A Luta De Jasper
6 Capítulo 5- Jasper...
Notas iniciais
Dirigi-me lentamente até à minha próxima aula com Annie no meu encalço que se encontrava com um pequeno espelho de mão a arranjar a sua, agora, longa franja. A aula era artes, algo que ambas gostávamos imenso e que desenvolvíamos desde pequenas na nossa pequena cidade na Alemanha, até tinha sido assim que nos tínhamos conhecido, a entrarmos ambas para a mesma aula de ballet, embora eu não me tenha dado muito bem. Gostava de artes e da maior parte das minhas aulas de hoje, mas começava a detestar esta escola por me começar a sentir desenquadrada dela. Mesmo com a Melanie aqui, havia algo estranho e eu podia sentir, talvez não comigo mas sim com o ambiente escolar em geral. Era tudo feliz e sem discussões no meio dos corredores. Suspirei enquanto observava Annie a sentar-se ao meu lado e a guardar na sua mala o pequeno espelho. Comecei a ver cada vez mais gente a chegar á sala e comecei a ficar um pouco nervosa, a sentir-me um pouco claustrofóbica por ter tanta gente disposta ao meu lado
Respirei fundo e olhei para Annie que tinha uma expressão de desagrado bem estampada na face e pude ver um brilho, que não consegui identificar quando mantinha o seu olhar preso á porta de entrada da sala. Quando olhei para a porta percebi porquê. Tom estava a entrar pela porta assim como o tal Jasper e a Renesmee pelo que apanhei da conversa do almoço. Eles sentaram-se bem ao lado de nós e senti Annie ficar um pouco rígida e sem o belo sorriso que antes mantinha nos lábios quando Tom a encarou durante um momento. Olhei para baixo por uns momentos e corei mais ao sentir os olhos de alguém nas minhas costas e a sentir-me observada. Olhei para cima e encontrei um par de olhos de um dourado escuro a encararem-me. Nunca tinha visto aquela tonalidade nos olhos de alguém tirando os de Jasper, desta vez o meu coração batia mais forte do que nessa manhã, fazendo com que me sentisse mais quente e ao olhar nos olhos dele senti-me diferente, como se algo encaixasse finalmente no meu cérebro baralhado.
Assim que todos os meus colegas de turma entraram a professora começou a dar a aula sentada sobre a mesa dela descontraidamente, na posição de índio, dizendo-nos com um grande sorriso:
– Boa tarde. Como estão todos? Vamos ter muito tempo para nos conhecermos. Hoje a única coisa que vamos fazer é conhecer-nos um pouco mais. Cada um vai fazer uma pequena apresentação sobre si mesmo para nos ficarmos a conhecer melhor. Terão de dizer o vosso nome, a vossa idade, de onde vieram, quem são os vossos pais e algo especial sobre vocês.
Fiquei a pensar enquanto analisava a professora. Tinha um ar descontraído e simpático, tirando isso só podia dizer que parecia uma hippie, o que não era mau de todo. Muito pelo contrário ela parecia uma daquelas personagens dos filmes sobre os movimentos hippies, mas só as partes boas. Ela estava vestida com umas calças desbotadas de uma ganga clara e uma camisa de um laranja berrante, tinha calçado umas chinelas castanhas. No topo da sua cabeça encontravam-se uns óculos escuros com lentes amarelas e de armação redonda, mas quando digo redonda, o local das lentes eram um, dois círculos perfeitos.
Bolas. Odiava apresentações orais. No entanto Anne, a professora era extremamente simpática e descontraída.
Mal ouvi a apresentação da professora devido aos nervos, a tentar acalmar-me para não sair uma coisa estúpida assim que começasse a falar, como tinha acontecido o ano passado na minha outra escola.
Assim que chegou a minha vez, logo após a apresentação de um rapaz chamado Chester, que mais se parecia com uma imitação do James Bond, mas não pelo lado positivo, ficava ridículo nele, levantei-me e andei calmamente até à frente da turma.
Respirei profundamente a tentar controlar os nervos.
– Olá boa tarde, o meu nome é Maya Nietzsche, tenho 17 anos e vim da Alemanha…
Fiz uma pequena pausa para observar a reação dos meus colegas e depois continuei.
–… Os meus pais são Neill e Catharina Nietzsche… E toco violino — Disse, indo lentamente para o meu lugar assim que acabei a apresentação oral.
