A Loba e o Dragão

5 Fotos e Dança


Notas iniciais
Gente a música que eles estão dançando se quiserem pra ouvir recomendo haha se chama All About Us - He is We. Achei que foi muito a cara do capítulo e deles.

Eu dormi sábado até duas da tarde...

Passei a madrugada acordada pensando. E as vezes que peguei no sono acordei com Levy chorando dormindo.

Mirajane havia me ligado dez minutos atrás.

–Oi Mira.

–Lucy querida,s ei que sábado é sua folga mas hoje está uma correria aqui e Laxus saiu pra pagar uma contas.

–E a Lisanna?

–Ai Lucy, você diz como se não conhecesse minha filha,ela quer gastar o dinheiro mas não quer ajudar a juntar ele.

Bufei de raiva longe do telefone.

–Chego em vinte minutos.

Minha cara estava horrível, passei um pó de leve e lápis de olho,pegando o batom e sai sem tomar café.

Realmente o café estava no fluxo, literalmente.

Coloquei meu avental e me olhei na tampa de uma panela pra passar batom,pegando meu bloquinho.

–Olha,só preciso que você atenda os pedidos e dessa vez ajude apenas a lavar os pratos. Com esse friozinho de julho quase ninguém pede Milk shake. Só café.

–Ok. – disse terminando de passar o batom – Xícaras e pratos.

–Isso.

Eu sai pelo balcão e comecei a atender as mesas. Depois lavei algumas xícaras e eu mesma comecei a servir os cafés.

–Licença? – uma voz alto surgiu atrás de mim.

Me virei com uma xícara na mão,entregando-a para a mulher ao lado do cara que acabara de me chamar.

–Pois não?

Ele ficara mudo, então repeti.

–Ah sim, é... Dois cafés com chantilly.

Fiz os dois cafés e dei pra ele. Eu tinha quase certeza que já vira aquele cara em algum lugar...

–Moça – ele deu meia volta com o café – Desculpe mas... Você estuda na faculdade ali do centro?

–Sim...

–Ah,era só pra ter certeza. Conheço você. Sou Sting. – ele estendeu uma das mãos pousando o café no balcão, eu devolvi o cumprimento.

–Lucy... – sorri e voltei a lavar.

Esse era o tal cara do jornalismo...

Lá pelas cinco horas Mira decidiu fechar porque precisava ir ver o irmão dela que estava doente ainda hoje.

–Lucy se importa de terminar de limpar enquanto me troco?

–Não. – afirmei

Pegueis vassoura, rodo e panos. Primeiro limpei as mesas, na ultima mesa. Ouvi a porta abrir.

Era Lisanna.

–O que você está fazendo aqui?

Por Deus o que eu mereci pra isso.

–Não sei Lisanna, talvez só talvez eu trabalhe aqui. – disse limpando a ultima mesa e comecei a varrer o chão.

–Nossa Lucy. – ela fingiu um drama e se sentou na mesa. – Será que posso pedir um favor?

–Hm...

–Dê um recado ao Natsu-

–Não. – a interrompi

–Ué, mas você disse que-

–Dê você.

–Estou sem créditos... – ela fez um beicinho – Poxa eu só queria saber o que ele fez de tão importante ontem a noite que não me chamou... Você é amiga dele, sabe se ele saiu...

–Se eu soubesse não falaria. Não me meto no namoro dos outros.

–Ah não é namoro. Vai Lucyyyy...

–Não sei. Sério.

Eu não sabia, mas agora estava morrendo de curiosidade.

Apesar que sinceramente,ele devia ter passado a madrugada jogando vídeo game,ou dormido depois de sair com a gente.

–Bem...que pena... Então diga a ele que não me ligue o resto da semana,por castigo.

–Ah claro... vou dizer.

Talvez eu dissesse mesmo. Seria bom ele acharia que eu não a odeio tanto assim que até conversei com ela...Mesmo que odiasse...

–Apesar que eu não consigo ficar sem ele uma semana... Ele é realmente bom sabia?

–Lisanna, eu realmente adoro limpar sem conversar sabe.

–Desculpe,talvez eu esteja deixando você com ciúmes.

