A Loba e o caçador

49 Capítulo 48 – O Santuário dos Primeiros Guardiões



O estrondo dos cavalos se espalhava pela floresta.


Estavam cada vez mais perto.


Edward abriu os olhos de repente.


— Eles estão divididos em três grupos.


Gregor franziu a testa.


— Malach...


Kael olhou para ele.


— Ele continua usando a mesma estratégia.


— Cercar antes de atacar.


Aiyana aproximou-se de Líria.


— Quanto falta?


A jovem olhou para o horizonte.


— Cinco minutos.


Jacob soltou um suspiro.


Cinco minutos pareciam uma eternidade.


Renesmee segurava seu braço com força.


Outra contração veio.


Mais longa.


Mais dolorosa.


Ela fechou os olhos.


Seu corpo inteiro tremia.


Jacob a segurou pela cintura.


— Olha para mim.


Ela respirou tentando acompanhar o ritmo dele.


— Está funcionando?


Ela assentiu com dificuldade.


— Um pouco...


Carlisle observava atentamente.


A situação era delicada.


Mas algo o intrigava.


A frequência cardíaca do bebê permanecia estável.


Muito estável.


Era como se...


A criança estivesse esperando.


Líria sorriu discretamente.


— Ele sabe.


Carlisle voltou-se para ela.


— Sabe o quê?


— Que ainda não chegou em casa.


Ninguém teve tempo de perguntar mais nada.


Anara levantou a cabeça e soltou um uivo poderoso.


Todos os lobos responderam.


A floresta inteira pareceu despertar.


As árvores começaram a emitir um brilho suave.


Raízes grossas emergiram da terra, formando um corredor natural.


Jacob arregalou os olhos.


— As árvores...


Kael sorriu.


— Elas estão abrindo o Caminho Antigo.


O corredor de raízes seguia em direção ao interior da mata.


As folhas brilhavam em tons dourados.


O ar parecia diferente.


Mais quente.


Mais leve.


Mais vivo.


Líria fez um gesto.


— Depressa.


Todos entraram no corredor.


Os lobos correram pelas laterais, formando uma muralha viva.


Os guerreiros de Aiyana protegiam a retaguarda.


Gregor caminhava ao lado de Kael.


Nenhum dos dois dizia uma palavra.


Tinham lutado um contra o outro durante séculos.


Agora marchavam lado a lado.


Jacob carregava Renesmee nos braços.


Ela apoiou a cabeça em seu ombro.


— Estou pesada?


Ele riu.


— Você nunca vai me ouvir responder "sim".


Ela sorriu.


— Boa resposta.


Bella, que caminhava logo atrás, balançou a cabeça.


— Mesmo agora vocês conseguem brincar.


Jacob respondeu sem olhar para trás.


— Acho que ela merece sorrir enquanto pode.


Renesmee apertou sua mão.


Não respondeu.


Porque compreendeu o que ele realmente queria dizer.


Depois de alguns minutos...


O corredor terminou.


E todos pararam.


À frente deles havia um vale escondido.


Nenhum mapa humano poderia encontrá-lo.


No centro do vale erguia-se uma árvore colossal.


Seu tronco era tão largo quanto uma casa.


Os galhos sustentavam folhas douradas que brilhavam mesmo sem a luz do sol.


Ao redor da árvore existiam ruínas circulares.


Colunas de pedra.


Arcos antigos.


Runas gravadas em cada superfície.


Pequenos riachos cruzavam o lugar.


A água parecia cristal líquido.


Carlisle ficou sem palavras.


— É...


Líria sorriu.


— Bem-vindos ao Santuário dos Primeiros Guardiões.


Renesmee sentiu uma paz que jamais experimentara.


Seu lobo silenciou.


Pela primeira vez desde o início daquela jornada.


Não havia medo.


Nem inquietação.


Apenas...


Pertencimento.


Ela olhou para a grande árvore.


Sem perceber, murmurou:


— Eu conheço você...


Líria sorriu.


— Ela conhece você também.


Jacob olhou ao redor.


— Como isso é possível?


Kael aproximou-se da árvore.


Passou a mão pelo tronco.


A madeira brilhou sob seus dedos.


— Esta árvore nasceu muito antes da primeira cidade humana.


Muito antes da primeira alcateia.


Ela guarda a memória do mundo.


Edward arregalou os olhos.


— Então ela viu tudo.


— Sim.


A árvore respondeu.


Todos congelaram.


A voz era feminina.


Suave.


Profunda.


Parecia vir do próprio vento.


As folhas douradas começaram a balançar.


Um brilho intenso percorreu todo o tronco.


Uma figura formada por luz surgiu lentamente diante deles.


Era uma mulher.


Longos cabelos dourados.


Olhos cor de mel.


Vestia um manto feito de folhas.


Ela parecia feita da própria floresta.


Renesmee sentiu as lágrimas escorrerem.


— Quem é você?


A mulher sorriu.


— Sou apenas uma lembrança.


A primeira Guardiã deste lugar.


Aquela que plantou a Árvore da Vida quando humanos, vampiros e lobos fizeram o primeiro juramento de paz.


Kael ajoelhou-se.


Aiyana fez o mesmo.


Líria abaixou a cabeça.


Até Anara se deitou diante da aparição.


Jacob percebeu que estava diante de alguém muito maior do que imaginava.


A Guardiã caminhou até Renesmee.


Olhou para seu ventre.


Seu sorriso tornou-se ainda mais doce.


— Esperei muito tempo por vocês.


Renesmee respirou fundo.


— Meu filho...


A mulher assentiu.


— Está seguro aqui.


Carlisle finalmente relaxou os ombros.


Mas a Guardiã voltou-se para ele.


Seu semblante tornou-se sério.


— Seguro...


Por pouco tempo.


O médico franziu a testa.


— O que quer dizer?


A mulher ergueu lentamente a mão.


A superfície cristalina do riacho transformou-se em um espelho.


Nele surgiu a imagem da entrada do vale.


Centenas de soldados da Ordem cercavam a floresta.


À frente deles estava um homem alto, usando uma armadura negra.


Não era Gregor.


Seu olhar era frio.


Implacável.


Kael fechou os olhos.


— Malach...


O homem desembainhou sua espada e apontou para o vale.


Então pronunciou apenas uma ordem:


— Derrubem a Árvore da Vida.


E, naquele instante, todos compreenderam que a batalha que decidiria o destino do mundo estava prestes a começar.