A Little Rock'n Roll

12 12 - Antes do show - Por: Uchiha Sasuke


Eu não sabia por que, exatamente, mas estava ansioso para vê-la, queria tocá-la, perguntar se teve uma boa noite de sono, se estava bem, se tinha sonhado... Queria deitar em seu colo e sentir seus dedos nos meus cabelos.

Quase saltei quando uma buzina soou no portão. Shikamaru e os outros foram atender e eu fiquei sentado, sem poder me levantar, completamente esquecido.

Naruto não entrou, mas eles conversaram e eu ouvi o barulho de sacolas e ouvi quando a moto foi embora.

– Lámen! Eu devia saber que não podia confiar no Naruto. – Gaara reclamava enquanto entravam e colocavam as sacolas na poltrona.

Shikamaru tirou meu caco de vidro da mesinha e a limpou e então as coisas foram colocadas na minha frente.

– Sasuke-kun... – Hinata finalmente encheu meus olhos.

Aquela expressão angelical, aquele sorriso gentil, a pele alva brilhando na luz natural da sala.

– Hinata. – sorri.

Ela deixou as sacolas, veio até mim e me beijou no rosto enquanto se sentava ao meu lado.

– O que é isso? – ela uniu as sobrancelhas para a sacola de gelo manchada de vermelho.

– Ahn... Não é nada...

Ela afastou a minha mão e tirou o gelo para ver.

– Céus! Isto está horrível! Shikamaru-kun pegue uma toalha! – ordenou.

– Não... – protestei – Eu estou bem... – coloquei o pé no chão – CAAARAAALHOOO! – não me contive.

Os olhos de Hinata se arregalaram e eu corei.

– Quer dizer... Droga! – me corrigi.

Ela revirou os olhos. Shikamaru chegou com a toalha, ela a pegou e enrolou no meu pé pressionando um pouco.

– Como fez um corte tão profundo? – perguntou.

– Não foi de propósito. – estreitei os olhos.

– Ele pisou nos cacos de vidro do cinzeiro... – Gaara explicou tranquilamente enquanto abria uma caixinha de lámen.

– E você já lavou? – ela perguntou.

– Lavar? – arqueei uma sobrancelha.

– Ha-ha, não tomamos banho desde ontem! – Kiba riu desembrulhando o sushi.

– Sasuke! – Hinata me repreendeu.

– O quê?

– Vá tomar banho!

– Qual é?

– Estou falando sério!

– Não banque a mãe, Hinata... Além do mais nem posso me levantar...

– Vou ajudar você...

Shikamaru se levantou.

– Que problemático... – disse ajudando-a a me levantar.

– Por que está ajudando ela?

– Não queremos mais um membro incapacitado. – disse colocando meu braço em seus ombros.

Ele me carregou contra minha vontade até o banheiro e me deixou sentado na borda da banheira.

– Ah... Sempre achei essa banheira contraditória... – sorri.

Shikamaru revirou os olhos.

– Por quê? – Hinata perguntou.

– Ele acha que somos pobres demais para uma banheira. – ele explicou a ela.

Hinata também revirou os olhos.

– Agora, mocinho... – ligou a torneira.

– Não vou tomar um banho de banheira... Não tenho tempo para essas frescuras... Eu só cortei a droga do pé, não estou incapacitado... Consigo até tirar as calças, quer ver? – abri o botão.

Ela corou ferozmente e saiu do banheiro.

– Certo, então... Lave bem o machucado.

– Certo, talvez eu lave.

Ela fechou a porta e eu sorri. Me despi, liguei a ducha e tomei um banho rápido me apoiando o melhor que podia para ficar de pé. Quando terminei, peguei uma toalha limpa no armário do banheiro e saí mancando o melhor que pude.

– Hei, Gaara! Onde estão minhas roupas?

– A sua gaveta é a terceira. – ele gritou de volta – Não tem muita coisa, você levou tudo da ultima vez...

Fui até o quarto, parei em frente à cômoda, abri a minha gaveta, vesti uma cueca e a única calça de moletom que jazia ali e voltei mancando para a sala, mas os caras já tinham saído de lá.

– Onde eles foram? – perguntei à Hinata.

– Estão na garagem... – informou – Vem, senta aqui... – bateu no sofá.

Eu fui até lá e me sentei pegando um sushi e o devorando, seguido de outro e outro...

Então ela ergueu minha perna esquerda para o sofá me fazendo girar e passou alguma coisa no meu pé que ardeu pra caralho.

– EI! – protestei de boca cheia.

– O que foi? Estou cuidando de você. – ela disse irritada.

– Não precisa cuidar de mim, posso me virar... – desviei os olhos.

– Não diga besteiras, você nem controla suas horas de sono sozinho. – ela disse sem olhar para mim – Aquele é o seu. – ela apontou a caixinha de lámen fechada na minha frente.

Eu a recolhi, peguei os hashis e abri.

– Itadakimasu. – resmunguei.

Ela sorriu.

– Você foi o único que disse isso.

– É porque, na verdade, eu já comi um monte de sushi, então estou pensando com mais clareza... – expliquei sorrindo – Eu ainda prefiro o do Japão. – me lembrei olhando para o caldo.

