A Lua
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Parece até conto de fadas
Mas assim aconteceu
Éramos dois apaixonados
Julieta e Romeu
Talvez não tivesse sido tão conto de fadas assim, mas ainda não deixava de ter a sua magia. Eu não lembrava com clareza dos detalhes que antecederam aquela situação, – na verdade, todos eles eram como um grande borrão confuso se eu tentasse me lembrar – mas ali estávamos, Shikamaru e eu, no topo de algum prédio de Konoha. Ele me contava uma história sobre ali ser seu lugar especial desde sempre para observar as nuvens.
Eu me perguntava o motivo de ter me levado ali naquele momento então, se era noite, e tudo o que havia sobre nós eram uma lua cheia, e um mar de estrelas. Nenhuma nuvem.
— Você gosta de ver o céu a noite. – o ouvi declarar, como se tivesse lendo meus pensamentos. – Sempre que caminhamos de volta ao hotel, você anda olhando para o céu. Não foi muito difícil entender.
Eu sorri um pouco, levemente envergonhada, e encarei o céu acima de nós.
— Eu costumava pensar que o céu é sempre o mesmo, independente de onde estivéssemos. – voltei a encará-lo, tomando uma boa dose de coragem – Que se você por acaso olhasse para o céu aqui, e eu estivesse olhando o céu lá de Suna, estaríamos vendo a mesma coisa. Como se isso nos aproximasse um pouco.
Naquela noite encantada
Pedi pra lua dos amantes
Que iluminasse essa hora
Pra esse amor eternizar
Ele me encarava um pouco assustado, e eu não o culpava, afinal, eu mesma estranhei esse comportamento piegas vindo de mim. Então seu olhar se voltou para a imensidão acima de nós enquanto se deitava despreocupadamente no banco, levando os braços atrás da cabeça.
— Talvez nos aproxime, de alguma forma. Pense bem, apesar de parecerem tão próximas umas das outras daqui, elas estão há anos-luz de distância. Se compararmos essa distância à nossa... Talvez não seja tão longe assim. É relativo.
Ao tempo que absorvia suas palavras, eu me deitei ao seu lado no banco. Um silêncio ambíguo, entre nós.
— É, tem razão. – ainda deitada, me virei na direção dele, vendo-o fazer o mesmo movimento – Mesmo agora nossa distância é relativa. – ele deu um sorriso de lado, levando os dedos ao meu rosto, acariciando o local ao passo que aproximava seu rosto do meu.
— Eu quero eliminar de vez qualquer distância entre nós, Temari.
Mas num passe de mágica
Você desapareceu
Um eclipse maldito
O encanto se perdeu
Parecia que eu tinha levado uma pancada na cabeça. De repente eu acordei, e nada daquilo havia acontecido de verdade. Estava no campo de batalha no meio da guerra. Inúmeros corpos ao redor, o cheiro nauseante da quantidade se sangue que havia sido derramado, e havia ainda a vertigem de ter saído de um genjutsu muito forte. Meu corpo tremia, e eu não conseguia controlar os impulsos nervosos. Nada daquilo acontecera de verdade.
E o meu coração partido
Foi sofrendo e foi sofrendo
Tentando te encontrar
Na madrugada
Fria madrugada!
Um vazio tomou conta do meu corpo, e o pânico veio em seguida. Não sabia onde, ou como estavam meus irmãos; assim como não sabia sobre ele.
Então reuní todas as forças que pude, mesmo que ainda estivesse um pouco atordoada, e levantei, andando por entre mais algumas pessoas que acabavam de acordar daquele pesadelo. Precisava saber onde estavam.
A lua me traiu!
Acreditei que era pra valer
Um turbilhão de pensamentos passavam pelo meu corpo ao que vagava pelo campo de batalha. Maldita guerra, maldita lua, maldito genjutsu! Mas é claro que nada daquilo era real! Claro que meus irmãos não precisariam tão avidamente da minha opinião pra tudo; claro que ele não me levaria à um encontro, tudo é problemático demais pra si; e mesmo eu... Aquela não era eu.
A lua me traiu!
De repente eu não via um palmo à frente dos olhos, porque uma das pessoas que eu procurava, me segurou pelo braço, impedindo que prosseguisse com minhas buscas temporariamente antes que eu o visse. Ele talvez não soubesse, mas sentir aquele toque me trouxe um pouco de conforto em meio à realidade.
— Shikamaru? – ao olhar nos olhos dele naquele momento eu percebi que, talvez, ele estivesse desesperadamente tentando se agarrar em algo, buscando o mesmo alívio na realidade após ser tão vítima quanto todos de uma técnica suja daquelas.
Então ele me abraçou.
E permanecemos daquela forma por um tempo que, por ora, era o suficiente.
Então os companheiros de time dele foram aparecendo; eu encontrei meus irmãos; e pudemos respirar finalmente, ao fim de todo aquele pesadelo da guerra. Embora a realidade fosse cruel, com tantas mortes, ainda sim, ficaríamos bem.
♥
Fiquei sozinha
E louca por você
Meses se passaram. Cada um de nós em sua vila, lidando com seus problemas pós-guerra. Apesar de ainda me lembrar do que vivi enquanto estive dentro do Tsukuyomi infinito, eu resolvi tentar deixar pra lá. Eu tinha prioridades, e romance nunca fora uma delas exatamente.
Ah Ah! Ah Ah!
Não consigo te esquecer
Queria esquecer, porém, as noites em que aquele mesmo sonho se repetia tornavam essa tarefa impossível.
Ah Ah! Ah Ah!
Apaixonada por você
Ainda que romance nunca tenha sido uma prioridade, ou que eu nunca tenha imaginado um futuro romântico antes, aquela maldita lua fez eu me dar conta de que aquilo existia sim no meu subconsciente, e eu teria que admitir que eu realmente estava apaixonada.
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