A Little Piece of Hell
20 Abrindo os portões de Woodbury - Parte II
Notas iniciais
(POV Melanie)
Minha mente só pode estar me pregando peças! Noan não pode estar vivo... Ele não pode ter simplesmente fugido e se esquecido de mim! Minhas pernas bambeiam mais intensamente enquanto o vejo se aproximar velozmente, segurando-me em seus braços. Me deixo perder as forças no momento que as lágrimas se fazem presentes, marcando seu caminho em meu rosto.
– Não acredito que está viva, Mel! — ele diz se perdendo em meus cabelos. — Não acredito que está em meus braços! Te procurei por tanto tempo! Pensei que estivesse... — ele não completa a frase. Noan me afasta e por um momento e meu corpo cai, mas sinto seus braços mais uma vez em volta de mim, me mantendo de pé e perguntando ligeiramente se estou bem.
– Melanie! — ouço a voz preocupada e levemente irritada de Daryl me chamar.
Sinto outro par de braços, porém dessa vez me levantando delicadamente. Movo meu olhar que não percebi estar preso em Noan para Daryl, que continua a me encarar com preocupação. Tento dizer para que não gaste seu tempo comigo e que estou bem, mas não consigo projetar minha voz. Levanto a mão vagarosamente, tocando suas bochechas ainda rosadas pelo tiroteio, acariciando-as.
– Onde posso colocá-la? — ele pergunta se dirigindo àquele que acho ser Tyresse.
– Coloque-a nessa cama — ouço a mesma voz grossa que nos recebeu segundos atrás. — Costumamos cuidar dos idosos e crianças nesta casa.
Sinto meu corpo ser repousado num macio colchão que range ao receber o meu peso e o de Daryl. Encaro seus profundos olhos azuis enquanto desejo pedir para que fique ao meu lado. Seu semblante está sério e me preocupo se algo havia acontecido. Tento mais uma vez pronunciar algo, mas meu corpo não responde aos meus comandos.
– Fique aqui — Daryl diz me olhando ainda com feições sérias e perceptivelmente irritadas. — Não demoro! E você — diz ele se dirigindo a Noan. — Se algo acontecer à ela vou te fazer desejar estar morto!
Daryl termina sua sentença e deixa o quarto, seguindo Rick, Michonne e a mulher que se chama Karen, que são guiados por Tyresse e sua companheira cujo nome me é desconhecido. Volto meu olhar a Noan, que não parece incomodado com as ameaças do caipira. Vejo-o sorrir para mim antes de se sentar numa cadeira ao lado da cama.
– Faz tanto tempo... Não me esqueci de você nem mesmo por um segundo, Mel! — ele diz enquanto sua mão envolve a minha ternamente. — Tive tanto medo de que a tivesse perdido para sempre! Minha mãe?
Sua pergunta é clara para mim e com pesar balanço a cabeça em negação. Meus olhos ardem novamente e sinto que não vou conseguir segurar o choro mais uma vez, o que me deixa frustrada. Os olhos azuis de Noan ficam marejados e o vejo se levantar da cadeira bruscamente.
– Sabe, por um momento pensei que estivessem juntas. Nunca desisti de nenhuma das duas mas... É difícil guardar tantas esperanças e vê-las estilhaçadas diante de você!
– Noan — ouço minha voz rouca finalmente escapar. — Me desculpe, eu... Eu não pude salvá-la e...
– Shh — ele faz se voltando até mim. — Não precisa me explicar nada, Mel! O importante é que está viva. E isso já é o bastante para mim!
Sinto seus lábios irem de encontro às minhas bochechas, depositando ali um beijo carinhosamente demorado. Imito seu gesto, beijando seu rosto um pouco mais ligeiramente. Sorrio ao senti-lo afagar meus cabelos, quase me fazendo dormir, porém lembro-me do motivo de estar aqui. Sento-me velozmente na cama e levanto em seguida, sendo tomada pela vertigem que logo passa.
– Onde está o meu grupo? — pergunto enquanto me dirijo até a saída da casa.
– Não percebi para onde foram. Não seria melhor esperarmos por eles? Você não está bem. — Noan fala comigo, me acompanhando pelas ruas frias de Woodbury.
– Estou ótima. Não vim até aqui para ficar deitada recebendo seus mimos que tanto adoro — digo com doçura para não magoá-lo.
