A Loba e o caçador

66 Capítulo 65 – A Última Esperança


Capítulo 37 – A Última Esperança


Ninguém conseguiu dizer uma palavra.


O vento voltou a soprar pelo vale.


Desta vez, carregando o perfume das flores que ainda resistiam à escuridão.


O Abismo observava Renesmee.


Não havia ódio em sua postura.


Havia medo.


Um medo antigo.


Profundo.


Aylin percebeu antes de todos.


— Ele nunca temeu um exército.


Nunca temeu os Guardiões.


Nem os vampiros.


Nem os lobos.


Ela olhou para Renesmee.


— Mas teme uma criança que ainda nem nasceu.


O Abismo ergueu lentamente a mão.


— Ela jamais verá esse nascimento.


Num único movimento, dezenas de lanças feitas de pura escuridão surgiram no céu.


— Protejam Renesmee! — gritou Sam.


Os lobos transformaram-se ao mesmo tempo.


Jacob ficou diante dela.


Seth e Leah assumiram as laterais.


Edward e Bella fecharam a retaguarda.


Gregor, Malach e Kael ergueram uma barreira de luz diante do grupo.


As lanças despencaram.


O impacto sacudiu o vale.


A barreira dourada rachou.


Outra chuva de lanças veio logo em seguida.


Desta vez, algumas atravessaram a proteção.


Jacob destruiu duas com a espada.


Leah desviou de outra por centímetros.


Uma terceira seguiu diretamente para Renesmee.


Bella tentou alcançá-la.


Era tarde demais.


No instante em que a lança tocou a luz prateada que envolvia o ventre de Renesmee...


Ela simplesmente desapareceu.


Como neve sob o sol.


O vale inteiro brilhou.


Todos ficaram imóveis.


Até o Abismo.


A luz prateada expandiu-se por alguns metros.


Era delicada.


Quase invisível.


Mas carregava uma paz que nenhum deles havia sentido antes.


Edward levou a mão à cabeça.


Os pensamentos voltaram.


Não apenas os dos presentes.


Milhares.


Milhões.


E, no centro de tudo, uma voz pequena.


Suave.


"Eu não permitirei."


Edward arregalou os olhos.


— Foi o bebê...


Renesmee respirava ofegante.


— Eu senti...


Ele me protegeu.


Jacob ajoelhou-se diante dela.


— Você está bem?


Ela sorriu.


— Ele está.


E eu também.


O Abismo recuou um passo.


Depois outro.


Sua voz saiu carregada de fúria.


— Isso é impossível!


Aylin sorriu pela primeira vez desde o início da batalha.


— Não.


Isso é vida.


Ela voltou-se para todos.


— Agora entendem por que a profecia permaneceu incompleta?


Kael franziu a testa.


— Incompleta?


— Os antigos esconderam parte dela.


Tinham medo de que o Abismo a descobrisse.


Ela fechou os olhos, como se recitasse palavras gravadas na própria alma.


"Quando o eclipse unir o sangue da luz ao coração do caçador...


nascerá aquele que não herdará a guerra...


mas encerrará seu ciclo."


Renesmee segurou a mão de Jacob.


O bebê moveu-se novamente.


Desta vez, ela sorriu.


— Ele está chutando.


Jacob colocou a mão sobre seu ventre.


Sentiu um pequeno movimento.


Seus olhos encheram-se de lágrimas.


— Oi, pequeno...


Todos sorriram.


Até Leah desviou o rosto para esconder a emoção.


Mas aquele breve instante de paz durou pouco.


O céu escureceu completamente.


As nuvens começaram a girar em velocidade assustadora.


Um trovão rasgou o horizonte.


A esfera que antes continha o Abismo explodiu em milhares de fragmentos.


Esses fragmentos não caíram.


Subiram.


Misturaram-se às nuvens.


Aylin empalideceu.


— Não...


Edward olhou para o céu.


— O que ele está fazendo?


Ela respondeu quase sem voz.


— Ele desistiu de possuir um corpo.


Agora vai possuir...


o mundo.


As nuvens começaram a se espalhar em todas as direções.


Muito além do vale.


Muito além das montanhas.


Bella acompanhou horrorizada.


— Ele vai alcançar as cidades...


— As pessoas.


— As crianças.


O Abismo voltou a falar.


Sua voz agora vinha do céu inteiro.


— Se não posso impedir o nascimento...


farei com que a criança nasça em um mundo sem esperança.


Renesmee apertou o ventre instintivamente.


Naquele instante, uma nova dor atravessou seu corpo.


Mais intensa.


Ela dobrou os joelhos.


Jacob a amparou.


— Nessie!


Ela respirou com dificuldade.


Olhou para Bella.


Depois para Jacob.


E murmurou, assustada:


— Acho...


acho que o bebê decidiu...


que não quer mais esperar.