Eu larguei a vassoura prestes a xingar, quando Mira chegou,

–Lucy! Pode ir querida, o salão já está ótimo. Laxus arruma a louça mais tarde, eu estou realmente atrasada.

Peguei as vassouras e fui direto pra lavanderia.

–Você ia dizer algo Lucy? – Lisanna sussurrou atrás de mim.

–Eu não tenho porque ter ciúmes do Natsu, Lisanna...Desculpa te desapontar.

–Hmmm que pena, achei que você tivesse, afinal amigos tem ciúmes dos outros quando o relacionamento de um está bom e outro não...Ciúmes,ou inveja...

–Vai se foder sua vaga-

–Lucy!! – Mira gritou lá fora – Vem receber que eu vou fechar.

Lisanna me jogou um beijo e saiu.

–Vagabunda, vagabunda.... – disse jogando o avental de qualquer jeito.

Soltei o cabelo,peguei o dinheiro da Mira e sai.

Andei bufando com os fones de ouvido até a portaria.

–Lucy tem carta aqui... – senhor Makarov gritou quando eu passei e continuou falando – Um rapaz deixou isso ontem...

Voltei pegando e jogando um sorriso sem jeito pra ele n em ouvindo direito por causa do fone.

Apertei o botão do elevador e entrei.

Ótimo... Telefone pra pagar,água,luz... Acho que telefone estava atrasado porque era apenas uma mensagem. Propaganda. E... Um envelope vermelho no meio de todas aquelas contas. A porta do elevador abriu e eu entrei em casa abrindo o envelope.

Uma pequeno papel dizia “Olhe o que eu achei!!”

Duas fotos e um desenho.

No desenho três bonecos de palito cantavam parabéns pra um bolo com uma grande vela 12.

E as duas fotos, uma era eu e Levy ainda morena com um gato branco no colo. Aquela era Charl, uma gatinha que achamos uma vez na rua,tentamos cuidar dela,mas ela era muito fujona.

E a outra eu com meu vestido de 15 anos,Levy com o cabelo quase todo azul e Natsu no meio de nós baixinho que só.

–Levy! – chamei. Ela veio do quarto com os óculos e um caderno. Devia estar fazendo lição – Olha...

–Meu Deus!!Eu morena! Socorro, quem deu isso??

Olhei o envelope vermelho. Embaixo estava escrito Natsu.

–Quem será...

–Isso é um pedido de desculpas por acaso?

–Não sei mesmo. – ri

Dentro do envelope tinha outro papel.

“Vou terça pedir desculpas pra Levi. Hoje a noite o Gajeel chega então vou instalar ele aqui em casa, e segunda vamos procurar apartamentos pra ele morar.”

–Gajeel chega hoje. – disse

–É eu sei estava falando com ele.

–Está realmente amiga dele?

–Nós conversamos – ela se sentou – não sobre nós, sobre tudo menos a gente. Está...indo tudo bem.

–Natsu disse que vem te pedir desculpas...

–Aquele grosso... – ela se levantou.

Eu a segui me jogando na cama e contando sobre a Lisanna no café.

–Vagabunda mesmo. – Levy disse pendurando as duas fotos no nosso mural.

No fim,eu decidi que não ia avisar droga nenhuma pro Natsu.

Não ocorreu nada de interessante no domingo...muito menos na segunda. Eu passei os dois dias fazendo lição e estudando. Loke por um milagre apareceu e passou a fim do domingo aqui em casa. Por outro milagre não brigamos por nada. Mas também não estávamos morrendo de amores um pelo outro. Praticamente fiquei fazendo os trabalhos e explicando pra ele as lições da faculdade.

Na terça, Natsu e Gajeel vieram aqui e nós comemos arroz de forno que eu e Levy fizemos. Ele realmente estava mal por ter falado com ela daquele jeito... No fim eles se entenderam,e passaram a tarde se agarrando pela casa. Os dois não passavam um dia sem se falar.

–Não tem ciúmes? – perguntei baixinho a Gajeel enquanto tirávamos a mesa, olhando Natsu deitar no colo da Levy olhando por baixo do livro que ela lia.

