A Loba
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Meu nome é Mariana, e moro em um orfanato. Tenho 15 anos e estou aqui desde que me conheço por gente. Dona Adelaide disse que cheguei quando tinha aproximadamente um ano, ninguém sabe ao certo quantos anos tenho, então essa foi considerada a minha idade.
Vi crianças chegando, crianças sendo adotadas, crianças deixadas na porta do orfanato e nunca chegou a minha vez de ser adotada, vejo minhas esperanças ir ralo abaixo a cada vez que vejo uma criança ser adotada. Depois de tantos anos deixei de ter esperança, mais admito que sempre haja um pouquinho quando vejo algum casal passar pela porta do hall de entrada do orfanato.
Crianças depois dos seis anos são mais difíceis de ser adotada e eu já me conformei.
O Orfanato que moro se chama Jardim Esperança, não sei por que o nome, já que o jardim é apenas um gramado sem flores e sem vidas e quase não saímos daqui, alem de ir para a escola. Sei que o orfanato aqui precisa de uma grande reforma, as paredes estão todas emboloradas e algumas com rachaduras, mas não é para menos, para um orfanato com mais de 80 anos passado de gerações por gerações, até que esta em um bom estado.
A ex-diretora Dona Adelaide era um amor de pessoa, mas com sua morte sua filha Clotilde, agora nova diretora, é um tanto chata para não dizer algo pior. Desde que entrou na direção que o orfanato vem sendo esquecido.
Na escola, somos excluídos de todos por sermos órfãos, já briguei com vários moleques por brigar com alguém de nós, arrumei muitas confusões, mas apenas não fui expulsa por ser do orfanato e tirar belos 10 de media.
Já estão nos esperamos para mais um dia de aula, esse ano é meu ultimo e dou graças a Deus por isso.
Dou uma olhada no espelho, que ganhei de aniversario de 10 anos um ano antes de a dona Adelaide falecer, uma saia azul ate os joelhos, uma meia branca um pouco abaixo do joelhos uma blusa branca com o timbre da escola do lado esquerdo e uma gravata azul, deve ser a roupa mais bonita do meu guarda-roupa .
Olhando-me com o uniforme em entre ao espelho me pergunto por que eu ser tão esquisita? Não poderia ser normal igual às outras garotas? Eu tenho os olhos de azul quase cinza, meus cabelos são castanhos e ondulados que batem ate minha bunda, sou muito branca e qualquer coisa eu fico vermelho o que me deixa com raiva e eu fico mais vermelha ainda e para piorar sou baixinha o que faz todos na escola me caçoar, tenho 1,55m de altura, todos são mais alto que eu, e mesmo quando arranjo briga (o que não é raro) nunca perco. Eu daria qualquer coisa para ser apenas cinco centímetro mais altas e meus olhos mais escuros, sei lá não gosto muito dos meus olhos, ele me deixa com cara de criança e eu odeio isso.
*Triiiiiiiiiiiiiim*
O sinal para descer bate uma segunda vez e eu reparo que acabei me deixando levar com a aparência horrível no meu espelho e desço correndo as escadas para irmos à escola que não fica tão longe.
Assim que desço, vou ate a inspetora Helena, eu sempre a ajudo com as crianças menores, como sou a mais velha do orfanato. Vamos andando ate cinco ruas à frente e descemos outra rua que dá de frente á escola.
Dez minutos de caminhada e chagamos. Como eu odeeeeio a escola, e me pergunto se esses dias não terão mais fim e me lembro de que é o ultimo ano.
-Já sabem crianças, irei repetir: na saída esperar todos em frente ao portão! Nada de sair para rua. -Disse pela milésima vez Helen, como a chamo já q somos mais amigas.
Entro na escola e assim que passo pelo corredor já vem o Josh me enchendo.
-A Nanica voltou gente, péssima noticia não é? Não achou nenhum papaizinho e mamãezinha não?
Saio andando, não estou a fim de perder minha cabeça com ele.
Josh foi meu amigo, antes de saber que eu era órfã. Estávamos no sexto ano, tinha acabado de chegar nessa escola, pois fui expulsa da ultima — Motivo? Briga. — E então ele foi a primeira pessoa que veio até mim. No começo éramos inseparáveis, mas quando descobriu, ele ficou distante e apenas piorou quando entrou para o time de basquete da escola. Ainda sinto algo por ele, sei que isso é um tanto clichê já que ele apenas me humilha perante a escola inteira, mas não deixei de gostar dele.
