A Loba e o caçador

3 Capítulo 2 - A loba Alfa


A floresta era o seu lar.

E o lar não perdoava invasores.


Renesmee caminhava entre as árvores com passos silenciosos, o corpo em harmonia com o som da chuva. Sentia cada pulsar de vida à sua volta — o bater de asas, o tremor do solo, o ritmo constante da água descendo pelas folhas.

Mas naquela noite havia algo a mais.

Algo que não pertencia à floresta.


Um cheiro.

Ferro, pólvora… e humanidade.


O caçador.


Ela o observava há horas, seguindo cada movimento. Sabia que ele era rápido, disciplinado, e que não tremia diante da escuridão.

Os humanos da Ordem da Luz acreditavam caçar monstros, mas raramente viam o reflexo monstruoso que carregavam nos próprios olhos.

Renesmee conhecia bem aquele olhar. O mesmo que vira antes de perder tudo.


A lua despontava por trás das nuvens, e ela a olhou como quem busca resposta.

O brilho prateado se refletiu nos seus olhos dourados — o olhar da alfa.


— Ele veio atrás de mim — murmurou, quase para si mesma. — Então que venha.

A cabana onde o homem se abrigara ficava no limite do território da matilha. Pequena, antiga, cheirando a ferrugem e medo.

Renesmee se aproximou em silêncio, os pés descalços sobre o chão molhado.

Dentro, o som de metal sendo limpo. O estalar de madeira no fogo.


Ela sorriu de leve.

Caçadores sempre acreditam que o fogo os protege.


Com um passo, atravessou a sombra da porta.


— Se atirar, vai se arrepender.


A reação dele foi instantânea. Rápido. Preciso.

Mas não o bastante.


A besta prateada ficou apontada para o vazio até que ela emergisse das sombras, o rosto iluminado pela chama da tocha.

Jacob Black.

Renesmee reconheceu o nome antes mesmo de ele se apresentar. A Ordem falava dele — o melhor entre os caçadores, o único que nunca falhara em uma missão.


— Você está no meu território, caçador — disse ela, sem medo. — E caçadores não costumam sair vivos daqui.


Ele a encarou com um misto de desafio e fascínio.

— Então é você… o monstro.

Renesmee deu um passo à frente, os olhos dourados faiscando.

— Monstro? — repetiu. — E o que faz de você diferente de mim?


O silêncio que veio depois era quase palpável.

Ela ouviu o coração dele — rápido, forte, humano. Sentiu o calor que emanava da pele dele, o cheiro que a confundia.

Não era medo.

Era algo mais. Algo perigoso.


Ela aproximou o rosto do dele, apenas o suficiente para sentir o ar compartilhado.

— Vá embora, Jacob Black — sussurrou. — Antes que a floresta decida te engolir.


Mas ele não se moveu.

E isso a intrigou.


Por um instante, Renesmee viu algo nos olhos dele que não esperava: dúvida.

Não sobre ela, mas sobre si mesmo.


Foi quando percebeu o que o destino tentava lhe dizer.

Aquele homem não era apenas um caçador.

Ele era a chave para algo que ela temia há muito tempo — a profecia da Filha da Lua.

De volta à floresta, Renesmee correu até um penhasco onde o vento cortava como lâmina.

Ali, sua matilha a esperava. Três lobos, grandes e silenciosos, de pelagem escura e olhos atentos.


— Ele chegou — disse, sem encará-los.


O maior deles, Leah, deu um passo à frente.

— Então matamos antes que ele descubra o que somos.


Renesmee respirou fundo.

— Não. Ainda não.


Leah rosnou baixo.

— Você o viu, não viu? O caçador.


Renesmee manteve o olhar no horizonte.

— Vi. E ele não é como os outros.


Silêncio. Apenas o som da chuva batendo nas rochas.


— O que isso significa, alfa? — perguntou Leah.


Renesmee fechou os olhos.

E quando respondeu, a voz era um sussurro entre o medo e a certeza.


— Significa que o destino está se movendo outra vez.