A Loba e o Dragão
12 Nosso Parque
Notas iniciais
–Luce!!!
Que horas eram? Pensei
Senti o sol quente entrar pela janela. No meio de setembro alguns raios de sol já começavam a aparecer mais quente que o normal. Fiquei ali enrolada na coberta, mas minhas costas estavam nuas. Puxei a coberta até a cabeça,mas ela logo foi retirada num puxão.
–Luce!!!
Outra vez.
–Oi... Levy... – perdi a linha do raciocínio do sonho
–Acorda!
–Pra que?Aqui está bom...
–Nós vamos fazer uma surpresa pra você!
–O que?
Depois que Levy finalmente conseguiu me tirar da cama. Comecei a escutar algumas vozes conhecidas vindo da sala, mas o sono era tanto que só consegui distinguir Natsu dentre as vozes.
Tomei um banho e quando sai, Levy colocava um biquíni, shorts dentro de uma mochila com algumas outras coisas.
– O que vocês vão aprontar comigo?
–Surpresaaaa!
Ela pediu pra eu levar um dos meus vestidos de verão, mas eu fui vestida com um shorts jeans e uma regata preta.
Natsu e Gajeel estavam na sala esperando a gente. Cumprimentei os dois e então descemos.
Eles não me falaram pra onde iríamos, ou porque de todas aquelas coisinhas. Mas eu conhecia o caminho que Natsu fazia ao dirigir. Estávamos indo pro parque. É aquele parque de quando éramos crianças. Não era tão longe, uma hora sem trânsito e chegamos.
Era do mesmo jeito de anos atrás. Com uma bela de uma reforma agora tinha até uma piscina com tobogãs.
Entramos e fomos até o fundo esquerdo dele cheios de arvores que costumávamos ficar. Vi Juvia,Cana,Fried e outro cara que eu não conhecia arrumando alguma coisa no chão. Até eles estavam ali. Quando cheguei perto, Juvia me apresentou Gray e eu por um minuto fiquei os encarando surpresa. Será que ela tinha falado com ele? Ia querer saber mais sobre isso depois.
Eu não fazia idéia do que eles iriam aprontar. Havia quatro arminhas daquelas de atirar água, duas Nerf dois baldes com várias bexigas dentro. O chão estava marcado com tinta vermelha divido em três linhas, e na ultima quatro bandeiras estavam fincadas no chão. Uma amarela,uma azul,uma preta e uma vermelha.
Fiquei olhando então eles vinham até mim e Natsu começou a explicar.
–Bem,como todo mundo aqui sabe,menos o Gray não deu pra comemorar seu aniversário do jeito que a gente planejou. – um arrepio de leve passou na minha espinha quando lembrei do tapa do Loke no meu rosto – Então, a gente resolveu comemorar com um dia no parque.
Eles fizeram um coro de “eee” e eu dei risada.
–Não precisava gente...
–Precisava sim. – Gajeel comentou – Sem contar que eu to doido pra brincar com essas arminhas cara.
–Aé! – Levy exclamou – As arminhas, a gente vai fazer um roba bandeira nível hard.
–Meninas VS Meninos!! – gritou Cana
–Queria ficar no time do Gray... – Juvia chorou
–Ora,deixa de drama vamos logo! – Fried puxou Cana pela mão.
As meninas todas foram pra um lado ficando só de biquine enquanto Natsu e Fried explicavam as regras do jogo. Eu ... Pela primeira vez acho que estava com vergonha de ficar de biquíni,então fiquei com meu shorts e a regata.
–Vai se trocar... – Levy pediu pegando a arminha de Nerf
–Não... Estou bem assim.
Então ia funcionar assim.
Meninas VS meninos.
Dois do time com pistolas d’agua, uma com nerf ( que no nosso caso, claro foi a Levy) e outra com as “bombas de bexiga”.
O nerf só valia se o dardo acertasse na cabeça, na coxa,no tórax, ou na bunda. Isso claro foi pra zuar com a gente...
O objetivo era nós, as garotas,pegar cada uma a sua bandeira ou o máximo de bandeira que conseguir ,mas pegando primeiro a nossa bandeira individual. Enquanto os meninos iam proteger elas.
–Isso vai dá merda... – Ouvi Gray dizer rindo quando notamos que do lado das bandeiras tinha um pequeno barranco de grama e lama.
–Aposto que a Cana é a primeira a cair no barranco. – Fried provocou
–Vamos ver então!
Havia até mesmo uma prisão pra quando os meninos fossem pegos pelos tiros ou pelas bombas, e nós caso eles nos pegassem. Eram cinco minutos sem jogar.
O campo estava cheio de arvores e eu já podia imaginar uma estratégia de tentar subir numa delas pra fugir.
–Vai começaaaar! – Natsu gritou com uma bandana amarrada na cabeça rindo. Ele ia ser o atirador do time.
–Se mirar isso na minha bunda o bicho vai pegar! – já avisei segurando minha pistola d’agua.
–É as regras! – ele cantou – Tiro é tiro.
No começo nenhuma de nós se mexeu. Até que eles começaram a provocar tanto que Cana foi a primeira a sair correndo pra tentar pegar a bandeira. Eu fiquei jogando água no Gray enquanto ele tentava pegar ela, até que uma bexiga cheia de tinta vermelha me atingiu nas costas. Fried ria vitoriosamente.
