A Linhagem Sagrada

24 Capítulo 22 – And The Masks Come Down...


Notas iniciais
EU SEI, EU DEVERIA ESTAR NO BARCO DE CARONTE RUMO AO TÁRTARO NESTE EXATO MOMENTO. Desculpem a demora, mas a verdade precisa ser dita: eu esqueci do nyah. Literalmente, eu não lembrava que tiha conta aqui, que lia histórias daqui e nem que postava uma história aqui. Eu sei que não vai compensar a memória, mas o capítulo está aqui. Bonne lecture, mes amis ♥ Quer dizer... boa leitura, meus amigos (:

Estava um pouco frio naquele local. Eles andavam e andavam, mas para Amy eles não estavam sequer se movendo – talvez estivessem, mas em círculos – e todos os armazéns pareciam melancolicamente iguais.

– Caramba, Scott, mas que coisa. Na próxima vez eu mando uma tartaruga no seu lugar, você demorou além da conta. Achei que fazer minhas vontades era uma prioridade. – Disse uma voz feminina bem conhecida e não tão amigável vinda das sombras do fundo do galpão que acabaram de entrar.

– Claro que são, meu amor. Suas vontades sempre são as prioridades para mim.

– Meu amor? Como assim, que história é essa? – Disse Amy, confusa e pegando no braço do Scott enquanto ele se movia em direção à escuridão.

– Mas que criatura mais tolinha, hein. Achei que por ser a Escolhida você teria mais um pouco de inteligência, só que vejo que Raziel se esqueceu desse detalhe. Anjo estúpido e convencido, achando que pode fazer o que quiser! Mas foi bem feito, a protegidinha é burra feito uma porta. – Disse Amanda Redden, Amy percebeu que ela revirava os olhos quando as luzes se acenderam. — E você achou mesmo que ele gostava de você, que você era importante e todas as outras baboseiras que ele disse? Ah, por favor, você já está bem crescidinha pra acreditar nesse tipo de balela. Será que essa garota nunca teve um namorado de verdade na vida?

– Não, o Parker era tão lerdo quanto ela... Sabe, baby, nunca senti tanta falta de casa. Aquele acampamento tava me cansando. Povinho idiota, acreditam em tudo por lá! Foi só aparecer mais um se fingindo de órfão que eles se abriram como uma flor de lótus. – Disse Scott, se aproximando de Amanda com divertimento nos olhos enquanto ela gargalhava.

– Scott... Você... Ela ta mentindo, não é? Você é meu amigo, você não pode estar do lado deles! – E lágrimas começaram a surgir nos olhos de Amy.

– Oh céus, você conseguiu mesmo fazer essa coitada acreditar que seriam “melhores amigos pra sempre”. – a garota mencionou as últimas palavras com certo escárnio, imitando a voz de uma criança – Por favor, Graycastle, cresça.

– Eu sabia que ficaria satisfeita, eu sempre cumpro as minhas promessas. – disse Scott, parando ao lado da namorada.

– Eu não entendo, o que... Como assim?

– Você cresceu nephilim, deveria saber que palavras têm poder. Agora nada do que você fizer contra ele vai de fato atingi-lo.

– Alguém pode me explicar que porcaria é essa que ta acontecendo aqui? – perguntou Emma, que até o momento não fazia ideia do que os outros estavam falando.

– Scott, v-você me enganou esse tempo todo? Você foi capaz de trair a minha confiança?

– Ai, céus. E eu fui incapaz de acreditar quando você disse que ela era a criatura mais irritante e burra que você já conheceu. Realmente, você ainda acha que ele alguma vez foi verdadeiro com você? Ele estava seguindo ordens dos nossos superiores, ou você achou mesmo que algum garoto lindo e interessante como ele – Amanda passava a ponta dos dedos no queixo dele – seria amigo de alguém tão sem graça como você?

– Eu falei que já estava de saco cheio dela, não aguentava mais os chiliques dessa mimada. – Retrucou Scott, agora abraçando Amanda por trás e beijando sua nuca.