– Você não mudou nada — o ouço dizer enquanto sorri vividamente.
– O que quer dizer com isso? — pergunto ao parar no meio da rua.
– Sempre querendo ser útil para qualquer tipo de pessoas — Noan diz enquanto procura minha mão e entrelaça nossos dedos. — É por isso que você é tão maravilhosamente espetacular!
– Noan... — falo sem graça, tentando não corar. — Eu realmente preciso ajudá-los agora. São a minha família! — afirmo pela primeira vez em voz alta e o calor que toma conta de meu coração é indescritível.
– Pensei que eu fosse sua família desde que seus pais se foram! — ele diz parecendo um pouco magoado. — Não está feliz de saber que estou vivo? Que finalmente nos encontramos?
– Noan, acredite, não sabe como estou me sentindo por vê-lo bem e ao meu lado! — digo agora segurando suas duas mãos e encarando seus olhos claros. — Mas o Governador pode estar a caminho e vai matar todos nós se nos vir aqui!
– O Governador? Porque os mataria se... — Noan não completa a pergunta. — São o grupo da prisão? — pergunta chocado, soltando minhas mãos e recuando um passo. — Você está com o grupo da prisão?
– Sim — digo estufando o peito. — Algum problema com isso? — escuto um barulho de tiro e me assusto. Noan saca sua ak 47 e sua mira para em mim, me mantendo estática e com o coração acelerado. — O que está fazendo? — pergunto sem reação.
– Foi você! — ele diz entredentes. — Você e seu grupo atacou o único lugar neste inferno no qual eu conseguir imaginar um futuro para nós quando te encontrasse! — ele treme, mas ainda não consigo aceitar que está apontando uma arma para mim.
– Do que está falando? — falo com a respiração cortada, a adrenalina tomando todo o meu corpo.
– Vocês no atacaram! Conseguimos capturar quatro de vocês, mas conseguiram fugir e quase nos destruíram! Devíamos tê-los matado enquanto tivemos a chance, fomos misericordiosos demais... — a este ponto eu não consigo mais prestar tanta atenção no que ele fala. — Sabe quantas pessoas morreram aquele dia?
Ouço passos se aproximando em uma corrida veloz e com minha visão periférica vejo Rick, Michonne e Daryl apontarem suas armas para Noan, que aparentemente não está se importando em ser alvo de três pessoas. Tyresse e as duas mulheres ficam indecisos, sem saber se apontam suas metralhadoras para o nosso grupo ou para Noan.
– Fique longe dela! — Daryl grita se aproximando rapidamente do garoto em minha frente.
– Se der mais um passo eu acabo com ela! — Noan grita de volta e sinto meu coração apertar com sua sentença, me deixando enjoada.
– Você sabia? – pergunto com incredulidade, minha mente ainda focada no que ele havia dito sobre nós. – Você sabia que estávamos aqui?
– Do que está falando, Mel? – Daryl pergunta sem desviar a atenção de Noan, que permanece na mira de sua besta.
– Mel? – Noan repete e solta uma alta gargalhada. – Deixou que ele te chamasse da mesma forma que eu te chamo? – ele ainda ri. – Eu retiro o que disse sobre continuar a mesma, pequena!
– Não mude de assunto, Noan! – eu digo. Posso ouvir minha própria voz tremer e percebo que estou à beira de um colapso nervoso. – Você sabia que estávamos sendo reféns aqui? Você sabia das coisas que estavam fazendo conosco? – começo a aumentar a voz até estar gritando com o garoto em minha frente, ainda com sua arma apontada para mim. – Você sabia o que o Governador estava fazendo comigo?
– Se você estivesse aqui eu saberia! – ele responde ainda com um sorriso em seu rosto que eu não reconheço. – O Governador sabe o quanto procurei por você!
– Pois o seu Governador estava mentindo para você, cuzão! – Daryl responde se aproximando de Noan quase imperceptivelmente. – Assim como enganou meu irmão com as mesmas mentiras que provavelmente contou a você!
– É melhor calar a boca se quiser que ela fique com os miolos no lugar! – Noan responde, acelerando meu coração com todas aquelas palavras agressivas contra mim. – Acha que pode me enganar, Mel? Com esse seu joguinho emocional para cima de mim?
