A Loba e o caçador
15 Capítulo 14 - A marca e o sangue
A noite caiu densa sobre as montanhas de Forks.
A névoa rastejava pelo chão como um ser vivo, e o som distante dos galhos quebrando fazia o ar vibrar em alerta.
Jacob estava de pé à beira da floresta, o arco pendendo no ombro, o olhar fixo nas marcas no solo úmido.
Três pegadas grandes, fundas demais para um lobo comum.
E uma delas… tinha forma quase humana.
Renesmee se aproximou, a pele morena reluzindo sob a luz prateada da lua.
— São híbridos — ela murmurou, agachando-se ao lado dele. — Daqueles que fugiram da Ordem.
Jacob assentiu, tocando o chão com a ponta dos dedos.
— Sangue fresco. Não faz mais de duas horas.
— Então ainda estão perto. — Ela ergueu o olhar, os olhos dourados faiscando no escuro. — Vamos.
Ele segurou o braço dela, impedindo-a de avançar.
— Você não vai sozinha.
Ela ergueu uma sobrancelha, o tom quase provocante.
— Achei que já tivesse entendido que eu não obedeço ordens.
— Não é uma ordem. É um pedido. — Ele respirou fundo, os olhos presos nos dela. — Eu não quero te perder.
O silêncio que se seguiu foi mais profundo que o som da floresta.
Renesmee não respondeu — apenas o fitou, e o coração acelerou no mesmo compasso do dele.
Horas depois, os dois se moviam em sincronia entre as sombras.
Renesmee, em forma de loba, deslizava pela mata com uma elegância predatória.
Jacob a seguia, atento a cada sinal, cada respiração.
Era uma dança de instintos — o humano e a fera em harmonia.
De repente, o som.
Um rosnado grave ecoou à frente.
Jacob se abaixou, o arco erguido, o olhar buscando o foco.
Renesmee se aproximou devagar, o pelo eriçado.
E então eles viram.
Uma criatura se movia na clareira — grande, disforme, com olhos que brilhavam num amarelo febril.
Parte lobo, parte humano.
As veias do corpo pulsavam como se o sangue estivesse fervendo por dentro.
Jacob engoliu seco.
— Isso… isso é o que sobrou dos experimentos da Ordem?
Renesmee rosnou em resposta, mas havia algo no olhar dela — não apenas raiva.
Compadecimento.
A criatura os observou, confusa, hesitante.
Depois, emitiu um som estranho — uma mistura de dor e linguagem.
Jacob ergueu o arco, mas Renesmee se colocou na frente, em posição de defesa.
— Não, Jacob.
— Ele vai te matar!
— Olha pra ele! — ela gritou, a voz carregada de emoção. — Isso não é um monstro… é alguém!
A criatura cambaleou, emitindo um som que quase parecia um pedido.
Renesmee deu um passo à frente, os olhos brilhando.
— Ele… sente medo. Eu posso sentir.
Jacob hesitou.
Por um momento, o caçador e o homem travaram uma batalha dentro dele.
Ele abaixou a arma.
— O que quer fazer?
— Ajudá-lo.
Mas antes que pudesse se aproximar, um disparo cortou o ar.
A criatura uivou, tombando no chão.
Renesmee girou o corpo, o olhar selvagem.
Entre as árvores, uma sombra se movia.
Um homem encapuzado, segurando uma besta prateada.
Jacob prendeu a respiração.
— Seth.
O infiltrado da Ordem se aproximou, fingindo surpresa.
— Eu não sabia que estavam aqui. Ela ia te atacar, Jacob.
Renesmee avançou, o olhar faiscando.
— Você atirou em alguém indefeso!
Seth desviou o olhar, mascarando o sorriso.
— Era um híbrido. Não há salvação pra essas coisas.
Mas Jacob não respondeu.
O cheiro de pólvora, o sangue quente no ar e o olhar angustiado de Renesmee se misturavam em sua mente como uma tempestade.
Ele sabia que algo estava errado — o disparo foi preciso demais para ser acidental.
Renesmee se ajoelhou ao lado da criatura caída.
Ela ainda respirava, fraca.
E antes que o último suspiro se apagasse, murmurou algo que fez o coração da loba parar:
— Eles vêm… por você… loba de duas almas…
O corpo ficou imóvel.
Renesmee fechou os olhos, sentindo o peso daquelas palavras ecoar dentro dela.
Jacob a observava, o punho cerrado.
Seth apenas olhava, em silêncio — a sombra de um plano muito maior refletida em seu rosto.
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