Notas iniciais
Meus amores lindos da minha vida!! Que saudade *-* Gente! Sei que demorei mais do que eu havia dito que demoraria. Percebi que com tudo que faço no meu dia a dia, só poderei postar uma semana sim uma não! Estou atualizando as minhas outras fanfics, por isso o motivo dos atrasos. Mas quero deixar bem claro: SEMANA SIM SEMANA NÃO Amo vocês ♥ aysgagsiuagsags MEUS ANJOS! Viram que capa P-E-R-F-E-I-T-A?? A Thaaty amora fez ela para mim e me prometeu dar aulas para eu ficar Diva igual a ela ♥ ♥ ♥ Muito obrigada mesmo, Thaaty, por todo o apoio que você sempre me deu e continua dando até hoje! Isso é o que eu tenho de mais importante! E muito obrigada a todos que continuam lendo a fic, e mandando reviews, sempre me incentivando a escrever mais e mais! Bom, Boa leitura para vocês meus amores, e muito obrigada mais uma vez à todos, principalmente você Thaaty meu amor! ♥ ♥ (a propósito, vamos nos casar)

(POV Daryl)

Acabo rendido ao lado de meu irmão pelo Governador, que começa a desferir golpes em cada um de nós. Sinto o gosto de sangue em minha boca quando Merle começa com suas frases de efeito.

– Eu não vou implorar! – ele diz embargado pelos golpes. – Eu não vou implorar a você!

O Governador ri, nos encarando com seu olhar frio e sinistro. Eu percebi na hora o que passava em sua mente, e a única coisa em que consigo pensar é em Melanie. Aquela garota chama problemas e não escuta ninguém. E eu só quero que ela não faça a estupidez de vir até aqui.

Quando sinto um alívio pela garota não ter aparecido, um tiro acerta a parede do galpão, que cospe reboco para todos os lados. O Governador e seus homens ficam sem saber o que fazer e se posicionam um em cada janela. O homem faz menção de se esconder, mas permanece de pé no mesmo lugar, confiando em seus cães e olhando para nós.

– Eu espero que isso não seja coisa do seu pessoal – ele diz ameaçadoramente. – Do contrário ninguém vai sair daqui para contar a história, mesmo se Michonne me seja entregue embrulhada de presente!

Minhas mãos começam a suar. A preocupação com Melanie começa a aumentar drasticamente até que outro tiro, muito perto da minha cabeça, me chama a atenção. "Continue a atirar desse jeito e vai acabar me matando! É bom acertar da próxima vez!" Penso desesperado.

O Governador nos olha numa cólera intensa e aponta sua arma em minha cabeça.

– Vou começar pelo namorado da ruivinha gostosa!

Continuo com os olhos abertos, sem recuar ou desviar o olhar. Ele destrava a arma, fazendo um choque atravessar todo o meu corpo. Penso em Melanie e em como eu não quero que corra perigo, não sozinha... Não sem mim.

Repentinamente ouço um grito grave, e encaro o homem em minha frente sem entender por um segundo o que estava acontecendo. Após finalmente perceber, levanto-me rapidamente e torço seu braço baleado para trás, deixando-o sem forças para continuar segurando a arma. Merle atirava nos outros homens com a pistola que havia caído no chão.

Sinto um soco em meu rosto me deixar desnorteado, mas acabar me salvando de uma bala perdida, provavelmente disparada por Melanie. “Já pode parar, desse jeito vai acabar ajudando o inimigo”. O Governador pensa o mesmo que eu e me leva para fora do galpão, apelando para o coração mole de Melanie.

– Pode sair gracinha! – ele grita enquanto joga sua cabeça contra a minha. – Prometo que não vou torturá-lo antes de matá-lo se você aparecer agora!

O homem dá um soco em meu abdome, onde sinto uma dor excruciante. Sinto meu corpo cair em câmera lenta. Me contorço no chão com a mão sobre a ferida, sem conseguir respirar direito enquanto ele se prepara para me dar um chute.

– Não! — ouço um grito desesperado. Levanto meu olhar e vejo Melanie com as mãos e a arma para cima em sinal de rendição. — Estou aqui, agora o deixe ir! — ela fala decidida.