–Vai pra prisão!Vai pra prisão! Muahahaha – ele imitou uma risada maligna.
Fui até uma das arvores e fiquei sentada lá. Ao menos Cana conseguiu pegar a bandeira. Espera... Aquela era a minha não a dela.
–Cana você pegou a bandeira errada!! – gritei
–O que será que tem nisso... ? Juvia se perguntou olhando pra uma gorda e grande bexiga preta. Olhou pra Gajeel que já corria pra tentar pegar Cana com a arminha de água e atirou certeiro no cabelo dele – Aaaaaaa é tinta! Que dahora! – ela pegou mais outra e jogou – Tá fora gajeel! – e gargalhou
–É assim né Juvia?! Meu cabelo pó...
Eu gargalhava sentada no pé da arvore. Faltava mais um minuto e sairia. Gajeel se sentou do meu lado emburrado. Segurei uma risada olhando pro cabelo dele agora,azul e verde.
–Não tem graça não!
Cana estava toda perdida, mas pelo menos voltou e conseguiu por a bandeira de volta, antes de ser pega por Natsu,os dois caindo no chão cheio d’agua.
–Tá presa!!
Eu me levantei acabando o meu tempo.
Minha bandeira era a amarela. Foquei nela e corri o mais rápido que podia, ouvindo Levy atirar os Nerf em quem estava me seguindo que eu nem sabia quem era.
Peguei correndo quase caindo e ri seguindo pro nosso lado. Eu já podia sentir minha vitória já que Levy acertara um dardo certeiro na cabeça do Gray e ele fora preso também, mas a vitória foi cancelado quando Natsu pulou e me agarrou pela cintura nós dois rolando morro a baixo.
–Aaai! – gritei quando finalmente parei de rolar. Ele gargalhava do meu lado a cara pintada de preto. Juvia minha deusa protetora, ao menos ele estava preso agora.
–Foi mal, eu escorreguei também.
–Aiii... – me levantei acho que tinha um espinho na minha coxa, olhei pra ela e tinha mesmo – Ai cai no espinho. – dei risada.
Eu estava tão risonha que mal sentira dor.
–Deixa eu ver ele parou de rir.
–Não! – agora eu prestava atenção na dor
–Mas tem que tirar...
–Não,não,não!! Não mexe! – fechei os olhos com as mãos no rosto.
Eu já ia dizer o quanto ia doer pra ele não mexer, quando a mão quente dele e molhada de água pousou na minha coxa me fazendo carinho. Abri os olhos queimando de vergonha, e ele deu uma apertadinha nela.
–Natsu! – repreendi
–Pronto. – ele falou tirando a mão e me mostrando o espinho.
Fiquei olhando pro espinho depois pra minha coxa. Saia um pouquinho de sangue.
–Melhor você subir e ir lavar.
–Nem doeu... – comentei baixinho incrédula
–Claro que não... – senti ele vir pra perto do meu ouvido – Eu sou gentil.
–Sai! – empurrei ele.
Começo as frases com duplo sentido.
–É brincadeira. – ele riu – As duas coisas...
–Xiu! — falei de novo – Vamos subir. – me levantei e ele também.
Assim que cheguei ao topo no morrinho vi que situação estava um tanto crítica pras meninas. Só sobrara a coitada da Levy do nosso grupo. Eu ria com o draminha dela.
–Me dá minha bandeira por favor... Eu não quero perder... Vai Gajeelzinho...
–Nããaoo – ele cantarolava na frente dela entre a linha de limite dos ambos os times.
Eu precisava pensar em algo antes de entrar no limite da linha.
Ou...
Analise o campo. Natsu ia me pegar de novo... Gajeel podia correr até onde eu estava. Gray ia atirar aquelas malditas bombinhas de tintas... E só o Fried esta preso. Ótimo...
Cana parecia ser a próxima a sair.
Eu estava próxima da minha bandeira amarela...
Só precisava dar um jeito no Natsu...
Fiquei encarando ele enquanto ele arrumava os nerfs dentro da arminha.
–Natsu... – chamei me aproximando
–Hm? – ele estava de cabeça abaixa eu me ajoelhei na frente dele
–Quer ver minha tatuagem?
–O que? – ele me olhou confuso
–Minha tatuagem... – sussurrei. E olhei pro morrinho de novo
–Ma-ma- ele começou a gaguejar.
Eu só não vou beijá-lo porque seria sacanagem demais.
Eu confesso que estava achando engraçado.
–Achei que quisesse ver... Eu posso te mostrar?Depois...
Fui pra perto dele e encostei a minha mão nos seus ombros e lhe empurrei pra baixo fingindo que ia lhe dar um selinho. Mas eu desisti e lambi a bochecha dele.
–Agora vou pegar minha bandeira! – sai de cima dele
Ao menos funcionou.
Ele ficou em choque lá deitado e eu corri até as bandeiras.
Cana que saíra da prisão se jogou em cima do Gray antes que ele pudesse vir até mim.
Praticamente escorrei quando chegou perto das bandeiras,tirei amarela e depois todas as outras.
–Não! Não! – os meninos começavam a reclamar, e Natsu ainda estava lá deitado – Natsu!Pega a Lucy! – gritou Gajeel depois de receber um dardo da Levy foi preso.
Corri sem nem molhar pra trás e me joguei no nosso lado do campo.
