A Loba e o Dragão
3 Esperando um Príncipe
Notas iniciais
No domingo, eu tive que ir pra casa de uma colega de classe terminar uma lição. Eu achava ter deixado tudo pronto, mas nos esquecemos uma coisa mínima.
–Disse que de noite passo ai. – eu ria
–Não Lucy, vem pra cá já. – Natsu insistia pra que eu fosse a casa dele porque de lá nós quatro e mais uns amigos dele íamos ao cinema.
–Preciso terminar o trabalho... – eu dizia ainda rindo ao celular
Juvia olhava pra mim com uma cara que eu podia ver dois corações nos olhos dela.
–E também acho que vou ficar com o Loke, pra amansar ele um pouco.
–Ué achei que estivesse falando com seu namorado. – Juvia falou baixinho e eu fiz um sinal pra ela esperar.
–Amansar... – ele repetiu em desdém – Traz ele.
–Eu não acho uma boa idéia...
–Eu também não, mas quero ver você hoje. Mesmo que seja com ele.
–Tem o resto da vida pra me ver agora. – dei risada – Vai enjoar de mim.
–Nunca mesmo...
Fiquei muda por um tempo massageando as bochechas de vergonha.
–Olha, vou terminar aqui e levo ele então.
–Vou esperar. – ouvi ele sorrir – Me lembre do seu presente,já dei o da Levy e o do Gajeel...
–Lembro sim, cuide dela viu?
–Sim senhora.
Então desliguei.
–Ué. – Juvia ainda estava confusa – Jurava que pela sua cara você estava falando com seu namorado...
–Que cara? – perguntei mais confusa que ela
–Sei lá, eu uma...de apaixonada.
“Ah não... Não... não... não... não...”
Eu repeti trinta “nãos” na minha cabeça. Aquelas borboletas todas voltando.
A não mesmo... Eu não precisava de mais confusão pra minha vida.
–Não fala isso não Juvia...
–Foi mal, falo não. Vem vamos continuar então.
Depois de terminar a lição eu queria ter mesmo era passado a tarde com a Juvia.
Eu e ela nunca tivemos muito tempo de conversar,hoje que eu conseguira perceber o quão legal ela era.
–Porque não vem comigo? – perguntei — Natsu não vai se importar de levar mais aluem.
–Hmm,ok vai. Faz tempo que não saio mesmo.
Então depois de ouvir um sermão do Loke que eu estava trocando ele pelo meus amigos,ele acabou indo depois que eu meio que fingi um drama pra ele.
Íamos nos encontrar na entrada do shopping. Eu e Juvia ficamos mais de uma hora paradas lá, e ele não apareceu.
–Lucy,seu namorado vem mesmo?
–Quer saber?Acho que não. Vem.
Entramos no shopping e fomos direto pro cinema. Na parte de saída do cinema, eu vi Natsu,Gajeel e Levy de longe,e mais dois meninos que eu não conhecia,conversando sobre o filme e jogando os sacos de pipoca fora.
–Ué. – Natsu disse quando eu me aproximei e cumprimentei ele – Cadê o não roubador de MM’s ?
–Sei lá. – disse sorrindo falso
–Luce. – Natsu falou serio.
Porque porcaria eu estava chorando?
Ele me pegou pela mão saindo da fila e se sentando num banco. Senti que Levy vinha atrás de nós.
–Eu não posso deixar Juvia sozinha... – disse secando as lágrimas com rímel que saiam dos meus olhos.
–Levy pode fazer companhia pra Juvia por cinco minutos? –Natsu pediu e Levy disse um “ok” baixinho e voltou. – Está chorando por causa dele?
–Eu pedi pra que ele viesse e ele não veio...
–Achei que seria melhor assim... Ele não pega no seu pé e tudo mais...
–Mas... mas eu pedi pra ele vir, eu conversei com ele. E ele não veio. E se não fosse vocês, fosse só nós, eu ia ficar sozinha... Ele nem se importa, liguei pra ele,mandei mensagem... – o meu celular começo a tocar, e eu atendi. Era ele – Loke?
–Ah então Lucy, oi,eu não vou não.
–Porque?
–Estou com preguiça de me arrumar. Pode ficar com seus amigos.