–Do Natsu? — ele deu de ombros – Eles são irmãos praticamente, talvez 2% de ciúmes. Afinal eu meio que perdi essa intimidade toda com a Levy. – eu fiz que entendia – Acho que aos poucos,vai melhorando... Ela vai desabafar uma hora. E você?

–O que? – olhei assustada

–Ciúmes?

–Não. – disse rindo. Não tinha mesmo – Levy é mais minha que de qualquer outro não preciso de ciúmes. – brinquei

–E dele...

–Não tenho porque ter Gajeel...

Ele me perguntou sobre Loke e sobre faculdade. E eu sobre o apartamento. Ele conseguira um onde a gente costumava morar quando crianças.

–É longe e tudo, mas o único emprego que consegui está lá perto então... Mas de fim de semana já combinei de dormir na casa do Natsu pra gente sair. – ele riu daquele jeito Gajeel e eu também. Depois foi pegar o baralho pra nós jogarmos truco. Natsu se levantou quando me viu começar a lavar a louça.

–Não,não... – eu lhe dei uma bundada quando ele tentou pegar o pano pra secar – Você é visita,senta lá e fica quieto.

–Ah Luce... Vou ajudar que custa.

–Não. – abri a torneira

–Sai pra lá. – ele pegou no meu quadril com as duas mãos e me empurrou pro lado da pia, e eu fiquei um tanto vermelha por isso – Eu seco,você lava.

No fim da louça eu espirrei um pouco de água no rosto dele e me virei pra sala. Até que ele espirrou um jato usando o borrifador nas minhas costas.

–Natsu! – peguei o jato da mão dele e comecei a espirrar sem parar.

–Tá chega! – ele ria. Até que pegou o pano e deu na minha perna de leve. – Me vingo no truco.

–Ah ta! – ri alto

–Quer apostar?

–O que? –dei de ombros

–Se eu ganhar mais de três vezes...você vai me fazer bolo de chocolate por três fim de semana.

–Eeee se eu ganhar você lava minha louça por três fins de semana.

–O que?!! – eu levantei uma sobrancelha – Tudo bem vai.

Eu fiz dupla com o Gajeel e ele com a Levy.

Vou fingir que Natsu não ganhou naquela noite, mas ele ganhou.

Depois do jogo, fui no quarto pegar uma blusa de frio e Natsu me seguiu porque o único banheiro da casa era no quarto. Assim que vesti meu moletom de dormir,ainda de legginn, ele saiu secando as mãos na toalha. Parou na frente do mural do lado do guarda-roupa.

–Não tinha visto isso... – ele sorriu

–Você nem tinha entrado aqui no quarto depois que voltou da viagem...

Ele olhou todas as fotos.

Eram muitas...mesmo.

Nossas pequenas, Levy com Patherlily o gato de pelúcia, ela e Gajeel deitados no chão numa toalha de piquenique, quando nós saímos escondido para que eles pudessem se encontrar no parque da cidade,nós quatro na roda gigante do parque de diversões. Eu e Natsu sujos de chocolate na nossa primeira tentativa de bolo, ele e Gajeel com os dois braços direitos engessados por caírem de skate. Eu e Loke no nosso aniversario de um ano,e outra na praia.

–Posso... – Natsu apontou o dedo pra alguma foto

–Pode. – dei de ombros.

Ele tirou do alfinete a da ponta esquerda.

Era eu e ele na minha festa de quinze anos dançando. Eu tinha batido o pé porque queria que Natsu fosse o meu príncipe na festa. Ele ficou com vergonha porque tinha enfaixado as duas mãos depois de cair no asfalto, e nos espinhos e não queria ir. Mas acabou que fomos. Mesmo quando não era mais a valsa quando todos os convidados estavam indo, nos colocamos uma música lenta e dançamos do mesmo jeito.

–Porque mesmo eu estava com as mãos enfaixadas?

–Você caiu a ladeira do posto de gasolina. – eu ri me lembrando.

Fora uma queda horrível.

Lembro que eu e Levy estávamos no shopping fazendo compras,quando Gajeel ligou desespero que Natsu estava com as mãos em carne viva e cheias de espinhos, e os pais deles não estavam. Levy teve de chamar o pai dela pra levar ele até um pronto-socorro fazer um curativo.