–Ganhamoooooooooooooooos!!! –gritei alto e claro
Foi um coro de reclamação,dos gritos das meninas e a minha risada. Vi Natsu se levantar e me encarar com um cara... Tão brava, mas estava tão fofo...
Gajeel começou a conversar com ele e ouvi ele gargalhar daqui de onde eu estava. Ele devia estar tirando uma com a cara dele.
Natsu Dragnell
Depois que eu me sentei. E ouvi toda aquela barulheira das meninas animadas, e os garotos resmungando de raiva por ter perdido. Só consegui pensar que eu...
1) Podia afogar a Lucy na fonte...
2) Ou jogar ela do morrinho...
– Natsu – Gajeel se jogou perto de mim – A gente perdeu...
–É.
–A culpa é sua...
–É...
–Brincadeira pow, o que foi? – fiquei quieto – Não, a Lucy zuou com você... E você acreditou.
–É.
Ele se desembestou numa gargalhada.
–Eu podia imaginar...
–Eu estou pensando num jeito de me vingar...
–Ah, mas foi divertido...
–Natsu!!
Ouvi ela chamar e rosnei em reprovação. Gajeel riu do meu rosnado.
–Natsu!! Tá bravinho?
Tá testando minha paciência.
–Natsu!! – virei pra olhar pra ela.
Ela dançava com as bandeiras feito uma líder de torcida. Me chamando.
–Eu vou pegar você ainda ta?! –gritei
–Vai nada! – ela cantarolou e...
–Aproveita que ela está de costas. – Gajeel avisou e eu me virei correndo.
Narradora Lucy Heartfilia
Eu fiquei provocando, dançando pra lá e pra cá com as bandeiras. Chamando o nome dele.
–Eu vou pegar você ainda ta?! – ele gritou pra mim
Ah vai? Pensei mais maliciosa impossível.
Eu estava tão cheia de mim já que conseguira enganar ele, que uma felicidade estranha me tomou de repente.
Agora ninguém me segura.
–Vai nada! –disse cantando provocando mais.
Virei de costas pra girar e quando voltei vi Natsu correndo até mim.
–Aaaaaaaah não!! – gritei sorridente e correndo.
Eu não ia agüentar correr mais que ele e não demorou muito pra eu sentir as duas mãos dele se enrolarem no meu quadril e me puxar pra trás. Cai de costas em cima dele,enquanto sentia a mão dele apertar todo e onde dava no meu corpo me fazendo cócegas.
–Natsu!!! –eu ria sem parar. Era incontrolável. Fazia um tempo que eu não gargalhava daquele jeito – Chega!Chega!! – outra gargalhada
–Me peça desculpas! Você me enganou! – ele falava rindo um pouco
–Eu? – voltei a rir e de repente ele parou de me fazer cócegas e se sentou
–Me enganou mesmo.
Foi então que eu vi a burrada que eu tinha feito. Parei de rir.
Ele devia ter se sentido enganado... Eu tinha brincado com os sentimentos dele. Não sabia que o afetaria tanto.
–Natsu... Me desculpe ,não sabia que você ia ficar tão... chateado.
–Hm... Tanto faz.
–Não, eu sinto muito. Tudo bem se não quiser aceitar. – eu me sentei de frente pra ele.
–É que... Eu fico confuso. Ainda estou esperando você falar comigo sabe? – ele me pegou bem na raiz. Cocei a cabeça desviando meu olhar – E isso me deixa... Confuso.
–Desculpa. – falei de novo. Eu ia começar a falar sobre “nós” quando Gajeel e Fried apareceram.
–Ei! A gente pediu pro supervisor do tobogã deixar a gente entrar! – Fried anunciou
–Bora lá? – Gajeel estendeu a mão pra Natsu levantar
Ele ficou me olhando como se esperasse eu falar.
–Vamos. – eu disse e me levantei. Então ele foi.
Fomos andando até o outro lado do parque. As garotas e Gray se juntaram a nós depois.
–Posso... – comecei a falar quando todos fizeram uma filinha pra subir – Posso falar depois?
Ele me olhou de rabo de olho e sorriu olhando pra baixo. Eu não tive como não sorrir também.
–Ok.
–Ei!! – Juvia chamou – Vem vocês primeiro na fila!
–Ué porque? – perguntei
–Porque nada! – ele exclamou todo feliz e pegou na minha mao – Vamos! Estou mais que ansioso já! Olha o tamanho desse tobogã!
Eu ri e nós fomos pra frente da fila. Ele subia as escadas e eu atrás.
Cara aquilo era grande. Tipo muito.
Não era daquele tamanho quando eu era pequena.
–Eu não quero mais ir... – disse a mim mesma, mas Natsu escutou
–Ah qual é? – ele se virou – Não dá na-
A voz dele travou ao mesmo tempo que eu senti dois pares de mãos me empurrando no tobogã. Tudo parecia estar acontecendo em câmera lenta... Eu senti meu corpo indo pra cima do Natsu e minha boca se abrindo ao mesmo tempo que a dele os seus braços se abriram e nós... Gritamos.
Descendo no tobogã o mais rápido que sabe Deus o que podia estar mais rápido que aquilo.
Só sei que agarrei com tanta força no Natsu que eu precisaria de alguém pra me tirar dele. Nós ainda gritávamos quando senti meu corpo imerso pela água. Mas eu ainda estava abraçada nele.