– Não costumo jogar jogos, Noan, você sabe disso!... Sabe o que o seu querido Governador fez comigo? – pergunto tentando impedir as imagens de voltarem para minha cabeça. – Me fez ouvir os gritos de dor e agonia que meu amigo estava sofrendo enquanto um de seus homens o torturava. Deixou-me aterrorizada com a dor que poderia me fazer sentir... Amarrou-me e me deixou presa numa sala totalmente fechada. Mas no final o que ele fez foi pior do que qualquer dor física.
– Pare de inventar coisas! – Noan grita, se descontrolando. – Você nunca foi assim!
– Porque eu inventaria algo tão atroz? – respondo na mesma altura enquanto dou passos para frente, vendo-o firmar a arma. – Vamos, atire se não acredita em mim!
– Melanie, pare com isso! – Daryl diz sério para mim.
Ignoro o seu pedido e acabo com o espaço que há entre mim e Noan. Ele ainda segura firme a ak 47, mas não sinto mais medo. O conheço desde que me entendo por gente e sei que ele não teria coragem de fazer algo comigo. Apesar de suas palavras me machucarem tanto, eu ainda confio nele. Seguro o corpo da arma e permaneço parada dessa forma, vendo seu rosto suar e seus olhos ficarem vermelhos.
– O que ele fez com você? – ele me pergunta num sussurro que somente eu posso escutar.
– Não vai querer saber – digo com a voz embargada pelo choro que ainda consigo prender.
– Por favor... – murmura um pouco mais alto.
– Se quer tanto saber – Daryl diz se aproximando, puxando a arma da mão de Noan e fala ameaçadoramente em seguida para que somente o rapaz ouça. – Seu grupo nos atacou primeiro. Fez alguns dos nossos os seus reféns sem nenhum motivo, e ela estava entre esses. E quando chegou aqui o seu querido Governador a violou! – ele diz com ódio. – E eu vou matá-lo por isso!
Noan fixa seu olhar em mim enquanto Daryl se afasta para entregar a arma nas mãos de Rick. Sinto os braços do meu amigo avançarem contra mim num abraço apertado e cheio de lágrimas. Eu nunca o havia visto chorar até agora, nem mesmo quando éramos pequenos e ele se machucava.
– Me perdoe Mel! – ele diz com a voz abafada pelo meu pescoço. – Eu estou perdido por não ter respostas, por estar tão sozinho ultimamente. E pensar num tipo de traição vinda de você... Eu surtei!
– Desculpas não vão apagar o fato de que apontou uma metralhadora em minha cabeça, mas eu entendo como deve estar se sentindo – eu digo ao me afastar de nosso abraço. – Mas agora precisamos avisar os outros do que realmente aconteceu e vou precisar de toda ajuda possível.
Ele assente com a cabeça e os outros se aproximam de nós, já colocando um plano em ação.
– Então traremos toda a cidade para cá, no centro da rua principal. – Rick diz, instruindo todos diante de um mapa desenhado a mão por Tyresse. – Contamos o que realmente aconteceu, tendo Karen como testemunha do que aconteceu na estrada. Depois temos de arrumar uma forma de leva-los até a prisão. Lá limparemos mais blocos e os acomodaremos.
– Podemos usar os ônibus escolares que estão nos fundos de Woodbury — Karen se pronuncia.
–Daryl e Melanie podem buscá-los e os posicionarem na saída, prontos para qualquer emergência. – Finaliza Rick, enrolando o mapa e o devolvendo para Tyresse.
– Ótimo – diz Daryl com uma carranca. – Então vamos acabar logo com isso.
Nos dividimos e cada um se dirige para fazer o que fora combinado. Sigo Daryl que caminha rapidamente pelas ruas bem planejadas da cidade onde agora é Woodbury. Seu rosto está impassível com um quê de irritação marcado em seus olhos. Apresso meus passos para ficar ao seu lado e ele me ignora completamente, como se minha presença não importasse para ele.
– Daryl? – o chamo preocupada.
– Acha que seu namorado ficará com raiva depois de saber que transamos? – ele pergunta em seu tom grosso.
– O que? – pergunto sem entender.
– Por que não me contou que tinha um namorado? – ele para bruscamente no meio do caminho, olhando-me ferozmente. – Agora que ele voltou dos mortos pode esquecer que estou aqui.