Preguiça de se arrumar? Eu me perguntei. Eu podia muito bem ouvir o alto e bom som de alguma musica eletrônica tocando de fundo.
–Onde você está?
–Em casa, ué.
–Ta sei... – solucei
–Você está chorando?
–Claro, Loke! Sorte minha que eu não ia sair sozinha com você, e se você me deixasse plantada aqui no shopping sozinha!
–Foi mal... não pensei nisso. – ele disse num tom de quem não estava nem ai.
–Você nunca pensa em nada Loke.
–Olha como você fala-
–Como eu falo! Eu falo como eu quiser, você sempre fala comigo como bem entende!
–Eu vou ir ai. – agora ele mudara o tom da voz
–Nem pense nisso!Eu não quero ver você! – disse desligando.
Coloquei as mãos no rosto, queimando de raiva. Tentando não chorar.
Que merda estava acontecendo?
Agora talvez, era ele que estava tentando me dispensar. Eu não entendia ele, de verdade.
De todas as vezes que eu já tentei terminar com ele, ele nunca aceitou. Mas sempre fazia as coisas erradas como ele queria continuar assim?Se ele queria terminar comigo,que ficasse a vontade,e fizesse logo.
–Luce... – a voz de Natsu ecoou na minha cabeça fazendo eu levantar o rosto. Ele estava olhando fixo pro chão – Eu não viajei de volta pra ficar vendo você assim.
–Natsu...
–Porque você não toma logo uma atitude com esse cara?!
–Olha aqui eu já tentei tabom?! Não fala como se a culpa fosse minha.
–Não estou dizendo que a culpa é sua, mas porque você ainda quer ficar sofrendo? Gosta dele tanto assim?
–Eu só queria que,que eu pudesse ficar com a pessoa que eu me apaixonei pela primeira vez.
Eu escrevia histórias desde que era pequena. Histórias de todos os tipos,mas os meus preferidos eram romances. Sonhava desde que me entendia por gente de que eu iria achar o príncipe encantado um dia. É,bem merda né?Pode apontar pra mim agora e rir. Porque eu era idiota e ainda sou. Eu só devia estar nessa até agora,porque achava que de sapo,Loke viraria um príncipe um dia. Esse dia nunca chegava...
–Vai pode rir, Natsu! – quase gritei pra ele
–Eu não vou rir de você.
–Pois devia, porque você deve estar pensando que eu sou uma idiota agora né. E eu sou mesmo.
–Você é idiota porque está lutando pela coisa errada. Você pode achar mil caras até achar o seu, não precisa ser o primeiro.
– É só porque ele foi primeiro em muitas coisas... – eu disse meia sem graça, Natsu já ia falar de novo quando eu interrompi – Eu não vou estragar o resto do passeio de vocês. – me levantei e ele se levantou junto
–Não vai estragar nada.
–Quero ir pra casa.
–Vou com você então,não vou ficar bem de saber que você esta chorando em casa e nós aqui. Levy também não vai.
Eu comecei a secar as lágrimas e Natsu andou até Levy,os chamando e todos vieram em nossa direção.Levy passou a mão pela minha cintura me abraçando daquele jeito que só ela sabia abraçar por ser tão baixinha.
–Desculpe Juvia...
–Ah não liga não querida... – ela afagou meu cabelo – Eles são uns amores. – ela disse se referindo aos meninos.
–Ah sim – disse Levy – Esses são Fried e Leon.
–Oi... – disse meio sem jeito de dois estranhos me verem chorando. Eles responderam educadamente de volta.
–Resolvido. Vamos todos pra minha casa. – disse Natsu – Gosta de vídeo game Juvia?
–Hmm, — ela coçou a cabeça – Nunca joguei pra ser sincera.
– Então decidido, vamos ensinar a Juvia a jogar.
Eles foram na frente já enturmando Juvia numa conversa sobre jogos. Levy me soltou e me deu um beijo na bochecha.
–Você é um tremendo de um desperdício Lucy.
Eu ri alto e sorri pra ela de volta. Ela pegou na minha mão caminhando do meu lado, mas conversando com Gajeel sobre algum personagem do filme que assistiram. Natsu passou a mão pelo meu ombro.