– Eu prefiro não comer comida japonesa enquanto estiver aqui. – ela sorriu terminando o curativo.

– Faz quanto tempo mesmo que está aqui?

– Três dias...

– Veio para a faculdade? – ergui as sobrancelhas enchendo a boca.

– Vim para ficar com Naruto... – ela apertou os lábios.

– Hm... – engoli – Então está chateada?

– Chateada?

– Bem, ele não está aqui...

– Me diverti com você em um dia o que me divertiria em uma semana com Naruto-kun... – ela baixou os olhos – Está terminado...

Recolhi o pé.

– Ahn... Obrigado.

Ela assentiu.

– Onde está meu celular?

– Na cômoda... No quarto... Depois eu pego pra você.

Ela estava evitando olhar para mim, corava quando o fazia e isso me incomodava.

– O que houve, Hinata?

– O que?

– Você está evitando olhar para mim. – uni as sobrancelhas.

– Ah! – ela corou – É... é que... bem... você... – mordeu o lábio – não é nada.

Meditei enquanto comia, tentando adivinhar o que estava errado, então, mais uma vez ela olhou para mim, desviou os olhos e corou. Olhei para baixo. Estava sem camisa.

– Ah! – exclamei sem conter um sorriso.

– O que foi?

– Quer que eu vista uma camisa? – perguntei sorrindo maliciosamente.

Ela ficou sem fala. Sua boca se movia, mas não saia som algum.

– Ainda bem – disse eu –, porque não tenho camisas disponíveis... – suspirei – vou ter que passar em casa antes do show e trocar de roupas...

Ela fechou a boca e baixou os olhos para os próprios pés. Ficou assim por um longo tempo, até eu terminar de comer.

– Você está diferente. – comentei.

– Como assim?

– Aconteceu alguma coisa?

Ela mordeu o lábio.

– Não.

– Certo, não vou insistir.

Ela suspirou.

– Quando te liguei ontem...

– O que?

– Você estava... Distante... Como se quisesse fugir de mim...

– Está com minhocas na cabeça, Hina. – desviei os olhos.

– Você é um ótimo mentiroso, Sasuke. – ela sorriu.

– É a banda... Estamos tendo problemas com o Billie...

– Billie?

– O vocalista... Eu... Só estou substituindo por um tempo... Ele caiu de moto, ficou gravemente ferido, fez uma cirurgia ontem, mas estava doente e... – ela me abraçou me deixando pasmo.

– A banda é tudo para você, não é? – ela sussurrou contra o meu ombro.

Eu a abracei de volta e encostei o rosto no seu ombro.

– Sim.

Ela me apertou um pouco.

– E está em primeiro lugar, acima de tudo, não é? – sua voz falhou.

– Nunca tive nada que se comparasse a importância da Amateratsu.

Ela respirou fundo e se separou de mim.

– Está certo. – sorriu – Você deu duro para conseguir o que tem...

Uni as sobrancelhas para ela.

– Tem algo que queira dizer, Hinata?

– Não. – sorriu.

– SASUKE! – Kiba irrompeu a sala trazendo uma muleta.

Escondi os olhos com a mão direita e fingi, o melhor que podia, que não era comigo.

– O que foi? Não quer usar? Prefere se apoiar na Hinata-chan, é?

– Isso é ridículo... – estendi a mão e ele me passou a muleta.

– Agora vamos ensaiar...

– É... Eu já estava indo...

Me levantei com o apoio de Hinata e me apoiei na muleta, mas depois desisti, deixei a coisa de lado e apenas pisei no chão com o lado do pé, evitando tocar a parte machucada, depois de uns passos se tornou fácil.

Hinata se sentou no sofá, sorrindo, ansiosa, e abraçou suas próprias pernas prestando atenção no show particular. Ensaiamos até Hinata nos avisar que já eram cinco horas, então os caras começaram a juntar suas coisas e foram tomar banho.

– Vou para casa... – avisei – Preciso trocar de roupas, pegam um taxi depois?

– Certo. – Gaara disse fechando a maleta do baixo – Hinata-san, acho melhor ir com o Sasuke... Não é muito certo uma garota ficar na casa de muitos caras enquanto eles andam pelados pela sala de estar...

A maneira séria e sincera com que ele falava as coisas jamais deixou de me impressionar.

– Mas... Naruto-kun...

– Gaara vai avisá-lo. – peguei sua mão e a levei para o carro.

Foi uma viagem curta até o prédio onde morava, eu ainda estava vestindo uma calça moletom e chinelos, subimos no elevador em silencio, então, toquei a campainha depois de constatar que estava sem as chaves.

Itachi atendeu, ele abriu a porta, entediado, a camisa amassada, a gravata larga, a calça social com o cinto aberto.

– Foi trabalhar hoje? – perguntei surpreso.

– Sempre com o tom de surpresa. – reclamou.

Puxei Hinata para dentro e disse para ela não reparar na bagunça, mas julguei impossível. Então, fui para o meu quarto no fim do corredor e comecei a me vestir. Seria uma ótima noite, um ótimo show e seria difícil não beijá-la também.