–Foi mesmo... – ele fez uma careta olhando a foto — Cara como doeu... Ela estava toda furada...

–Você chorou feito um bebê.

–Você também. – ele me empurrou de leve

É, eu chorara mesmo.

Fiquei tão preocupada quando vi todo aquele sangue saindo dos espinhos que entrei num desespero total.

–É...chorei. Mas eu chorei mais por você não querer dançar comigo depois.

–Eu queria, eu só estava com vergonha de... – ele parou de falar, e suspirou – De você não querer pegar na minha mão. – ele colocou a foto no lugar. – Por isso falei pra chamar outra pessoa...

Eu sorri sem graça.

–Eu queria dançar com você... Mesmo com a mão machucada.

–Eu também. – ele me olhou de rabo de olho – Eu era tão baixinho que você dançou descalça. – e nós dois gargalhamos.

Ele se virou pra mim e fez como se fosse uma reverência e estendeu a mão. Eu senti meu rosto se avermelhar e me aproximei dele.

–Não tem musica... – peguei na mão dele.

–A gente canta. – ele passou a mão pela minha cintura me apertando contra o corpo dele devagar. – Eu ainda lembro a música... – ele piscou pra mim.

Eu estava olhando no seu olho quando fiquei com vergonha e desviei o olhar abraçando o ombro dele com uma das mãos.

Era totalmente diferente da primeira vez. Ele tão alto agora que eu estava na ponta dos pés, eu nem tinha peitos antes muito menos agora que tocavam o tórax dele de grandes, e nem ao menos um braço forte me abraçava como agora. Eu ri disso, afundando a cabeça no ombro dele.

Aquela música...

Na época eu já dizia ser a nossa música por ter dançado com ele. Mas naquela hora eu realmente fiquei com vergonha de nós entendermos inglês já que a tradução era mais do que apaixonada,mais do que pra nós.

Nós deslizamos pro lado de leve e no segundo passo ele começou a cantar e eu acompanhei.

– Take my hand, I'll teach you to dance... I'll spin you around, won't let you fall down...

Começamos a cantarolar e eu podia sentir meu rosto todo vermelho.

Narradora Levy McGarden

–Acho que Natsu e a Lucy resolveram ficar pelo quarto. – Gajeel disse colocando outra trinca na mesa.

Droga, só faltava uma pra ele ganhar.

Espera...

O que ele acabara de falar?

Levantei os olhos do baralho, e olhei pra porta do quarto. Estava aberta, os dois estavam abraçados no meio do quarto, abraçados não. Dançando.

Sorri de orelha a orelha.

Como eu queria que eles parassem logo de palhaçada e ficassem juntos.

–Eles estão dançando. –disse

Gajeel olhou pra porta também e sorriu.

–Eles dão um casal muito bonito sabia...

–É...

–Natsu foi um burro de não ter dito antes que gostava da Lucy.

–Acho que tudo tem seu tempo. –disse finalmente fiz outra trinca, só mais uma... – Talvez não fosse o momento.

–Verdade... Sabe... Ele ainda gosta dela não é Levy?Ele nunca parou aquilo era... Mentira não é?

Eu respirei fundo, e olhei de novo pro quarto.

Uma coisa que eu sabia fazer era guardar segredos.

Quando há sete anos a trás Natsu me fez jurar sobre a nossa “árvore da amizade” que eu jamais abriria a boca sobre a Lucy, eu jurei mesmo. E dois anos depois numa festa ele bebera, e beijara a Lisanna e chorara feito criança, ele dormira no meu quarto do meu lado achando que nunca esqueceria a Lucy... E nunca havia falado nada pra ninguém... E quando há quatro anos ele me disse que ainda gostava dela, e que a viagem era pra mudar isso além da mãe. Eu também guardei segredo. E eu sempre guardaria até o fim.

–Não sei. –disse por fim coçando o olho. – Não sei mesmo Gajeel...

–Está mentindo. – ele riu

–Eu?

–Você coça o olho quando mente.

–Ora deixa disso. – parei de coçar o olho e voltei à atenção pro baralho.

