A Loba

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Boa leitura!

Enquanto mais nos aproximávamos da grande montanha, mais meu coração clamava por socorro.

— DÉBORA! – gritei a todos os pulmões antes de fechar os olhos e aguardar pelo impacto que não aconteceu.

Demorei em acreditar que nada teria acontecido. Os barulhos em minha volta pareciam estar em outro plano enquanto eu orava a Deus, para acordar com o maldito despertador à tocar e me tirar desse pesadelo, que agora não acredito mais ser minha nova realidade.

Meu coração parecia estar a mil por horas, sem controle nenhum, dançava por todo o meu peito e a única coisa que fazia, era apertar ainda mais meus olhos para ver se assim acordava — o que não resultou em coisa nenhuma -.

Aos poucos voltei novamente para terra. A viagem para as galáxias foi como uma anestesia para o que me espera.

Ainda não havia aberto os olhos por medo de ainda estarmos em direção ao grande monte.

Aos poucos pude ouvir os burburinhos ao lado de fora do carro, as vozes das pessoas conversando, de alguns poucos pássaros a cantar. O novo mundo aos meus ouvidos parecia divino, mas ainda não me sentia pronta para encarar essa nova realidade de frente, por mais que esteja muito curiosa para isso.

Batidas na janela do lado em que estava me assusta fazendo com que abra os olhos com tudo e vendo que ainda estava viva.

Eu estou viva! Viva! Nunca fiquei tão feliz por estar viva.

Aos poucos vou me ligando ao novo local onde estou. Depois da minha pequena – nem tão pequena – comemoração por estar viva, resolvo olhar pela janela e ver onde estou.

Não é nada de outro mundo, ninguém com sete cabeças ou azuis. Não que eu pensei que fosse, mas estávamos em um lugar em que eu nada sabia, não tinha conhecimento nenhum e esperava qualquer coisa.

A cena que me deparei, foi olhar a janela do carro e ver algumas pessoas me olhando do tipo: "menina louca, será que é de outro mundo?" e eu realmente era. Eu embarquei nessa fuga sem saber de nada que me aguardava, eu esperava algo mais estranho, mas não, eu vi ali fora, pessoas normais.

Logo a porta é aberta e ainda assustada com tudo saí do carro. Saber que eles eram pessoas normais me deu uma esperança que eu só por um momento tivesse criado essa realidade alternativa que tudo isso foi fruto da minha imaginação.

De fato, fiquei mais tranquila vendo essas pessoas normais. Não haviam tanta pessoa envolta e assim que algumas delas abriram espaço, Débora apareceu para me tirar dos meus pensamentos.

— Anda logo, para com essa cara de boba. – falou me puxando entre as pessoas que nos olhavam – Sinceramente achei que fosse das minhas – disse suspirando.

A verdade é que com tudo novo, eu estava em choque.

Você que é lerda mesmo, ninguém fica em choque por tanto tempo — na verdade eu estava, não conseguia processar nada tão rápido quanto as 'novidades' chegavam.

Primeiro o sonho, o humor elevado e falar comigo mesma, acordar suja no meio do mato, a fuga então foi a pior delas, depois o sonho muito estranho, a perseguição, ir de encontro em uma montanha enorme e agora estar aqui, em volta de pessoas normais.

Não foi pouca coisa e tenho certeza que não será só isso.

Resolvo olhar as pessoas em volta, nada tão estranho, estou achando ate normal de mais. Poucas pessoas estão na rua agora que esta tarde, além das pessoas que estavam em volta do carro que eram todos adultos e imagino que as crianças já estejam dormindo ou em casa.

O lugar não é nada de outro mundo também, o carro onde paramos esta estacionado em uma praça, a qual estamos atravessando. Eles devem gostar muito da natureza, a pracinha mesmo no anoitecer esbanja flores, algumas fechadas outras que nunca vi tão lindas e árvores.

A praça parece ser o centro, em volta dela algumas ruas indo de encontro com uma casa maior de frente a praça em uma única rua principal. Pelo que vejo todas as ruas dão acesso a essa casa que mais parece uma mansão de tão grande.

Todas as casas tem um designer rústico que deixam o local ainda mais perfeito. Sentia que naquele lugar, havia muita alegria, eu podia sentir a energia que me envolvia e que nos deixava mais leve, mais segura.

Débora continuava a me puxar pelo caminho de terra da rua principal, o lugar era encantador. As árvores rondavam as casas e logo atrás delas havia uma floresta, imaginei ser mesmo isso, as árvores se encontravam no topo e era impossível enxergar além delas, tenho certeza que me perderia se entrasse nela.