Assim que me sentei Annie levantou-se para fazer a apresentação oral dela. Via a ir quase aos saltinhos para a frente de todos. Chegou lá a frente tinha um sorriso brilhante e estava totalmente à vontade a falar em frente daquela gente toda. Eu tinha de admitir ela era totalmente o oposto de mim em termos de personalidade e era muito boa nisso. Às vezes gostava de poder ter o seu à vontade em frente dos outros. Ouvi-a um pouco distraída, ansiosa por saber mais sobre Jasper, pois sobre ela já eu sabia tudo.
– Olá eu sou a Melanie Kaulitz, tenho dezassete anos e vim também da Alemanha com a minha melhor amiga Maya. Os meus pais são Tom e Natasha Kaulitz e sei tocar excelentemente guitarra e piano e falar várias línguas. Como já sabem, sou alemã- Disse Annie com um sorriso perfeitamente natural, voltando para o seu lugar para dar vez a uma rapariga baixa de quem não sabia o nome.
A apresentação da tal rapariga baixa demorou alguns três minutos, mas mais parecia uma eternidade para mim e depois foi a vez da tal Renesmee.
Ela começou a falar, parecia perfeitamente à vontade:
– Olá eu sou a Renesmee Cullen, tenho 16 anos e sou sobrinha do Dr. Carlisle e Esme, assim como o meu irmão Edward. Ahm… Adoro moda e fazer compras.- Disse Renesmee com um sorriso engraçado e sentando-se no lugar dela.
Depois seguiu-se Jasper, que me prendeu totalmente a atenção. Não conseguia desviar a minha atenção nem o meu olhar do belo rapaz que se apresentava agora em frente de toda a turma.
– Olá, muito boa tarde. Sou o Jasper Hale, tenho 17 anos e fui adoptado pela Esme e pelo Carlisle. Sou primo da Esme e irmão da Rosalie e sou bastante atento a como toda a gente se sente- Disse Jasper com um leve sorriso, sentando-se.
Por fim, para acabar as apresentações dos Cullen, seguiu-se Tom.
– Olá, sou o Tom Cullen, tenho dezassete anos, os meus pais são o Carlisle e a Esme Cullen, sou adoptado e toco maravilhosamente guitarra, para além de ser lindo… — Disse Tom com um sorriso de cativar todas as raparigas naquela sala. Algumas raparigas soltaram risos um pouco histéricos quando a professora e alguns outros alunos se começaram a rir do que ele tinha dito.
Olhei para Melanie que revirou os olhos e tinha uma cara como quem queria dizer “não te achas nem nada, não é?”
A nossa professora começou a falar, assim que Tom se sentou:
– Muito bem, agora vou decidir os grupos para o primeiro projeto. Maya, Melanie, Renesmee, Jasper e Tom, vocês ficam todos juntos.
Sorri encantada. Jasper ia ficar no meu grupo de trabalho, o que significava que ia ficar a conhecê-lo melhor e ia passar bastante tempo com ele. Observei a reação de Melanie. Ela estava com uma cara de quem ia morrer ali e parecia muito irritada, por isso achei melhor não lhe dizer nada naquele momento… Olhei para Jasper por uns breves momentos e nisto já Anne tinha acabado de dizer os grupos de trabalho e estava quase a tocar para a saída. Assim comecei a arrumar as minhas coisas, agora olhando para Annie observando-a a arrumar os seus pertences. Ao fim de cinco minutos a campainha tocou, assinalando o fim das aulas desse dia.
Saí para fora da sala de aula depois de já quase toda a gente ter saído. Não gostava de me meter no meio da confusão. Assim que saí para fora do edifício inspirei profundamente o ar fresco. Virei-me para Melanie que estava de pé ao meu lado a perguntar:
– O que vamos fazer agora que as aulas acabaram?
Melanie respondeu-me distraidamente:
– Vamos para casa e prepararmo-nos para o baile. E depressa, que o tempo não para e ainda temos muito que fazer.
Assenti a suspirar e entrei para o meu carro, depois de me despedir de toda a gente.
Annie entrou atrás de mim e eu arranquei com o carro indo em direção á saída da escola, vendo Mark a olhar fixamente para mim pelo espelho retrovisor. Suspirei enquanto pensava em Jasper. Isto estava a ficar complicado. Em todo o caso, abanei a cabeça para afastar esses pensamentos que estavam a criar confusão na minha cabeça. Ao fim de dez minutos cheguei a casa e coloquei a mochila no chão, atirando-me para cima da cama.
Annie puxou-me para cima.
– Vamos Mia, que o tempo não pára! Anda.
