A Lot Like Love
4 CRÔNICO
Notas iniciais
Passei dois trancada no quarto, sai só para ir ao colégio e por incrível que pareça, não cruzei com a Emma em nenhum desses dois dias, talvez por ela ser covarde e ter faltado aula. Loira estúpida.
Estava terminando de me arrumar para viajar com a Cora quando a campainha tocou, não me dei ao trabalho de descer para saber do que se tratava e continuei me arrumando. Esses cinco dias longe de Storybrooke, longe de Emma, no caso, vão me fazer bem. Preciso pensar, respirar novos ares e tentar não lembrar dela, provavelmente vai ser uma tarefa difícil, mas não custa tentar. Peguei minha mala e a bolsa de mão para esperar pela minha mãe na sala, mas como sempre, ela já estava lá embaixo me esperando. Será que algum dia eu conseguiria estar pronta primeiro que a minha mãe? Sorri e balancei a cabeça negativamente.
– Quem era, mamãe? – Perguntei displicentemente.
– Era pra você. Uma menina loira muito simpática veio até aqui te entregar essa carta, disse que se chamava Emma. A tão famosa Emma. – Sorriu verdadeiramente. Sentei no sofá quando a carta pousou em minhas mãos, passei o polegar por cima daquela caligrafia horrorosa, mas ao mesmo tempo tão linda.
– Vamos, Gina. Você lê a carta no carro. – Assenti e levantei, fui caminhando em passos lentos até o carro, estava tão aérea que nem me dei o trabalho de prender o cinto de segurança, Sidney – nosso mordomo – o afivelou para mim, me mantendo em segurança.
A carta não estava selada, o que facilitou meu trabalho na hora de abrir. Continuei alisando a carta, como se aquele pedaço de papel fosse o rosto da Emma. Desdobrei o papel e comecei a ler.
“Te amo, e cabe muito nisso, eu inteira. Que nunca seja vago pra você, ou insuficiente. Eu realmente não sei em qual palavra, frase, enfiar o muito que sinto de forma compreensível pra você. Porque, eu, desconheço (desconhecia, aliás), isso tudo. Eu gosto de você. Assim. Só. Até o seu silêncio, de certa forma, me basta. Às vezes acho pouco, talvez, por ser bastante...e, justamente, por eu não saber o que cabe no ''bastante'', me pareça pouco. Mas é o contrário. Talvez, você seja, realmente, o amor da minha vida, a perda irreparável que reside no escuro do medo de amar você. Tudo o que me dispõe de si é um ponto de interrogação impresso em folha branca. O que sinto é crônico. Queria mergulhar em você, dentro de você, recolher todo porém, vírgula, dúvida...todos os parênteses que abrigam seu medo. Disponho o ombro, corpo, alma, para ancorar qualquer milímetro de incerteza. Você lapidou o que há de mais bonito em mim. O meu itinerário é amar, o tanto que não cabe no peito. E se distante, te falta ar, eu respiro você. Inteira.”
Emma Swan – 7 de Novembro.
Uma lágrima silenciosa escorreu pelo meu rosto e teve como destino final o pedaço de papel que eu segurava em minhas mãos. Guardei a carta e cai num pranto compulsivo me sentindo a pior pessoa do mundo. Emma me amava e eu aqui duvidando dela, me irritei por uma coisa tão boba, fiquei chateada por nada. Céus, ela terminou um namoro de dois anos por mim e eu só conseguia pensar no fato dela ter mentido. Como eu sou estúpida!
– Gina, você está me deixando preocupada. – Minha mãe falou com um tom de preocupação que ela só usava em momentos “especiais”.
– Eu a amo, mamãe. – Não sabia que era humanamente possível, mas chorei mais ainda depois de falar que a amava em voz alta. Meus olhos faiscavam, pareciam ter entrado em atrito com o ar do local. Minha fala foi sobrecarregada de sentimentos e pesares, minha última frase, meu último grito, parece ter vindo como uma redenção para mim mesma. – Sou apaixonada pela Emma. – Meu rosto inchara levemente. Minha alma chorava. Chorava desespero. Cobri o rosto com as duas mãos e chorei copiosamente, tudo em mim queimava. Meus olhos ardiam, meu peito parecia pegar fogo. O carro parou no acostamento e minha mãe me abraçou forte, agarrei sua cintura e me permiti chorar ainda mais.