James caminhava logo atrás de nós, de cabeça baixa. Ele parecia perdido.

A cada passo estávamos mais perto da mansão, a cada passo meu coração que a pouquíssimo tempo havia se controlado, perdia o compasso, a cada passo tinha mais e mais medo do que viria.

— Chegamos – disse a Débora me arrastando com ela para a grande casa.

Apenas espero que os donos da casa não ache ruim com ela entrando assim.

Entramos e já na sala posso ver que além de grande, a casa é muito bem decorada. Ficamos eu e o James na sala enquanto Débora vai a algum lugar à qual não prestei muito atenção por estar deslumbrada com a casa.

A casa por fora parece uma casa simples, mesmo com o tamanho. Dentro, os moveis encantam trazendo uma energia boa e um estilo mais moderno. Com decorações brancas, creme e azul marinho, tornam o lugar mais sofisticado, mas sem deixar para trás a simplicidade vinda de fora.

— O que estamos fazendo aqui? – pergunto ao James que está agora sentado no sofá oposto ao meu.

— Ajuda. – suspira – Não iremos conseguir fugir sozinhos por muito tempo.

— Mais do que estamos fugindo afinal? – curiosidade seria eufemismo para a minha situação nesse momento.

— Olha Mary, você só tem que saber que está segura com nós.

— Mas tenho o direito de saber – grito me levantando do sofá – Por favor, me fala? – peço baixando a voz.

Ele ia começar a falar quando Débora adentra a sala parecendo nervosa. Será que algo deu errado?

— Vamos, vou levar vocês ao quarto e amanhã conversamos. – ela fala indo em direção as escada ao fim do cômodo.

— O que aconteceu? – perguntou o James parecendo preocupado.

— Eles simplesmente não estão, chegam amanhã de tarde.

— E agora? – perguntou James

— E agora que temos que esperar até amanha. Então vamos dormir por que eu não dormi nada bem essa noite. – suspira.

Passamos um longo corredor com várias portas. Entre elas, quadros de pessoas, lobos, que eu tenho quase certeza de já ter visto.

Umas das imagens me chama a atenção. É um grande lobo com se fizesse uma postura para uma foto, ou como vejo uma pintura. Sua cor mescla com um vermelho parecendo fogo ou algo do tipo. Nunca vi algo tão lindo. O olhar ao qual carrega um brilho intenso, com um ar dominante. Na chapa de ouro em baixo da imagem há um nome, a qual não dei a mínima importância, o olhar me hipnotiza e imagens vêm a minha cabeça.

Guerra

Sangue

Lobos enormes, e pessoas ao chão.

Correndo, o lobo marcado de sangue, chega à outra ponta da guerra.

Um lugar longe dos sangues, longe das brigas.

Uma mulher, deitada, suja de lama, seu rosto carrega um desespero, medo.

O lobo caminha em direção a ela.

— Você esta ai? – sinto um calor em minha volta.

Abro os olhos de vagar. Minha cabeça dói, dói muito. Com muito esforço levo minha mão até a mesma para conter a dor.

— O que ouve Mariana? Você esta bem? – pergunta o James.

Estou em seus braços, mas... O que aconteceu? Não me lembro de nada.

— O que houve? – pergunto fazendo muito esforço, é como se um caminhão tivesse passado por todo meu corpo.

— Estávamos indo para os quarto quando você ficou olhando o retrato e quando nós à chamamos você desmaiou, eu consegui pegar você antes de cair no chão e te trouxe pro quarto.

— Dor de cabeça – avisei – Cadê a Débora?

— Ela estava aqui agora pouco, não sei. – diz ele olhando em volta.

— Acho melhor você descansar. – diz – Vou ver com a Débora se tem remédio para dor, já volto.

Ele sai do quarto e eu posso reparar melhor na decoração.

Uma cama no meio a qual estou deitada com colcha azul marinho, uma cômoda em frente e uma porta do lado esquerdo. Simples, mas confortável.

A luz acesa faz a dor piorar e fecho os olhos desejando que passe. Estou tão fraca.

Não sei o que aconteceu. Lembro de estar a olhar nos olhos daquele grande lobo e... E... As imagens, era ele? Será?

As imagens vão se formando em minha mente e revejo novamente, cada detalhe. A angustia que ele sentiu ao vê-la, dói meu peito.

— Aqui, trouxe o remédio. — James fala entrando no quarto.

Espero realmente que o remédio tire esse dor de mim.

Tomo o remédio e ele vai para o outro quarto dormir enquanto fico no meu, pensando em tudo o que me aconteceu.

Notas finais
Postagens toda segunda e sexta! Não percam!