Natsu ficou de pé e nós saímos na superfície.
Ofeguei rapidamente tirando as água do rosto e olhando pra ele.
Ele gargalhou numa risada tão gostosa que não teve como eu não acompanhar.
–Que medo da porra!! De novo Luce?!
–Não, não, não... Acho que já deu pra mim. – disse então percebi que meus braços ainda estavam enrolados nele. – Foi mal. – disse e sai.
Nadei até a margem da piscina e me sentei com as pernas na água ainda.
O sol estava ficando mais forte agora.
E eu já não agüentava ficar de blusa. Mas eu não queria ficar de biquíni... Eu sim, vou admitir que devia estar sabe-se lá porque com vergonha do Natsu. Afinal qual fora a ultima vez que ele me vira de biquíni?Aos 12 anos?Eu não ia tirar...
Ele se sentou do meu lado e nós vimos Gajeel escorregar e Levy depois dele.
Ela afundou na água de tão baixinha. Comecei a gargalhar quando Gajeel a procurar pela piscina e depois a pegou nos braços.
–Não me pegue como se eu fosse uma criança!
–Foi mal!
Ele a soltou de novo e ela afundou novamente.
–Coitada! –gritei e ri.
Ele riu também e entrou debaixo da água. Alguns segundos depois ele emergiu com elas nos ombros.
–Guerra! – Natsu exclamou e entrou na água – Vem.
–Ué?
–Vem no meu ombro.
Eu hesitei, mas entrei na água e ele se afundou pra me pegar.
Senti um par de dentes morder minha coxa, e me causar um arrepio até o começo da coluna então dei um gritinho um tanto... estranho e tapei a boca. Natsu saiu de dentro da água balando os cabelos molhados pegando ar.
–Seu!Seu...
–E esse gritinho ai... – ele se aproximou
–Achei que íamos brincar de lutinha. – disse cruzando os braços mudando de assunto
Ele ficou me fitando enquanto abaixava devagar na água.
–Sem graçinhas dessa vez. – avisei
Então ele me pôs no ombro.
–Guerra! – Levy se jogou em mim, mas deu pra eu me segurar.
Ficamos se empurrando quase perdendo o equilíbrio até que fiz cócegas na barriga dela, e Natsu na do Gajeel e os dois caíram.
–Não valeu! – Gajeel emergiu – Ué? Cadê a Lev — ele parou de falar e a puxou do fundo da piscina – Cara você é extremamente baixinha.
–Para!
Fiquei apoiada nos meus joelhos. Olhei pra baixo Natsu me encarava. Não perguntei nada fiquei apenas olhando. Ele se abaixou e me deixou sentar na borda da piscina, quase embaixo da água já ele se virou e lambeu minha perna.
–Não faça isso! – ri colocando a palma da minha mão na sua testa segurando-o.
Me aproximei e dei um beijo no cantinho da boca dele.
Sorri ainda o fitando. Podia sentir meu rosto todo vermelho e quente enquanto ele se aproximava tirando minha mão da testa dele...
–Ei! – gritou Gray – Juvia disse pra gente se trocar pra fazer alguma coisa... – ele deu de ombros.
Natsu travou como se tivesse esquecido de algo.
– O que? Mas como assi-
–Nada! – ele me interrompeu – Vamos trocar de roupa.
Saímos da piscina e fomos até o estacionamento todos juntos.
Eu não sei porque mas Juvia foi com o Gray no carro dela buscar alguma coisa.
Peguei minha mochila que Levy tinha arrumado pra mim e voltei pro parque na área onde ficam alguns chuveiros públicos.
As meninas não tinham vindo ainda. Então liguei o meu e fiquei tentando primeiro tirar as tintas do cabelo.
Natsu Dragnell
Assim que vi Lucy indo pros chuveiros corri até Levy.
–Juvia foi buscar o bolo?
–Aham! Alguém precisar segurar ela lá. – ela sussurrou como se Lucy estivesse perto de nós.
–Gajeel foi pegar a mesa. – Cana completou
–Eu vou ir jogando umas serpentinas aqui nas arvores já que não vai dar tempo de encher bexigas.
–Preciso de refri! – Levy pulou no mesmo lugar – Me dá a chave do carro!
–Quem vai segurar ela lá? – peguei a chave de dentro da minha mochila de roupa.
Os três me encararam como se eu perguntasse algo idiota.
Espera.
–Eu vou?!
–Claro! Quem mais? – Fried deu um peteleco na minha testa
–Ta eu penso num jeito...
Sai rapidinho dali até a área dos chuveiros levando minha mochila.
Ela estava concentrada sentada no chão com o chuveiro desligado tirando aos poucos a tinta do cabelo.
Abri o chuveiro do lado dela.
–Difícil? – ri
–Com certeza... – ela bufou – Coitado do Gajeel com aquele cabelão.
Fiquei em baixo do chuveiro.
Talvez eu pudesse falar com ela agora...
Ia tomar tempo... E, eu queria mais que logo resolver isso.
–Luce? – ela me olhou – Quer falar agora?
Ela continuou tirando as casquinhas roxas e azuis do cabelo em silêncio.
Não sei se eu podia tomar aquilo como um não...
–Eu... Eu acho que você sabe que eu gosto de você Natsu.
Travei.
