A Little Piece Of Heaven

1 Capitulo Único. - One Shot


Ela era perfeita. Seus cabelos negros e lisos eram enormes. Seus Olhos escuros me encantavam. Sua pele clara e macia me fascinava. Perfeita.

Estávamos juntos há um tempo. Uns dois anos para ser mais exato. Estava pronto para algo mais sério e era com ela que eu queria passar o resto da minha vida. Olhei-a nos olhos... Ah! Aqueles enormes e profundos olhos negros como a noite, essa noite maravilhosa. Ela estava de vestido vermelho e os cabelos presos em um coque. Estávamos no meu apartamento, jantando. Preparei um jantar romântico para nós dois, mas preferia mesmo levá-la ao restaurante, mas ela não gosta de restaurantes, reclama dos barulhos dos talheres, das conversas aleatórias... É algo estranho admito, mas fazer o que se ela não gosta? É fazer algo especial em casa mesmo.

– Você está linda, Amy – Disse a ela. Ela corou. Sempre assim, só elogiar ela e ela cora. Adoro isso nela.

– Obrigada. – Ela agradece sem jeito. – Você também está lindo, Ed. – Ela diz, sorrindo.

Estava tudo perfeito, ia pedir a sua mão agora.

– Amy, quero te falar algo importante para mim. Do fundo do meu coração. Você é a mulher mais magnífica que já encontrei na minha vida. Eu não saberia agir mais do mesmo jeito se você partisse dela para sempre, não aguentaria mais ficar sem você; Eu te amo muito, mas muito mesmo – Me ajoelhei. – E não posso mais passar um dia da minha vida sem chamá-la de minha esposa. – Tirei a caixinha da aliança do bolso — Amy, você aceita casar comigo?

Sua cara de surpresa se transformou em uma cara séria. Séria demais.

– Lamento, mas eu não estou pronto para algo tão sério quanto um casamento. Estamos juntos há dois anos, está tudo perfeito, quase não brigamos, temos muitas coisas em comum, mas acho que casar é... – Ela ri, nervosamente, procurando palavras em seus pensamentos para terminar a sua frase. – Exagero.

– Ma-mas eu te amo e sei que você me ama também. Vamos selar nosso amor para sempre! Vai ser perfeito, maravilhoso. Te prometo.

Ela se levantou:

– A perfeição não existe. – Ela se dirigiu a porta, o que eu faço para impedir? Ela ia me deixar, tinha certeza, ela ia embora para nunca mais voltar, não poderia deixa — lá fazer isso, ela não sabia o que estava fazendo.

– VOLTE AQUI! NÃO OUSE SAIR! – Peguei o que estava ao meu alcance, uma faca e a puxei pelo braço.

– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Disse ela, o espanto era visível em seu rosto.

– Você não pode me deixar assim! – Rasquei-lhe seu pescoço e comecei a esfaquia-lá. Não contei quantas vezes a fiz, mas foram muitas para deixar o seu vestido vermelho num vermelho mais vivo ainda. Larguei-a de pé, ela tombou para frente, suas ultimas palavras foram um gemido fraco.

Foi melhor assim, devo admitir. Termino a minha janta, ela estava sentada na minha frente, me observando, com o anel de noivado no dedo. Diamante, a jóia preferida dela.

–Amor, você só se descontrolou um pouco. Eu sei que você não queria dizer aquilo... Vê? Agora está tudo bem. – Passo a mão em seu rosto, macio como uma pétala de flor. Mas tão frio e pálido quanto o de um cadáver.

Termino o jantar e me levanto, recolho a mesa e começo a acariciar sua mão, beijo o seu ombro e chego em seu ouvido.

– Deixe-me desculpar por isso.

Levo-a para o quarto. Ah, com certeza absoluta, essa foi a nossa melhor transa. Ela nunca foi boa nisso mesmo, mas agora, está bem melhor, está ótima. Depois do clímax, deito ao seu lado e beijo o seu rosto.

– Boa noite, princesa.


No dia seguinte, trato-lhe as feridas que lhe causei. Ah, estava tudo horrível, aberturas enormes. Pego agulhe e linha e trato de costurar todas elas, depois, passo álcool nelas, para limpar todas. Passamos a manhã e tarde juntos, sem interrupções de telefones ou campainhas. Estava muito frio lá fora e evitamos ao máximo sair. Mas teve uma hora em que eu tive que sair, ir ao mercado.

– Amor, vou ao mercado, mas não se preocupe, volto logo.


Beijei-lhe sua testa fria e fui ao mercado. Estava cheio e por algum motivo todos a minha volta me olhavam, alguns assustados, inclusiva as crianças. Era muito estranho e eu não conseguia compreender. Depois entendi o que era: Minha camiseta estava manchada de sangue e eu tinha cara de morto vivo. Estava mais pálido que um papel.

Tratei de fazer tudo rápido, mas a fila do caixa estava cheia. Um tempo depois, segui de volta ao apartamento. Saudades da minha doce Amy.

– Queria! Voltei!

Fui ao quarto, mas ela não estava lá. Onde eu a tinha deixado mesmo? Procurei pela casa toda, mas não achei nada. Então, tudo ficou escuro, as luzes tinham apagado e estava de noite. Ela estava atrás de mim, na porta do banheiro. Em pé. Viva!