– Eu esperava me divertir com um pouco mais de resistência — ele diz rindo. — Me acertou em cheio lá dentro.

– Estava mirando em sua cabeça — ela rosna arrancando risadas do Governador.

– Bom, pelo menos agradeço por ser ruim de mira!

Rapidamente ele se vira e desfere um chute sobre o mesmo local ferido. Engulo um gemido de dor, não querendo parecer fraco na frente de Melanie, que gritava e se aproxima de nós. Ergo a mão para ela com dificuldade e peço em silêncio para que fique parada.

– Confesso que é mais forte do que pensei que fosse, Daryl! — O homem em minha frente diz. Penso em onde estariam Merle e Michonne.

– Disse que se eu aparecesse o deixaria ir! — ela diz esganiçada.

– Não não, querida! — ele diz se aproximando dela. — acho que temos um equívoco aqui. Eu disse que não iria torturá-lo antes de matá-lo, entende?

Ele se vira para mim mais uma vez e projeto minhas mãos em direção ao local onde havia sido baleado. Melanie o chama num grito desesperador, que tira sua atenção de mim.

– Diga minha querida!

– Eu volto com você para Woodbury — a encaro perplexo. — Pode fazer o que quiser comigo, mas, por favor, deixe-o ir! Deixe os outros em paz!

– Minha bela, tudo o que farei com você será na frente dele — ela aponta para mim, me deixando possesso de raiva com a ameaça. — E meus assuntos com seu grupinhos já virou algo pessoal! Não posso simplesmente deixar passar, compreende?

Melanie se mantém firme até ele se aproximar lentamente, acariciando seu rosto com as costas das mãos. Posso ver seu corpo tremer mesma da distância em que estamos. Me arrasto até eles, tentando ignorar a dor que se alastrava por todo meu tronco.

– Você é uma moça tão bela — ele dizia, deixando suas mãos passearem pelos braços nus da garota. — Quase não consigo me controlar, e perceba que sou um homem com um autocontrole exemplar!

Sua boca se aproxima de seu rosto e Melanie o desvia, fazendo uma careta de puro nojo. Continuo a me arrastar, até perceber Merle ajoelhado atrás de um arbusto cheio. Ele faz o mesmo sinal de pare que eu havia feito antes e apenas aceno discretamente a cabeça.

Eles tinham um plano.

Melanie inesperadamente empurra o Governador, que ainda consegue tomar posse da arma da garota. O homem ri apontando a Magnum para mim, mas logo seu sorriso desaparece ao notar o fio de uma espada em seu pescoço. Seu rosto sério nos encara, passando de um para outro. Ele larga a arma no chão.

Melanie pega a Magnum rapidamente e vem até mim enquanto Merle sai do arbusto com uma espingarda que antes estava com um dos homens do Governador, apontando-a para o mesmo.

– O seu joguinho acabou — Merle diz e pressinto que essa será mais uma de suas frases de efeito. — Governador! — eu sabia e quase sorrio com isso.

– Acha que eu não estava esperando por algo do tipo? — o homem pergunta, ainda sério.

– Admita que foi pego de surpresa! — Merle continua a provocar.

– Só depois de vocês — ele diz sorrindo enquanto encara mais à frente.

Olho para trás e vejo três caras armados aos dentes prontos para enfiarem uma bala em nossas cabeças. Tento me levantar, mas algo quente e molhado empapa minha mão, me fazendo parar instantaneamente. Melanie pressiona suas mãos contra meu ferimento, sujando suas mãos de sangue.

– Não se mova, vai ficar tudo bem — ela me diz num sussurro.

– Eu é que deveria dizer isto à você! — respondo com a voz alterada, porém ainda baixa. — Cale a boca.

A tensão no ar é palpável, e Melanie me aperta sem perceber. O Governador consegue sair do abraço da espada de Michonne, e vem para cima da Mel. Num impulso me ponho de pé, tirando a faca presa em minha cintura e colocando em sua garganta, enquanto o seguro por trás.

– Você não vai triscar num fio de cabelo dela! — eu rosno alto, tirando a atenção dos outros cãezinhos dele.

– Eu me sinto ótimo em informar que já toquei em bem mais do que seus lindos fios! — ele fala rindo.