Neste momento, Amy se deu conta de quão fundo havia caído na lábia daquele garoto. Logo ele, a quem ela contava quase tudo o que sentia e pensava, revelou-se um cretino. Suas emoções foram de decepção a ódio em questão de segundos. Ela não conseguia compreender porque ele havia feito aquilo; pior, porque ela não percebeu quem ele era antes que fosse tarde demais. Tudo o que ela queria era acertar um belo golpe de espada na garganta daquele maldito traidor. Não, melhor: ela o mataria lentamente para que ele sentisse algo perto da dor que ela sentira.

– Vá logo, meu pai já está a sua espera. Agora é a minha vez de agir, já estava cansada de esperar por um pouquinho de ação. Aquele Parker não deu nem pra aquecer.

Emma instintivamente compreendeu o que estava por vir e sacou sua espada, cutucando Amy com o cotovelo fazendo a amiga sair do transe.

– Hasta la vista, chicas. – Disse Scott, fazendo um aceno desdenhoso similar à reverência militar. Chegando ainda mais perto de Amanda, ele sussurrou em seu ouvido. – Mantenha Amy por perto, ela é muito boa em arremessar coisas à distância. Ela tem uma baita mira.

Então ele deu um beijo rápido nos lábios da namorada, disse a ela algo que para Amy pareceu “Te vejo mais tarde” e saiu pela porta atrás da garota. Enquanto ele se retirava, Redden empunhava duas adagas que estavam presas ao seu cinto.

– E então, quem quer morrer primeiro? – Perguntou Amanda, em tom de deboche apoiando as mãos nos quadris.

– Pode vir, vamos ver do que você é capaz. – Respondeu Amy, com toda a confiança que lhe restava enquanto cruzava o galpão na direção da garota.

– Então a queridinha do Anjo quer ser a primeira a visitá-lo. Por mim tudo bem, mas deixar sua amiga desocupada enquanto me divirto com você é enormemente rude. Não me levem a mal, mas mamãe me deu uma ótima educação.

Assim que Redden estalou os dedos, surgiram ao redor de Emma três demônios, que Amy não conseguia reconhecer, vindos de Deus sabe onde. Então ela se deu conta que tinha dado as costas para Amanda no exato momento que a garota a atacava, desviando de um golpe desferido na direção de sua garganta.

“Então quer dizer que você me quer morta, não é? Se prepara, vadia, porque não vai ser tão fácil assim. Você vai pagar caro por ter tirado o Sammy de mim.”, pensou Amy.

Amanda investiu novamente contra Amy, mas dessa vez ela estava preparada. Enquanto a adversária se recuperava da investida anterior, Amy sacava sua espada esperando pelo próximo ataque. Os golpes das duas garotas eram sempre bloqueados, mas quando Amy pareceu perder o foco Amanda percebeu sua falha e desferiu um golpe que resultou num corte profundo no braço esquerdo da garota, que era canhota. A única coisa decente que Scott poderia ter feito por Amy era ensiná-la a lutar com ambas as mãos e, mesmo a contragosto, ela deveria agradecê-lo por isso.

A dor no braço era intensa, mas, depois de chegar tão longe, Amy não morreria nas mãos de uma pessoa tão arrogante e convencida como Amanda Redden. Todos que acreditavam e tinham fé nela não mereciam que desistisse agora, ela sentia-se no dever de ir até o fim. Afinal, ela era a escolhida. Uma electi, a selecionada de Raziel. De certa forma ela devia uma vitória a ele também por tudo o que lhe dera.

Agora muito mais confiante, Amy canalizou toda sua raiva e dor de modo que fossem o combustível que ela precisava para vencer a batalha. Como se tivesse pressionado um botão de energia extra, ela avançou contra a adversária fazendo uso de todos os golpes que aprendera no Instituto e no Acampamento.