Tratei de correr, sai pela porta da frente e desci as escadas correndo. Não sabia se ela estava atrás de mim ainda, mas corri sem olhar pra trás. Cheguei perto de um terreno abandonado, bem longe de casa. Parei pra respirar um pouco. As ruas estavam desertas, não havia ninguém lá. Então, senti algo frio me atravessar. Era a ponta de uma faca. Ela estava atrás de mim, como num filme sinistro de terror capenga, ela tinha me alcançado e me matado. Senti meu corpo ficar pesado, caí.

Fui parar num lugar nojento, degradante. O céu era vermelho e as nuvens negras pareciam estar paradas no ar. Esse lugar sinistro tinha algo de confortante e conhecido ao mesmo tempo. Era uma praça. Tinha um banco e alguém ocupava uma parte dele, parecia ser uma mulher de cabelos negros e longos, sabia, ou pelo menos uma parte de mim gritava que era a Amy sentada ali. Cheguei mais perto e a moça estava de vestido vermelho e segurava uma rosa negra. Era a Amy.

– Querida, você está viva! – Exclamei. Pobre e ingênuo rapaz

– Querido, você é quem está morto

– Como assim? Por quê?

– Eu o matei. Esqueceu?

– Por que, amor? Eu te amava tanto

– A mesma pergunta faço a você. – Ela me olhava, seus olhos estavam lacrimejando vermelho. Sangue.

– Você ia me abandonar, não queria ficar sozinho.

– Seu bobo. Recusei o seu pedido de casamento, mas eu também gostava muito de você. Não ia abandoná-lo

– Mas... Mas...

Ela segurou minhas mãos e se ajoelhou na minha frente. Ela sorria, sinistramente, mas havia algo que me acalmava naquele sorriso assustador

– Agora estamos juntos pelo resto da eternidade aqui nesse lugar terrível. Estamos quase casados. Quero te fazer um pedido oficial, já que quer tanto assim. – Ela segurava as minhas mãos e repetiu o que eu havia lhe dito antes, trocando o feminino pelo masculino. — Do fundo do meu coração. Você é o homem mais magnífico que já encontrei na minha vida. Eu não saberia agir mais do mesmo jeito se você partisse dela para sempre, não aguentaria mais ficar sem você; Eu te amo muito, mas muito mesmo. E não posso mais passar um dia da minha vida sem chamá-lo de meu marido. – Ela retirou, de sua rosa negra, uma pétala. — Ed, você aceita casar comigo?

– Aceito sim. Sua falta de originalidade me surpreendeu e adorei isso.

Ela riu.

– Que bom que gostou. Então vamos a igreja.

– Que igreja?

– Lá em cima. Nós vamos nos casar na capela em que eu sempre sonhei em casar. Aquela em que minha avó se casou também.

– Mas vamos lá pra cima? Ou lá pra baixo?

– Claro querido. É melhor irmos logo.

E de repente, estávamos saindo de debaixo da terra. Tive uma leve dificuldade para sair, não estou acostumado a cavar debaixo para cima. Não era só eu, mas sim, várias pessoas que estavam saindo junto da gente. Convidados.

Quando dei por mim, estava de smoking e gravata borboleta. Havia várias pessoas saindo de vestidos, ternos... Tinha até as damas de honra. Entramos na capela e por coincidência, estava acontecendo outro casamento. A noiva se virou pra ver seus novos “convidados”, junto dela, as outras pessoas. Pra que em? Todos gritaram e os mortos vivos os atacaram como se estivessem em um banquete gratuito. Fiquei parado ainda na porta da igreja enquanto eles atacavam aos vivos. O padre jogava água benta em todos, não adiantou muito. Mas precisávamos dele. Afinal, não é oficial sem um verdadeiro juiz de paz, certo?

Posicionamos-nos nos nossos lugares: eu no altar e os convidados sentados. Então começou os violinos tocando “Lá vem a noiva”. Clássico. Ah! Quanto eu sonhei com esse momento... Lá estava a Amy, bela como sempre. Seu vestido era longo, o véu lhe cobria o rosto magnificamente. Era lindo de ser ver. O padre tinha urinado nas calças de tanto medo, tremeu durante todo o casamento. Então era a troca das alianças. A pequena daminha de honra, com a metade de seu rosto, antes angelical, agora totalmente desaparecido e comido de vermes. Esbanjava um largo-meio sorriso e ela lacrimejava apesar do vazio no que um dia havia sido seus olhos. As alianças estavam com os dedos do outro casal, a aliança da moça estava presa em seu dedo comido. Tirei e coloquei com delicadeza nos dedos frágeis e pálidos de Amy, recitando os meus votos. Ela fez o mesmo. Finalmente o padre disse:

– Eu os declaro marido e mulher. O noivo pode beijar a noiva.

Ele quase vomitou em cima de nós dois e os convidados aplaudiam, gritavam e urravam de felicidade.

Amy jogou o buquê, era engraçados pois, várias mulheres se desmontaram ao tentar pega-lo.

Nossa lua de mel foi passada no cemitério, até hoje vivemos aqui. Todos que passam por aqui podem nos ver abraçados, nos beijando, de mãos dadas. Todos os que invadem o cemitério apenas veem algo rápidos, pois logo já deixam de viver ou respirar. Viram nosso jantar romântico. Meu e de minha eterna amada perfeita Amy.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!