... — Quinn estava pronta para retrucar, mas a expressão de Rachel deixava claro que ela estava certa. — Tudo bem, eu preciso mesmo me divertir um pouco.

— Mas não se divirta muito. Eu não quero ser trocada por alguma amiga ou quem sabe uma namorada que exija todo o seu tempo.

Quinn riu.

— Eu não trocaria você por ninguém.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Porque eu sei que jamais faria isso. Rachel Berry não merece ser trocada, então não se preocupe com isso.

Elas sorriam mutuamente. Rachel pensou na conversa que tivera com Kurt dias atrás e no quanto ele insistia que Finn a estava trocando pelo futebol. Não era mentira. E com Quinn, ela sempre se sentia especial, admirada e acolhida, mesmo nas palavras mais indiretas. Não se sentia tão bem há muito tempo como se sentiu no último mês. Ela pegou o controle remoto e desligou a TV.

— Você fala como se eu fosse mais do que eu realmente sou.

— Você é mais do que qualquer coisa e precisa começar a acreditar nisso, Rach. Eu tenho sorte por tê-la como minha amiga agora. É o maior presente que eu poderia receber. Eu... eu penso em você o tempo todo. No que está fazendo ou no que gostaria de fazer. Não há um dia, desde que eu a reencontrei, que eu não pense em você. O seu coração é enorme. Qualquer pessoa que esteja perto de você é sortuda.

Rachel sentiu os olhos marejarem. Lá estava o brilho encantador que sempre via refletir em Quinn. Seu coração balançou mais do que aquele avião. Talvez não estivesse mais familiarizada com alguém cortejando-a daquela maneira, ou talvez não alguém tão envolvente quanto Quinn.

Ela arrastou o corpo, quase subindo em cima dela. Sua mão descansou sobre a bochecha morna em um carinho leve. Quinn fechou os olhos pelo contato, aspirando o aroma de Rachel. Precisava começar a admitir, de uma vez por todas, que estava se afeiçoando a ela mais do que era permitido.

— Eu estive pensando... — Rachel começou, e Quinn abriu os olhos. — Nós não precisamos voltar para Nova York daqui a alguns dias. Eu posso deixar a minha substituta tomar a frente de algumas apresentações, e você está de férias. Podemos ir para qualquer lugar. França, Islândia, Noruega. Não importa. Podemos só sumir um pouco.

— Mas... por que eu? Por que me escolher para fazer isso?

— Porque eu não quero mais ficar longe de você. — Rachel confessou.

Quinn colocou a própria mão sobre a de Rachel, segurando-a e entrelaçando os seus dedos nos dela sobre o seu peito. Sua outra mão continuava perdida nos fios longos.

— Eu iria com você para qualquer lugar do mundo.

Rachel não disse nada. Ela colou os lábios na bochecha de Quinn, descendo até o canto da boca dela e expulsando qualquer recriminação que a sua cabeça pudesse criar. Mas nenhuma delas seguiu para o próximo passo. Não quando a voz do capitão ecoou nos alto-falantes avisando sobre o pouso.

Elas se afastaram com uma força hercúlea e voltaram para os assentos. Durante os minutos em que a aeronave chegava ao chão, Quinn olhou o aeroporto de Cleveland pela janela, tentando regular a respiração e os sentimentos que a empurravam cada vez mais para o fato de que estava prestes a beijar Rachel Berry.

Um carro já as esperava junto a outro e um número pequeno de guarda-costas. Quinn desceu a escada atrás de Rachel e viu as suas coisas serem colocadas no porta-malas.

O trajeto até Lima durou quase três horas. Nenhuma das duas tentou voltar para a conversa que trocaram momentos mais cedo, principalmente porque não estavam sozinhas no carro, e eventualmente Rachel acabou dormindo com a cabeça no ombro de Quinn.

A noite em Ohio estava mais fria do que em Nova York. Pelo menos naquele dia. Já passava das nove horas quando o veículo parou no acostamento da rua que não viam há muito tempo.

Rachel acordou gradativamente, piscando os olhos devagar. Quinn esperou que ela despertasse para sair.

— Vamos nos ver amanhã? — Rachel perguntou.

— Claro. Dê um oi aos seus pais por mim. — Quinn segurou a alça da bolsa e da mala.

— Eu darei. E você aos seus. — Rachel a abraçou.

Quinn suspirou contidamente, apertando-a um pouco mais e a beijando na testa quando se afastaram.

— Obrigada pela viagem.

— Não precisa agradecer. Eu estou feliz por tê-la aqui. — Rachel sorriu. — Você acha que os seus pais estão em casa? — Ela olhou para a casa dos Fabray. As luzes estavam apagadas.

— Eles devem estar dormindo. Mamãe sempre gostou de ir para cama cedo demais.

— Tudo bem. Até amanhã, Q.

— Até amanhã, Rach.

Quinn se virou uma última vez antes de abrir a porta com a sua chave, vendo Rachel conversar brevemente com os três guarda-costas e ir para a casa dos Berry. Ela entrou e acendeu a luz do hall.

— Mãe? Pai?

Ninguém a respondeu. Ela subiu a escada e foi para o próprio quarto para deixar os seus pertences sobre a cama, sentindo o celular vibrar no bolso do seu casaco.

Quinn atendeu rapidamente.

— Rachel?

— Oi, Quinn. Eu só liguei para dizer que Judy e Russel estão comemorando o aniversário de casamento em Veneza. Eles partiram semana passada e disseram no último telefonema trocado com os meus pais que chegam em três dias.

Quinn quase se estapeou. Com a semana corrida de provas e trabalhos, havia se esquecido que seus pais viajariam para comemorar os trinta anos de casados. Judy até mesmo a avisou sobre isso. Estava empolgada com a celebração.

— Bom, acho que vou ficar sozinha por três dias então.

— Se quiser, eu posso fazer companhia para você.

— Eu adoraria, mas você precisa aproveitar esse tempo com os seus pais.

— Eu acho que você tem razão. — Rachel ouviu Hiram chamá-la no andar de baixo. — Eu preciso ir agora.

— Tudo bem. Nos vemos amanhã. — Quinn sorriu e desligou.

Ela caminhou até o projetor em cima da escrivaninha e o ligou depois de deixar o celular na mesa de cabeceira. De repente, o quarto foi iluminado por constelações. Aquela foi a forma de Russel deixá-la mais tranquila quando não conseguia dormir por causa do escuro há alguns anos. Agora, a fazia se lembrar de Rachel. Quinn sorriu. Ela era a verdadeira personificação de uma estrela.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Lima vai ser bem interessante nos próximos capítulos. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. =D twitter.com/yasagron