É, eu acho que sabia, mas ou vi-la dizer com todas as palavras era totalmente diferente. Eu sorri e fiz que sim com a cabeça, mas não sei se ela viu.
–Eu também, acho que você também sabe. Desde quando eu vi você...
–Porque não me contou antes?
Imaginei na minha cabeça o porque.
Acho que eu era um idiota medroso.
–Acho que eu tinha medo. Eu ia te contar,mas um dia pedi pra Levy falar com você... E ela disse que você não ficaria com um amigo seu pra não perder a amizade.
–Ela sabia?!! – ela me olhou totalmente espantada
–Lógico, ela é minha melhor amiga.
–Safada, ela nunca me contou. Levy guarda mesmo segredos.
–É...
–Acho que eu teria mudado de idéia se fosse você, Natsu. – travei de novo sentindo meu rosto todinho ficar vermelho – E quando você foi embora?
Respirei fundo.
–Quer tirar tudo a limpo?
–Quero...
Levantei e desliguei o chuveiro sentando no mesmo boxe que ela estava agora,de frente pra ela.
Vamos Natsu.
A hora chegou trate de abrir essa boca e falar.
–Primeiro que queria saber se gostava mesmo de você, e quando eu descobrir que gostava a Levy contou sobre a conversa de vocês. Então, meio que eu tentei esquecer. Não pense que minha viagem era pra me afastar de você Lucy, sabe que foi por causa do Ignell. Mas eu não vou negar que eu tentei esquecer você principalmente pelo Loke... Por você não querer... Não deu certo sabe?
–E a Lisanna?
Droga.
Droga.
–Eu não gosto dela Lu-
–Eu sei que não. Mas antes você gostava.
–Eu gostava, do jeito que você gostava do Loke.
–Natsu... Eu gosto de você muito de verdade. Eu não posso ver você mais só como amigo não depois de tudo... Depois dos dez anos e de agora. – eu sorri.
–Vai ficar comigo então? –brinquei me aproximando dela
–Eu não quero namorar agora.
Ai.
Doeu.
Mas eu entendia.
Acho que eu também não iria querer. Não depois da ultima experiência.
–Sei...
–Tá bravo?
Eu ri.
–Não Luce, eu não ficaria bravo por isso. Eu... –suspirei – só queria saber como vamos ficar... Juntos ou não...
Fiquei olhando pro chão molhado.
Ok, sem namoro. Mas sem ficar juntos também? Pra quem agüentou dez anos... Dei de ombros.
–Eu quero ficar com você... posso ficar com você... Do mesmo jeito... Não, posso? – ela se aproximou
–Tá brincando comigo de novo? – perguntei semicerrando os olhos pra ela.
Podia ser na brincadeira, mas eu já ficava com aquele batimento cardíaco acelerado de gente apaixonada só de pensar na possibilidade.
–Eu não estou brincando...
–Lu- eu ia falar e ela se aproximou me dando um beijo de leve.
Fiquei olhando com os olhos abertos pra ela que também estava de olhos abertos e se afastou.
–Estou falando sério... – ela ainda estava perto de mim – desculpa se eu enganei você, Natsu, mas agora eu nunca falei tão sério...
–Não importa,eu concordo com isso. – soltei e a beijei de novo.
Lucy Heartfilia
Não lutei, nem o empurrei daquela vez.
Passei minha mão pela nuca dele e retribui o beijo.
Que por sinal era muito bom...
Ele envolveu minha cintura e me abraçou me trazendo pra mais perto.
Queria passar o resto do dia ali, nos braços dele, no parque. Nada mais justo sendo o nosso lugar preferido de infância.
E eu ficaria, se não tivesse uma água gelada embaixo das minhas pernas me causando o maior frio.
Me afastei dele um pouco quando o ar nos faltou e porque não agüentava de frio.
–Tá frio aqui... – ele riu
–É... – mas voltou a me beijar.
–Ei!! – nós dois ouvimos um grito.
Não era familiar e soava bem autoritário.
Mais uma vez.
Nós dois abrimos os olhos ainda com as bocas coladas.
–Vocês não podem se pegar ai não!
Me soltei dele olhando pro lado.
Havia um segurança em pé a talvez cinco metros de nós. Ele ficou olhando pra gente depois fez não com a cabeça e se virou saindo.
–Jovens... – o ouvi reclamar
Olhei pra Natsu com as bochechas vermelhas e ri.
–Quer me ajudar? – dei uma mecha do meu cabelo pra ele.
–Ok...
Mesmo que fosse bom ficar ali conversando com Natsu enquanto ele todo concentrado tirava as cascas de tinta do meu cabelo. Já fazia meia hora que estávamos os dois ali, na mesma mecha.
–Desisto. – bufei – Não vai sair tão cedo... Vou esperar chegar em casa. – me levantei e liguei o chuveiro embaixo de nós.
–Ai eu já estava seco... – ele resmungou, mas continuou debaixo do chuveiro
–Preciso trocar de roupa... Afinal cadê o pessoal?
–Ah eles... Eles devem ter se trocado já...
–Ué como eu fui a primeira a chegar...
Sai do chuveiro desligando e indo até minha mochila. Tirei uma toalha.
Os banheiros estavam ocupados já ia ter que esperar pra poder me trocar.
Natsu já pegava sua toalha e a mochila e...