Depois de atingir Amanda com golpes que deixaram leves cortes na pele da garota, a Escolhida deu um giro e golpeou as adagas da rival com tanta força que Amanda caiu no chão e suas armas voaram para longe de seu alcance. A ferocidade nos olhos de Amy era tão grande que foi possível ver medo no olhar de Amanda quando ela se aproximou da garota ainda caída no chão. Ela começou a andar lentamente enquanto Amanda, ainda agachada tentava fugir. Então Amelie colocou o pé no peito de Redden.

– Eu poderia fazê-la agonizar antes de morrer, mas já to de saco cheio de olhar pra sua cara. Boa viagem até o Inferno. – Disse, enquanto fazia um corte na garganta da garota com a ponta de sua espada. – Isso foi pelo meu pai. – Depois cravou a espada sobre o coração da garota quase morta sob seu pé esquerdo. – Isso foi pelo Sammy.

Assim que se deu conta que a Amanda já havia “partido dessa pra uma pior”, Amy virou-se para ver se estava tudo bem com Emma. A verdade é que não havia como as coisas estarem piores para a amiga, que só conseguiu matar um dos três demônios que a cercaram. Ver Emma perdendo uma luta daquele jeito era bastante incomum, visto que ela era a melhor guerreira que Amy já conheceu em toda sua vida. Em uma fração de segundos, a garota calculou que se fosse correr para tentar ajudar a amiga talvez não conseguisse muita coisa. Aquele galpão de repente ficou incrivelmente maior do que ela conseguia lembrar.

As adagas de Amanda estavam perto o suficiente para que ela pudesse pegá-las e arremessá-las rapidamente contra as criaturas. As aulas de arco-e-flecha renderam-na uma ótima mira e seus percentuais de precisão aumentaram bastante desde os últimos treinos. Ela lançou as adagas como bumerangues, decapitando os estranhos demônios.

Depois de se certificar que aquelas coisas não atacariam novamente, Amy foi cuidar dos muitos ferimentos de Emma.

– Meu Deus, Amy, você foi incrível. Geralmente sou eu quem acabaria salvando a sua vida, então obrigada... mesmo.

Emma tinha visíveis cortes nos braços e no rosto, mas chegando perto dela Amy percebeu que a amiga tinha uma longa e profunda fenda na coxa direita de uns 10cm de comprimento. A essa altura, o sangue começava a esfriar e o braço de Amy latejava cada vez mais.

– Você vai precisar de uma bela runa de cura nessa perna. – Disse Amy, enquanto procurava por sua estela.

– Não precisa, é sério... eu to bem. E essa coisa no seu braço parece feia.

– Você sabe se as garras daquelas criaturas soltavam veneno ou algo do tipo? Suponho que não, então nem adianta discutir. – Ela começou a desenhar a runa de cura na perna da amiga.

– Você também não sabe se as adagas da esquisitinha estavam enfeitiçadas; ou será que sabe, senhorita Sabichona?

– Não, eu não sei. A diferença entre nós duas é que eu consigo andar e não estou sangrando como uma torneira aberta.

– Sabia que para uma garota de 17 anos você é muito turrona? Parece até minha mãe quando me obrigava a fazer o que ela queria. E isso não é legal.

– Mas eu não estou te obrigando a nada. – disse Amy, quando delineava a runa em outros pontos da pele de Emma.

– Você diz isso como se eu estivesse em condições sobrepor a minha vontade. Qual é, eu to destroçada. – disse Emma, fingindo indignação.

– Tudo bem, mas precisamos sair daqui. A gente não conhece esse lugar e pode aparecer qualquer coisa a qualquer momento. Você consegue andar?

– Talvez. Dá pra tentar, eu só preciso de um pouco de apoio. – Emma se apoiou no braço de Amy enquanto se levantava. — Mas, olha, vou te contar, viu?! Que grande filho da mãe aquele arcanjo, não podia dar uma dica?

Amelie caiu na gargalhada no mesmo instante.

Notas finais
Gostaram? Deixem um comentário com a opiião de vocês, vou adorar ler cada um. Beijinhos da tia.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.