A Loba

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Boa leitura!

Nunca pensei que dormir seria tão difícil.

Olhar o teto de um quarto nunca foi tão angustiante.

A noite caia e os pensamentos tomavam rumo próprio, já não os controlavam.

Fico pensando em tudo o que aconteceu em tudo que virá a acontecer e o rumo da minha vida.

Agora me lembro de onde eu vi o lobo do retrato. O sonho, traído, sofrimento. Apenas em pensar consigo sentir tudo o que sentiu. Levo minhas mãos ao peito.

Reviro-me na cama, por mais que tente esquecer, me sinto mal com esses pensamentos e tudo que eu menos preciso nesse momento é me preocupar com mais alguma coisa.

O quarto está escuro — não que eu tenha medo, é claro — onde olho, apenas há escuridão. Aí eu penso, se sou o que eles falam, eu não teria que enxergar muito bem no escuro? Então, mas já não sei de mais nada.

Deve ser de madrugada já que a tempos que me deitei e não consigo dormir. Já não diferencio mais, se estou com os olhos aberto ou fechado, acho que já nem faz tanta diferença.

Depois de 15 minuto em total escuridão os olhos se adaptam e você consegue ver . MENTIRA, pois há horas que estou deitada olhando o teto sem ao menos enxergá-lo, apenas sei que é ele, pois estou olhando para cima. Pode ser em um lugar com mínima luz, mas no momento nem a lua vem me fazer companhia e eu nunca me senti tão sozinha.

Desde criança me pergunto por que meus pais me deixaram. Tento pensar algo positivo como: Hei Mary, eles não poderiam te criar, eles te deixaram por que sabia que não teria uma vida boa com eles. — ou — eles não tinham condição. Pensar sobre esse assunto também me leva á outra resposta, a qual me machuca muito. ELES NÃO ME QUISERAM! Eu tenho uma dúvida enorme sobre o que aconteceu para ser assim, por terem me deixado.

Até a Bel me deixou, será que sou tão desprezível que até ela resolveu me deixar? Eu não sei mais o que faço.

Aos poucos sinto meus olhos pesarem e agradeço por conseguir dormir. Diferente das outras noites, não tive sonhos ou pesadelos. Pode ser que não me lembre, mas para mim foi como um piscar de olhos.

✥

Acordei incomodada com a claridade que entrava no quarto. Diferente da noite, o sol bate direto em mim me obrigando a levantar.

Meu corpo está literalmente acabado, e sinto pena dele.

Ainda deitada com o braço esquerdo sobre os olhos, penso em quão patético seria me ver assim.

Riu. Imaginar eu mesma com os cabelos todos para cima do travesseiro, a cara amassada em uma cama toda bagunçada é o mais normal que já cheguei perto nesses dois dias.

Obrigo meu próprio corpo a levantar. Com muito custo sento na beirada da cama. Passo as mãos no meu cabelo e constato o obvio: para cima, embolado, enrolado, embaraçado, sujo...

Meu deus! Dois dias sem tomar banho!

Levanto um dos meus braços e mal preciso fazer esforço para deduzir a quão cheirosa eu estou.

Nunca fiquei tanto tempo sem lavar meu cabelo (lavava dia sim, dia não), imagine ficar dois dias sem banho.

Como você é nojenta Mariana— me repreendo mentalmente.

Em uma hora dessas que sinto falta da Bel. Suspiro e olho em minha volta.

Alguém deve ter entrado no quarto enquanto dormia, tem algumas peças de roupa em cima da cômoda e uma toalha.

Sem mais pensar ou deixar a preguiça tomar conta de mim, pego as roupas, a toalha e sigo em direção à porta do lado esquerdo da cômoda a qual penso ser um banheiro.

As roupas não eram lá aquelas coisas, mas muito melhores que as do orfanato: uma calça legging preta, um sutiã bege tamanho M com etiqueta, uma calcinha também bege do mesmo tamanho com etiqueta e uma regata preta a qual ficou muito justa em mim.

Encontro uma bota preto estilo exercito bem pesada ao lado da cômoda e meias.

Depois de pronta resolvo descer, não seria legal da minha parte, dar uma de bela adormecida.

O corredor estava vazio, sem nenhum sinal de vida até que uma mulher sai de um dos quarto, pelo uniforme deve ser a empregada.

— Licença, você sabe onde está Débora e James? – resolvo perguntar. Não quero sair pela casa que nem louca pela casa a procura deles.

— Sim senhorita, estão em reunião com o alfa. – responde de cabeça baixa.

— Obrigado.

Resolvi explorar a casa já que não conhecia nada. Antes de sair do corredor, avisou que a mesa estava posta para meu café da manha, mas não estou com fome.

