A Little Thing
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura...
POV narrador
... And I go like this, take me by the tongue and I own you. Kiss till you drunk and I show you…
O som do despertador ecoou no silencioso e escuro quarto do tríplex do Palace hotel, em Manhantan. A garota deitada na cama, abraçada ao travesseiro, dormia tranquila e profundamente, como se estivesse á varias noites sem dormir. O que era verdade, ela estava sem dormir a uma noite, por causa da viagem de Miami até aqui, Nova York.
Ela aparentava ter uns 17 anos, por mais que fosse baixinha e magra para a idade. Seu cabelo castanho escuro com as pontas tingidas de azul marinho estava esparramado pela cama e uma parte ricocheteava em seu rosto pálido, por causa da brisa que vinha da janela entreaberta.
Ela se mexeu, se espreguiçando. Seus olhos verdes se abriram e agora seu rosto pacífico estava acomodando uma cara mal humorada, era seu mau humor matinal. A garota se esticou até o outro lado da cama, onde estava o despertador que há minutos atrás berrava tanto que a acordou. Eram 7: 20 a.m. Assim que seus olhos bateram no visor do relógio, os mesmo quase pulavam para fora, de susto. Ela estava atrasada.
- Maldito fuso horário!!_ ela resmungou baixinho.
Quase dois meses em Miami faz você se acostumar com a diferença de horas e pra completar estava no horário de verão, na verdade no finalzinho do verão nova-iorquino, daqui a duas semanas seria Outono. Ela não gostava muito do outono, preferia a primavera, a sensação de frio não combinava com ela, não agora.
A garota deu pulo da enorme cama e foi correndo para o banheiro, mas antes tropeçou nas suas próprias botas que estavam jogadas no chão, porém não caiu como ela pensou que aconteceria. Seu senso de equilíbrio era terrível.
Ela tinha chegado ontem à noite, das suas férias de verão na Florida, ou melhor, Miami, onde ela nasceu. A garota e sua mãe estavam hospedadas, na suíte 54 do Palace, pois sua cobertura na Park avenue, estava em reforma a três semanas, graças a separação dos seus pais, Michelle e Patrick. Sua mãe resolveu comprar uma nova cobertura, ela diz que lugares deixam lembranças, ela não queria as ter mais aquelas. A garota iria sentir falta de lá.
- Droga!! Eu não acredito que eu to atrasada no primeiro dia! _ ela resmungou pegando sua escova os dentes o mais rápido que podia.
Ainda com a escova na boca ela ligou o chuveiro, deixando a água fria cair, ela precisava de água fria — por mais que não gostasse muito, ela preferia um belo banho morno- . Nova York estava muito quente hoje. Ela cuspiu o liquido da pasta de dentes, tirou o pijama roxo e pulou debaixo da água fria.
Tomou um banho tão rápido quanto a velocidade em que ela corria para o quarto, milagrosamente ela não caiu de cara no chão. Abriu uma das malas e pegou uma roupa qualquer e vestiu. Escovou os cabelos, os deixando até o meio das costas, logo depois fez sua maquiagem de sempre. Delineador, Blush e gloss de melancia. Pegou a mochila em cima de uma poltrona no canto do enorme quarto e saiu em direção ao primeiro andar, sua barriga estava roncando, mas não dava tempo de comer nada ela só tinha 30 minutos para chegar até o outro lado de Manhantan.
- Vou ter que passar no Starbucks _ ela murmurou descendo as escadas de dois em dois degraus, para ir mais rápido.
- Meu Deus! Como esse lugar é enorme! _ a garota comentou para si mesma quando viu a enorme “casa” que ela estava, que por sinal estava vazia — para variar- já que sua mãe geralmente não acordava atrasada como ela, ela havia herdado isso do pai. Ontem a noite ela tinha chegado quase dormindo por isso mal reparou no lugar, e ainda estava se perguntando como conseguiu vestir o pijama.
Ela olhou o visor do Black Berry, eram 7: 35 a.m. Um recorde, ela se arrumou em quinze minutos. Palmas! – Correu para fora da suíte e pegou o elevador vazio. Chegou ao saguão cheio de gente rica, chata e muitas vezes falsa (sempre), seus olhos verdes passearam pelo lugar até encontrar sua mãe na cafeteria do hotel, sentada em uma cadeira acolchoada marrom, ao lado de duas pessoas conversando animadamente.