Vou até a sala, a primeira e a segunda aula irá ser com o professor Leopoldo de ciências humanas — até agora sinto pena por ter uma mãe tão ruim para por um nome desses nele — aproveito para tirar um cochilo, adiantei a aula em um tempo livre no orfanato, assim como faço para ter boas notas, pois, não entendo um "a" que ele fala.
Acordo com o toque para o intervalo. Levanto-me e deixo o trabalho que o Leo- um apelido que ele pede para ser chamado — pediu em cima da mesa antes de sair. Vou caminhando até a cantina, e sinto um olhar em minhas costas, mais prefiro não olhar antes que me irrite e levo outra suspensão. Esse ano está muito difícil, toda semana volto com uma suspensão da escola e levei muitas broncas por isso, então vou dar o máximo para não brincar com ninguém pelo menos por um mês.
Matemática, minha matéria favorita com a minha professora favorita — Motivos? A única nessa escola que se importa mesmo com o aprendizado dos alunos e não os diferencia por ser órfã ou não — Beth é o nome dela, ela tem longos cabelos negros, os quis sou apaixonada.
A aula termina e estou pronta para ir embora, ignorando as inúmeras bolinhas de papel jogado ao meu redor. Antes lia o que escreviam dentro e me deprimia, mas agora não me incomodo mais com isso.
Passo pelo corredor em direção à saída e sem perceber tropeço e caio de cara no chão. Levanto-me e ao me deparar com quem me derrubou vejo a cara nojenta da Giulia, que começa a rir com suas "amigas" que querem roubar seu lugar. Conto de dez a zero para não voar em cima dela. Dou um largo sorriso, sempre a deixa furiosa e eu adoro ver ela vermelha pisando duro em direção aos garotos do time de basquete, ela é "namovaca" de Josh, todos do grupo estão rindo de mim. Fecho os meus olhos e penso,Relaxa, não posso criar confusões, relaxa.Respiro fundo e vou andando em direção à saída em que Helen já nos espera.
Ainda bem que hoje não fizeram tantas coisas comigo. As bolinhas, a cara no chão os empurrões nos corredores, não é nada perto de ter a cara enfiada na privada ou ser jogada no cesto de lixo. Como odeio ser baixinha, ainda mais quando não se pesa nem ao menos 45 kg, isso mesmo eu tenho menos de 45kg, é muito ruim, pois mesmo nunca perdendo uma briga, não me impede de ser jogada do cesto de lixo, mas faz uma semana que isso não acontece, desde minha ultima suspensão, na verdade.
Já no orfanato, fico sabendo que tem mais uma criança a chegar, normal sempre chega me sinto triste sempre que acontece de alguém chegar aqui. Subo a escada e entro no quarto, sou a única aqui que tem um quarto só para mim, dividia com Luisa e Giovanna, mas elas já foram embora e fiquei com o quarto apenas para mim.
Tomo um banho antes de me deitar na cama e esquecer que existo, o sono vem me perseguindo hoje, faz quatro anos que dona Adelaide morreu, eu era muito apegada a ela, que sempre fora como uma mãe para mim, uma verdadeira mãe. Deito com uma roupa leve que chegou da doação de sábado e me deixo levar com o sono.
Estou no meio da floresta, já é noite e estou perdida e uma lua cheia brilha entre as arvores. Ouço uivos e me assusto, mas a curiosidade fala mais alto e vou em direção ao som. Depois de alguns minutos de caminhada chego ao pé de um grande penhasco. De baixo consigo ver ao alto do penhasco, um lobo, mas não um lobo qualquer, um lobo grande, com lindos pelos brancos, que parece estar à espera de alguém, vou andando para trás, mas acabo pisando em um galho que se parte na hora, o lobo me olha e...
-Acorda, acorda a tia ta chamando pra conhecer quem vai chegar. — acordo com Michelle gritando aos meus ouvidos, ela é a única que permito entrar no meu quarto sem minha permição. Michelle tem seis anos e chegou aqui desde muito nova, assim que nasceu, e eu cuido dela desde que chegou aqui. Ela é como se fosse minha irmã mais nova e a amo muito.
-Calma! Pra que tudo isso Mih? — ela pula em cima da cama com um sorriso gigante no rosto com duas janelinhas na boca. — é apenas mais um, para que toda essa alegria hem?