Gajeel ficou em silêncio. Eu podia sentir que os olhos dele estavam em mim.

–Qual é o seu tempo Levy?

Travei.

Juro que travei.

Eu fixei os olhos na dama de copas, e não consegui olhar pra ele.

Desde que ele voltara, nós nunca tínhamos conversado sobre nós... Eu nem achava que conversaríamos. Não agora.

Eu realmente não estava preparada ainda. E juro que não é orgulho, acho que é mais medo.

–Gajeel...

–Não precisa responder. – ele disse assim que eu ia continuar a frase – Como você disse todos tem seu tempo...

Eu olhei nos olhos dele. Ele estava sentado daquele jeito que eu achava mais sexy impossível... Uma perna dobrada e a outra não, com o bolinho de cartas na mão. Sorrindo.

–É... – eu coloquei um fio de cabelo atrás da orelha.

Aquele sorriso fez acender tudo em mim. Até mesmo um fiozinho de nada da minha coragem.

Narrador Natsu Dragnell Fernandez

Eu nem me importava da Lucy estar escutando minha voz que era bem desafinada. Eu tinha perdido minha vergonha desde o dia que ela pegou na minha mesmo enfaixada e vermelha de sangue e dançou comigo.

Ok, eu podia até estar me aproveitando um tiquinho naquela hora. Abracei-a forte pela cintura enquanto dançávamos. Lucy tinha um perfume extremamente bom. E não era o que eu dava pra ela... Parecia mesmo, ser um perfume natural, só dela.

Eu abaixei um pouco a cabeça pra sentir de mais perto, mas me surpreendi porque ela que se ergueu pra perto do meu pescoço. Gaguejei duas palavras da música.

–Você é realmente cheiroso... — Ela disse a frase que eu costumava falar pra ela sempre, bem ali no canto do meu pescoço. Eu mexi o ombro involuntariamente sentindo um arrepio subir na espinha que até parei de cantar.

–Me desconcentrou Luce. – nós ainda dançávamos mesmo sem cantar.

–Foi mal. – ela ainda estava perto meu pescoço.

Eu parei de dançar abaixando a cabeça pra olhar pra ela. Ela se afastou e eu ainda segurava sua cintura.

Eu podia puxá-la e beijá-la ali mesmo... Mas, eu nem mesmo sabia o porquê de não fazer isso. Eu era meio um frouxo. Era mesmo. Assumo. Ela no mínimo me empurraria, ela gosta do Loke, mesmo que seja pouco. Então a soltei devagar.

–Diferente mesmo da primeira vez. – ela riu

–É...

Aquele sorrisinho dela era de matar.

Devia ter uma leia que melhores amigas que estamos apaixonados não podiam gatas daquele jeito. Era mancada...

–Mas eu sempre vou gostar do dia que dancei com você. – ela se sentou na cama – E da música...

Aquela música...

–Eu também Lucy.

Ela parecia uma criançinha com aquele moletom gigante que ia até as coxas dela, de mangas cumpridas, e tinha um gato azul desenhado.

–Gostei desse moletom, e do gatinho. – eu disse ainda em pé. – Nunca vi você com ele.

–Ah... – ela coçou a cabeça – É porque eu uso ele pra dormir... Eu durmo só com ele.

Aquela última frase “Só com ele” Ligou automaticamente meu lado obscuro, e eu a vi só naquele moletom deitada na cama, dormindo... E sorri.

–Porque não está só com ele então... – perguntei erguendo a sobrancelha

–Porque você e o Gajeel estão aqui oras. – ela se levantou e riu. – Vamos voltar pra sala.

–Quer apostar mais coisas?

–Não. – ela cruzou os braços emburrada – Vou ter de ir fazer bolo pra você já está bom.

–Podia cozinhar de moletom...

–Natsu! – ela riu e pegou minha mão – Vamos pra sala.

Narradora Lucy Hearthfilia

Eu peguei Natsu pela mão e voltamos pra sala.

–Bati. – Gajeel jogou um bolo de cartas na mesa.

–Não acredito... – Levy enfiou a cara na almofada

–Pelo no baralho Levy não ganha tudo. – eu soltei Natsu e me sentei do lado dela, ele do lado de Gajeel.