– Noan não é meu namorado! – eu digo rindo.
– Não foi o que pareceu! – ele retruca com raiva, me fazendo parar de rir.
– Daryl, você está sendo um idiota! – respondo com calma. – Noan é meu amigo de infância! É claro que já confundi meus sentimentos por ele, mas depois do que passamos juntos... Não há o que pensar sobre eu e Noan. Somos amigos e somente isso!
– Confundiu seus sentimentos? Isso quer dizer que já namoraram? – ele pergunta ainda na defensiva.
– Não, Daryl! Nós não namoramos – respondo com um sorriso discreto em meu rosto, encarando os lindos olhos azuis do homem que me observa cuidadosamente. – Ele nem mesmo sabe que já tive dúvidas do que sinto por ele.
– Se já teve dúvidas, o que garante que não terá novamente agora que ele está perto?
– Você! – respondo selando nossos lábios em seguida. Uma de suas mãos voa para minha nuca, prendendo-me a ele e a outra para minha cintura, colando nossos corpos. Sua língua invade minha boca, abraçando-se à minha que corresponde seu afeto. Sua mão que antes estava em minha cintura agora corre pelas minhas costas, descendo à medida que o beijo se intensifica. Acaricio seu peito com as unhas e sinto seu corpo se arrepiar ao meu toque. Nos separamos por falta de ar e encaro o mar em fúria que há em seus olhos. – Você é o que garante que serei sua! Que meus sentimentos por você não vão mudar e que sempre estarei firme no que temos!
– Talvez eu precise de um pouco mais disso para me convencer totalmente – ele diz em seu tom sério, mas sei que está me provocando.
– Posso te dar tudo isso e um pouco mais se ainda precisa ser convencido – respondo, mordendo meus lábios em seguida ao desejá-lo aqui mesmo.
– Não me atice, Mel! – ele diz, puxando-me para ele novamente.
– Então pare de fazer o mesmo comigo – respondo e mordo seus lábios, nos separando em seguida e voltando a caminhar. – Vamos! Precisamos ser rápidos para chegarmos logo! Tenho alguém que precisa ser convencido do que eu sinto!
E ao vê-lo sorrir rapidamente sei que estamos bem.
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(POV Daryl)
Ainda em Woodbury eu e Melanie achamos melhor reforçar o ônibus com algumas placas de metal que achamos espalhadas pela cidade fechada, para uma melhor proteção contra os errantes e até mesmo contra o próprio Governador. Pelo tanto de placas para os muros e armas eles eram bem cuidadosos com o que poderia acontecer com eles caso um ataque acontecesse. Prevenidos. Essa é a palavra.
– Sabe dirigir um ônibus? – Mel pergunta enquanto arrasta uma das placas até mim.
– Vou improvisar até os portões, não deve ser tão difícil. – respondo indo ajudá-la – Alguém do grupo deles deve saber como dirigir essa coisa em segurança. Eu treinaria pessoas para isso no caso de uma emergência.
– Você é um bom líder – ela comenta casualmente.
– Rick é o líder – respondo, colocando minha fé na liderança dele. Nunca sofremos mais do que o necessário e nossas baixas diminuíram desde que Rick entrou no grupo.
– Sei disso – ela diz com um sorriso no rosto, ainda prestando atenção no que está fazendo. – Só estou dizendo que você é um bom braço direito!
– Não sou seu braço direito – afirmo com convicção.
– Só você acha isso – ela ri. – Vocês têm essa... Conexão! É como se já tivessem trabalhado juntos por anos a fio. Ele acredita no que você diz, confia em você. Tenho certeza que isso é recíproco da sua parte! Vocês pensam juntos, agem juntos... São irmãos!
Fico calado pensando no que Melanie acabara de dizer. Irmãos... Eu sentia tudo isso que Mel dissera e sei que Rick também me considera da família. Mas será que sou tão importante para o grupo? Tenho tanto crédito assim para ser considerado por ela o “braço direito” do nosso líder?
– Vamos logo terminar com isso aqui – eu digo ao levantar a placa e pregá-la com a ajuda de Melanie e de uma mala de ferramentas que havia perto dos materiais.
Minutos depois chegamos aos portões de Woodbury, onde todos já nos esperam. Estaciono o ônibus de qualquer forma numa distância segura dos civis. Desço e ajudo Melanie. Por mais que seu tornozelo já esteja bem melhor, ainda me preocupo com o seu jeito um pouco descuidado e impulsivo acabar machucando-a.
