A Luta De Jasper
2 Capítulo 1- Sozinho
Notas iniciais
Capitulo 1- Sozinho
Eu sempre estive sozinho. Sempre estive sozinho ,mesmo depois de ter conhecido e juntado aos Cullen. Os Cullen são um clã de vampiros que não se consideram como um clã, mas sim como uma família, bebendo somente sangue animal, sendo assim “vegetarianos”.
Quando os conheci, eles eram só o Carlisle, a Esme, a Rosalie, o Emmett, o Edward, a Bella e a Renesmee. Só alguns anos após eu me ter juntado a eles é que Carlisle transformou Tom, durante a II Guerra Mundial. Todos tinham sido transformados por Carlisle exceto Bella que tinha sido transformada por Edward, depois de esta ter tido a Nessie enquanto ainda era humana. A Nessie é uma meia-vampira mas possui mais características vampíricas com o passar dos anos. O facto de todos terem sido transformados por Carlisle fazia com que ele fosse considerado o pai daquela família e a Esme, sendo toda maternal e companheira de Carlisle, era vista como a mãe e adora o papel que lhe atribuíram, e claro ele são os que têm uma aparência mais velha entre todos nós.
Eu, Jasper Whitlock, fui transformado por uma vampira mexicana chamada Maria durante a Guerra da Secessão, que se deu entre 1861-1865, e eu era o major mais novo da história militar. Com apenas 17 anos consegui entrar para o exército devido á minha aparência ser a de um jovem mais velho. Quando Maria me encontrou, eu tinha estado a evacuar mulheres, crianças e idosos para um refúgio para se protegerem da guerra que se encontrava próxima da sua pequena cidade. Ela achou-me um bom soldado para comandar o seu exército de vampiros. Naquele momento soube que ia morrer pelas mãos de uma mulher linda e de aparência frágil.
Quando acordei, senti-me diferente em termos físicos, mas sentia-me vazio, mesmo a manter uma relação com Maria e o meu poder de sentir e controlar as emoções dos outros. Fui o seu melhor soldado e comandante, e quando houve notícias de que os Volturi se estavam a dirigir para lá, não pensei duas vezes e abandonei-a.
Depois andei sozinho durante vários anos até os ter encontrado, os Cullen, quero eu dizer… E mesmo com eles a apresentarem tanto a mim como a Tom (que também se encontra sozinho por opção própria) eu não aceitava nenhuma das ofertas delas, pois sabia que elas só estavam interessadas no que o meu corpo lhes podia proporcionar. Tom aproveitava todas, é a sua maneira de lidar com o seu problema que veio para esta vida... Não que quando ainda era humano ele tivesse problemas em arranjá-las, mas tinha sido traído por uma e por isso vingava-se em todas elas.
Saí dos meus devaneios quando ouvi um carro a ser estacionado na garagem. Pelo som do motor podia afirmar que era o Mercedes de Carlisle. Eles deviam estar a chegar de algum lugar a que foram caçar. Eu já sabia o que estava mais ou menos por vir. Esme viria ver como é que eu estava, eu diria-lhe que estava bem e ela não ia ficar muito convencida, mas ia deixar o quarto. Ela sabia que lhe estava grato por ela ser tão maternal comigo, às vezes até demais. Ouvi os seus passos leves com os sapatos de salto quase a não tocarem o chão de soalho flutuante perfeitamente encerado. Bateu à porta ao de leve e abriu-a devagar.
– Oh Jasper — disse ela suavemente, juntando os seus braços gelados para um humano, mas quentes para mim. Eu era mais frio que todos eles. — Como te sentes? – Perguntou-me preocupada, e com o seu toque podia sentir mais intensamente a preocupação dela que fluía até mim em ondas.
– Estou bem Esme. Não é preciso preocupares-te tanto – disse lhe com um sorriso e a enviar-lhe ondas de tranquilidade. Ela sabia perfeitamente o que eu estava a fazer e deu-me uma sapatada no ombro.
– Não uses o teu poder em mim, meu jovem. Sou mais velha do que tu – Disse-me com uma cara séria que aos poucos se tornou um sorriso e depois uma pequena gargalhada que me fez sorrir. Ela caminhou graciosamente até à porta e quando a abriu, eu disse:
–Não, não és Esme. Eu sou mais velho do que tu uns 30 anos — Disse divertido.
– Sim querido, tenta provar isso com uma certidão de nascimento válida em que os humanos não possam suspeitar – disse divertida enquanto fechava a porta e se dirigia até às escadas.
Nenhum deles subiu para vir falar comigo. Passei o resto da noite imerso em pensamentos e a ouvir o que o Emmett chama de música depressiva. Vi que começava a amanhecer e nada de Tom aparecer. Ele tinha ido passar o fim-de-semana com uma vampira chamada Cynthia em New York e já deveria ter voltado. Decidi telefonar para ele, para vermos se ele vinha ou não, e se não viesse o que dizer aos professores que de certeza iam perguntar por ele. Sabia que Edward tinha informado os outros que lhe ia telefonar e ia mantê-los a par do que se ia passando entre mim e Tom durante o telefonema.
