A Little Help
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Notas iniciais
10 – Como mergulhar na tempestade
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Caro leitor, um sábio escritor disse que "não somos perfeitos, decepções, frustrações e perdas sempre acontecerão", mas também disse que "depois da mais longa noite, surgirá o mais belo amanhecer". Estou esperando por ele. Com amor, Rose Weasley.
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Scorpius me encarava com um olhar perdido. Era como se ele estivesse me vendo e um segundo depois não estava mais. Eu me sentia um holograma entrando e saindo de foco. Ele estava assim há uns dez minutos.
Eu não queria ter dito que estava apaixonada por ele, é claro que não. Eu sabia que isso acabaria com nossa amizade, ou até mesmo com nosso namoro de mentira. Mas eu precisava dizer, eu não aguentava mais ficar com aquilo entalado na minha garganta, me fazendo pensar nisso o tempo todo.
Ver Scorpius tão quieto e sem reação fez um bolo se formar na minha garganta. O que ele poderia estar pensando? Eu tinha vontade de saber, mas ao mesmo tempo preferia evitar as especulações. Esse paradoxo me dava tonturas.
E então, sem mais nem menos, ele me abraçou. E uma vontade incontrolável de chorar me invadiu. E pela primeira vez, eu cedi a ela na primeira tentativa.
— Não chore Rose. – ele disse, e pelo tom de sua voz, eu sabia que ele também estava prestes a chorar.
Por favor, seja homem pelo menos por um minuto.
— Me perdoe Scorp. Eu nunca quis que isso acontecesse, mas você sabe como é eu... – e então ele me encarou.
Olhava no fundo dos meus olhos, com uma intensidade tão grande que eu não conseguia nem me mover para desviar os olhos. Ele continuou me olhando, como se estivesse desvendando todos os meus segredos mais profundos. E acho que ele estava. Eu sentia como se ele conseguisse ver até minhas vidas passadas, apenas com esse olhar intenso.
Respirei fundo, sentindo mais lágrimas caírem dos meus olhos.
Eu realmente nunca quis que aquilo acontecesse. Por mim, eu continuaria sempre sendo amiga do Scorpius gay, namoraria um cara legal, casaria com ele, e chamaria o Scorpius gay para ser padrinho dos meus filhos. Mas nada saiu como eu esperava. Agora, eu só queria que Scorpius fosse o cara legal com quem eu me caso e tenho filhinhos. Isso não está nada certo.
— Acho melhor você ir. — eu disse sentindo um nó na garganta.
— O quê? — ele perguntou confuso. — Quer que eu vá embora?
Assenti. Eu precisava colocar meus pensamentos em ordem.
— Tudo bem, mas eu preciso fazer uma coisa antes... — ele disse e não me deu tempo de pensar, nem de perguntar, apenas olhou bem fundo nos meus olhos, e me beijou.
Ele me beijava de verdade, como se sempre houvesse feito isso. Um beijo calmo e cheio de incertezas e confusões sentimentais.
No meio dessas incertezas e confusões eu tive certeza de uma coisa: eu o amava. Não era uma paixonite de adolescente pelo seu melhor amigo gato. Era amor.
E quando ele desgrudou nossos lábios e me olhou eu senti como se estivesse mergulhando numa tempestade. E tive certeza de outra coisa: Scorpius se sentia culpado por me deixar apaixonada. E também percebi que ele havia mentido: ele não estava confuso, ele sabia o que sentia. Ele sabia exatamente o que sentia por mim.
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