Passo pelo corredor e vejo o mesmo quadro, vejo o lobo e lembro-me de tudo que vi e a sensação que senti vinda com tudo.

Balanço a cabeça tentando esquecer e desço as escadas. Caminhei por toda e ela não é de todo simples, varias pessoas trabalham aqui pelo que pude perceber.

Eu consegui sair e me deparei com uma coisa que nunca pensei que acharia atrás de uma casa.

Aqui é imenso. Parece coisa de outro mundo.

Tem varias pessoas lutando entre si em uma área redonda enorme e bem afastado da casa. Poderia ser normais se não houvesse lobos gigantes lutando também.

Meus olhos estavam arregalados, quer dizer que tudo o que me disseram é verdade...

Dou um passo para trás inconsciente mente e logo sinto duas mãos em minhas costas me empurrando para descer os poucos degraus que tem da cada até o gramado.

— Que bom que você já acordou nos precisamos treinar. – disse a Débora andando ao meu lado agora.

— Treinar?

— Sim querida, ou você quer que te peguem sem você ter uma única chance? – com certeza não queria isso.

Caminhamos até onde as pessoas estavam lutando e logo um homem alto e moreno caminha até nós.

— Julian vai treinar você. — ela olhou para mim e continuou — Vou estar lá dentro, qualquer coisa me chame.

Olho para o tal Julian em minha frente. Ele é bem alto e bem moreno, seus olhos são tão escuros como seus cabelos.

— Alguma vez já lutou? — perguntou para mim e eu me assustei com a voz grossa que tem, apenas neguei com a cabeça.

— Vamos começar com seus reflexos, eles são os mais importante em uma luta, não pense que ser forte te faz vencer- ele diz e eu apenas escutei — Vamos começar com o básico, vou tentar te acertar e você tem que desviar.

Começamos e para falar a verdade estava bem fácil. Pular, abaixar, desviar para o lado estava sendo fichinha pois ele apenas dava tapinha quando não desviava, até a hora que ele começou mesmo a socar com força e agilidade e cada vez mais rápido.

Não esta tão fácil agora, por pouco tudo que ele conseguiu me bater, foi apenas de raspão.

Por um momento que me distraio com alguém chamando alguma pessoa atrás dele e levei um soco muito forte no estomago.

— Concentração aqui! — diz enquanto estou debruçada contra minha barriga e me apoiando no joelho com uma das mãos.

A sensação foi como de ser vazia por dentro, como se não houvesse nada. Arrependo-me de não ter tomado o café da manha, agora estou com fome e fraca e nem ao menos tenho coragem de reclamar, por um lado é bom, se eu houvesse ingerido algo com certeza já teria colocado para fora.

— Agora vamos com bloqueio — dizia ele enquanto me explicava como fazer. Bloquear foi apenas o começo para me defender, muitas vezes errada e tinha que aguentar com a dor. Já havia errado tanto que nem sentia mais e a única coisa que ouvia dele era "seu castigo das suas falhas"

Ele parecia muito serio, fazia tudo com precisão e por mais que eu falhasse, ele estava indo devagar de mais em comparação com as outras pessoas ali presentes.

Eu sei que isso é apenas o começo. Alguns bloqueios que eu dava, falhava e me sentia lerda por levar sempre socos e advertência dele.

Já não estava mais aguentando, queria água, meu corpo pedia socorro. Levei muitos socos por me distrair e fazia horas que estávamos aqui.

Sei que não vai ser apenas hoje e que o tanto que apanhei hoje não será a metade do que apanharei amanha.

✥

Sol a pino, suor escorrendo em meu rosto, fazia pouco mais de 3 horas que estávamos ali. Poucas pausas para tomar água. Já estava no meu limite quando fui chamada para o almoço.

Sentia-me constrangida com minha roupa toda suada e chegando a uma grande sala onde todos estavam comendo me senti mais a vontade.

Débora me chamou para sentar ao lado dela em uma das mesas do centro e rapidamente me dirigi até la.

— Coma por que terá um longo dia pela frente. — disse ela enquanto colocava carnes e mais carnes em seu prato, e fiquei apenas pensando em onde tudo aquilo iria parar.

Meu prato não estava muito diferente, apenas não tão cheio igual ao dela. Só de ver aquela comida toda na minha frente, minha boca salivava e meu estômago dava sinal de vida fazendo ser ouvida por todos em minha volta.

Corei instantaneamente.

O almoço fez muita diferença, agora, me sentia mais revigorada.

A comida estava divina.

— Vamos, o Alfa quer conversar com você. — Débora disse assim que terminamos o almoço. — Você precisa conhecê-lo.

Notas finais
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