A Loba e o caçador

14 Capítulo 13 - Ecos da traição


O vento uivava entre as árvores, trazendo o cheiro de chuva e algo mais — algo denso, metálico, que Leah reconheceu de longe.

Ela se movia em passos calculados, o corpo tenso sob a pele morena, os olhos fixos no ponto onde o som da floresta se calava.

A loba dentro dela rosnava em desconfiança.


Quando a figura surgiu entre as sombras, Leah já estava pronta para atacar.


— Quem é você? — ela exigiu, mostrando os dentes.


O homem ergueu as mãos devagar, o capuz pingando com a umidade.

— Calma, Leah Clearwater. Vim em paz.


— Me conhece? — Ela estreitou o olhar, o tom carregado de ameaça.


— Todos que vivem nas sombras conhecem o nome da loba que desafiou sua alfa. — A voz dele era calma, controlada. — Seth da Ordem.


Leah relaxou só o suficiente para não matar.

— A Ordem? Então mandaram você pra quê? Me caçar?


Ele deu um meio sorriso.

— Isso dependeria de quem você está disposta a caçar primeiro.


Por um instante, Leah hesitou.

O nome de Renesmee queimava em sua mente como uma ferida aberta.

O ódio era uma chama constante — e Seth percebeu.


— Você quer ela fora do caminho — ele disse, como quem lê pensamentos. — Eu posso ajudar.

Leah cruzou os braços, desconfiada.

— E o que ganha com isso?


— Digamos que há divisões dentro da Ordem — respondeu Seth, com um olhar que parecia pesar cada palavra. — Alguns de nós não concordam com o Inquisidor. Nem com suas alianças.


Leah deu uma risada seca.

— E eu devo acreditar que um caçador está se rebelando?


— Acreditar, não — disse ele, dando um passo à frente. — Mas me usar… talvez.


A loba o estudou em silêncio.

Algo na postura dele — firme, mas contido — dizia que ele não mentia. Ou sabia mentir bem demais.


— Muito bem, Seth. — Ela falou, por fim. — Vamos ver até onde vai essa sua “ajuda”.


Os olhos dele brilharam brevemente.

— Até onde for preciso, Leah. Até o coração dela, se for o caso.


E então, pela primeira vez, Leah sorriu — um sorriso perigoso, de quem acredita estar um passo à frente.

Mas Seth sabia: era ele quem conduzia o jogo.

— É o jeito deles. — Ela se encostou ao batente da porta. — Os Cullen gostam de paz.


— Paz — ele repetiu, como se fosse uma palavra estranha. — Engraçado como isso soa distante pra alguém como eu.


Renesmee o observou, o vento bagunçando os cabelos dele.

Havia algo diferente em Jacob — uma suavidade que ela nunca imaginou ver num caçador.

Talvez fosse o jeito como ele a olhava, como se ela fosse algo que ele ainda tentava compreender.


— Por que está aqui, Jacob? — ela perguntou, finalmente.


Ele demorou a responder.

— No início… pra cumprir uma missão. — E então desviou o olhar pra ela. — Agora, não sei mais.


Renesmee sentiu o coração apertar, o imprint pulsando entre eles como um fio invisível.

Ela deu um passo à frente, hesitante, mas firme.

— E se eu disser que você devia ficar?


— E se eu disser que talvez não consiga ir? — ele retrucou, baixo.


O silêncio que veio depois dizia mais do que qualquer palavra.

Ela estendeu a mão e tocou o rosto dele, o polegar roçando a pele quente.

O toque foi leve, mas o suficiente pra fazer o ar tremer.


Ele segurou a mão dela e a manteve ali.

— Isso é errado, Ness.


— Então me diz por que parece tão certo.


Jacob não respondeu.

Mas o olhar dele — intenso, ardente, confuso — era a resposta que ela já sabia.

Longe dali, sob a lua cheia, Seth observava Leah correr entre as árvores.

Ela acreditava que guiava o plano, mas ele apenas seguia, em silêncio, anotando cada detalhe, cada palavra.

Quando pararam, Leah virou-se pra ele, ofegante.


— Quando começamos?


Seth sorriu de leve.

— Já começamos.


E no brilho frio da lua, os olhos dele mostraram algo que Leah ainda não sabia —

a Ordem não precisava apenas dela.

Precisava dela e da loba que ela odiava.