A Love That Has Withstood Time
5 Vida Simples.
Alguns meses se passaram, desde o dia em que fui comprar feno fresco. Algumas coisas também aconteceram, e conseguiam me tirar da solidão, como o dia em que minha filha veio me visitar, depois de muito tempo, e levou-me para sair, com ela e Kurt (finalmente me recordei o nome do marido dela). Visitamos um bar, que Alma Jr. e Kurt eram acostumados a frequentar. No começo, admito, não fiquei muito a vontade, mas depois de algumas garrafas de cerveja, passei a interagir mais, com ambos.
Depois de, uma certa forma, ter me divertido, voltei para minha vidinha e para aquela velha solidão de sempre. Eu tinha que me acostumar com isso, afinal, seria assim para sempre. Eu já não tinha mais ninguém, e nem teria, dali pra frente. Quem iria querer um cowboy como eu, além do peão metido a merda, Jack Twist?
Lembrei-me de quando recusei o convite que ele me fizera, para ir tocar o rancho de seus pais, ao seu lado.
- Porque não aceitastes, Ennis? — Disse, para mim mesmo, enquanto deixava um leve murro sobre a tábua quadrada.
Não estava sendo fácil, pra mim, viver daquela forma. Confessando-me, agora, a idéia de morte já havia passado inúmeras vezes, pela minha cabeça, mas a falta de coragem me impediu de cometer tais atos.
Fui para a cama e me deitei, afim de dormir, e esquecer todos os meus problemas, mas a necessidade de chorar tomava conta de mim. Me levantei, então, e abri o armário. Retirei a caixa branca que continha todos os cartões que eu recebera, de Jack, e voltei para a cama, sentando-me ali, encostado na parede. Eu lia, cada cartão, recordando-me das vezes que ele viera me buscar, para seguirmos à Brokeback. Achei, enfim, o primeiro cartão que ele me mandara, e sorri, lembrando-me da resposta que eu o enviara.
" Pode apostar."
Depois que li todos os cartões, e guardei a caixa, sentei-me na cama, deixando a porta do armário aberta. Permaneci ali, sentado, fitando as blusas e, consequentemente, as manchas de sangue em ambas as mangas. Consegui, finalmente, derramar as lágrimas que eu tanto precisava, então, me deitei, afundando o rosto no travesseiro, molhando-o com cada lágrima que caía.
Peguei no sono, e só acordei no dia seguinte, na faixa de 07:37 da manhã. Como todos os dias, pratiquei minhas atividades matinais, e segui, sem rumo, pela cidade. Decidi (não me perguntem de onde veio essa idéia) ir no rodeio que estava sendo divulgado pelos inúmeros cartazes. Aconteceria naquele dia mesmo, só que à noite.
9:00 da noite eu estava lá. Paguei minha entrada e procurei um local bom, para ver os peões caindo. Não era uma idéia tão boa, ir num rodeio. Aquilo iriam me trazer recordações, mas eu ignorei o fato completamente. Um, dois, três, quatro, cinco... Perdi as contas de quantos peões competiram naquilo. Nenhum deles ficou oito segundos (ou mais) em cima do animal. Todos ficaram de sete segundos para baixo. Claro que não deixei de sorrir, com a situação. Passou pela minha cabeça que Jack teria ganhado de todos eles. Ele sempre ganhava.
Aconteceu, então, uma coisa que eu já mais esperei. Do outro lado da arena estava Laureen Twist, viúva de Jack. Não me conti, e segui até ela, cumprimentando-a, enquanto pousava meu chapéu manjado sobre o peito.
- Sra. Twist.
Ela se virou, assustada, e me fitou, sem saber quem eu era.
- Desculpe... — Ela pausou, como se esperasse que eu dissesse o meu nome. Assim fiz, agradando-a, ao meu ponto de vista.
- Ennis del Mar.
- Ah, olá, muito prazer, Ennis. — Ela estendeu a mão, apertando a minha, com um sorriso meio envergonhado no rosto. — Não sabia que gostava de rodeios, também. Jack falava que trabalhava num rancho.
- É, eu não sou muito chegado. — Respondi, recolocando o chapéu em minha cabeça. — Mas eu precisava vir em um. Ahn... dizem que anima as pessoas.
Minha desculpa fora completamente esfarrapada, mas nem liguei. Percebi que ela havia acreditado, por ter esboçado um sorriso largo.
- É verdade, anima bastante. — Ela respondeu. — Bom, eu tenho que ir agora, Ennis. Foi um prazer em conhecê-lo.
- O prazer foi meu. — Curvei-me, sutilmente, e me virei, indo em direção ao bar que havia atrás da arena. Bebi algumas cervejas, pelo fato de elas me fazerem falar mais que o normal. Não demorei muito, ali. Na faixa de umas três horas depois, eu voltei para casa.
Eu já havia comido, e já estava preparado para dormir. Resolvi, depois de muitos anos, fazer uma pequena e simples oração. E encerrei-a, com algo que eu não costumava dizer à ninguém.
- Queria que voltasse. Mas isso não é possível. Então peço que descanse em paz, Jack... — Fiz uma pausa e suspirei, voltando a falar, logo em seguida. — Eu te amo, Jack. E prometo te amar para sempre.
Continua...
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