Melanie levanta rápida e aponta a arma para um de seus homens. O cara dá risada e depois passa a língua em seus lábios, encarando o corpo da garota. Foco em me controlar para não matar a ele e seu chefe.

– Vai atirar gracinha? — o Governador fala, ainda depois de ter sua garganta pressionada contra meu braço. — Com a mira que você tem pode até me ajudar com um de seus amigos!

– Vá embora! — ela diz com a voz embargada enquanto todos caem na gargalhada.

Merle recarrega a espingarda discretamente e Michonne segura forte sua katana, mantendo-se em posição de ataque sem chamar atenção. Peço internamente que Melanie não faça nada. Se tentar atirar e acabar errando, estamos todos mortos.

– Vamos coração, nos mostre sua coragem e dê o tiro suicida! Não se esqueça de mirar na cabeça! — o homem ri.

Melanie olha para mim com os olhos levemente molhados mas logo volta sua atenção aos três homens em sua frente. Assim que entendo o que ela vai fazer tento impedi-la.

– Melanie, não! — falo alto, quase soltando o Governador.

Ela fecha os olhos e atira, acertando o peito do homem, mal conseguindo controlar o coice da arma. Tudo acontece rápido demais. O barulho de uma arma disparando se mistura com mais um. Quase que instantaneamente Merle atira com a espingarda enquanto Michonne corta a cabeça do outro.

Quando penso em matar o Governador sinto meu braço arder num rompante, me impedindo de rasgar sua garganta. Me jogo para um lado ao se iniciar um tiroteio. Merle atira concentrado em não deixar um carro se aproximar enquanto Michonne toma a arma da mão de Melanie, também começando a atirar.

Puxo a garota pelo braço até ficarmos dentro do galpão. Olho para seu estado estático e procuro algum ferimento. Nada, ela está inteira, está bem! Continua em silêncio, do mesmo modo em que a deixei. Como consegue ser tão impulsiva dessa forma, se colocando em tantos perigos?

Olho por uma das janelas embaçadas de sujeira e ainda consigo ver o momento em que o Governador entra no carro, fugindo com seus homens. Saio do galpão, a raiva esquentando todo o meu corpo.

– Porque diabos o deixaram escapar? — gritei.

– Não sei se notou irmãozinho, já que foi se esconder na hora do vamos ver, mas tinham oito homens naquela caminhonete! Armados até o pinto!

Ignoro seus comentários e passo a ver os corpos no chão. Eu havia visto todas aquelas pessoas quando capturado e mantido em Woodbury. Sinto Melanie se aproximar vagarosamente, andando até os corpos daqueles três homens que haviam sido mortos antes do tiroteio. Ela para na frente de um deles, e o encara com os braços jogados ao lado do corpo, sem movimento algum.

– Matei uma pessoa... – Mel diz baixinho, mas todos conseguimos ouvir.

– Antes tarde do que nunca! – Merle exclama, também olhando os corpos e os chutando para ver se alguém havia sobrevivido ou se transformado. – Já estava pensando que não faria nada, foguinho!

– Não fale com ela desse jeito! – rosno baixo para que apenas ele escutasse.

– Qual é, Darylina! A garotinha precisa crescer um dia, ou vai acabar sendo devorada... E não existe apenas esse tipo de monstro – ele diz apontando para um dos errantes que foram abatidos no local.

– Não vou deixar isso acontecer – eu digo, virando-me para Melanie. – E você nunca mais vai precisar passar por isso.

Ela me olha com suas duas esmeraldas vazias. Pego seu braço novamente e começo a ir em direção à floresta. Não podíamos ir pela estrada, aqueles homens ainda poderiam estar à espreita. Ainda não sabia como três pessoas conseguiram afugentar oito completamente armadas, mas não queria testar nossa sorte mais uma vez.

– Para onde está indo? – Merle pergunta vindo logo atrás de mim.

– Vou para a floresta, as chances de nos pegarem por dentro é bem mais difícil do que se seguirmos pela estrada – respondo ao parar de caminhar.

– E vai arrastar a ruivinha com você? A garota está pálida, dê um tempo a ela – ele diz e desvio meu olhar para Melanie, que estava mais branca do que o normal.

