A Loba e o caçador

25 Capítulo 24 - Ecos da Caçada


O amanhecer chegou silencioso sobre o bosque, filtrando-se pelas janelas de vidro da casa dos Cullens. O ar ainda carregava o aroma das cinzas e da terra úmida, lembranças da batalha recente.

Mas, dentro da casa, o mundo parecia suspenso — um breve intervalo entre a dor e o recomeço.


Renesmee despertou lentamente, sentindo o calor de algo ao seu lado. Jacob estava adormecido na poltrona próxima à cama, a cabeça caída sobre o braço, o semblante tranquilo pela primeira vez em dias.

O curativo no ombro dele ainda estava fresco, mas o peito subia e descia em ritmo firme.

Ela ficou observando em silêncio, o coração batendo mais rápido — havia uma serenidade no rosto dele que a fazia esquecer o resto do mundo.


Com cuidado, ela se aproximou, tocando a mão dele.

Jacob abriu os olhos devagar, e quando os dois se encararam, o tempo pareceu se dissolver.

— Você devia estar descansando, Ness — murmurou ele, a voz rouca, ainda sonolenta.

— Não consigo — respondeu, com um leve sorriso. — Ficar parada me lembra o quanto o mundo lá fora ainda está em guerra.


Ele se levantou, mesmo com dificuldade, e se sentou ao lado dela.

— Então vamos pensar em outra coisa — disse, com um meio sorriso.

Renesmee o olhou de soslaio. — Em quê, por exemplo?

— Em nós — respondeu Jacob, com simplicidade.

O olhar dela se perdeu no dele. Havia algo diferente naquela manhã — um tipo de paz que só existe depois da tempestade.

Renesmee estendeu a mão, tocando a cicatriz recém-fechada no ombro de Jacob. Ele estremeceu, mas não recuou.

— Dói? — ela perguntou.

— Só quando você não está por perto — respondeu ele, baixo.


Renesmee corou, desviando o olhar, mas o sorriso escapou.

Ele inclinou o rosto, aproximando-se, o hálito quente contra o dela.

— Eu quase enlouqueci quando você caiu — sussurrou Jacob. — Achei que tinha te perdido.

— E eu achei que você nunca mais ia acordar — respondeu ela, a voz tremendo. — Eu... não suportaria isso.


Os dedos dele tocaram o rosto dela, descendo até o pescoço, o polegar traçando a linha da mandíbula.

Renesmee encostou a testa na dele.

— Por que é tão errado isso? — perguntou, quase num sussurro. — Um caçador e uma loba...

— Porque o mundo ainda não entendeu o que é certo — respondeu Jacob. — Mas eu não ligo.


Por um instante, ficaram apenas respirando o mesmo ar, os corações batendo no mesmo ritmo.

Quando ele a abraçou, não havia pressa, apenas o alívio de estarem vivos — e juntos.

Renesmee o envolveu pelos ombros, deixando-se afundar no calor dele, sentindo o corpo se acalmar pela primeira vez desde a luta.

Ali, o toque não era desejo, era promessa.


Na sala ao lado, Caren observava em silêncio, um leve sorriso nos lábios.

Ela sentia a vibração deles como uma melodia — quente, luminosa, quase sagrada.

Mas havia algo mais no ar… um ruído dissonante.

Ela fechou os olhos e se concentrou. Uma energia familiar, mas turva, oscilava na direção norte.

Seth.

O nome surgiu em sua mente como um sussurro.

A energia dele estava estranha, marcada por algo escuro.


Alice entrou, silenciosa como sempre.

— Você também sentiu? — perguntou, os olhos brilhando de inquietação.

Caren assentiu. — Sim. Há algo errado com ele. Algo... que não vem dele.

— Leah. — A voz de Alice foi um fio. — Ela não desistiu.


Enquanto isso, Renesmee e Jacob permaneciam juntos no quarto, alheios ao perigo que se aproximava.

O sol atravessava o vidro, iluminando os fios ruivos do cabelo dela, o brilho âmbar dos olhos que refletiam o calor dele.

Jacob passou o braço ao redor da cintura dela, puxando-a levemente contra o peito.

— Eu não sei o que vem depois, Ness.

— Nem eu — respondeu ela. — Mas seja o que for... nós enfrentamos juntos.


Lá fora, o vento soprou entre as árvores, levando o som de uma promessa antiga.

E pela primeira vez, desde o início da guerra, Renesmee sentiu que o amor que nascia ali podia ser mais forte do que qualquer maldição.