–Obrigada... Não precisava ir embora por –
–Ei. – ele me interrompeu – Eu disse que não ia ficar aqui se fosse pra você ficar sozinha chorando. Pelo menos agora pode chorar comigo do lado.
A gente pegou uma baita chuva até chegar no carro no estacionamento. Depois ainda pra todo mundo entrar foi outra confusão.
Todo mundo concordou da Juvia ir na frente pra ela não ser obrigada a ter que sentar no colo de pessoas estranhas. Eu sentei na janela e ouvi os garotos discutindo porque não queria sentar no colo um do outro. E logicamente que a Levy estava toda vermelha só de pensar em sentar no colo do Gajeel.
–Quer saber? –falei saindo do carro pegando mais chuva e dando a volta. –Fried,senta na janela,Levy senta no meio,Leon senta no colo da Levy , pode ser? – perguntei diretamente pra ela
–Pode, pode – ela disse sorrindo.
Eu pude saber que aquele sorriso queria significar que...
1)Ela não teria de sentar no colo do Gajeel e morrer de calor daqui até lá e
2)Ela ainda ia deixar um ponta de ciúmes no ar.
–E agora você senta aonde? – Natsu perguntou – Vai sofrer se o Gajeel sentar no seu colo.
Todos caíram na gargalhada enquanto Gajeel se defendia dizendo que era músculo e não gordura.
–Músculo pesa do mesmo jeito. – rebateu Natsu
–Se importa se eu sentar no seu colo? – perguntei pra ele. Gajeel ficou todo vermelho
–Nããão...
Então eu sentei logo fechando a porta do carro. Tive que ficar numa posição meia desconfortável porque fiquei com receio de me arrumar no colo dele, e dar a entender que era proposital. Levy ria pra mim igual doida. A menos de mim ela não tinha ciúmes.
No fim pegamos um pouco de transito e eu tive que me arrumar.
–Desculpa... – disse rindo quando vi Gajeel colocando a mão no rosto ficando mais vermelho – Sério, a gente já está chegando.
–Sem problemas... pode ficar . – ele me olhou malicioso e eu ri de novo lhe dando um peteleco na testa dele.
Assim que saímos do carro e entramos na casa de Natsu. O pai dele havia acabado de chegar do trabalho. Ele pegou varias toalhas pra gente se secar. Meu celular tocou e era o Loke de novo. Dessa vez não atendi. Achei até surpreendente ter apenas aquela ligação, nenhuma mensagem nem ligação perdida. Talvez ele realmente, quisesse me dispensar...
A gente começou a secar. Eu estava um bagaço, minha roupa estava toda amassada. Juvia ria da gente por ser a única intacta. Senti que Levy estava pra ter um infarto,e sinceramente acho que todas as mulheres ali presentes estavam,porque Gajeel tirou a camisa e colocou uma limpa do Natsu ali no meio da sala. Juvia arregalou os olhos pra mim com um sorriso malicioso.
–Que homem lindo é esse... –sussurrou
–É da Levy. – disse rindo
–E o outro?
–Quem? Natsu! – ela fez que sim – É... ele não é ... de ninguém.
–Hmmm – ela se virou para me olhar – Brincadeirinha Lucy.
–Não precisa Juvia, pode ficar com ele se quiser ué.
–Aposto que era com ele que você falava no telefone... Mesmo que você não sinta nada. – ela deu de ombros – Os olhinhos dele piscam pra você.
– Nada a ver. – disse passando a toalha no rosto.
Levy foi pra cozinha fazer chocolate quente pra todos. Juvia ficou com Leon sentada no tapete, ele ensinando os botões que ela tinha de apertar no controle. Gajeel e Fried falavam sobre alguma coisa que parecia ser sobre a Levy porque Gajeel olhava pra cozinhar pra saber se ela não estava vindo. Natsu estendeu a mão pra eu me levantar da escada.
– Vem, vou te dar seu presente. – ele piscou subindo as escadas.
Eu subi atrás e fiquei parada na porta do quarto dele,enquanto ele remexia no guarda-roupa.
–O que deu pra Levy e o Gajeel?
–Gajeel... eu dei um fone de ouvido da Razer, ele surtou.
–Imagino.