–Que está fazendo! – disse colocando minha toalha no rosto tampando os olhos mesmo não querendo tampar... Então deixei uma brechinha de nada...
–Tô me trocando...
Ele tirou a regata e o shorts se secando com a toalha o corpo todo.
–Luce? – me chamou colocando uma calça jeans.
–Hm. – eu percebi que tinha mantido olhar fixo onde antes era uma cueca Box.
–Você está vermelha.
–Tô é?!
Desviei o olhar e abri minha bolsa.
Eu estava um pouco tímida... Mas o que eu mais queria agora, era tirar aquela roupa molhada. Tirei minha blusa e meu shorts ficando de biquíni. E me sequei o corpo e o cabelo de leve.
–Sua tatuagem é linda...
–Não olha! – gritei pra ele atirando uma toalha na sua cara
–Mas você ta se trocando na minha frente como eu não vou olhar? – ele gargalhou arrumando a bandana na cabeça. Ele ficava tão lindo com ela...
–Não olhando oras.
–Você me olhou. – ele jogou a toalha na minha mochila.
–Não olhei.
–Devia se trocar logo então ainda estou olhando...
Desisti de brigar e coloquei o vestido logo.
Juntei minhas coisas e ele a dele.
Ele foi olhando todo desconfiado pra mim e pras arvores. Coçando a cabeça daquele jeito que está escondendo algo. Eu preferi ficar quieta, mas ele estava estranho. Enrolei meu braço no dele e encostei no seu ombro,ou quase,porque eu tinha ficado baixinha demais pra isso.
Ele sorriu e segurou minha mão.
Fiquei olhando talvez o resto do caminho as nossas mãos juntas. Eu me lembrava do que Lisanna dissera sobre “amizade colorida”,mas eu sabia muito bem,que Natsu não me tratava igual ela. E colocaria isso na minha cabeça caso ela viesse me pertubar de novo.
Assim que terminamos de subir o morro ouvi um coro de “parabéns”.
As arvores estavam todas enfeitas com serpentinas,bexigas... Uma mesa com um bolo e refrigerante.
–Não acredito... – sussurrei
Como eu não desconfiei??
Burrice aguda.
–Parabéns de novo!! – Levy correu e me abraçou.
–Não acredito... – disse de novo
–Veeem comer!!
Eles continuaram cantando parabéns e me levaram até onde estava o bolo. Natsu acendeu a vela com o isqueiro. E eu já ia soprar quando...
–Faz um desejo! – Cana gritou
Eu nem sabia o que desejar.
Eu tinha todos eles.
Tinha Natsu.
Outro emprego.
Estava mais do que bem na faculdade.
“Eu desejo que os desejos deles se realizem.”
Olhei pra cada rostinho dos meus amigos e soprei a vela.
Fui até onde Natsu estava e enrolei os meus braços no pescoço dele e lhe dei um selinho demorado.
Todo mundo começou a gritar mais ainda e bater palmas.
–Obrigada... – disse no seu ouvido – Por tudo.
–Eu que tenho que agradecer...
Levy me pediu pra cortar o bolo. Eu dei o primeiro pedaço pra ela, claro.
Fiquei cortando com a ajuda de Cana, e Fried enchi refrigerante pra ele e algumas crianças curiosas que estavam com vontade.
–Deixa elas comerem também tadinhas... – disse dando um pedaço pra outra garotinha.
Havia outra criança maior que eu com cara de pidona do meu lado. Suspirei e cortei um pedaço pra Natsu.
–Achei que ia esquecer de mim...
–Drama... – cantarolei
Ele ia colocar a colher na boca mas parou me olhando.
Olhando estranho...
–Nem pense! – disse dando uns passos pra trás enquanto ele vinha com o dedo de chantily pra cima de mim
–Ah vai...
–Pra que quer me sujar?!
–Minha intenção não é sujar,é limpar...
–Não! – gritei rindo quando a outra mão dele me puxou e o dedo me lambuzou na bochecha e um pouco mais pra baixo. –Nem vem!
–Ué vou te limpar...
–Não!!
Ele me beijou na bochecha onde estava o chantily e desceu um pouquinho até que o empurrei.
–Tô toda grudenta... – reclamei me limpando com o guardanapo.
Eu não era a única... Levy tinha o rosto todo lambuzado enquanto Gajeel tentava pegar ela pra “limpar”. Juvia e Gray era um amorzinho só. Os dois dando bolo um na boca do outro. Cana e Fried, os dois que não imaginaria nessa,mas ... Estavam no meio das crianças comendo e conversando. Peguei meu pedaço e me sentei num banquinho. Assim que Natsu se sentou do meu lado, meu celular tocou.
Era Alzack.
Ele me pedira pra ficar com Asuka pra ele poder sair com Bisca.
–Será que ela pode vir aqui no parque comigo? – comecei a explicar a situação. Felizmente ele não se importou dela ficar aqui comigo.
Fui com Natsu meia hora depois no portão do parque buscar ela.
–Hey princesa! – exclamei e ela pulou no meu colo se despedindo dos pais. Me virei indo até Natsu – Esse, é o Natsu. Natsu essa é a Asuka.
–Oi!! – ela disse sorridente, antes que ele pudesse responder ela soltou – Ele é o seu namorado Lucy?
Dei risada alto da vermelhidão preenchendo o rosto do Natsu.
