A Love That Has Withstood Time
2 A Montanha.
Notas iniciais
Me levantei cedo. O céu não estava completamente claro, ainda e, observando-o bem, parecia ser, mais ou menos, 5:40 da manhã. Aproveitei o fato de não estar dormindo de pijama e sentei-me, na entrada da barraca, para calçar minhas botas. Fui até a fogueira e reacendi a mesma, para esquentar um pouco de café, que eu havia levado numa garrafa e , assim, tomar, enquanto comia um pedaço e pão. Quando terminei, me levantei, e segui até o cavalo, que estava amarrado no tronco de árvore, desde quando eu cheguei em Brokeback. Desamarrei o animal e montei no mesmo, saindo a pequenos e lentos galopes, pela extensão da montanha.
Eu me encontrava concentrado. Meu olho praticamente colado na mira do rifle, e Jack, como nas últimas duas semanas, estava ao meu lado, sem esconder a tensão que sentia. Apertei o gatilho, e notei que Jack dera um leve pulo para trás, por conta do barulho causado pelo tiro. O alce caiu, morto, no gramado, e Jack me deu leves empurrões no ombro, entre gritos e gargalhadas, comemorando o fato de que iríamos comer carne, depois de quatro semanas aguentando feijão e sopa.
Era noite, e Jack comia as fatias de carne assadas, que conseguimos com o alce que caçamos durante a tarde. Ele sorria, e eu passei a falar bem mais, depois de tudo ter acontecido.
– Acho que vou me deitar, agora. — Ele falou, enquanto se levantava.
– Te vejo amanhã, então, Jack Twist. — Me despedi, enquanto montava no cavalo e ia em direção ao topo da montanha, indo ver as ovelhas.
– Boa noite, Ennis. — Foram as últimas palavras, dele, que eu ouvi...
... até que eu abri os olhos. Percebi que estavaparado, em cima do cavalo, diante do riacho que, me lembrando bem, nós costumávamos pegar água, para as atividades diárias.
Uma lágrima escapara de meu olho, mas livrei-me dela, passando o dedo sobre o local. Deixei um sorriso bobo escapar, e voltei a andar pela região verde, ainda em lentos galopes. Brokeback não havia mudado muito, em relação aos aspectos físicos. A grama estava mais verde, e haviam mais flores, em algumas árvores.
Parei diante da ponte, onde eu costumava pegar os mantimentos, quando trabalhei na montanha, pastorando ovelhas, em 1963. Minhas lembranças desse tempo nunca serão ruins. Sinceramente? Acho que são as melhores de toda a minha vida.
Em relação às mudanças de Brokeback, como eu disse, os aspectos físicos não mudaram quase nada. Porém, os pscicológicos estavam acabando comigo. Era a primeira vez que eu estava sozinho em Brokeback, e o que mais me matava, por dentro, era saber que, dali por diante, se eu voltasse a visitar a montanha, seria sozinho. Para sempre sozinho.
– E só o que temos, agora, é Brokeback Mountain! Tudo é construído sobre isso, Ennis! Eu não sou você! Não posso ficar transando nas montanhas, uma ou duas vezes por ano. Está demais, pra mim, Ennis. Eu queria saber como deixar você...
As palavras de Jack ecoaram por minha cabeça, e ali ficou por, mais ou menos, 3 horas. Eu retornei à barraca, e amarrei o cavalo, novamente, no tronco de árvore. Me sentei, diante da fogueira apagada, e sussurrei, logo depois que dei um bom gole no Whisky.
– Assim... como você me deixou.
Continua...
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