Nós jogamos mais algumas partidas. Natsu mexia no celular com uma cara de bravo e depois jogou ele no sofá. Ficou vibrando toda hora enquanto jogávamos.

–Não quero responder... – ele disse depois que Gajeel disse que estava tocando

–É a Lisanna... – Levy fez um draminha e uma voz fininha. Gajeel caiu na gargalhada e eu fiquei quieta lembrando o outro dia. – Que foi ela está insistindo pra te ver hoje?

–Não.

–Então é a Lisanna mesmo? – Gajeel perguntou lhe batendo com a almofada

–Mas vocês dois hein... – ele retrucou devolvendo com outra almofada.

–Ela disse que não queria te ver a semana toda e agora ta te chamando – soltei, depois mordi o lábio.

Droga.

Droga.

–Ué. Como... Você falou com ela? – ele perguntou

–Ah, talvez. Lá no café. – eu me levantei do sofá correndo pra cozinha pra tomar água.

Mas que bosta. Eu não conseguia ficar sem falar mesmo. Pior que eu só a Levy.

–Ela xingou a Lisanna. – Levy soltou de lá da sala. E Natsu me seguiu.

Eu disse que pior que eu só a Levy.

–Xingou? – ele parou do meu lado enquanto eu abria a geladeira – Quer me falar o que foi ou está difícil?

–Está difícil. – bati a porta da geladeira e bufei – Nada Natsu, não foi nada. Ela só tinha me dito pra te dar um recado.

–O que era?

–Que,que não era pra você procurar ela a semana toda porque ela está de greve. – bebi o copo d’água tudo de uma vez.

–Podia ter me dito. – eu olhei brava.

Qual é? Eu sou um pombo correio agora?

–Estou me sentindo um idiota agora. – ele disse encostando-se a pia. Agora eu estava confusa. – Que,que merda. Nossa. Ela é uma – ele não completou a frase – Agora entendi porque ela está se achando toda porque eu...

Ah.

Agora eu também tinha entendido.

No mínimo, Natsu a chamara. E ela devia estar achando que eu dei o recado, e ele chamou do mesmo jeito. Ele parecia estar falando consigo mesmo agora.

–Gosta de mim... – disse fazendo uma voz fina – Gosto é uma porra. Vou falar do que eu gosto nela. Quer saber? – ele olhou pra mim

–Eu não. – mexi a cabeça várias vezes achando que ele ia falar algo deles dois, mas ele não ouvira o que eu falara.

–Eu não vou pra casa, ela vai bater lá e eu não vou. – ele saiu marchando da cozinha – Gajeel posso ir pra seu apartamento com você?

–Que gay. – Levy disse, Gajeel deu um tapinha na cabeça dela

–Não tem nada lá, sabe disso. Vai dormir no chão.

–Eu levo um colchão no carro. Com tanto que eu não fique em casa hoje.

–Fica aqui com as meninas.

O QUE?!!

–Por mim – Levy já ia dizer quando eu corri pra sala

–Não, não! Sério. É... Foi mal Natsu, mas Loke me mata se –

–Ele não vai saber. – Levy falou de novo, eu joguei um olhar pra ela que fez ela se encolher no sofá – Ou vai... é vai saber.

–Não dá.

–Não tudo bem, fico com o Gajeel. Não é meu amor? – ele se jogou em cima do outro que o abraçou brincando.

Eu respirei fundo. Amém ele não ficaria aqui. Ele não podia ficar aqui.

–Falei que vocês são gays...

Os dois foram embora por volta das dez e meia e eu e Levy fomos dormir.

Narrador Gajeel Redfox

Meu apartamento realmente não tinha nada. E não era bem um apartamento, era um pequeno cômodo num corredor onde moravam mais algumas pessoas.

O banheiro pelo menos estava completo, e tinha até água quente.

Eu ia usar as economias que fiz na faculdade pra começar a colocar umas coisinhas no lugar. Pelo menos comprar cama, geladeira e fogão. Enquanto isso... Eu comia na empresa que havia começado a trabalhar graças a uma recomendação do pai do Natsu, e dormia num colchão de casal que a dona do “conjunto de apartamentos” me dera. Depois que eu me joguei no meu colchão e Natsu no dele. Finalmente a sós... Eu perguntei.