–Hm , ele é meu... – fiz um beicinho pra Natsu – Meu parceiro. – sorri
–Ah, entendi... – ela suspirou
Dei uma piscadela pra Natsu e ele sorriu.
Nós dois voltamos pro morrinho das árvores e demos bolo pra Asuka. Até que ela quis brincar nos balanços. Fomos eu e Natsu, carregando Asuka pelas mãos. Cana e Fried já estavam no parquinhos, brincando na gangorra.
–Eles não são grande Lucy? – Asuka perguntou quando comecei a empurrá-la no balanço
–São... Mas, todos nós somos crianças por dentro. É bom ser pra sempre criança...
–Igual ao seus amigos?
–É... – ri.
Gajeel e Natsu estavam no outro balanço tentando ver quem balança e pulava mais longe. Eu via a hora de um deles cair de cara...
Tapei forte os ouvidos da Asuka e gritei.
–Vai dar merda! – Levy gargalhou e eu também.
–O que você disse?! – perguntou Asuka curiosa
–Nada não.
Estaria morta de cansaço no fim do dia.
Brinquei de tudo que podia com a Asuka. E quando achei que ela daria uma trégua, Gray propôs um esconde-esconde.
E lá fui eu.
Deixei Asuka no parque e fomos.
Depois de um joquempô eterno. Sobrou Fried e Natsu. E Natsu ia procurar.
Eu não tinha idéia de onde me esconder.
Corri pro meio das arvores e me escondi atrás abaixada quase caindo no morro num tronco grosso cheio de raiz.
Não sei onde os outros se esconderam a não ser Fried. Que pediu pras crianças esconderem ele na casinha do parque em meio a várias bonecas, e Gray que subira na mesma arvore que eu estava agachada.
Assim que vi Natsu gritar “Lá vou eu”.
Desatei numa risada, eu era péssima na arte ficar quieta,seja silenciosa... e derivados.
Gray foi corajoso de sair do esconderijo, mas Natsu o pegou e bateu ele primeiro de todos.
Continuei na arvore, até ouvir passos. Segurei uma risada até ouvir um berro do Natsu de te achei.
Gritei de susto e gargalhei, me levantando pra correr. Mas eu não era mais rápida que ele.
–Pelo menos não fui a primeira... – coloquei a mãos no joelho respirando.
Talvez tivesse passado mais uma hora só daquilo. Até que dei uma pausa pra ir ver como Asuka estava. Natsu estava escondido ali perto e acabou indo comigo.
–Gajeel vai te achar... – avisei
–Não importa, ele já achou o Fried mesmo.
Asuka estava com uma espada na mão junto com outras duas meninas brincando.
Porque ela estava de espada? Ri mentalmente.
–Pare senhora! – ela gritou pra mim – Estou protegendo o castelo e as princesas de um dragão.
–Um dragão?! – fingi espanto – E eu?Vou ficar indefesa?
–Não... – ela ficou pensativa – Você é uma princesa também, pode entrar...
–E Natsu? Ele não vai ser protegido? – entrei dentro da casinha
–Eu não preciso de proteção. – ele sorriu – Sou um cavaleiro.
–Nada disso eu sou o cavaleiro! – interviu Asuka – Você é o dragão que eu tenho que matar!
–Eu?! – ele gargalhou – Então se prepare Cavaleira Asuka porque eu vou soltar muitas rajadas de fogo e seu escudo não a protegera! – ele fingiu uma risada maléfica e um rugido.
As meninas todas na casinha gritaram e eu também.
–Não tenham medo princesas! – Asuka se posicionou na nossa frente – Eu vou acertá-lo!
E acertou mesmo.
Ela deu um chute certeiro na canela de Natsu o fazendo cair. E subiu nele fazendo cócegas nele. Eu ri daquela cena toda, mas por sinal estava fofa...
Sai da casinha a fim de acudir Natsu da nobre cavaleira e suas cócegas.
–Pronto! –ela parou ainda em cima dele – O dragão está derrotado.
– Matou o pobre dragão, coitado. – sorri – Eu até que gostava dele.
–Aé?! – Natsu exclamou
–Mortos não falam! – Asuka o chutou de novo e eu gargalhei
–Ok... – Natsu aceitou com a mão na canela.
–Como princesa, você gostava deste dragão?!
–Ele... Ele era corajoso... – encarei Natsu — Enfrentou a cavaleira Asuka, temos que considerar sua coragem.
–Hm... Que mais? – ela cruzou os braços
–Ele é... Corajoso... Forte... – ele me olhava com os olhos concentrados e brilhosos,com um sorrisinho de lado – bonito...muito bonito... Inteligente...
–Dragões não pensam!
–Ele não é qualquer dragão, é um prin- um plebeu!Foi encantado.
–Coitado! Vamos tirar ele do encantamento, beijo-o.
–O que?!
–Beija ele anda!Igual nos filmes, beijo pra despertar o encanto.
–Eu...
Eu beijaria... Sem problemas. Quantas vezes quisesse, mas eu não ia só pra causar, e por causa das crianças né gente...
Peguei um urso de pelúcia sem Natsu ver e fui me aproximando, sem tirar os olhos dos dele que pareciam me sugar cada vez que eu chegava perto...
E coloquei o urso entre nós.
–O urso o beijou!Está livre do encanto Sir Dragnell. – levantei os braços.