Nos reunimos aos outros e a primeira pessoa que encaro é o amiguinho da Melanie, de frente para nós e ao lado de Rick que está a explicar o que acontece agora. Eu não vou com a cara desse sujeito e não confio nele. Mel pode tê-lo conhecido desde pequena e passado a vida sendo sua amiga, mas ainda não confio em nada com relação a ele, com exceção dela. Desvio meu olhar para a ruiva ao meu lado, que presta atenção no Rick diz sobre todos nos tornarmos um só grupo e prometer segurança para todos aqui presentes.
Volto a encarar o tal Noan com a pulga atrás da orelha. Ele percebe que o estou observando e passa a me fuzilar com os olhos. Bom! Ele também não gosta de mim e fico feliz com isso. Só porque ele é amigo de Melanie não quer dizer que ele possa vir a ser meu amigo também ou que eu o aceite em nosso grupo. Se ele não está contra nós, terá que me provar de força e alma.
Procuro a mão da Mel ainda sem desgrudar meus olhos do rapaz que continua a me fuzilar do outro lado. Ao achá-la, entrelaço nossos dedos para mostrar que ela está comigo. Noto seu semblante mudar de irado para confuso, e sorrio satisfeito. Melanie olha para nossas mãos e em seguida para mim, me deixando um pouco constrangido ao alargar seu sorriso que toma conta de seu rosto. Olho em volta e percebo que há pessoas olhando e sinto meu rosto arder.
– O que tanto eles estão a olhar? – sussurro para Melanie.
– Quem? – ela pergunta olhando em volta.
– Fala baixo! – sussurro novamente. – Eles! Todos eles! Estão olhando para nós.
– Ninguém está nos olhando, Daryl. Relaxa, se você se sente mais a vontade sem demonstrações de afeto em público, podemos fazer isso mais tarde. – ela diz e sorri, voltando a atenção para Rick, que continua a falar sobre a junção dos nossos grupos.
– Eu quero demonstrações de afeto em público – digo em seu ouvido e vejo sua nuca se arrepiar.
Melanie se aproxima rapidamente, deposita um beijo em meus lábios e se afasta logo em seguida com aquele mesmo sorriso que está em seu rosto desde que fomos atrás dos ônibus. E como se estivesse lendo minha mente, ela sussurra que sou o motivo dele e me sinto alegre mesmo sem estar acostumado com esse tipo de relacionamento. Meu coração cresce quando estou ao seu lado.
Com rapidez, todos voltam para suas casas assim que Rick termina de falar, a fim de pegarem todos os suprimentos e alguns poucos de seus bens pessoais. Um deles entra no ônibus, fazendo os ajustes necessários para a viagem de apenas uma hora ou duas até a prisão.
– Você tinha razão – Mel comenta, me assustando.
– Sempre tenho razão, mas o que acertei dessa vez? – pergunto vendo-a rir.
– Eles realmente têm pessoas treinadas para o caso de uma fuga forçada da cidade. As pessoas estão seguras agora que não será você a dirigir o ônibus! – ela diz em meio a gargalhadas.
– Haha! – ironizo em seu rosto. – Engraçadinha!
– Vamos? – ela pergunta, me puxando pela mão a me guiar até a moto. – Rick já está abrindo os portões de Woodbury!
E com essas palavras deixamos aquela cidade para trás e tento me esquecer de tudo o que já aconteceu ali. Mas é em vão! Não me esquecerei...
Não até matar o Governador com as minhas próprias mãos!
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BÔNUS
(POV Noan)
Estamos deixando Woodbury. O único lugar que me senti em casa desde que tudo começou. Ainda me sinto confuso e frustrado por tudo que têm acontecido desde que me separei de Melanie e de minha mãe. E tudo continua a me atingir até hoje, brincando com minhas memórias cruéis. Acabo me culpando por tudo... Devia ter sido mais responsável, ter cuidado melhor das duas! Mas eu falhei e tudo o que me restou nesses meses foi o vazio e o desespero por não ter certeza do que havia acontecido.