Mel vira para o outro lado se ajoelhando e vomita, tentando segurar seus cabelos. Me abaixo ao seu lado e pego cada fio de cobre, mantendo-os longe de seu rosto. Pouco depois de vomitar o que já não havia em seu estômago, ela caminha até uma árvore e se encosta-se à mesma. Eu a sigo de perto.

– Você está bem? – pergunto suavemente, recebendo um aceno de cabeça positivo. – Vai acabar se acostumando com isso. Não é todo dia que precisamos fazer algo tão extremo como hoje e...

– Sempre precisaremos fazer coisas extremas desse jeito! – ela responde me olhando com intensidade. – Olha só como o mundo em que vivemos está! Nem parece que há pouco tempo atrás eu estava quase me formando, construindo uma vida, tentando ser normal e bem sucedida... Agora olhe só ao nosso redor! O mundo virou só mato – ela diz emburrada no final.

– Eu entendo o que quer dizer – eu respondo, realmente entendo seu lado. – Mas é isso o que temos... E não é impossível construir uma vida nesse mundo! Só é preciso mais dedicação que o normal.

– Diz isso pela pequena durona? – ela pergunta docemente.

– E por cada um de nós naquela prisão!

Ela dá um sorriso um pouco forçado, mas com um fundo de sinceridade. Acaricio o seu braço segundos antes de me afastar e chama-la para irmos embora. Minha preocupação agora está focada na prisão. Eu imploro mentalmente para que o Governador não tenha ido direto para lá.

Merle e Michonne não fazem objeção alguma quanto a andarmos rápidos e pegarmos um caminho alternativo pela floresta, onde ficamos mais encobertos. Tempos depois de caminhada, avistamos as grades da prisão. Corro em direção aos portões chamando a atenção de quem quer que esteja de guarda.

Avisto Carl nos dar passagem, e todos corremos agilmente até a entrada, atirando e fincando facas na cabeça de qualquer errante que se aproximasse demais. Melanie é a primeira a entrar, sendo seguida por Michonne, Merle e por último eu.

Vejo Melanie entrar correndo, se dirigindo até o bloco das selas. Rick, Hershel, Glenn, Maggie e Carol vêm ao meu encontro enquanto ajudo Carl a fechar os portões. Assim que se aproximam, me bombardeiam de perguntas e olham feio para Merle. Nenhuma palavra sai de minha boca, mas aceno apontando o bloco com a cabeça e todos me seguem em silêncio.

Com o coração aliviando mas ainda assim apertado, conto tudo o que aconteceu lá fora, tendo Hershel a limpar o meu braço onde a bala passou de raspão e dando uma olhada em meu antigo ferimento que estava sangrando. Todas aquelas pessoas em minha frente contam com a minha ajuda e eu só consigo pensar em como acabei piorando a nossa situação. Finalmente havíamos achado um local seguro, onde poderia ser um lugar de esperança e recomeço para Merle e Michonne. Poderíamos criar o Carl, a Judith e quem sabe um mini Glenn e uma mini Maggie. Talvez Beth se casasse com Carl, mesmo ele sendo mais novo alguns anos. Talvez eu e Melanie nós... Poderíamos criar algo melhor entre nós dois.

– Então, o que vamos fazer? — Hershel pergunta, me tirando de meia devaneios.

– Achei que isso não estava em discussão! — eu digo irritado. Não iria perder aquele lugar sem lutar!

– Já havíamos decidido antes — Rick se pronuncia. — Mas podemos colocar em discussão mais uma vez.

– Não vou entregar esse lugar numa bandeja enfeitada com flores exóticas! — eu rosno.

– Ninguém aqui vai! — Maggie diz a meu favor.

– Temos de pensar na segurança de todos — Glenn interfere. — Muitos ainda não podem se defender de uma ameaça tão grande!

– Então vamos fazer eles pensarem que desistimos — Merle diz ao longe. Penso bem no assunto e não acho uma má ideia.

– Podemos pegá-los desprevenidos — Michonne concorda de má vontade.

– Seria uma boa vantagem — Hershel diz. — Mas ainda assim muito perigoso!

– Escondemos os mais vulneráveis — Rick fala, já decidido. — Os deixamos escondidos na floresta, perto do lago. É... — ele diz refletindo. — Podemos fazer isso acontecer! — Rick me encara e eu aceno com a cabeça. Todos ali sabem o quanto aquela prisão significa. E ninguém está disposta a apenas esquecê-la.

