Notas iniciais
"The Harsh Truth (piano + strings ver.) - Battle vs. Shion & Kevin", de Xenosaga, é o ost mais a cara da Portina e do Enkicladus que tenho. Para quem estiver interessado, procure no youtube por ela e leia enquanto a ouve~

\"Do you know how cruel you are? Do you know how it feels to watch disgust and revilement contort your features? Did you really want to see how hideous I\'ve become? Did you really think you could love a monster like me?\"

(Sabes o quão cruel és? Sabes como é que me sinto ao ver desgosto e insulto contorcer as tuas feições? Querias mesmo ver o quão horrível eu me tornei? Achavas mesmo que poderias amar um monstro como eu?)



Sempre fui uma criança feliz. Todos me elogiavam e me tratavam bem. Qual era a criança que não gostava disso?
Diziam que tinha a benção de Vénus por causa da minha beleza. Diziam que tinha a benção de Atenas porque era das crianças mais inteligentes.

Mas nada disso era comparado a ela.

Apesar de ter uma boa vida e de gostar de ser elogiado, todas as palavras dos outros me pareciam pequenas em comparação às dela.

Portina.

Ainda me recordava do dia em que reunira a minha coragem para falar com ela. Sempre a observara de longe. Tão gentil, tão amável, tão suave, tão inteligente, tão inocente. Tão...Portina.
Com o passar do tempo, acabámos por nos tornar cada vez mais próximos. Tão próximos ao ponto de nos tornarmos amantes. Ao ponto de pensarmos em casar, apesar de ainda sermos adolescentes.

Até eu ter mudado.

Quando me tornei um adulto, deixei de ser humano. Passei a ser um monstro horrível.
Um dragão azul, de três cabeças...em que duas eram monstruosas, sem raciocínio. Só sabiam uivar, ficar irritadas e tentar morder todos.
Somente uma mantinha aquilo que eu era.

Aquilo que eu sentia.

Antes que Portina me pudesse encontrar neste estado lastimável, fui para o sítio mais profundo do oceano, para que ninguém me pudesse encontrar.

Ah, Portina, se soubesses o quanto eu gostaria de ter ficado contigo ao invés de fugir...

Era provável que ela me fosse rejeitar. Era provável que ela não soubesse quem eu era. Era provável que ela fosse fugir com medo.

Mas isso não me impediu de ir ter com ela.

Os espíritos do oceano riam-se porque uma humana estava no penhasco, ao pé do Remoinho. Ela tencionava saltar para o centro dele, para encontrar o seu amor verdadeiro.
Não liguei muito, até ter ouvido que os seus olhos eram verde esmeralda e que os seus cabelos castanhos estavam presos num rabo-de-cavalo.
Nadei o mais rápido que pude e só parei quando a encontrei.

O olhar dela já não era aquele olhar apaixonado de antes.

Ela colocou a sua mão direita sobre o lábio enquanto me observava com os olhos arregalados.

Ela estava assustada.

O seu corpo tremia, mas ela não se movia. Continuava ali parada, à espera que eu fizesse algo.
A única coisa que consegui fazer, foi gritar em desespero.
As duas cabeças monstruosas do meu corpo começaram a ficar atiçadas, olhando ameaçadoramente para Portina.

- Parem! Ela não é alguém em que vocês possam tocar!

Ao ouvirem a minha voz, as duas cabeças recuaram calmamente, ainda olhando ameaçadoramente para Portina.
Voltei a minha atenção para ela novamente e pude ver que ela já não tremia e que a sua expressão estava mais calma.

Mais feliz.

- En-Enkicladus? És mesmo tu...?

Ela ainda me amava, apesar de eu ter este aspecto medonho.

Eu não me importava mais em ser um monstro. Eu não me importava mais com as outras cabeças de dragão que continuamente tentavam atacar pessoas inocentes sem eu querer.
Não me importava com mais nada.

Só com ela.

Não me poderia casar com ela como planeámos. Ninguém casaria um monstro com quem quer que fosse.
Eu sabia que ela sempre quisera formar uma família. Não era uma opção também...
Mas não haveria problema. Enquanto estivessemos juntos, não haveria problema.
Não me importava com o fio de destino terrível que Clotho havia tecido para mim, enquanto a tivesse comigo.

Até aquele idiota se meter...

Scar era um cavaleiro que, ao passar por lá, deve ter achado que eu iria atacar Portina, como qualquer um acharia...
A última coisa que me lembro de ver foi uma lança.

No coração de Portina.

Só reparei que uma lança voava na minha direcção quando Portina se colocou à frente desta e me protegeu.

- Enki...fico feliz...por te ter podido contar...o que sentia...uma última vez...

Voltei para o profundo oceano, culpando-me pelo que aconteceu.
Se eu me tivesse tornado um autêntico monstro, eu não sentiria esta dor.
Se eu tivesse falado com Portina na altura que me transformara neste monstro ao invés de me esconder, ela não viria até aqui e nada disto aconteceria.
Ela ainda estaria feliz.
Eu não me posso tornar um verdadeiro monstro nem posso escolher a morte para me livrar desta dor.

Então este é o meu destino amaldiçoado.

Este fio de destino nunca irá acabar...

\"I can\'t love a monster, but if you are the Enkicladus that I loved before, you\'re no monster to me. Even if your body has been cursed, if I can prove that my feelings haven\'t changed, can you prove to me the same?\"

(Eu não posso amar um monstro, mas se tu és o Enkicladus que eu amei antes, tu não és um monstro para mim. Mesmo que o teu corpo tenha sido amaldiçoado, se eu conseguir provar que os meus sentimentos não mudaram, consegues provar-me o mesmo?)

Notas finais
Ah~ eu tão tenho que parar de fazer death fics/coisas tristes. Não tarda fico conhecida como a emo-depressiva master do nyah. *pedrada*
Dependendo das opiniões dos leitores, esta fic tornar-se-à uma twoshot ou não, sendo o segundo capítulo a continuação desta história que envolve Nefertiti, a reencarnação de Portina.

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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!