A Luz

1 Capítulo único


Notas iniciais
Espero que gostem! Beijokas :3

Pisco meus olhos tentando me acostumar com a pouca luz. A única luminosidade vem da lua, mas, onde estou?
Oh, eu vejo uma coisa brilhando, uma estrela? Não se parece com uma. A sigo flutuando... Flutuando? Isso é tão confuso... Continuo seguindo a luz brilhante e branca. Meu coração bate fraco e sinto que estou fraca, não posso entender.
Há uma neblina, mas não sei onde estou pisando. Na verdade, não estou pisando em nada. Eu acho que estou sonhando, mas não me lembro de ter ido dormir. Mas, eu não lembro de nada, não lembro nem quem sou. Que eu sou? Me faço essa pergunta várias vezes e nenhuma resposta. Volto a olhar a luz, mas ela não está me levando a lugar algum, apenas neblina e mais neblina. Quando olho para cima vejo os pontos de luz, estrelas! Oh, agora eu acho que as coisas estão começando a fazer sentido. Mas como eu estou tão perto delas? E porque?

A luz começa a descer e eu continuo a seguindo. Minha cabeça está vazia e não me sinto respirar. A luz para e eu olho ao meu redor. Nuvens! Não era uma neblina e sim nuvens. Espera, são nuvens! Ela, parecendo entender meu desespero, continua a descer e eu a sigo. Decido não escutar minha voz interior dizendo que estou louca e apenas sigo meus instintos.

Após um longo tempo flutuando, passando por galhos de gigantescas árvores, pássaros e outras coisas, chegamos em um riacho. É tão cristalino e bonito! A luz para ali e começa a pular, ou quase isso. Parecia que ela queria mostrar-me algo. Me aproximo do riacho e meus pés descalços ficam molhados. Consigo ver meu reflexo fraco e os poucos batimentos que eu sentia em meu coração cessaram. Havia algo diferente em mim, uma coisa sobrenatural. Asas...
Sem conseguir mover nenhum músculo, continuo ali parada no riacho. Repeti por diversas vezes a palavra asas. Confesso que estou com medo... A luz apressada, começa a mover-se novamente e eu a sigo na mesma velocidade batendo minhas asas. Elas eram brancas e delicadas, assim como eu. Um longo tempo depois, eu e a luzinha, chegamos a uma pequena cidade. Por estar de noite, havia apenas algumas luzes acesas, e as ruas estavam vazias. Ela foi me guiando até um lugar familiar. Era uma casa super linda e tinha a cor salmão. Tinha dois pisos e uma varanda. A luz brilhante foi até a varanda e eu fui logo atrás. A porta de vidro estava aberta, e lá dentro havia um quarto, e dentro do quarto um rapaz com uma expressão triste. Ela foi entrando e eu fiquei escondida ali na varanda, ele poderia me ver!
– Xiu, volte aqui! Ele vai nos ver! – Resmunguei para a luz sem saber se me entendia, mas ela me ignorou.
O rapaz segurava uma foto, mas eu não sabia do que se tratava. A luz pairava sobre ele e ele não a via. Então era isso, ele não podia nos ver. Pelo menos eu contava com isso. Quando me aproximei notei o quão triste ele estava. Sua camisa branca parecia úmida, e eu suponho que eram lágrimas, pois seu rosto está vermelho e seus olhos inchados. Me aproximando mais, até ficar ao seu lado. Consegui ver a foto e entrei em estado de choque ao me ver ali, com ele. A foto era nossa...
Ele estava sentado em frente a uma escrivaninha, e seus braços relaxavam em cima das coxas. Ele segurava a foto com as duas mãos. Eu queria saber seu nome. Queria saber o por que desta foto e desta tristeza, até que a luz pairou em cima de um papel no chão. O juntei e vi que era um desenho. Um desenho nosso, e atrás dizia: Com amor, de Luize, para Vladimir :)
Um clarão se estendeu na minha cabeça e, de repente, eu lembrei. Éramos namorados! Nos conhecemos na escola por acaso e ficamos amigos. Depois que contei para ele do meu tumor na cabeça, nunca mais nos separamos e isso virou amor. Mas então, eu morri... Agora tudo faz sentido.
– O amor de vocês é verdadeiro, então você virou o anjo da guarda dele. – Soou a luz em meu ouvido. Não pude conter as lágrimas.
Oh Vlad, eu sinto tanto! Eu te amo tanto, como pude te deixar assim... Eu queria tanto poder voltar no tempo e não te fazer sofrer. Sentei no chão eu lado e deixei as lágrimas caírem. Meu destino agora era proteger ele, assim como ele fez comigo. Todas as dores que senti e ele sempre esteve comigo nos meus últimos momentos, segurando minha mão e dizendo o quanto me amava. Eu não estava mais viva, mas ainda podia cuidar dele, e é o que farei. Levantei novamente. Mesmo sabendo que ele não me ouviria, sussurrei.
– Meu Vladimir, eu sempre estarei com você. Eu te amo.
E quando me dei por conta a pequena luz brilhante havia sumido.

Notas finais
Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!