Agora Melanie está de volta. Viva e bem! Porém sempre acreditei que seu grupo nos havia atacado, e por um momento pensei que a mataria. Mas meu coração a reconhece, minha alma a sente por perto e ambos a protegeriam de mim! E ouvir todas aquelas coisas sobre ela e o Governador... O ódio que cresce em mim é tão grande que eu mesmo tenho medo disso.
Sem falar naquele cara que está com ela, a mantendo por perto desde que chegaram na cidade. Sinto algo dentro de mim que não está feliz com os dois juntos dessa forma. E quando ela o beijou... Tudo ficou confuso em minha cabeça e eu só quis atirar na cabeça daquele caipira com a besta. Como ela pôde se apaixonar por um cara como ele? Como pôde se apaixonar por alguém que nunca será escolhido pelos pais dela?
Não posso dizer que tudo o que passamos juntos durante toda a vida não pesou no que eu sinto por ela. Sei que somos amigos, e que agora ela está com alguém que não sou eu, mas... Eu não quero perdê-la sem nem mesmo ter tido a chance de fazê-la feliz. E me recuso a acreditar que não há sentimento mais forte entre nós dois, que não é recíproco! Tenho certeza de que ela só está com aquele cara porque teve medo de ficar sozinha.
Mas ela não está mais sozinha.
– Noan – Sasha, irmã de Tyresse me pergunta com a mão em meu ombro. – Está tudo bem? Está sério desde...
– Desde a confusão que eu aprontei? – retruco irritado. – É, estou pensando numas coisas...
Ela se senta ao meu lado e suspira, olhando em volta e prestando atenção nos idosos que estão sob seus cuidados. Encaro seu rosto com feições finas. Nos tornamos grandes amigos desde que ela apareceu em Woodbury. No inicio Tyresse não gostava muito que andássemos juntos, mas depois que ele viu como eu buscava Melanie, ele parou com os ciúmes.
– O que aconteceu, Noan? – ela pergunta sem me olhar.
– Melanie... – decido ser honesto. – Ela e o cara da besta estão juntos.
– Mas você não...? – indaga ao voltar seu olhar para mim.
– Gosto dela – a interrompo, já sabendo qual seria sua pergunta. – Mas alguma coisa aconteceu para que os dois se tornassem um casal.
– Não acha que confundiu o sentimento que ela nutre por você? Ela parece gostar mesmo daquele homem!
– Bom, se ela gosta mesmo dele vou dar motivos para gostar ainda mais de mim – respondo convicto.
– Noan, não é melhor só aceitar a felicidade da ruiva? – Sasha pergunta docemente.
– Melanie será feliz comigo! Aceito sua felicidade ao meu lado!
– Mas estará ao lado dela! – retruca. – Ela sempre será sua melhor amiga, sempre estará ao seu lado, e sempre será leal a você. Uma amizade é melhor e mais importante do que um amor induzido, Noan.
Ignoro o que ela diz ao ver que nos aproximamos de uma prisão enquanto falávamos. Endireito-me na cadeira ao passar pelos portões, que são abertos manualmente por um chinês e uma linda mulher. O ônibus para e todos os passageiros o deixam, levando seus pertences em bolsas, malas e sacolas.
Carrego minha mochila e sigo a fila que segue até um velho Papai Noel e uma garota loira ao seu lado, instruindo as pessoas que entram num bloco de celas. Ando lentamente, esperando aqueles a minha frente entrarem pela porta indicada. E por todo esse tempo encaro a garota de cabelos lisos na altura dos ombros e olhos azuis, no mesmo tom que os meus, mas sem dúvidas bem melhores em seu rosto pálido.
Chego finalmente até ela e o velho barbudo e dou um sorriso para os dois.
–Esse será o seu bloco – a garota diz enquanto o senhor sorri paternalmente para mim. – Se acomode numa das celas, que será sua enquanto estiver aqui. Faça-se em casa.
– Obrigado – respondo e educadamente estendo a mão. – Prazer, Noan Benson!
– Beth Greene – ela responde ao aceitar meu cumprimento. – E este é meu pai, Hershel Greene.
– Prazer – digo sinceramente, apertando a mão do Papai Noel.
Deixo que os outros atrás de mim também recebam suas instruções e entro no bloco, escolhendo uma das celas de cima. Jogo minha mochila no beliche e olho em volta. Sorrio sem saber muito bem o porquê e me deito, aceitando instantaneamente estar aqui.
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