A garota reconheceu rapidamente os dois rostos conhecidos há tempos. Era o Sr. Hampson, pai de Liam, seu melhor amigo e sua esposa número sete, Lilian.
- Olha quem chegou!_ o pai de Liam acenou ao vê-la chegar, a garota sorriu.
Sua mãe e Lilian que conversavam como adolescentes de quinze anos de idade se viraram e sorriram dando um “Bom dia” para a baixinha que caminhava rapidamente até eles. Ela só iria dar “Bom dia” e ir embora.
- Bom dia!_ ela disse pegando uma garfada do brownie de sua mãe. A mesa estava cheia de panquecas, biscoitinhos, café, suco... Pena que não seu favorito. Cupcakes
- Tchau gente!_ ela se despediu rapidamente dando um beijo no rosto de cada um – Eu to muito atrasada!
... Essa era Sarah Hale, a baixinha de olhos verdes e mechas azuis e que estava atrasada, algo bem típico dela...
Sarah Pov.
- Tchau gente! _ me despedi rapidamente dando um beijo no rosto de cada um. — Eu to muito atrasada! _ expliquei saindo
- Sarah! _ mamãe me chamou, já estava quase no centro da cafeteria, parei e me virei – O que foi?
Será que eu me esqueci de me vestir??? – pensei sarcástica
- Vai sair sem comer nada?_ ela questionou
Eu fiz uma carranca, revirei os olhos e voltei à mesa. Peguei uma torradinha com geleia de seu prato e dei uma mordida na mesma.
- Pronto! Agora eu não vou sair sem comer nada _ eu disse dando um sorriso amarelo para mamãe que sorriu. Terminei de comer a torrada em duas mordidas. — Tchau! _ acenei e sai.
Sai correndo feito uma louca pelo jardim de entrada do palace, para minha sorte tinha um Starbucks na esquina. Entrei e pedi o de sempre, um frappuccino. Em segundos a atendente o me entregou. — Obrigada. _ eu disse o pegando
Entreguei dez dólares á ela e murmurei um “Pode ficar com o troco” antes de sair de lá entrar em dos milhares taxis de Nova York.
Milagrosamente o taxista literalmente não tirou o pé do acelerador e acabei com uns cinco minutos de antecedência na Trinity School.
Estavam praticamente todos os estudantes da Trinity no enorme estacionamento em frente aos três prédios que compõem o colégio. Meus amigos não estavam parados conversando e rindo perto da BMW de Liam, como sempre ficavam.
Passei praticamente invisível pelo estacionamento cheio de adolescentes fofocando e outros tão animados que estavam achando que o capô do carro é motel, é claro que a Senhora M, a inspetora, ainda não tinha visto aquilo.
Jennifer acenou do outro lado, eu sorri acenando. Jenny é a meia irmã mais nova de Logan, meu ex. Ela tem 15 anos e irá estudar aqui esse ano.
Entrei no segundo prédio, onde estão as salas do ensino médio. Fui até o banheiro que eu sabia de cor onde ficava. Entrei lá e para meu desgosto, lá estava Caroline Stanley — ou como eu costumo chamar, Queen Bitch – e sua turminha de “seguidoras”. Eu sempre me perguntei como uma vadia como ela consegue ter pessoas, na qual a admiram sua arte de ser uma perfeita vagabunda. Apoiei-me no balcão de mármore da pia e encarei meu reflexo no espelho, eu estava com tanta pressa que nem tive tempo de ver como eu estava vestida. Olhei mas um pouco.... Aprovada!
- Oi Sarah! Adorei sua roupa!_ Queen B disse presunçosa, como sempre. Suas escravas, er... Quer dizer amigas, riram.
- Mesmo?! _ eu disse no mesmo tom de deboche dela
- É! Eu usava isso também, quando eu era virgem... _ ela riu – E meu sutiã não passava do número P.
A vadia massageando seu ego, tentado me irritar. Eu sorri irônica.
- Sério? E ai você caiu da cama e acordou né? _ eu disse ainda com tom de ironia. – Pena foi só no sonho, né. Pelo menos em um lugar você é feliz o suficiente e não precisa ficar humilhando os outros pra conseguir isso.
