A Little Bit Longer
34 Psicóloga?! Eu sou maluco?!
Chaz foi embora dois dias depois, o tempo combinado, e eu voltei a ficar sozinho. Estava sendo bastante ruim para mim ficar sem amigos, resolvi tentar me desculpar com Ryan, no dia seguinte. Pelo menos ele me escutou, mas começou com aqueles comentários nojentos sobre Aids.
Consegui me controlar, até ele dizer que eu só era mais um depravado. Então, eu explodi. Que nem com Chaz, mas daquela vez tinha motivo fixo. Acabou que eu e ele fomos para a diretoria, com olhos roxos, hematomas, e trocas de olhares irritados. Nós dois fomos suspensos por dois dias, eu fui para casa no mesmo momento.
Cheguei na porta de casa, ainda irritado, implorando mentalmente para que minha mãe e Scooter não estivessem em casa, e entrei. Minhas preces foram ouvidas, a casa estava vazia. Bati a porta e fui tomar um banho.
Tirei os sapatos e o uniforme e entrei na banheira de cueca. Fechei os olhos e afundei por alguns segundos. Quando emergi, encarei alguns porta-retratos que estavam em um criado mudo, aonde eu havia jogado a camisa branca com colarinho azul marinho, suada e surrada.
Aqueles rostos não me eram estranhos. Minha família, meus avós, meu pai, Erin, minha irmã e meu irmão, Caitlin, Chris, Chaz e Ryan, quando eu ainda nem sonhava em ser famoso. Senti uma pontada de dor apertar meu coração ao pensar no como eles deviam estar.
Chris e Chaz estavam, provavelmente, achando que eu era o ser mais idiota do mundo. Caitlin também, ela e Chris são irmãos, ela devia estar irritada também. Meus avós... Decepcionados pelo fato de seu netinho ter se envolvido com coisas tão erradas. Meu pai, Erin... Provavelmente a mesma coisa...
Minha mãe e Scooter... Talvez os piores para mim de se mencionar. Minha mãe estava cada vez mais tentando me convencer a parar, em vão. Ela sabia as proporções que aquilo poderia tomar. Já havia passado por aquilo. Mas eu não a ouvia, e, me arrependo disso.
Scooter estava se esgotando cada vez mais. Só as conversas que ele tinha comigo já me faziam ver aquilo. Uma fase pior do que a que eu já passava estava começando, e ele já estava esgotado. O que resultou em brigas e mais brigas.
Enquanto eu pensava nisso, mesmo estando com o rosto molhado, senti uma lágrima escorrer de meu rosto. Eu afundei novamente, não gosto de chorar, e ouvi, mesmo submerso, a porta da sala se abrindo. Geralmente minha mãe, ou Scooter, não invadiam o banheiro do meu quarto, então eu não precisava me preocupar em se alguém me veria chorando. Só teria que arrumar um jeito de explicar por que estava em casa tão cedo.
Nem foi tão difícil, apareci de toalha na cintura na porta do quarto, e minha mãe estava na porta. Ela se surpreendeu com o fato de eu estar em casa tão cedo, e por que estava com o olho roxo. Eu expliquei que briguei com o Ryan tentando me desculpar com ele, e fui suspenso. Ela não se surpreendeu muito, sabia que a minha situação com Ryan estava muito tensa, só me pediu a suspensão para ela assinar.
Assim que entreguei o papel a ela, entrei novamente para colocar roupas secas. Me vesti, e fui ver televisão na sala. Estava dando uma maratona de 30 horas de Bob Esponja no primeiro canal que liguei. Bem, não tira pedaço ver um pouco as trapalhadas do Bob e do Patrick, então fiquei esparramado no sofá, assistindo. Até que minha mãe apareceu na minha frente.
-Justin... – Ela disse.
-O que aconteceu?
-Bem, eu e seu pai conversamos esta manhã, e decidimos que você vai ir pra uma psicóloga.
-Psicóloga? – Perguntei. – Acha que eu sou maluco, por acaso?!
-Pra isso é psiquiatra, Justin! Psicóloga é diferente! – Ela disse, dando uma risada.
-Pra quê psicóloga, mãe? – Perguntei.
-Bem. Concordemos que você está passando por uma fase... Complicada de sua vida... Acredite, eu já passei por isso, você sabe muito bem que já. A psicóloga pode te ajudar... E então, o que acha?
-Ah, ok... – Suspirei. – Quando?
-Cinco e meia. – Olhei meu relógio. Quase duas horas. Assenti e falei, me levantando:
-Tá bem. Eu vou dar uma saída. Volto daqui a pouco. Tchau, mãe. – Estava com uma roupa tolerável para dar uma volta, só coloquei um tênis e fui caminhando para a porta. Quando iria sair, minha mãe disse, de cabeça baixa:
-Justin... – Virei-me, e perguntei:
-O que?
-Fique sóbrio, por favor. Eu estou pedindo. – Olhei para baixo, e respondi:
-Tá bem. – Iria sair, mas fui interrompido:
-Promete?
-Prometo.
Saí e fechei a porta. Desci elevador, saí do prédio, etc. Fui andando pela calçada, até que meu celular tocou.
-Ah, não... — Murmurei, quando vi quem me ligava. — Alô? — Falei, depois que atendi, azedo.
-Que isso, Jb?! Animação! — A voz de Russell, visivelmente sob efeitos de bebida, disse.
-É a única coisa que não quero ter, desculpe.
-Estava pensando se a gente não podia bater um papo, beber umas...
-Não, obrigado, prometi á minha mãe que ficaria sóbrio.
-E aqueles seus amigos que te deixaram na mão não prometeram ser seus amigos pra sempre não? — Parei. Travei no meio da rua.
-E-eu... Olha, não te interessa isso!
-Eu só disse que podemos quebrar regras um pouco!
-Não, não podemos! E, mesmo se pudéssemos, eu não quero! — Falei, desligando o celular, e suspirando.
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