–Que foi aquilo na casa das meninas?

–Aquilo o que?

Eu estava deitado ao contrário no colchão onde devia ser os pés,estava a minha cabeça. Então me sentei e olhei pra cara dele.

–Aquilo o que? – repeti imitando a voz dele – Você e a Lucy dançando... Depois aquele lance da Lisanna...

–Boa noite Gajeel.

–Boa noite é o caralho. – joguei o travesseiro nele – Você ainda gosta da Lucy né? – ele fez que não – Vai mentir?

–Não estou mentindo...

–Natsu... Você é mesmo um frouxo. – eu quase gritei pra ele – Com todas as meninas você é o bonitão, e a Lucy-

–Ela é minha amiga. Não tem porque eu continuar nessa de gostar da Lucy. Ela namora e você não se lembra quando a Levy perguntou se ela ficaria comigo ela disse que não. Não porque estragaria a amizade.

–Isso foi há quatro anos!

–E agora ela namora.

–Porque você é um frouxo e não falou com ela antes.

–Obrigado Gajeel, você é um amigo e tanto. – ele falou naquele tom irônico.

–Hoje quando eu falei com a Levy ela disse que tudo tinha seu tempo depois que eu perguntei se você tinha mesmo desistido. Você não desistiu então?

–Você desistiu da Levy?

–Você sabe que não... Natsu eu era amigo da Levy e a gente ficou junto –

–E vocês brigaram feio. – ele me interrompeu

–É mais... – eu bufei – A gente está se reaproximando agora.

–Gajeel – ele se levantou e me encarou – Acrescenta um bônus na sua historia... A Levy gosta de você ta?Ela ama você. Lucy gosta do Loke.

–Como você tem tanta convicção de ambas às coisas?

–Porque a Levy me fala, ela ama você. Ela só tem medo... Não era pra eu estar te contando isso... Ela nunca contaria sobre a Lucy.

–Vou fingir que não ouvi.

Eu ia fingir mesmo.

Levy ainda me amava? Então porque droga ela não voltava a ficar comigo? Eu já não agüentei aqueles dois pequenos dias ficar olhando pra ela, sem poder pegar na mão dela, fazer carinho, beijar ou qualquer coisa. Agora que eu estava realmente aqui... Eu iria explodir.

– Faltou a outra coisa. – disse depois que vi que ele ficara mudo

–Se ela gostasse de mim... Ela teria falado pra Levy naquele dia...

–Natsu olha aqui, o que a Lucy disse naquele dia foi mais do que a verdade. Ela tem medo de perder sua amizade, ela não disse que não gosta de você.

Ele ficou mudo de novo.

Odeio quando ele fica com essa cara de cachorro abandonado. Eu odiava o Natsu, mas ele era meu melhor amigo...

–Eu não quero falar da Lucy.

–Tá. – deitei de novo – Só me diz que você não gosta da Lisanna.

–Não gosto, de verdade. É só, diversão... E nem é tão legal assim...

–Hm nisso eu acredito.

A gente voltou a ficar em silêncio.

–Natsu.

–Hm.

–Você não fica... bem, com ciúmes de pensar na Lucy e no Loke...

–Muito.

–Ah. Eu achava que era o único paranóico nisso.

Eu morria mesmo, mesmo, de ciúmes da Levy com um idiota da sala dela, um tal de Jet. Só de pensar eu queria socar algo de raiva. Afinal eu não podia ser feito de ferro toda hora e fingir não sentir nadinha por ela. Eu sentia, até demais.

–Sabe o que eu vou fazer Gajeel?

–O que?

–Um dragão...

–Eu faria também... é bem como eu me sinto.

–Vamos fazer! – ele voltou a ser Natsu Alegre e eu ri – Vamos?Sério!

–Tatuagem é uma coisa que tem que se pensar muito...

–A gente pensa isso desde criança, já pensou demais. Quero fazer, e você vai comigo no fim de semana.

Notas finais
O que acharam? Críticas,elogios , podem falar a vontade ;)