Seu rosto sorridente agora estava meio irritado, acho que ela pensou que eu ia ficar aguentando suas piadinhas ridículas, calada como as outras pessoas, coitada se enganou!
- Eu só não te dou um fora por que..._ ela começou.
- Por que a seus saltos são tão altos que você acabou tropeçando quando caiu da vassoura, ai bateu a cabeça, não foi? E ficou se criatividade_ interrompi
Ela estava vermelha, provavelmente não estava acostumada a levar na mesma moeda. Eu voltei a me olhar no espelho e lavei as mãos rapidamente.
- Não! Infelizmente você errou, acontece que eu só não te dou outro fora porque eu não gosto de perder tempo! _ ela disse antes de sair batendo a porta, eu ignorei.
Aquela garota me dava vontade de vomitar! Literalmente... Corri ate à privada e me ajoelhei em frente à mesma. Meu estomago sacudiu, acho que o café não me fez muito bem... Senti o gosto nojento do meu café subir pela minha garganta, isso me fez querer vomitar mais, mas não foi possível. Todo meu café da manhã já tinha ido embora, privada abaixo. Meu celular vibrou no meu bolso, mas eu não me importei, assim como não importei muito ao ouvir o sinal tocar logo em seguida.
Levantei-me, abaixei a tampa da privada e dei descarga. Corri até a pia e lavei a me rosto e minha boca, sequei meu rosto em uma toalhinha branca de algodão e meu rímel e meu delineador foram parar todo nela.
- Droga! _ resmunguei abrindo a mochila
Peguei um chiclete de menta e comecei a mastiga-lo freneticamente, para ver se aquele gosto horrível saia da minha boca. Retoquei a maquiagem, eu estava parecendo até a Caroline nas suas vindas ao banheiro. Mastigando chiclete enquanto passava o rímel cuidadosamente nos cílios. Meu celular vibrou novamente e resolvi ver o que era. Era uma mensagem da Melissa – minha melhor amiga há 12 anos, desde que me mudei.
“Criatura! Cadê vc?? Eu já to na sala e nem sinal da senhorita. Só pra te avisar eu estou quase me contorcendo na cadeira para o Sr. Kaplan, não me ver te mandando isso então, please, não me responda. Bjos!”
Meus dedos já estavam quase tocando as teclas, para eu responder, mas eu não respondi. Ela iria fazer picadinho de Sarah se eu mandasse algo em resposta. Sai rapidamente do banheiro feminino indo em direção a minha sala, no segundo andar.
O corredor estava totalmente vazio, assim como o segundo andar, por isso eu me arrisquei a correr até a porta da sala, sabendo que nenhum vigia idiota de corredor iria me dar uma advertência, por ter corrido no corredor. Parei em frente à porta de madeira e eu pude ouvir a voz do Sr. Kaplan, até onde eu me lembro, o professor de química.
Empurrei a porta me preparando para os olhares da turma inteira e pelo olhar fuzilante do Sr. Kaplan, por eu estar atrasada logo no primeiro dia. Mas a porta travou. É só o que me faltava!
Empurrei mais um pouco, mas a porta nem se movia. Será que ela esta trancada?_ eu pensei — Empurrei de novo, como um pouco mais de força dessa vez, porém mesmo assim ela nem fez barulho. Meu Deus essas malditas portas deviam ser de titânio!
Eu já estava perdendo a paciência, estava a ponto de sentar ao lado da porta e esperar que ela fosse aberta. Empurrei mais uma vez, joguei toda minha força na maldita porta, meus tênis escorregaram e eu quase fui junto, de cara no chão.
- Porta filha da ... _ já ia soltar um palavrão, mas não fiz
Recompus-me da minha quase escorregada até o chão e tentei pela ultima vez abri-la, mas ela não abriu, fato. Já ia começar a bater na porta, interrompendo a aula, mas uma risadinha e logo depois um pigarro, me impedirão.
Eu já até podia imaginar a Sra. M parada bem atrás de mim, com as mãos na cintura, uma cara mas assustadora do que o normal e seus saltos pretos batendo freneticamente no piso, mas eu não ouvi nenhum barulho de salto ou coisa parecida.