Eles se levantam e eu imito seu gesto, vendo Beth chegar perto de sua irmã e me encarar feio. Retribuo o seu olhar com ferocidade, o que a faz desviar. Maggie vira para mim, seu rosto lívido e vermelho de raiva. Vejo-a caminhar até mim, apontando o dedo em meu peito e me empurrando levemente para trás.

– Você tem que continuar sendo o caipira de sempre, não é mesmo? – ela pergunta, numa intimidade com a qual nunca tivemos.

– Veja como fala comigo! – eu digo na defensiva, enquanto Glenn se aproxima.

– Assim como você cuidou com o que ia dizer à Melanie? – ela pergunta e me assusto.

– O que quer dizer? — pergunto confuso.

– Que está acontecendo aqui? – Glenn pergunta se postando ao lado de Maggie, me olhando sério.

– Nada Gleen, vá embora! – Maggie responde, empurrando-o para longe. – Você tem de pedir desculpas para ela, Daryl!

– Não devo desculpas à ninguém! – eu digo irritado, querendo apenas ir para minha sela e ficar em paz antes de arrumarmos tudo.

– Deve! – ela fala raivosa. – A garota estava tão preocupada com você que ignorou tudo e saiu a sua procura! Sabe como deve ter sido difícil para ela ter de enfrentar tudo tão novo sozinha? E ver o Governador?! – ela balança a cabeça. – Você é um insensível! Chamá-la de inútil, Daryl?

– Não é da sua conta! – eu digo e deixo-as para trás sem esperar que digam algo. Mas Beth me para no meio da escada, tocando meu braço.

– Ela gosta mesmo de você, sabia? – ela diz suavemente. – Pode ser impulsiva mas se importa com você.

Dito isso ela me deixa sozinho, pensando no que ouvira. “Ela gosta mesmo de você”, ela disse. Melanie gosta mesmo de mim... Subo as escadas e mudo meu caminho, indo direto para a sela da garota. E eu gosto mesmo dela? Algo como se importar com o que a acontece, com o que está sentindo, se está bem. Isso só pode ser gostar mesmo de Melanie.

– Toc toc – eu digo, imitando uma batida na porta.

– A campainha funciona! – ela responde com a voz sendo abafada por um travesseiro em seu rosto.

– Não sei imitar uma campainha – eu digo ríspido.

– Ding Dong – ela cantarola, tirando finalmente o travesseiro do seu rosto que estava vermelho e levemente inchado. – É bom que tenha me trago uma torta!

– Uma torta é o preço de sua raiva? – pergunto enquanto entro em sua sela, apoiando-me na parede e cruzando os braços.

– No momento sim – ela diz sorrindo triste. – E não estou com raiva.

– Chateada? – ela nega com a cabeça. – Triste? – nega outra vez. – Eu já disse que mente muito mal?

– Já perdi as contas, senhor Dixon – ela responde ao se deitar na cama.

– Se está me tratando pelo sobrenome, é porque não está feliz – digo tentando não rir de sua infantilidade.

– O que quer? – ela pergunta, direta.

Coço a cabeça e ando no pequeno espaço em sua sela. A olho rapidamente e desvio minha visão para o chão. Eu não conseguia projetar as palavras pela minha boca, é como se eu não conseguisse pedir desculpas. Passo as mãos pelo cabelo nervosamente, como eu já havia feito várias vezes. Eu precisava deixá-la bem comigo antes do que iríamos fazer.

– Sabe – eu começo. – Eu não devia ter dito aquelas coisas. Fiquei preocupado que tivesse sido mordida ou arranhada... Que estivesse contaminada. Não consegui agir de outra forma...

– Seu jeito de mostrar que está preocupado é apontar sua besta em minha cabeça e me chamar de inútil? – ela ri sem humor. – Vou me lembrar disso.

– Não, Mel! – eu digo mais calmo ao lembrar de minhas duras palavras. – Eu só não sei lidar com o meu... com meu...

– Com seu o que, Daryl? – ela pergunta um pouca paciência.

– Com meu medo – admito com raiva. – Não sei lidar com essa preocupação que eu sinto. Eu nunca havia me sentido dessa forma antes. E pensar que você viraria uma dessas coisas... Me deixou com muita raiva!