–E a Levy, eu dei os livros que faltavam daquela autora que ela gosta... Aé, Jojo Moyes.- ele disse fechando a porta do guarda-roupa segurando um caixa vermelha – Eu não queria repetir o presente,mas Levy disse que você quase chorou quando o seu acabou...
Ele me deu a caixa, e eu me senti na borda da cama abrindo a caixa.
Pelo cheiro eu já sabia o que era, e eu ia ter a mesma reação doida que eu tive da primeira vez.
–Natsu já falei que isso é caro... – eu disse
–Deixa disso e abre...
Eu abri a caixa. Era um perfume da Carolina Herrera,de uma outra versão da que eu ganhei da outra vez.
–Não tinha do que você gosta...
Eu sorri espirrando um pouco no meu pulso e cheirando. Era delicioso. Podia não ser o mesmo perfume, mas causou uma espécie de nostalgia,de quando recebi o primeiro desses no meu aniversario de dezoito anos. Gritei feito doida quando o correio chegou e eu abri. Ainda veio com uma carta do Natsu que eu tenho até hoje guardada.
–Obrigada. – sorri me levantando e dando um abraço nele. Ele estava tão quentinho que eu não queria mais soltá-lo, mas seria estranho alguém nos ver abraçados ali no quarto dele. Ele ainda estava molhado nas costas de chuva – Precisa de um banho não pode ficar molhado assim.
–Você também não pode, quer tomar banho também?
Eu arregalei os olhos. Tentei pensar rápido pra responder com naturalidade, e não dar entender que eu vi duplo sentido naquilo.
–Não,eu tomo em casa. — sorri
–Ok. – ele me soltou – Gostou mesmo né?
–Claro! – sorri guardando o perfume na caixa.
Desci as escadas, todo mundo estava xingando a coitada da Levy porque ela ganhava de todos, e deixava Juvia ganhar dela.
–Injusto. – Leon reclamava – Faz isso porque ela não sabe jogar.
–Mentira, é porque ela é gata, né Juvia.
–Não brinca assim com a Juvia, ela ainda não se acostumou com você. – disse rindo.
–Ah tudo bem. – Juvia ficou toda sem graça
– Que é isso? – Levy perguntou e todos olharam pra mim segurando a caixa no meu colo.
–É... Natsu me deu... – disse sem graça. Vendo ele passar da cozinha pra sala com duas xícaras de chocolate.
Todos fizeram um burburinho pela sala e riram. Gajeel e Levy foram que controlaram a situação.
–Para pessoal, Lucy namora. –disse Gajeel
–E Natsu da presente pra gente, é normal.
–Natsuuu, quero presente também. –resmungou Fried.
Todo mundo voltou a atenção pro jogo,outros pro chocolate.
Eu peguei a xícara que Natsu trouxe pra mim e comecei a tomar o meu admirando a caixinha no meu colo.
Depois que voltei pra casa com Levy,estava cansada e com dor de cabeça,talvez por ter passado nervoso.
Eu achei que meu nervoso não podia aumentar,mas podia.
A porta do elevador abriu e dei de cara com Loke sentado na porta do apartamento.
–Ué. – Levy disse surpresa saindo do elevador,Loke se levantou e ela abriu a porta – Tô aqui viu Lucy. – avisou
–Quem ela pensa que é? – Loke reclamou quando Levy entrou
–Ela é minha amiga está apenas preocupada...
–Nosso como se eu fosse te bater agora...
–Que você quer? – perguntei logo
Ele parecia ter tomado chuva também. Estava com a jaqueta na mão, e a camiseta debaixo molhada, assim como o cabelo também.
–Eu só vim pedir desculpa.
–Achei que estava com preguiça de sair de casa.
–Por você eu sairia...
–Ah dá um tempo. – eu ri
–Lucy,só...foi mal ta?Mesmo. Foi péssimo,mas eu vim pedir desculpas...Posso sair com você amanhã,ou quando quiser de novo...
–A gente vê. – disse seca
Tudo que eu queria era entrar em casa,me afundar na banheira que eu e Levy quase nunca usávamos,espirrar meu perfume na casa inteira e ficar sentindo o cheiro até dormir.
–Que é isso?
–Isso. – estendi a caixa. Eu não queria mais briga. Nem dar motivo nenhum pra ele falar mais. Eu não era de mentir,mas ... – É da Levy. Gajeel deu pra ela.