Nada se tornou mais rotineiro do que pensar em Emma, e no meio desses pensamentos, algo tira meu sono. Não estava nos meus planos me apaixonar, nem lembrar do verde daqueles olhos toda vez que fecho os meus. O que há nela que me deixa tão vidrada?
Durante os cinco dias que fiquei Boston tentei ao máximo me divertir e não pensar nela, o que se mostrou eficiente até o momento em que eu deitava a cabeça no travesseiro e discava seu número. Nem chamava, caia direto na caixa postal. Toda noite foi esse martírio, eu ligava e não conseguia falar com ela, mas durante o dia as coisas eram diferentes. Cora me levou para conhecer os melhores lugares, compramos infinitas coisas, inclusive uma jaqueta de couro na cor vermelha que eu iria dar de presente para a Emma, lembro que ela comentou que queria uma jaqueta diferente. Até meu inconsciente me traia, fazendo com que eu pensasse nela.
Retornei para Storybrooke e ainda não tive a oportunidade de conversar com a minha loira, pedir desculpas por ter sido estúpida com ela e quem sabe, ter uma tarde imensamente agradável ao lado dela.
– Regina, você pode vir aqui, por favor? – Robin, nosso professor de matemática, me chamou, fazendo com que eu despertasse dos meus devaneios. Puxei uma carteira qualquer e sentei ao seu lado. Robin é um inglês (tenho uma queda por sotaques) extremamente charmoso, todo mundo sabe que o professor Locksley tem um grande apreço por mim, embora nunca tenha dito nada que me fizesse comprovar tal coisa. Confesso que antes de me apaixonar por Emma, via Robin com outros olhos. Não, eu não gosto de rapazes. Mas o Robin tinha, ou tem, alguma coisa que despertava meu interesse, ainda não consigo dizer com precisão se a atração que eu sentia por ele foi totalmente anulada.
Estávamos conversando animadamente quando Emma me mandou uma mensagem de texto com três letras “S.O.S”. Isso significa que deveremos nos encontrar no nosso lugar especial, ou seja, o banheiro. Fiquei entretida com Robin e quando me dei conta, havia passado dez minutos desde que Emma mandou mensagem. Pedi licença e sai correndo da sala.
Entrei no banheiro e a primeira coisa que fiz foi sorrir, Emma estava sentada em cima da pia balançando as pernas freneticamente, sua cabeça estava baixa e o cabelo todo bagunçado.
– Emms... – Sussurrei enquanto me aproximava. Ela desceu em um salto e agarrou minha cintura, me abraçando com força, demonstrando toda a saudade que sentia em um único toque.
– Você demorou, Regi. Estava indo na sua sala te buscar. – Ela colocou meu cabelo atrás das minhas orelhas e beijou meu rosto inteiro.
– Desculpa, estava entretida com o Robin e perdi a noção do tempo. – Sorri de lado e percebi que Emma fechou a cara e cruzou os braços, típica atitude de quem está com raiva.
– Entretida com o Robin? Sério? Você sabe que aquele merda é afim de você e ainda dá trela pra ele. Que merda, Regina. Que porra de intimidade é essa que vocês tem? – Seus olhos ganharam uma tonalidade mais escura e seu rosto enrubesceu um pouco, sua voz estava alterada, ela praticamente gritava. Respirei fundo e selei nossos lábios.
– Eu te amo, ok? E só tenho olhos pra você. – Abracei seu corpo pela cintura e deitei a cabeça em seu ombro, aos poucos ela foi relaxando e me abraçou de volta.
– Tenho medo de perder, Regi. – Emma é tão bobinha, como se existisse essa possibilidade.
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