A Loucura aos Sussurros. (nome ruim fanfic não)
2 Inicio ou fim?
Notas iniciais
Ao despertar, a primeira mudança que Mara observou em seu quarto foi a luz do sol. Ela entrava radiante pelas janelas escancaradas. Fazia tanto tempo dês de a última vez que lhe tocara a pele que agora ao fazê-lo parecia queimar-lhe a tez pálida e doente, infelizmente, assim que a doença manifestou-se lhe fora negado o privilegio de ver o sol e o céu, porque haviam de mudar de ideia justo agora, em seu leito de morte? Pois, bem sabia ela,estava irremediavelmente morrendo. Teriam eles finalmente desistido de cura-la? Olhou então para o lado, pronta para perguntar à serva se seus temores haviam sido concretizados, mas ao virar-se não encontrou uma serva.
Sentado no canto do quarto um senhor a encarava com feições deveras curiosas. Um longo manto negro repousava por sobre seus ombros, completamente manchado por substancias duvidosas, contrastando e combinando com sua emaranhada barba branca. Sua pele envelhecida estava repleta de pequenas lembranças adquiridas em batalhas passadas. E quantas batalhas não deveriam ter vistos aqueles olhos de aparência tão sabia. Teriam eles o conhecimento de sua cura?Surpresa por demais, apenas esperou que o senhor falasse, temia dizer asneiras para tão nobre homem.
–Bom dia, Mara.- disse o mago, não muito tempo depois.
–Bom dia, senhor. Desculpe-me o estado deplorável mas mesmo em tal situação continua a ser um prazer conhecer-te.Posso perguntar-te como devo chamar-te?-desandou a tagarelar a ansiosa Maracujazinho.Como a curiosidade espertava-a!Seria este apenas mais um dos muitíssimos médicos?
–Pode,porem por hora deixar-te-ei esta incógnita: Se um homem possui vários nomes, como saberá qual é verdadeiro e qual é uma farsa? respondeu-lhe o misterioso Homem-Sem-Nome.
–Não saberei, se permitires criarei outro a mais.-E logo a astuta frutinha ouviu a sonora gargalhada do Homem-Sem-Nome, e aquela foi a primeira que seus ouvidos tiveram o prazer de capturar em muito tempo. E tal som a renovou como nenhum remédio foi capaz.
–E qual será este meu novo nome pequenina?- Aquela garotinha conseguiu acender-lhe a curiosidade com a habilidade de uma verdadeira bruxa.
–Será Homem-Sem-Nome, pois se tem tantos então é sinal de que nenhum pode realmente defini-lo por inteiro, tornando melhor não defini-lo.-Definiu Maracujazinho. E novamente a sonora gargalhada fez-se ouvir.
–Agora me conte Mara, por que todos parecem chamar-te de maracujá?-perguntou curioso o velho mago.
–É que meu nome é Mara, cuja coração é bom,e como costumo ser bastante azeda com a nobreza, o apelido pegou.-respondeu já sentada em sua cama.
–Não o é com todos?-Quis saber o senhor.
–Somente com aqueles que o merecem.-E neste instante a tontura retornou e pegou-a de surpresa. Obrigando-a a deitar-se novamente, e lembrando assim o mago do real motivo de sua visita.
–Hora Mara, vamos logo ao meu objetivo. O mal que a corroí não é de verdade um doença, e sim a maldição que assola a terra. A peste costuma destruir a alma dos homens para então alimentar-se de seus corpos para que possa assim disseminar o caos em todo o mundo povoado. Porém existe uma lenda que se espalha entre os magos tal qual a grama pela terra, a mesma que me enchia de ?Escárnio, pois dizia que a maldição destruiria muito lentamente a essência daquele (ou aquela, em seu caso) que possuísse a alma mais forte e bondosa dentre os seus para que lhes servisse de exemplo, pois não importa o quão maravilhoso você seja, ainda será corruptível, e não existe deus que o proteja disso. Devo-lhe um pedido de desculpas, pois tal maldição deu-se em meio a uma guerra entre os meus, a qual eu estava imensamente envolvido por sinal, e a mesma foi uma demonstração de poder, um desafio, e agora você também esta no meio, pois a enfrentou, e apenas você pode findar esta guerra, se sobreviver, aquele que a lançou terá perdido, mas se desistires, ele vencera. Existe apenas um meio de enfrentar uma maldição de tamanha magnitude, apenas uma maldição poderá vencer a outra. No seu caso, para uma de morte, uma eterna. Se aceitares,partirei sua alma e por seis horas seus instintos dominaram e seu corpo tomara a forma de um animal, conforme o que estiver mais aflorado naquele momento. Poderás escolher o momento que desejar para transformar-se,porem se nas ultima seis horas ainda não o tiver feito, ela ocorrera, se seus instintos dominarem seu pensamento racional a metamorfose se fará presente. É uma escolha sua, sinta-se livre para pensar e amanhã voltarei para fazer o que decidires. Desculpe-me esta torrente de informações, mas não posso dar-me o luxo de gastar mais de tua tão preciosa energia. Agora descanse Maracujazinho, vou-me indo,amanha retorno.-Despejou o Homem-Sem-Nome.
–Adeus então. Espero-te amanha com tal resposta.-Despediu-se cansada a garotinha.
Ela aceitaria realmente ser amaldiçoada por toda a eternidade e arriscar descobrir se o beijo do amor verdadeiro era a resposta para todas as coisas?
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Ah! Como ele adorava a quantidade de atenção que seu pai o dispensava. Afinal era seu aniversario de dezesseis anos e ele estava viajando para ver aquela princesa, ela estava mais para projeto de vadia mesmo. Como ela ousava roubar a atenção de seu pai? Ele nem mesmo lembrara-se que seu unigênito estava fazendo dezesseis anos! Era Mara aqui, Mara acolá. Ela era apenas uma garota! E nem deveria ser tão maravilhosa assim! Na imaginação do garoto ele a via com um nariz torto, torso tão reto quanto as paredes de sua casa, a pele da cor da bosta e o rosto tomado de espinhos. Suas roupas eram rasgadas de tanto cair e ela cheirava a esterco. Imaginava-a tão horrenda que nem no auge do disfarce lembraria uma garota. Provavelmente teria modos que encheria de repugnância o mais reles servo.
Como seu pai poderia achar que uma garota poderia findar a grande guerra? UMA GAROTA! E pior! Como ele poderia ajudar o lado inimigo ao que servia? Ele era um tolo isto é o que era! TROCA-LO!
Mas se ele a trouxesse para casa e a tornasse sua aprendiz... Argh! Ele teria de pensar em vários planos para expulsá-la! Mas realmente, como seu pai pode deixa-lo em seu aniversario apenas com sua mãe louca e o gato preto e escaldado?Ele realmente precisava de algo para acalmar-se.
Dirigiu-se aos estábulos, montou seu cavalo preferido, um garanhão da cor da noite que ganhara em seu décimo aniversário, e correu para longe daquela casa de madeira quase desmoronando, com um caldeirão asqueroso sobre uma fogueira logo na entrada, com as paredes tomadas por coisinhas verdes das quais não queria recordar nem mesmo o nome, onde sua mãe morara por todos os anos dês de que a loucura a tomou e partiu a galope para a casa de seu pai. Aquele projeto de cortesã não duraria muito em suas mãos.
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