-Ah, sei la.. agora levanta e vem.. — ela sai correndo pela porta gritando.
Desço as escadas para conhecer quem irá chegar dessa vez, não estou nenhum pouco animado com a nova chegada, isso significa que mais uma criança esta sendo "largada" pela sua família e eu não me conformo com isso.
Chego à sala e paro ao lado de Michele passando a mão em seus cabelos castanhos claro, ela não para de pular, é sempre assim, ela toda animada quando chegam alguém e toda fechada e triste quando alguém se vai.
-Crianças se acalmem, estão todos aqui? Queremos dar uma boa vinda bem animada para o nosso novo amigo não é? — disse Hellen animando as crianças e ao mesmo tempo acalmando-as.
Entre todas as crianças, sou a mais velha, em segundo lugar tem a Kendy, ela tem treze anos, sei que é estranho apenas nos duas sermos as mais velha em todo o orfanato, mas a procura de crianças aqui é bem frequente e como passamos da idade, bem... Vocês já sabem.
-Mary, será que posso falar com você um minutinho?- disse Helen vindo em minha direção.
-Claro Helen, o que foi? — Helen não disse nada, apenas sinal para que a seguisse.
Fomos para um lugar mais reservado.
-Mary, eu sei que gosta muito do seu quarto, mais com tantas crianças, esse orfanato já não tem mais lugar, e só há espaço no seu quarto. Além disso, quem esta chegando é um pouco mais velho que você. Vamos ter que colocá-lo em seu quarto, tudo bem para você, não é?
-Co-como assim? — Sério que ela falou isso? Não acredito que ela vai colocar alguém no MEU quarto.
-Desculpa mais não tem outro jeito. Ele vai chegar hoje de noite e por enquanto vai dormi no chão do seu quarto até conseguirmos uma cama.
-Ele? Além disso, é um garoto? E as regras? Ham? — Estava desesperada. Como colocar um estranho no quarto de uma menina? Meu Deus!
-Eu sei as regras Mariana, deveria saber que não quebro regras, a menos quando necessário. Ele não ficará aqui por muito tempo, logo completará 18 anos e você terá seu quarto de volta. — Disse ela com um tom de voz autoritário. Como ela pode fazer isso comigo.
Ando de um lado pro outro tentando achar algum argumento.
-E se ele me agarrar de noite? Você sabe que não me dou bem com meninos!- estava ficando vermelho de raiva, não gosto quando passam meu território, e agora é um desconhecido!Pior, é um menino!
-Ele não irá. Já me decidi! Você sabe muito bem que seu quarto é ao lado do quarto dos inspetores e é só gritar.
Ela deu as costas e me deixou no canto. Agora sim estou nervosa. Helen não tem casa e como trabalha aqui resolveu se mudar para cá, já que a "clomegera" da diretora quase não vem aqui.
Não tem mais o que fazer, agora terá que aturar quem quer que esteja no meu quarto. Se ele pensar que pode faz o que quiser comigo, esta muito enganada.
Vou caminhando até o lugar de antes. Se participasse de um desenho animado, estaria saindo fogo das minhas orelhas e faíscas dos meus olhos.
Estão todos sentados no tapete da sala de estar, é o maior cômodo da casa, mesmo assim temos que nos espremer para cabermos e dar boas vindas ao novo amiguinho. Argh que raiva.
-O que a Helen disse? — Pergunta Michelle assim que chego ao seu lado.
-Não quero estragar a surpresa Mih, mas é um garoto. — a vejo dando uma risadinha.
-O que foi? Gostou é? Olha que estou de olho em você. — Disse brincando, sei que ela esta pensando em algo e quero saber.
-Disso eu sei, também sei que só há espaço no seu quarto, Mary.
-E o que uma coisa tem haver com a outra? Ta sabendo de coisa de mais e não mi conta dona Michelle?
-Ah! Sei também que ele tem 17 anos ai agora você vai ter um amiguinho do seu tamanho — ela deu uma piscadinha de olho pra mim — você sabe como as coisas passam rápidas aqui não é?(risos)
Ficamos conversando e brincando até a chegada do novo "intruso". Todos ficam em silêncio aguardando curiosamente para ver o rosto do novo amigo. Eu estou ansiosa, nervosa e com raiva de ter que compartilhar meu quarto, ainda não acredita que Helen fez isso comigo
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