–Hm...
–Vou entrar ta. – eu disse passando por ele.
O universo as vezes parece querer conspirar pra gente ter um dia mais ruim do que já está tendo.
Assim que passei por Loke. O cartão de cima da caixa caiu no chão e Loke pegou,lendo.
–Legal... Está escrito Natsu e não Gajeel... muito menos o nome da Levy.
–Loke.
–Porque você mentiu?!
–Eu não menti, eu omiti – disse pegando o cartão da mão dele, mas ele levantou a uma altura que eu não alcançava – me dá. – ele continuou parado – Eu só não queria mais discussão Loke, eu quero entrar na minha casa e dormir...
–Mentiu pra mim sim Lucy.
–Ah! Me dá logo,olha você já está desculpado agora me dá. – eu estendi a mão de novo e Loke a segurou jogando pro lado.
Eu queria ter parado o tempo nessa hora...
Senti a caixa escapulir do meu ante-braço,e voar pra longe.
Ela caiu pela ponta e rolou umas três vezes caindo com a outra ponta. E parou.
Eu senti meu olho arder de raiva,e as lágrimas se formarem. Soltei da mão dele e corri até a caixa,quando eu abri o cheiro do álcool e do doce do perfume invadiram meu nariz. Um rachado de ponta a ponta aparecera no frasco que agora pingava constante por uma das pontas.
–Lucy... – ouvi a voz de Loke
–Vai pra casa Loke. – disse calmamente juntando a caixa.
–Lucy,eu –
–Está tudo bem. – disse secando uma lágrima
–Eu te dou outro.
–Eu não quero outro! – gritei perdendo o controle – Eu quero esse! Vai pra casa por favor.
Então eu passei por ele vendo mais do líquido escorrer pelo meu braço e bati a porta.
Corri pra dentro do quarto pousando a caixa no chão. Abri o guarda-roupa.
“Onde foi mesmo que eu tinha deixado...”
Joguei as roupas no chão até que no fundo da minha parte do guarda-roupa vi a caixa vermelha de dois anos atrás.
Abri ela rápido deixando a tampa cair e peguei o frasco antigo abrindo.
Por sorte,o cheiro antigo todo havia espirado. Peguei o frasco novo e equilibrei o buraco que saia as gotas em cima do frasco antigo,até que ele começou a encher.
Suspirei de alivio e sentei no chão.
–O que ele queria? – Levy disse atrás de mim
–Se desculpar...
–Ué,mas o que aconteceu...
–Quebro. – eu comecei a chorar – Loke me fez derrubar...Ou eu derrubei sozinha,sei lá.
–Que saco... Mas o que importa é o cheiro. – Levy sorriu passando um pouquinho que escorrera na caixa no pulso e cheirando.
–É... vou tomar banho Levy... – disse me levantando.
Enchi a banheira,até a metade e entrei até ela me cobrir no pescoço. Provavelmente Levy escutaria se eu chorasse, mesmo assim não liguei.
Era pelo perfume.
Pelas brigas com Loke.
Eu já não agüentava brigar,discutir...
Ia tentar ignorar, simples. Era o jeito tentar ignorar que eu estava com ele. Uma hora ele se encheria de mim, e da minha ausência e ele mesmo terminaria já que ele não aceitasse que eu o fizesse, talvez ele faria.
Depois que eu sai do banho,coloquei meu moletom gigante que ia até a coxa e liguei o note. Levy lia concentrada um dos livros que Natsu dera deitada na cama.
Abri meu e-mail por costume. Natsu deixara uma mensagem a minutos atrás.
Amanhã vou levar o Gajeel no aeroporto lá pelas seis horas. Se quiserem se despedir antes... ou irem com a gente no aeroporto. Segura o coração da Levy ai...
É,ia ser uma depressão nós duas choronas o resto da semana.
Nem preciso dizer que eu e Levy passamos na casa do Natsu antes do Gajeel ir. Aeroporto ia ser demais pra ela.
Depois que ele se despediu de mim, e abraçou ela forte,os dois partiram.
Levy se agachou ao meu lado na calçada, e começou a chorar alto. Eu sorri e a abracei.
–De novo... – ela sussurrou
–É...eu sei.
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