Sua expressão se suaviza e ela se aproxima, jogando seus braços vagarosamente em torno de meu tronco. Mel encosta sua cabeça em meu peito e fica em silêncio. Sinto meus braços envolverem seu corpo meio sem jeito. Eu não sou muito bom em abraços e em muitas demonstrações de afeto.

– Hershel deu uma olhada em sua ferida? – ela pergunta, quebrando o silêncio.

– Sim, não foi nada demais – eu digo dando de ombros e me lembro do que tínhamos de fazer naquele momento. – Vamos, temos que arrumar nossas coisas!

– Porque? O que houve? – ela pergunta alarmada.

– Tenho que tirar você, Carl, Judith, Hershel e Beth daqui! O Governador com certeza deve aparecer a qualquer momento.

– Você não vai conosco?

– Vou ficar aqui e lutar – digo decidido, ajudando-a a colocar todos os seus poucos pertences dentro de uma mochila.

– Não acha que está se esforçando demais? – Melanie pergunta séria, com uma notável preocupação no brilho de seus lindos olhos verdes.

– Não vou entregar esse lugar, Mel! Preciso te manter segura – Melanie abre a boca para retrucar, mas a impeço com um beijo, segurando-a pela nuca. – Agora vamos, não temos tempo a perder!

Levo Melanie pelo braço até o pátio, onde todos que iriam ficar na floresta estavam colocando suas coisas dentro de um dos nossos carros. Carl estava emburrado e não queria falar com o pai. Uma criança que teve que atirar na cabeça da própria mãe não deve se considerar fraca e necessitada de proteção. Ele queria ficar e agir como um homem.

Melanie se põe a colocar suas coisas no carro enquanto eu começo a checar a moto e ver se está tudo em ordem para uma possível fuga. O que é claro que não irá acontecer! Vamos chutar a bunda desses cães para longe daqui!

– Uma situação bem difícil! – ouço a voz de Carol bem próxima a mim. Levanto os olhos para encará-la. – Não vamos deixar que façam o que quiser!

– Não – eu respondo monótono. – Vamos continuar em nossa casa. — Viro a cabeça para encarar Melanie que já está dentro do veículo. Fico observando-a por alguns segundos, até um pigarro de Carol me chamar de volta ao mundo.

– Você quase morreu por causa dela... – Carol diz com raiva.

– Quase morri pelo meu irmão – eu respondo irritado com suas acusações. – Quem iria entregar Michonne para o Governador seria Merle, não a Mel!

– Ela piorou toda a situação – ela continua. – Tudo seria bem mais fácil se ela não estivesse presente. E acho que digo por todos que ela não deveria estar aqui conosco. Esse é um lugar só nosso, não dela!

– Acho que digo por todos que agora ela faz parte do grupo! – eu digo roubando sua frase e Carol se cala, lançando um olhar mortífero à Melanie.

Repentinamente lembro da conversa que estava tendo mais cedo com Melanie e me dirijo em direção ao carro, que já estava ligado e pronto para sair. Glenn os deixará no local combinado e voltará depois para se juntar a nós. Toco levemente o braço de Melanie e ela me sorri, tensa.

– Estou com medo – ela me diz com a voz trêmula.

– Não vou deixar nada te acontecer, eu prometo! – digo com sinceridade.

– Estou com medo por você! – ela diz ao segurar minhas mãos.

– Não precisa ter medo! – eu digo ao ver Glenn entrar no carro e acenar a cabeça para mim. – Prometo que estarei bem e que vamos conversar sobre essa marca em seu rosto quando todos nós voltarmos para casa!

Melanie assente nervosa, engolindo em seco. Pressiono rapidamente os meus lábios sobre os seus e inspiro profundamente seu cheiro bom. Gravo mais uma vez cada pedacinho daquela garota maravilhosa antes de fechar a porta e estranhamente sentir meu coração partir junto com ela.

Eu mataria qualquer um para vê-la novamente.

Notas finais
E então?? O que acharam minhas amoras? Espero que estejam gostando e que mandem comentários e opiniões! Isso sempre ajuda muito a melhorar a história para vocês! Até o próximo capítulo!!