Enquanto esperava ele atender, senti o cheiro de Esme, misturado com o da Rosalie juntamente com o cheiro de, pelo que podia dizer, roupas novas. Provavelmente Rosalie tinha convencido Esme a comprar mais uma data de coisas que provavelmente não ia ter a oportunidade de usar antes de “passarem” de moda. Só me voltei a lembrar que estava com o telefone no ouvido, quando ouvi a voz de Tom do outro lado da linha.
Tocou a primeira, tocou a segunda, tocou a terceira e nada dele atender. Quando estava para desligar foi quando ele atendeu. O Tom conseguia prever algumas coisas mas Carlisle e ele ainda estavam a trabalhar nisso, pelo que sabíamos, as visões eram o seu dom.
–Estou?!
– Tom… Onde estás? São quase seis da manhã e nem há sinal de ti. Hoje é o primeiro dia de aulas e não dava jeito tu começares o ano já a faltar…
– És minha mãe por acaso? Pareces a Esme a falar, Jasper. Para tua informação, sim eu vou à escola, mas não passo por casa, vou ter lá diretamente.
– Como queiras – disse, não muito interessado. – Até logo.
Desliguei o telemóvel e fui-me vestir para ir para a escola, preparando-me mentalmente para o que seria mais um dia de pleno inferno… Detestava a escola, estava farto de ter de passar anos na escola quando já sabia aquilo tudo de cor e salteado. Suspirei. Enfim, tinha de ser… Vesti-me rapidamente e sai sorrateiramente do meu quarto não esperando por nenhum dos meus irmãos e pedindo para que ninguém me visse sair.
Desci, na minha velocidade vampírica, indo em direção à garagem, mas quando estava quase a lá a chegar, quando ouvi a voz de Esme a chamar-me e a vir na minha direção.
– Jasper, estás preparado?- perguntou-me. Eu podia tanto ver como sentir que ela estava preocupada comigo. Ainda não estava muito habituado à dieta de animais e como ontem me tinha recusado a ir caçar com ela e os outros, estava mais preocupada que o normal por já não me alimentar há uns dias.
– Mais ou menos, mas não te preocupes, vou caçar hoje à noite e durante o fim-de-semana. Não tenho intenções de ir aquele baile de início de ano mesmo. – Disse-lhe eu.
Olhei ansiosamente para a porta e tenho a certeza de que ela reparou no meu olhar porque me deixou ir.
–Desculpa Esme, tenho de ir para a escola. Eu... Eu falo contigo mais tarde. – Disse com um sorriso de quem pedia desculpa, mesmo esta sendo uma bem esfarrapada Afinal eu já sabia tudo o que ensinavam naquela tortura a que os humanos chamam de escola.
Conduzi até à escola, mais depressa que o normal e o tempo parecia não querer passar. Suspirei. Tinha acabado de chegar e aquilo já parecia o inferno. Respirei fundo e senti um cheiro a framboesas e a margaridas misturado com um de morangos e rosas. Segui-o e deparei-me com uma rapariga loira platinada com cabelos que chegavam à sua cintura e com a franja puxada para o lado. Os seus olhos eram extremamente claros. Esta puxava outra rapariga bastante parecida com ela mas com cabelos negros como a noite e eram igualmente longos. Os seus olhos tinham um pouco mais de cor do que os da rapariga loira sendo de um azul celeste brilhante. No meu ponto de vista a morena que era puxada tinha um certo encanto que eu não conseguia ver na rapariga loira, devido à sua timidez.
– Vamos Maya, anda. — Disse a rapariga loira à morena. Então Maya era o seu nome. O nome lindo para a rapariga mais bonita que eu já tinha visto em toda a minha vida.
Olhei para Maya que me olhou de volta e ficámos a olhar-nos fixamente durante uns segundos. Senti-me bem. A dor emocional que sentia desde que fora transformado desparecera, e tinha-me sentido feliz, ao fim destes anos todos. Sorri-lhe ao de leve e vi-a corar, fazendo-me abrir um pouco mais o meu sorriso. Depois, pelo cheiro identifiquei que era Tom, tocou-me no ombro, tendo-me assustado e eu dei um pequeno salto e virei-me para trás, e por trás de Tom estavam os outros a chegar…
– Ah… Olá Tom- disse pouco interessado, estando mais interessado em poder voltar a olhar para Maya.
– Olá Jasper. Reparei no teu olhar… Rapariga bonita, hã? Não me digas que já estás pronto para sair da seca?! Se queres que te diga, a rapariga loira é muito mais… Sexy…- disse mexendo naquele maldito piercing no lábio. Gostava de saber, e muito, sendo ele um vampiro, como é que o conseguiu fazer. Tinha um olhar malicioso, mas ao mesmo tempo de raiva, e foi isso que senti vindo dele, uma raiva profunda.
– Sim Tom, e quantas vezes já te ouvi dizer isso?... E que se passa contigo? – Disse irritado e terminando a conversa.
Voltei-me para trás para voltar a olhar para Maya, mas ela já estava ao pé do grupo de amigos dela a conversar com a tal rapariga loira. Suspirei. Vi um rapaz alto e bastante moreno a olhar para ela e a sorrir-lhe enquanto conversavam.
Inflamado e com raiva vinda de Tom e que estava a sentir vinda dele, deixei-o a falar sozinho quando se ouviu o sinal de aviso para a entrada da primeira aula, não dando oportunidade nem de Tom ripostar a minha resposta seca nem dos outros chegarem até nós para verem o que se tinha passado nestes escassos minutos.
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