As meninas fizeram a maior festa,menos Asuka.
–Ta de brincadeira... – Natsu reclamou rindo
–Dragnell?! Nome de dragão legitimo! – ela entrou na minha frente — Afaste-se Sir Dragnell de minhas princesas!
–Suas? A espera lá o pequena...
Gargalhei alto.
–Tem uma princesa ai que é minha ok? Exijo a devolução dela imediatamente.
–Por cima do meu cadáver!!
E começou mais uma luta.
Na terceira tentativa eu não agüentava mais de rir.
–Asuka por favor... Devolve minha princesa Luce?
Senti meu rosto todinho vermelho e sorri sem graça.
–Hm, ok. Eu sei que você gosta dela dragãozinho...
–Gosto... Demais.
–Ok ,pode levar, mas!Não a morda e nem a faça pegar fogo.
Ele sorriu maliciosamente pra mim com uma sobrancelha erguida.
Não foi um calor de vergonha... Foi um calor... Diferente.
Até passei a mão pela minha nuca e percebi que suava de leve.
–Vou tentar me controlar...
–Prometa! – Asuka gritou
–É quase impossível... – ele mordeu o lábio inferior dando de ombros – Mas vou prometer por você Asuka.
–Rum.
Tá agora eu não suava, eu pingava.
Levantei limpando meu vestido.
–Acho qu-que vou tomar um sorvete... Quer Asuka?
–Não princesa. – ela disse calmamente e eu ri de leve.
–Quer? – falei a Natsu e ele fez que sim.
Andamos até um carinho de sorvete e peguei uma casquinha enorme de sabor iorgut e ele um de chocolate.
Eu estava praticamente comendo todo o sorvete em mordidas rápidas. Só queria acabar com o raio daquele calor. Dei uma mexida na parte debaixo do vestido e sentei no balanço do parque.
–Tá com fome? – Natsu riu quando eu pedi outro sorvete pela grade do portão só pra não ser que sair.
–Com calor. – peguei o sorvete e um pouco dele caiu no meu dedão, e eu chupei e lambi o que já ia cair de novo do sorvete.
–Queria ser o seu sorvete...
Engasguei e ele gargalhou.
–Qu-que negócio é esse! – tentei segurar uma risada.
–Foi mal, foi mal...
Me concentrei em tomar o sorvete. Ou pelo menos eu achava que estava me concentrando.
Que raio de sensação é essa. Pode parando por ai.
Respirei fundo.
Olhei de relance pra Natsu apoiado com o pé na haste que segura o balanço. Porque ele tinha que ser tão... Tão Natsu.
Para Lucy. Pare de olhar...
Mas é claro que eu não parei.
E porque justo agora me vinha na cabeça a cena dele sem camisa e calça...
Algo gelado escorreu na minha coxa.
O sorvete começava a pingar sem parar.
–Droga... – reclamei tomando o resto.
Peguei um guardanapo com o rapaz do carrinho e me sentei num minúsculo espaço entre as grades do portão e a base dele pra limpar.
Limpei logo o sorvete e me levantei voltando ao meu balanço.
–Você está bem Lucy?
–Eu... — suspirei
–Você parece nervosa...
–Tô ótima. – sorri e joguei o resto do sorvete no lixo – É o calor.
–Mas nem ta tão calor, e você está de vestido.
–É-é ló-lógico que ta. – teimei – Vamos voltar e...
–Natsu!Seu vagabundo!!- alguém gritou
Me virei pra olhar Fried e todo o resto do pessoal vinham na nossa direção.
–Eu to te procurando – Fried começou a correr até nós.
Natsu largou o sorvete dele e começou a fugir de Fried.
Respirei fundo e me sentei de novo agora me balançando um pouco Juvia se sentou ao meu lado.
–E então aquele beijo? – ela mexeu os ombros e sorri – Vocês estão juntos?
–Hm... Não, ou sim? Eu disse que não queria namorar agora sabe.
–Mesmo sendo ele?
–Como assim? – me confundi
–Eu sei que você passou por muitas confusões no seu antigo namoro, mas Natsu é o Natsu. Você... Sempre gostou dele,achei que não fosse pensar duas vezes...
–Eu também achei que não, mas eu acho que me sinto melhor assim. Talvez... Só talvez, eu tenha ficado um tanto ressentida.
–Imagino. – nós começamos abalançar devagar – Sabe Lucy, eu sempre fui de me apaixonar fácil pelas pessoas,e acho que eu sofri muito por isso,por esse meu jeito meio fácil...Leon é um cara legal,mas ele não fez diferente dos outros... Gray é diferente. Ele esperou eu no tempo certo, e mesmo quando só conversávamos na oficina,ele me fez perceber que eu devia dar valor a mim mesma. Acho que eu estou dando... acho que ele dá a mim também. Talvez, ele tem curado meus ressentimentos. Natsu pode curar os seus.
Bati os pés parando de balançar.
–Com o tempo. – ela completou.
Sorri. Olhei pra eles correndo pelo parque. Agora Natsu e Fried lutavam no chão rolando,eles se separaram e ele me olhou sorrindo.
–Acho que ele já curou... Quase cem por cento. Não é como se eu tivesse muitas... É só medo de acontecer de novo, das mesmas coisas de novo.
–Isso serve como ferida. – ela afagou minhas costas – Vai passar.
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