Suspirei e deixei que Melanie me puxasse, indo de seguida tomar um banho. Fiquei pelo menos meia hora a relaxar nos meus sais de banho. Tinha já Melanie a bater à porta.
– Mia… Mia… MIA! RAIOS MAYA ABRE A PORTA!
Saltei, não esperando a gritaria.
– O que é?! Assustaste-me! — Disse tentando acalmar-me.
– Estás aí dentro há uma hora, é o que é. Despacha-te a sair, eu também preciso de ir tomar banho!
– Ok! — Disse colocando os chinelos e embrulhando-me na minha toalha, abrindo a porta ao mesmo tempo para Annie entrar.
Annie estava com uma cara de poucos amigos e eu engoli em seco, saindo para o meu quarto para me começar a vestir, só me apercebendo agora de que já eram seis da tarde e o baile começava daí a duas horas. Vesti o meu vestido com cuidado para não o estragar. O meu vestido era preto e tinha uma parte com brilhantes prateados. De seguida vesti o meu casaco também preto com todo o cuidado. Calcei os meus sapatos de salto alto (também pretos). De certeza que no baile ia tropeçar nos meus próprios pés, eu era uma autêntica trapalhona a andar a e dançar. Em todo o caso, depois comecei a maquilhar os meus olhos de um cor-de-rosa claro, passando depois um batom num tom de salmão nos meus lábios. Por fim, passei ao mais complicado, o meu cabelo preto muito comprido. Demorei uns minutos a decidir o que ia fazer com ele e depois decidi prendê-lo atrás do cabelo com uma mola prateada. Depois coloquei o meu colar preto e o gancho no cabelo para apanhar a franja atrás da cabeça.
Por fim, fiquei pronta. Peguei na minha mala preta com brilhantes e andei até à porta do quarto de Annie. Annie estava lá dentro e a porta estava fechada, pelo que decidi bater à porta antes de entrar.
Annie abriu a porta e eu fiz a contemplação do look dela. Annie tinha escolhido um vestido azul-escuro que lhe assentava na perfeição. O bolero que ela tinha vestido por cima do vestido era bege claro e era de mangas 3/4. Tinha colocado uns botins numa cor parecida com a do bolero, de salto muito alto, ainda mais que o meu. Perguntava-me como é que ela conseguia andar com aquilo. Tinha um anel com uma pedra branca, que ficava lindamente com o resto das roupas. O cabelo dela estava solto e com caracóis bem definidos. Tinha a boca pintada de um vermelho vivo e tinha colocado rímel e uma maquilhagem de um cor-de-rosa suave com um risco preto extremamente carregado. Tinha um colar com um crucifixo branco. Resumindo Annie parecia deslumbrante e muito mais bonita do que eu, fazendo-me sentir horrível ao lado dela. Ela entendeu o meu olhar e sorriu, dizendo.
– Estás fantástica Mia… — disse e de seguida brincou- Para quem não teve a minha ajuda.
Rindo-se começou a descer as escadas em direção á garagem onde se encontrava o meu carro. Ao passarmos pela sala, vimos os meus pais sentados a comer o que me pareceu alguma comida de take away.
–Meninas, estão tão lindas. – Disse a minha mãe levantando-se do sofá.- A minha bebé está a crescer. Olha para ti, Mia, tás deslumbrante. – Disse-me com algumas lágrimas nos olhos.
Sorri levemente abraçando a minha mãe, a tentar não chorar para não borrar a maquilhagem.
Ao fim de uns momentos a abraçar a minha mãe, saí do abraço devagar a dizer com um sorriso leve:
– Desculpa mãe, mas tenho de ir para a festa. Falaremos mais tarde sim? Adoro-te.
Olhei para Annie que estava ao meu lado e as duas saímos de casa e caminhámos em direção ao carro. Entrei para o lugar do condutor com um suspiro. Melanie já tinha entrado, e sendo assim, arranquei com o carro, conduzindo com cuidado e devagar, uma vez que ainda tínhamos meia hora para chegar à escola.
Suspirei logo a seguir a arrancar, dizendo a Annie:
– Eu vou fazer figura de parva no baile. Pareço uma autêntica deficiente a andar, quanto mais a dançar. Ainda por cima de saltos altos.
– Eu vou estar lá e nada te vai acontecer, ok? – Disse-me com um sorriso gentil e colocando a sua mão sobre a minha, acalmando-me um pouco.
Assenti com um leve sorriso.
–Obrigada Annie.
Nisto já tínhamos chegado à escola e o nosso grupo de amigos estava a aproximar-se do nosso carro…
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