Uma mão levemente bronzeada e grande segurou a maçaneta e sem o menor esforço a porta se abriu, fazendo um barulho chato e irritante.Instantaneamente eu olhei para trás, onde estava parado um rapaz que me encarava assim como eu o encarava também. Ele parecia um pouco irritado e impaciente, acho que pelo fato de estar ainda parada em frente à porta entreaberta, atrapalhando sua passagem. Desviei o olhar, pois provavelmente já deveria estar vermelha só de encarar alguém, na verdade um alguém muito lindo.
- Valeu!_ agradeci, ele me olhou impaciente.
- De nada! _ ele disse apressado – Agora da pra passar!
Revirei os olhos com a sua arrogância e empurrei a porta, dei um passo para dentro da sala onde o Sr. Kaplan nos encarava fingindo um sorriso amigável, claro que eu sabia que era falso. Infelizmente ele resolveu entrar ao mesmo tempo que eu, o que causou um belo esbarrão, porém graças ao meu senso terrível de equilíbrio eu quase cai, mas consegui me apoiar no batente da porta. Definitivamente a frase: “Primeiro as damas” foi extinta da sociedade. _ eu pensei
- Você realmente pretende passar por cima de mim? _ eu disse irritada, ele parou antes de entrar e me olhou apoiada no batente. Ele riu revirando os olhos.
- Foi mal, mas se você saísse da frente com certeza eu não ia te empurrar! _ seu tom era ríspido e sarcástico ao mesmo tempo, eu revirei os olhos. – Primeiro as damas! – ele debochou apontou para a porta, eu ignorei – Dar pra passar logo!
- Você por acaso conhece uma coisinha chamada “Com licença”?_ eu perguntei sarcástica.
- E você conhece aquela chamada “Fica quietinha e entra!” _ ele disse no mesmo tom de antes, sua voz era tão linda quanto ele, uma mistura perfeita entre uma voz meio rouca e ao mesmo tempo musical.
- Você ta me mandando...? _ eu disse, mas fui interrompida pelo Sr. Kaplan que terminou de abrir a porta para nós, ele provavelmente ouviu a nossa pequena discussão.
- Sejam bem – vindos! _ ele disse sorridente dando espaço para nós entrarmos, um de cada vez agora. — Sarah Hale e Nate Crawford, certo? _ ele checou e nós assentimos
– Tentem chegar mais cedo da próxima vez! _ ele murmurou ríspido.
Acho que só eu e o tal Nate, que agora estava na minha frente, pudemos ouvir- lo. Eu ignorei seu comentário indo direto para o meu antigo lugar, ou seja, no final da primeira fileira, mas ele já estava ocupado pelo meu “amigo das provas”, Josh.
Como eu imaginei a sala inteira nos encarou principalmente a Nate( a maioria meninas, claro), alguns pareciam surpresos como se tivessem encontrado alguém que não viam a muito tempo. Todos já estavam em seus lugares, os nerds na frente Queen Bitch e suas cortes sentadas no meio junto com os “populares” que tomaram praticamente todas as carteiras do meio e do fundo, porém ainda tinham duas carteiras vazias no final da sala, nas quais não eram o meu lugar de costume.
- Senhorita Hale! _ o professor me chamou
- O que foi?_ eu perguntei parada no meio da sala
- Seu chiclete. Lixo! _ ele disse, eu revirei os olhos.
Fui até a lixeira e joguei o chiclete no lixo. Ainda bem que o gosto ruim na boca tinha passado.
- Ta bom agora? _ perguntei mal humorada
- Ótimo! Agora vai se sentar _ ele fingiu um sorriso apontando para um lugar no fundo, bem do lado do idiota que tinha entrado junto comigo.
Fui meio á contra gosto, pois queria sentar perto dos meus amigos e conversar a aula toda, como sempre fazíamos ou dormir. Nate me encarou quando me sentei na cadeira a sua frente, acho que ele se perguntou o que eu estava fazendo ali, assim como eu. Ele estava conversando com Jeremy Hudson, que sorriu pra mim. Eu sorri de volta, Jeremy é um cara legal.
Por um segundo enquanto tentava prestar atenção na aula tive a impressão que eu já conhecia aqueles olhos azuis e a nítida capacidade de me irritar, eu conhecia de algum lugar...
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